domingo, 21 de fevereiro de 2016

Clarice Falcão - Problema Meu (2016)


Ano passado, o humorista/ator/roteirista Aziz Ansari lançou pela Netflix o seriado Master of None, sua primeira "obra", depois de passar anos em shows stand-up. Não há nenhum novo Woody Allen nos Estados Unidos, assim como não há nenhum novo Caetano Veloso surgindo entre nós. A genialidade da Geração Y tem se limitado a algumas cabeças que pensam mil coisas ao mesmo tempo, desempenham mil funções e fazem bem (apenas "bem") um pouco de tudo. Master of None é uma comédia na média, interessante por ser cópia fiel de uma geração de jovens que não conseguem se tornar adultos. A mesma ansiedade, senso de humor, inexperiência em relações amorosas e imaturidade aparecem em Problema Meu (2016) da recifense-carioca Clarice Falcão.

A cantora/atriz/humorista/roteirista/compositora entrega um álbum que, de cara já diz “queria te dizer / que esse amor todo por você / ele é irônico, é só irônico”, seguido de “eu escolhi você / porque não tá fácil assim de escolher / tem muita gente ruim”. Tentei ouvir esse disco enquanto lia a última edição da piauí, mas não deu. Problema Meu é de se ouvir prestando atenção. Meio crônica, meio carta, as músicas contam histórias engraçadas demais, verídicas e exageradas demais para não ocuparem todo o tempo do ouvinte. Fica tão na cara que Clarice se diverte com sua música, que é impossível não se divertir também. Graças ao fim do relacionamento com Gregório ou não, Clarice tirou de algum lugar muito familiar à nossa geração a inspiração para cantar "você me traía / trocando carinhos / com outras pessoas", no brega Banho de Piscina, e "eu já não amo mais você / mas eu ainda odeio essa menina", no folk Deve Ter Sido Eu.



Canções de anti-amor são sempre mais sinceras do que as românticas, assim como os momentos de crise despertam o processo criativo dos artistas bem mais do que a prosperidade. Ao pensar em álbuns que saíram do fundo do poço, rapidamente me vêm à mente os de três cantoras inglesas que imprimiram em seu trabalho toda mágoa, luto e cachaça do fim de um relacionamento. Amy Winehouse com o doloroso Back To Black (2008), resultado do término do namoro com Blake Fielder, o junkie que até hoje leva a culpa por sua morte; o 21 (2011) de Adele, talvez a maior sofrência do mundo da música, de deixar no chinelo muito Odair José e muita Dalva de Oliveira, e também tão lucrativa que o ex quis participação nos royalties por ter servido de inspiração; e a viuvez de Corinne Bailey Rae, que esteve presente em The Sea (2010), depois de seu marido morrer de overdose.

Em Monomania (2013) Clarice Falcão ainda cantava versos lindos e fofos que diziam “se eu tiver coragem de dizer / que eu meio gosto de você / você vai fugir a pé?”, “e foi assim que eu vi que a vida colocou ele pra mim” e “quando eu te vi fechar a porta / eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar”. Ela vinha do YouTube, onde postava vídeos tocando violão como um mortal qualquer, a capa do disco era meio cult bacaninha, ela posava em fotos usando coroa de flores, bombava na web com as esquetes do Porta dos Fundos, fazia um casalzinho lindinho ao lado de Gregório Duvivier, lotava o Circo Voador e era a prova de que senso de humor cobre a falta de uma afinação mais potente e de métrica nas composições. A voz dela não impressiona, as rimas às vezes não fecham e volta e meia ela fala em vez de cantar. Mas quem se importa? O talento de Clarice se sobrepõe às regras.

