quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Di Freitas




Com direção musical do pianista Lincoln Antônio, neste CD o compositor e instrumentista cearense Di Freitas toca violão, violoncelo, rabeca e outros instrumentos que criou a partir de um trabalho de pesquisa e experimentação musical com materiais alternativos desenvolvido há anos na cidade de Juazeiro do Norte (CE). O disco conta com catorze faixas: doze composições de Di Freitas e as versões para as músicas Vaca Estrela e boi Fubá, de Patativa do Assaré; e Juazeiro, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. O CD também conta com os músicos Éder “O” Rocha (percussão), Filpo Ribeiro (viola e rabecas) e Ari Colares (percussão), e a participação especial da cantora Juliana Amaral.


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Francesca Della Monica & Di Freitas : Encontros ultra-musicais Nas grandes veredas das metrópoles e sertões

Toda vez que diferentes culturas musicais se encontram e dialogam entre si, via de regra, algo de novo e belo irrompe. Isso vem ocorrendo no curso da história de nossa vida musical, anfitriã generosa de várias culturas advindas de múltiplos lugares e etnias, frutificando novas linguagens e expressões da arte musical em nosso país.

Isto ocorre, precisamente, com o encontro de dois entes musicais de extraordinária sensibilidade, saídos de dois domínios tão diversos (o mundo da tradição e o da contemporaneidade), e, a um só tempo, revelador de tantas afinidades estéticas: o músico e luthier cearense Francisco Di Freitas e a musicista e cantora italiana Francesca Della Monica.

Di Freitas se notabiliza por sua perfomance na família das cordas (rabecas, violinos, violas e cellos), em instrumentos por ele mesmo criados mediante uma delicada artesania, usando como corpo de ressonância, cabaças colhidas da inóspita vegetação nordestina.

Francesca é considerada uma das vozes mais originais no panorama da música experimental italiana, tendo já trabalhado, inclusive, com o americano John Cage, célebre pelo experimentalismo no mundo da música alheatória, importante fonte de inspiração para seus exercícios da liberdade total e da imprevisibilidade composicional, onde a causalidade da organização do som e do silêncio é substituída pela casualidade.

Eis o fruto novo colhido no campo deste grande encontro:

- Improvisos entretecendo belas texturas musicais, pelo uso vocal/instrumental de climas timbrísticos, criando paisagens sonoras, tendo como chão, ora músicas do nosso acervo e cancioneiro popular, como o Trenzinho Caipira de Villa Lobos, e Asa Branca de Luiz Gonzaga, dentre outras, ora movimentos melódicos modais, vocalises expressionistas, bem como tapetes sonoros tecidos pela textura coral e ritmos de vozes e instrumentos percussivos, em movimentos pontilhísticos, seja no interior do código da linguagem tonal, seja pela liberdade de saltos intervalares para aquém ou além do tonalismo; - momentos densos obtidos pela sonoridade dramática que Francesca imprime na sua voz, tendo como contraponto a dramaturgia do texto enunciado pelo ator Cacá de Carvalho, inspirado no imaginário roseano de Grande Sertão: Veredas.

Talvez resida aqui a força mágica deste grande encontro provocado por duas almas artísticas de extrema sensibilidade: sons advindos dos grotões mais profundos de nosso interior sertanejo, dialogando com o material sonoro da modernidade urbana contemporânea.

Talvez resida aqui o desafio maior deste grande encontro: o convite para trilharmos um mundo de ambivalências, levando-nos a novas experiências estéticas, em um grande exercício de escuta diversificada, pela coexistência de mundos aparentemente tão diferentes: o familiar/ o estranho; o perto/ o longínquo; o rústico/ o sofisticado; o popular/ o erudito; o tradicional/ o experimental; o sertão/ a metrópole.

Consiglia Latorre
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domingo, 19 de setembro de 2010

Saravah Soul - Cultura Impura (2010)


“Meia-brasileira, meio britânico Saravah Soul com sua própria mistura especial de ritmos afro-brasileiros, 60′s soul e afrobeat. Seu primeiro álbum foi uma sensação internacionalmente aclamada, turnê que os levou por toda a Europa e Brasil com um show intenso, vivo bem afinados, liderada pelo vocalista Otto Nascarella . Uma profunda viagem ao seu som bastante original, Saravah Soul é uma fenomeno musical que deve ser visto e ouvido para ser acreditado!”

Com direito a "Fire" de jimi james marshall em forma de maracatufrevoafrobeatfunk'roll
disco selado pela vanguardista londrina TruTroughts. isto indica a mais absoluta procedência. pernambucanos se sentiram chegados ao som. por sinal até acho que esse Otto Nascarella seja recifense por causa do sotaque. taí, o segundo disco deles!


01 - Janaina
02 - Funk De Umbigada
03 - Cachorro Da Igrejinha
04 - Mussum
05 - Milk and Mangoes
06 - Alforria (Album Version)
07 - Da Ne Mim
08 - Fire
09 - Mestico
10 - Se Da Do
11 - Seu Problema
12 - The Truth Is Hard To Come By


Post extraido do exelente Blog: http://traficoilegaldemusica.blogspot.com/




segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Bezerra da Silva: O Samba Malandro de Bezerra da Silva (2005)




Bezerra da Silva (1927-2005) foi a voz do pobre, favelado, mas também do malandro esperto. Politicamente incorreto, escolhia pessoalmente os sambas que gravava, normalmente de autores desconhecidos oriundos da periferia carioca. Eram músicas recheadas de humor ácido que faziam denúncias sociais, descreviam o cotidiano dos pobres e criticavam a criminalização de drogas como a maconha. Excelente intérprete, com uma técnica perfeita na divisão rítmica do samba, ele tem agora o melhor de sua obra reunida em 4 CDs temáticos nesta caixa. Certo? Certíssimo! Rodrigo Faour


