terça-feira, 6 de abril de 2010

Wado e Realismo Fantástico - A Farsa Do Samba Nublado


Wado estreou na cena musical brasileira com um disco que chamava a atenção já no título: Manisfesto da Arte Periférica. De cara, Wado procurava cutucar o público, tentando mostrar que se fazia música boa fora do eixão RJ/SP. "Eu tenho muita vontade de lutar pelo reconhecimento das outras regiões brasileiras, de criar mercados locais que sejam integrados a outros mercados locais e que permitam um intercâmbio maior entre os independentes", dizia o músico em entrevista ao S&Y, isso três anos atrás.



Mais de mil dias se passaram, Wado lançou um segundo disco bastante elogiado, tocou na primeira edição do Tim Festival, no Rio de Janeiro, em 2003, e seguiu na difícil estrada dos jovens músicos no Brasil, fazendo música, tocando, trabalhando, tocando e fazendo música. E trabalhando, mas não deixando de tocar. "Ainda temos o sonho de viver de música", diz Wado, apresentando seu terceiro álbum. "É um disco estranho, que contém sambas estranhos e músicas de letras fortes e sonoridade de estúdio profissional".



A Farsa do Samba Nublado (Outros Discos) traz algumas mudanças, tanto em sonoridade quanto nas letras e em conceito. Primeiro de tudo: a banda agora assina Wado e Realismo Fantástico. "Acreditamos que assim seja mais justo". As letras: "Estão mais longas, o que é uma diferença de abordagem que eu queria tentar, passar longe da concisão que são as letras dos outros discos, tentar algo novo". O som: "Os arranjos estão mais bem resolvidos", garante.



Ok, é preciso dizer que isso tudo é teoria. Na prática, estender o nome da banda significa que o grupo está unido e, que tudo o que vier, de alegrias a tristezas, será dividido por quatro. As letras podem até estar mais longas, mas estão mais decifráveis (seja lá o que isso queira dizer). É possível ouvir o disco uma vez e sair cantarolando as canções em seguida, e isso é mérito. Quanto ao som, esse é o disco mais direto da banda. E o mais triste. Rock e samba se influenciam, se abraçam e saem de mãos dadas pelo salão. Alvinho dispensa a guitarra e aposta no som do violão, claro, atulhado de efeitos e de wah wah. O resultado é um som dançante, pop, inteligente e com um q de melancolia e de nuvens negras.

1. Tormenta
2. Grande poder
3. Vai querer?
4. Alguma coisa mais pra frente
5. Carteiro de favela
6. Gargalhada fatal
7. Fuso
8. Amor e restos humanos
9. Se vacilar o jacaré abraça
10. Ode à maldade
11. Deserto de sal
12. Pé de carambola (bonus track)


Download:Wado



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