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Pedro Philippe é repórter da CARIRI Revista

sábado, 7 de novembro de 2015

Dirimbó - EP (2015)




Dirimbó lança primeiro EP repleto de gingado e guitarradas


Grupo de carimbo contemporâneo nascido no Recife apresenta ao público nesta sexta-feira (06/11) seu primeiro EP, com quatro faixas autorais

Amantes do carimbó, merengue, lambada e toda música feita pra se dançar agarradinho, se preparem para receber uma verdadeira unção de swing! É que a banda Dirimbó, um dos grupos que mais tem agitado a noite dançante do Recife e Olinda, vai lançar seu primeiro EP nesta próxima sexta-feira (06/11) no Capibar, na Zona Norte do Recife. A entrada custa R$ 15, à venda no local, e quem adquirir o ingresso vai levar uma cópia do EP pra casa.

A proposta da Dirimbó é de fazer uma verdadeira festa temática paraense, como manda o figurino das tradições do Norte do país. Além das apresentações musicais, o público poderá fazer degustação de Cachaça de Jambu (típica da região) e caldinho de piranha, além de conhecer uma feira de temperos e ervas amazonenses, entre outros charmes que vão ficar pra surpresa. 

O show da Dirimbó contará ainda com as participações especiais do trompetista Marcinho Oliveira e de integrantes da banda Abeokuta. Quem for curtir a noite vai se divertir também com a discotecagem muy caliente de DJ Bibiu do Pará, DJ Indigo e de Rafa Infa, que não vão deixar ninguém ficar parado com as melhores swingadas da pista.  

Sobre o EP da Dirimbó

O primeiro EP da banda apresenta quatro faixas autorais, que são: ‘Selfie’, ‘A Noite é Minha’, ‘Cabousse’ e ‘Cacarimbó’. Todo o processo de produção fonográfica, conceitual e musical do EP tem sido realizado de forma independente e com recursos da própria banda. 

As gravações começaram em julho deste ano, e foram realizadas em vários espaços, a exemplo dos estúdios da Faculdade AESO – Barros de Melo e da residência de alguns integrantes, em Aldeia e Itamaracá. Todo processo de gravação e masterização do EP foi acompanhado pelo técnico de som Vinicius Barros. A mixagem foi feita pelo próprio baterista do grupo e também técnico de som, Alberto Ramsés.

Soma-se a este trabalho o apoio fundamental de alguns parceiros como a já citada Faculdade AESO - Barros de Melo, o guitarrista Félix Robatto, do Pará, entre outros amigos e colaboradores, como a designer Rayana Viana, que desenvolveu a arte da capa do EP e o cartaz deste evento, o DJ Bibiu do Pará, que estimulou a formação da banda desde o início, e Zé Gleisson e Camila Leal, que compuseram algumas das canções do disco.

A Dirimbó é composta por Rafa Lira (vocal e guitarra), Milla Bigio (vocal e percussão), Vitor Pequeno (guitarra), Mário Zappa (baixo), Bruno Negromonte (percussão) e Alberto Ramsés (bateria). Todos personagens experientes da cena musical pernambucana e do Pará que buscam juntos fazer um carimbó bom pra dançar.

Serviço
Lançamento do EP da Dirimbó
Sexta (6/11) | 22h
Capibar (Rua Tapacurá, 100 - Casa Forte)
Ingressos + EP: R$ 15
Informações: (81) 3222 4717
Link do evento no Facebook: http://on.fb.me/1MTx8Pp

Links da banda:

INSTAGRAM: https://instagram.com/bandadirimbo

FACEBOOK: www.facebook.com/bandadirimbo

YOUTUBE: http://bit.ly/1KosgQp

SOUNDCLOUND: http://bit.ly/1MToPHw

Contato
Marcus Iglesias (produção)
(81) 9 9656 7265

Download: Dirimbó


sábado, 31 de outubro de 2015

Igor de Carvalho - A TV, a Lâmpada e o Opaxorô (2014)




Depois de dois anos de muito trabalho, o cantor e compositor, Igor de Carvalho, lançou no dia do seu aniversário, o primeiro disco da carreira.  O albúm, intitulado “A TV, a Lâmpada e o Opaxorô”,  contém 12  músicas autorais e está disponível  para download gratuito na internet. 