CD 1
EU SOU FAVELA
A voz dos excluídos – partideiro sem nó na garganta
1. Eu sou favela (Noca da Portela/Sergio Mosca) (1992)
2. Se não fosse a ajuda da rapaziada (Rabanada/Bolão) (1992)
3. Saudação às favelas (Pedro Butina/Sergio Fernandes) (1985)
4. Produto do morro (Eliezer da Ponte/Walter Coragem) (1983)
5. Candidato Caô Caô (Pedro Butina/Walter Meninão) (1988)
6. Partideiro sem nó na garganta (Franco Teixeira/Adelzonilton/Nilo Dias) (1992)
7. É esse aí que é o homem (Felipão/Bezerra da Silva) (1984)
8. Quando o morcego doar sangue (Cosme Diniz/Rosemberg) (1990)
9. Vítimas da sociedade (Crioulo Doido/Bezerra da Silva) (1985)
10. Pena de morte (Nilson Reza Forte/Bimba do Tavares Bastos) (1991)
11. Vida de operário (Ney Alberto/Romildo/Edson Show) (1988)
12. Assombração de barraco (Presidente caô caô) (José Carlos/Elson Gente Boa) (1992)
13. Violência gera violência (Grilo/Sérgio Fernandes/Reynaldo) (1988)
14. Compositores de verdade (Romildo/Edson Show/Naval) (1986)


CD 2
MALANDRO É MALANDRO, MANÉ É MANÉ
Os “irmãozinhos” e os “cagüetes”
1. Malandro rife (Otacílio/Ary do Cavaco) (1985)
2. Defunto cagüete (Adelzonilton/Ubirajara Lúcio/Franco Teixeira) (1984)
3. Bicho feroz (Tonho/Claudio Inspiração) (1985)
4. Os federais estão te filmando (Silva Junior) (1993)
5. É o bicho é o bicho (Adelzonilton/Simões PQD) (1989)
6. Grampeado com muita moral (Adelzonilton/Carnaval/Moacir da Silva) (1992)
7. Na hora da dura (Beto Pernada/Simões PQD) (1987)
8. Defunto grampeado (Evandro do Galo/Pedro Butina) (1986)
9. As 40 DPs (Gil de Carvalho) (1989)
10. Fofoqueiro é a imagem do cão (Edson Show/Wilsinho Saravá/Romildo) (1987)
11. Meu bom juiz (Beto Sem Braço/Serginho Meriti) (1986)
12. Eu não sou santo (Adelzonilton/Nilo Dias/Crioulo Doido) (1990)
13. Preconceito de cor (G. Martins/Naval) (1987)
14. Ele cagueta com o dedão do pé (Pinga/ Cláudio Inspiração/ Zaba) (1996)


CD 3
COCADA PRETA E BRANCA NO TERREIRO
As drogas e os feitiços na favela
1. Malandragem dá um tempo (Popular P./Adelzonilton/Moacyr Bombeiro) (1986)
2. São Murungar (Nilo Dias/Adelzonilton/Crioulo Doido) (1987)
3. A semente (Walmir da Purificação/Tião Miranda/Roinho/Felipão) (1987)
4. Pai Véio 171 (Luiz Moreno/Geraldo Gomes) (1983)
5. Nunca vi ninguém dá dois em nada (Caboré/Pinga/Menilson) (1983)
6. O preto e o branco (Carlinhos Russo/Zezinho do Valle/J. Laureano) (1990)
7. Nariz de bronze (Cláudio Inspiração/Tonho Magrinho) (1992)
8. Vovô Tira-tira (Pedro Butina/Guilherme do Ponto Chic) (1990)
9. Garrafada do norte (Edson Show/Wilsinho Saravá/Roxinho) (1992)
10. Zé Fofinho de Ogum (Dario Augusto/Embratel do Pandeiro) (1985)
11. Arruda de guiné (ao vivo) (Bira do Cavaco/Rubens da Vila/Velho Bira) – com Stênio Barcellos (1999)
12. Cabeça pra vovó (Murilo/Bezerra da Silva) (1980)
13. Overdose de cocada (Dinho/Ivan Mendonça) (1993)
14. Se Leonardo dá vinte… (ao vivo) (G. Martins/Walter Coragem/Bezerra da Silva) (1999)



CD 4
CORNOS, PIRANHAS, SOGRAS, PASTORES E OUTROS MANÉS
Provando e comprovando sua versatilidade em diversos temas
1. Seqüestraram minha sogra (Rodi do Jacarezinho/Sarabanda/Barbeirinho do Jacarezinho) (1991)
2. Na aba (Ney Silva/ Trambique/Paulinho Correia) (1982)
3. Viúva de seis (Efson) (1980)
4. A necessidade (ao vivo) (Jorge Garcia/ José Garcia) – com Stênio Barcellos (1999)
5. Quem usa antena é televisão (Pinga/Celsinho da Barra Funda) (1986)
6. Minha sogra parece sapatão (1000tinho/Tião Miranda/Roxinho) (1983)
7. Vizinha faladeira (Ismael Camillo) (1982)
8. Pode acreditar em mim (Adelzonilton) (1981)
9. Vou lhe dar uma colher (Carnaval) (1983)
10. Sai encosto (J. Canseira/ Marimbondo) (1996)
11. Pastor trambiqueiro (Zaba) (1991)
12. Foi o Dr. Delegado que disse (Caboré/Pinga/Jorge Portela) (1984)
13. Lugar macabro (Efson/Wilson Medeiros) (1979)
14. Os três pagodeiros do Rio (Dicró/Wilsinho Saravá/Edson Show) – com Dicró e Moreira da Silva (1995)