De voz suave, melodias bem trabalhadas e letras irreverentes,  o disco “A TV, a Lâmpada e o Opaxorô”,  é composto por letras feitas pelo próprio Igor. Nelas, o cantor retrata o dia a dia  e os sentimentos vividos pelas pessoas.

O primeiro disco da carreira de Igor, também conta com a participação de Lula Queiroga, na faixa "Em furto” e de Moreno Veloso, na música  “Rainha de Aiocá”. 

Fonte: http://www.antene-se.com




quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Abeokuta - Agô EP (2015)




Afrobeat pernambucano da Abeokuta pede licença com lançamento do EP ‘Agô’

Neste trabalho o grupo recifense apresenta quatro faixas autorais, disponíveis para download e audição nas principais plataformas da internet



Inspirada no afrobeat criado pelo lendário multi-instrumentista nigeriano Fela Kuti, a banda Abeokuta, nascida no Recife, lança seu primeiro EP de trabalho, intitulado ‘Agô’. O lançamento aconteceu neste último sábado (17), durante a terceira edição do Fela Day Pernambuco, festa mundial em homenagem ao eterno Black President. O álbum ‘Agô’ já pode ser ouvido pelos amantes do afrobeat nas principais plataformas de audição da internet (Deezer, Spotfly, Rdio e Soundclound), e também está disponível para download no site da banda (www.abeokuta.com.br).



A Abeokuta, cujo nome é inspirado na cidade natal de Fela Kuti, é uma das principais bandas do gênero do Nordeste. A banda vivência na prática a atuação de um grupo independente, e este processo ficou evidente durante a produção de ‘Agô’. A ideia, que começou a tomar corpo em março deste ano, surgiu após o retorno do público durante uma festa que a Abeokuta realizou nos últimos dias do Carnaval. “A resposta positiva e vibrante da galera nos mostrou que era necessário dar um passo adiante e materializar aquela energia empenhada nos shows num registro definitivo”, explica Jedson Nobre, baixista e fundador do grupo.



Todo o processo de gravação e mixagem de ‘Agô’ foi realizado no Estúdio Fábrica, com a ajuda do técnico Marcílio Moura, que entendeu a proposta do som e conseguiu transportar as ideias da Abeokuta para o resultado final. O disco conta com quatro faixas (cantadas em iorubá, português e inglês), cujos títulos são: ‘Agó’, ‘Mr. Job’, ‘Lessimí’ e ‘Orunmilá’. A arte da capa do EP inspiração foi nos grafismos africanos e numa tipografia inspirada na cultura nigeriana.



‘Agô’ é uma palavra do idioma iorubá e é usada na anunciação da chegada ou saída em uma casa, espaço público, espaços litúrgicos ou do convívio com um grupo de pessoas. Neste sentido, a Abeokuta anuncia seu primeiro registro sonoro que em bom português poderia ser dito: “Tô chegando”. É a Abeokuta anunciando sua chegada.



O EP será disponibilizado gratuitamente para download no site da banda, além de plataformas de streaming diversas como Spotify, Dezeer, Radio e Youtube. “Queremos que esse trabalho chegue aos mais diversos ouvidos e achamos que essa é a melhor maneira de apresentar nossa música pra o mais abrangente público possível”, comenta o baixista da Abeokuta.



Formação da Abeokuta



O baixista Jedson Nobre, idealizador da Abeokuta e grande admirador de Fela Kuti, tinha o sonho antigo de montar uma banda de afrobeat no Recife. A ideia foi tirada do papel após uma viagem realizado pelo músico ao Rio de Janeiro em maio de 2012.



Na ocasião, Jedson conheceu o baterista Tony Allen e o guitarrista Oghene Kolgbo, ambos ex-parceiros de Fela Kuti, e participou também de uma jam session com outros participantes de peso. Entre eles, estavam B. Negão, André Sampaio e Abayomy Afrobeat Orquestra, entre outros. Foi um tiro certeiro. Jedson voltou determinado a montar a banda, e assim surgiu a Abeokuta.



Além de Jedson Nobre no baixo, a banda conta com Chico Farias (guitarra), Miguel Jorge (Voz), Pedro Drope (guitarra), Hood Rocha (teclado), Diego Drão (órgão), Beto Bala (baterista), Samuel Negão (percussão), Parrô Mello (sax) e Marcinho Racional (trompete). Um time de grandes músicos da cena pernambucana, todos com forte ligação com os sons provenientes da diáspora negra.







ESCUTE AGORA O EP ‘AGÔ’, DA ABEOKUTA:



Site oficial: www.abeokuta.com.br



Facebook: www.facebook.com/abeokutaafrobeat



Soundclound: www.soundcloud.com/abeokutaafrobeat



Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC_gnrW2FFwcu78fbXvBIJ3g


Download: AGÔ

domingo, 16 de agosto de 2015

Gudicarmas - Dharma (2015)



A Gudicarmas, banda autoral surgida em 2011 no Recife, inicia o ano em fase final de produção do primeiro disco, intitulado ‘Dharma’. A singularidade de cada um dos integrantes, a saber Felipe Sitonio (violão, guitarra, gaita e voz), Mateus Guedes (guitarra, bateria e voz), Otávio Carvalheira (baixo e voz), Pedro “Paca” Valença (percussão e efeitos) e Rafael Cunha (bateria, sintetizador, gaita e voz) está devidamente mesclada nas composições reunidas para o novo trabalho, a ser lançado em 16 de agosto de 2015. A co-produção e mixagem do disco é assinada por Diogo Guedes (Banda de Joseph Tourton, Rua), e masterização de Bruno Giorgi (Rua, Lenine, Cícero).

O nome da banda, aparentemente esquisito, reúne o conjunto de ações que resultam em consequências (o popular “Karma”) com acordes e arranjos complexos que inspiram sensações inebriantamente boas (leia-se, do inglês, o “Good”). Daí, tem-se o abrasileirado "Gudicarmas". 



As 11 composições presentes em ‘Dharma’, algumas delas regravações de músicas do primeiro EP intitulado ‘Gudicarmas (2012)’, possuem uma temática que permeiam vários meios: política, loucura, amor, cotidiano. As influências sonoras presentes no disco trazem o movimento Udigrudi (Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Aratanha Azul) como forte semelhança e inspiração, além de variados ritmos musicais: Baião (Faixa ‘Eu, Ela e o o Mar’‘Almôndegas’), Dub & Reggae (‘Palácio de Paloccis’), Blues (‘Ávido’ e ‘Azuis Blues’), todos eles misturados com uma pitada de rock progressivo.


A trajetória da banda ao longo dos seus primeiros anos de existência contempla apresentações em eventos como: Feira ExpoIdea 2.0; Peixe Sonoro (2012, Nascedouro de Peixinhos); Seletiva Pré-AMP (2013); Grito Rock – Recife e Paulista (2013); Virada Cultural de Campina Grande (2014); Campus Festival João Pessoa: Gudicarmas + Vanguart (2014); Festival Visionário BoiKot (Serra Negra, 2014) e São João Multicultural de Arcoverde (Palco Mutimusical, 2015). 

Download: Dharma


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Orquestra Contemporânea de Olinda - Bonfim (2015)




Bomfim é um disco que poderia chamar-se Guadalupe, Amaro Branco, Bonsucesso, Maruim...Toda Olinda lá de baixo, periferia às margens do sítio histórico, descreveria bem a essência do terceiro álbum de carreira da Orquestra Contemporânea de Olinda (OCO). Neste trabalho, a banda que desde 2008 trilha um caminho crescente no cenário da música brasileira, volta confortável para casa. O bom fim de um ciclo criativo para um recomeço, com tudo de melhor que a palavra traz. Retorno ao que Olinda tem de mais rica: os moradores, os candomblés e seus afoxés, os cocos de umbigada, do Pneu e da Xambá. As loas de maracatu da Tabajara. As figuras fantásticas, como o Cariri, em um carnaval reconhecido no mundo todo. Os sete músicos pernambucanos, de performance sempre surpreendente no palco, vivem, se alimentam dessa Olinda transbordante de arte e autorreferências, ao mesmo tempo cosmopolita, transitando lado a lado com o que vem de fora.

Dessa mistura de tradições e influências, Gilú Amaral (percussão), Rapha B (bateria), Hugo Gila (baixo), Juliano Holanda (guitarra), Tiné e Maciel Salú (vocais), e ainda um dos mais expressivos saxofonistas do país, o Maestro Ivan do Espírito Santo, unem-se a um trio de metais (trompete, trombone e tuba) vindo do Grêmio Musical Henrique Dias, primeira escola profissionalizante de frevo de Olinda, em atividade ininterrupta desde 1954. Após oito anos de estrada, a Orquestra Contemporânea de Olinda nunca se sentiu tão ela, tão segura do seu lugar e da força da música que faz e carrega.

Os primeiros shows de lançamento de Bomfim já estão agendados para junho: começam no dia 18 e 20 no Rio (RJ), 19 em Niterói (RJ), 25 em Goiânia (GO) e 26 em Brasília (DF) . Além do show no Teatro Oscar Niemeyer, em Niterói, a banda ainda tem garantida pela Petrobras a circulação do espetáculo por várias capitais brasileiras, como Belém, Manaus, Fortaleza, Juazeiro do Norte, Salvador, Recife, Goiânia, Cuiabá, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e São Paulo. Além do lançamento em streaming, a banda projeta a venda das principais lojas do país de Bomfim em embalagem digipack e vinil.

Conceito - Bomfim é 100% autoral, gravado no Fábrica Estúdios (PE). O disco traz 11 faixas com produção e direção musical são assinadas por Juliano Holanda e Orquestra Contemporânea de Olinda. O designer gráfico é de Sebba Cavalcante sob conceito de Aline Feitosa e fotografias de Beto Figueiroa. Os grafismos são de Maria Morena e de Zelão, um dos últimos artistas populares da 'escola' de Bajado. Zelão morreu em Olinda logo após a conclusão deste trabalho para a Orquestra Contemporânea de Olinda, em dezembro de 2014. A máscara usada pelo menino da capa é de Julião das Máscaras, terceiro da geração de uma família que mantém viva a arte das fantasias com papel marchê no bairro do Guadalupe, Olinda. O show traz cenografia de Renata Gamelo e light design de Roberto Riegert. A Quatro Cantos Produções faz a produção executiva deste terceiro disco de carreira da OCO.
Trajetória - Com o primeiro disco, homônimo, lançado em 2008 (Som Livre), a Orquestra Contemporânea de Olinda conquistou indicações ao Prêmio da Música Brasileira (2009), Grammy latino (2010), teve o show considerado um dos melhores de 2009 pelo Jornal O Globo e ganhou meia página do The New York Times pela apresentação feita no Lincoln Center (NY), em 2010, na primeira turnê pelos EUA. Em 2012, a OCO lançou o elogiado disco "Pra ficar", que teve como produtor musical o conceituado Arto Lindsay.

Em 2013, a OCO apresentou showcase na WOMEX, maior feira de música do mundo, o que garantiu a 4ª turnê internacional do grupo, que ocorreu o fim de 2013. Nos dois anos seguintes, a Orquestra circulou por todas as regiões brasileiras. Apresentaram-se em grandes festivais, como o Se Rasgum (PA) e o Psicodália (SC); levou o público para ferver em praças públicas, como na acolhedora Pirenópolis, no Centro-Oeste, e na capital federal. Fez shows históricos em Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, São Paulo e Florianópolis. Encerrou a turnê do álbum "Pra Ficar" numa emocionante apresentação com lotação máxima no Teatro Santa Isabel, no Recife.







segunda-feira, 1 de junho de 2015

Zé Manoel - Canção e Silêncio (2015)




—Zé Manoel! De onde saiu este cara?
Uns quatro anos atrás, uma amiga me passou um CD demo, de um músico seu conhecido, a quem cobriu de elogios, pediu que eu desse uma escutada. O disco repousou um bom tempo, acho que uns dois meses, num móvel perto do computador, fazendo companhia a outros que separei pra conferir. Um belo dia, olhei de lado e a vista caiu sobre o tal CD demo. Um “Zé Manoel” escrito em letras azuis. Coloquei o disco no drive do computador, e já comecei a gostar, mal soaram os primeiros acordes, acho que de Samba tem, que era feito se Edu Lobo cantasse um afro samba de Baden e Vinicius.
     
Aumentei o volume das caixas de som, e deitei no sofá pra escutar o disco. A cada canção mais eu me perguntava de onde tinha saído aquele cara. Ninguém compunha mais daquela maneira. Pelo menos ninguém da geração nascida a partir da década de 80. Canções, com começo, meio e fim, harmonias requintadas, como se fazia nos anos 60. Zé Manoel cantava acompanhando-se ao piano, em algumas faixas com uma banda. Me entusiasmei pela demo. Virou trilha dos nossos papos no Frontal, um bar na Mamede Simões (point descolado do Recife, pra quem não sabe). Devo ter convertido muita gente à música de Zé Manoel, a quem conheci, algum tempo depois, ali mesmo na dita Mamede.
   
Agora, eis-me cá, incumbido da tarefa de escrever sobre seu segundo álbum, Canção e silêncio, viabilizado pela aprovação num edital do Natura Musical, que lhe proporcionou gravar como acontecia numa época de vacas gordas para a indústria fonográfica. Deu-lhe condições, por exemplo, de convidar dois dos mais destacados produtores do país na atualidade: o gaúcho Carlos Eduardo Miranda (Produção musical) e o carioca Kassin (Produção adicional de bases). A princípio, pode parecer estranho a dupla num mesmo disco, são estilos diferentes, não trilham a mesma seara sonora. Não trilhavam, porque boas ideia convergiram para um mesmo ponto. Por mais elementos que tenham acrescentado, o que prevalece nas treze faixas do álbum é Zé Manoel, piano e voz.
   
Nesses quatro anos, Zé mudou, continua criando melodias engenhosas e belas, com ótimas letras. Porém diferentes do que fez no primeiro disco. As novas canções não arrebatam, apoderam-se de quem as escuta, lenta e inexoravelmente, como o rio São Francisco inundando terras ribeirinhas. Zé Manoel é dotado do raro dom da sutileza, e de contornar o fácil. Ao longo do disco há intervenções dos maestros Letieres Leite (BA), Mateus Alves (PE) e Fabio Negroni (RJ), que assinam arranjos de, respectivamente, cordas, madeiras e metais, mas o alicerce, a espinha dorsal é a formação instrumental clássica, de piano, baixo (Kassin), e bateria (Tutty Moreno). De participações especiais, uma deferência à Petrolina, na voz de Dona Amélia, do Samba de Véio, da Ilha do Massangano, no rio São Francisco (em Mãe d´agua) e o canto privilegiado de Isadora Melo, nova cantora pernambucana (prestem atenção neste nome) , afinadíssima, sem vibrato esbanja talento em Volta pra casa, mais uma canção marinha.
   
Nascido em Petrolina, onde são onipresentes as águas do “Velho Chico”, e morador no Recife, entrecortada de rios, e que tem o mar como ponto de confluência, Zé Manoel não tinha como não fazer das águas, doce e salgada, seu referencial. No disco anterior, a canção que norteia o repertório é o maracatu Saraivada de Felicidade, que conta a expectativa e o deslumbramento do viajante que se depara com a imensidão do oceano. Neste Canção e Silêncio, Zé Manoel varia de temas, mas o mar é quem traça o roteiro, que ele singra navegando sobre ondas, quase sempre, mansas: “E vem o mar/com seu azul e vem o mar/com sua espuma, vem o mar/com suas algas e vem o mar/com suas ondas/ vem o mar com a sua força/vem o mar com seu bramidos/ e vem o mar com seus rugidos, vem o mar... e deposita sobra a areia/cachos de estrelas marinhas (O Mar – letra de Sergio Napp e música de Ze Manoel).
   
Um disco que começa com chuva, um temporal, com Água Doce, um baião, em andamento lento, piano e voz, em tons graves, relâmpagos e trovões, então vem a calmaria num cantar suave, e inocente como uma parlenda: “Acorda vem ver a chuva/aguando o pé de laranja lima”. Que termina com Estrela Nova (letra de Dulce Quental): “Tempo, tempo/solta as velas contra o vento/deixa ir”, melodia com requintes chopinianos (Zé Manoel estudou piano dos dez aos 18 anos). “Há uma história central que serve de roteiro para toda a escuta do disco. É uma história real de um pescador da cidade de Olinda, que ao se deparar com a morte e desaparecimento no mar, do seu filho, também pescador, depois de tentativas frustradas de resgate pelos bombeiros, resolve armar a sua rede e com toda sua experiência e sabedoria de homem do mar, consegue pesca-lo”, comenta Zé Manoel.
   
A canção desta história central chama-se Sereno Mar, a letra mais longa do disco, um mini roteiro. Lembra os mares bravios de Dorival Caymmi, porém o mar de Zé Manoel não é especificamente o mar de Pernambuco, é o mar como metáfora. Sereno Mar recebe um arranjo de cordas (Letieres Leite), à Villa-Lobos, mais percussões, as variações no andamento lhe reveste de um clima cinematográfico. “É um disco de canções marítimas, em referência e reverência ao universo de Caymmi, mas também de canções ribeirinhas e urbanas”, ressalta Zé. O elemento água presente na chanson Cheio de vazio, melancólica, romântica, o personagem da letra caminha, triste, pela Rua da Aurora, margeada pelo Capíbaribe e onde, garantem, nasce o sol mais bonito no Recife. Na mesma Aurora, há uma escultura do poeta Manuel Bandeira a contemplar o Capibaribe.
   
Este disco também confirma Zé Manoel como um grande autor de canções, ou seja, de músicas que não se comprometem com tempo e lugar. Nascem para ser eternas, sem vínculos com modas, ou tendências. Uma destas é a que dá título ao álbum, Canção em Silêncio, dos versos “Vejo a cada instante você indo embora/Eu não sei pra onde/Deve ser onde a alegria/ e o seu amor se escondem”. Aqui, ali, há regionalismos, como acontece em O Mar, Nas Asas do Mangangá, ou na carioquice de Cada Vez que Digo Adeus, um samba cadenciado, meio bossa nova (como ficaria esta na voz de Elis? Me pergunto, enquanto o ouço). Mas a maioria, feito, A Maio Ambição, Habanera Hobie Cat Acalanto (com Kassin e Mavi Pugliesi) e a citada Volta pra Casa se prestariam a ter letras em qualquer idioma, há universalidade em suas melodias.
   
O disco chega ao fim, com a harmonicamente rebuscada Estrela Nova. Finda as canções, o silêncio. Recomeço a ouvi-lo, me perguntando: de onde saiu este Zé Manoel? O cara, desde a supracitada demo, e agora este novo disco, me leva a lembrar de Nelson Rodrigues sugerindo que todo mundo deveria nascer de sapatos e guarda-chuva. Zé deve ter nascido assim, pela maturidade de sua ainda curta, mas já importante obra.


José Teles *jornalista, cronista, pesquisador de música popular, e escritor