quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Del Rey - Especial MTV Roberto Carlos (2011)




Se na programação de fim de ano da TV Globo não está previsto um novo especial de Roberto Carlos - já foi anunciado que será reprisado o show do Rei, gravado em Jerusalém -, na MTV o cantor ganhará uma bela homenagem. O VJ e cantor pernambucano China deu a sugestão e o canal topou. Na noite desta terça-feira, ele se reuniu com a banda Del Rey, da qual é vocalista, ao lado dos músicos do Mombojó, para gravar um show com aquelas canções antigas e românticas criadas por Roberto e Erasmo Carlos. E recebeu no palco as cantoras Wanderléa e Fafá de Belém. O resultado vai ao ar no próximo dia 18, às 23h, com uma hora de duração.
- O nosso grupo nasceu em 2003 quase por brincadeira. A ideia surgiu quando um amigo nosso queria contratar uma banda para tocar em uma festa de aniversário e nos perguntou se conhecíamos alguma. Em vez de procurar alguém, resolvemos nós mesmos topar a parada, mas com um repertório formado só por músicas gravadas pelo Roberto. A coisa deu tão certo que tivemos que fazer mais uns quatro shows na casa em que ocorreu a festa e, depois disso, não paramos mais - lembra China.
Wanderléa, que nos anos 60 dividiu com Roberto e Erasmo o comando do programa “Jovem Guarda”, pela Record, ficou impressionada com o respeito que China e seus companheiros de Del Rey - Felipe S (guitarra), Chiquinho (teclados), Marcelo Machado (guitarra) e Vicente Machado (bateria) - demonstraram à obra do Rei.
- Todos são excelentes músicos, mas fazem questão de não inventar nada nas canções, mantendo os arranjos bem próximos aos que foram gravados originalmente - conta ela, que interpretou “Além do horizonte”.
Já Fafá, ainda que tenha feito sucesso bem depois da onda do iê-iê-iê, também é tiete assumidíssima de Roberto Carlos. Na gravação, a cantora dividiu com China os vocais de “Você não serve pra mim” e também ficou admirada com o desprendimento musical do quinteto.
- Cantar Roberto é sempre maravilhoso. Ainda mais com essa garotada, que canta de tudo e tem um olhar generoso sobre todo tipo de música, sem preconceito - disse.
Ao final do show, reforçando o espírito de confraternização, China chamou os demais VJs da casa para engrossar o coro. Só que, em vez de encerrar a apresentação com “Jesus Cristo” - como Roberto vem fazendo há anos -, ele optou por “Quero que vá tudo pro inferno”.
- Ainda bem que vamos cantar todos juntos. O público não ia suportar me ouvir cantando solo. Sou muito desafinado - brincou Cazé Peçanha, que apareceu com um novo visual, de barba e cabelo.
China garante que a escolha da última canção não tem nada de provocação ou ironia:
- Temos o maior respeito pelo Roberto e por tudo o que ele fez em sua carreira. E cantar as músicas dele para nós não é trabalho, é puro prazer mesmo. Um jeito de nos desligarmos um pouco de nossas carreiras autorais e relaxar. Nós nos sentimos como jogadores de futebol que, na folga de seus times, vão bater uma pelada sem compromisso. Tanto que, embora o Del Rey tenha muitos fãs, não nos passa pela cabeça gravar CD. Só fazer shows mesmo.

Download (Faixa a Faixa):Del Rey



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A Curva da Cintura - Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Toumani Diabaté (2011)



Gal Rocha
Um trecho da canção "Kaira" diz: "a música muda você / você muda mais alguém / alguém muda outro alguém / que muda você também". Esse mesmo efeito, no qual uma coisa vai desencadeando outra, agiu para que Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra encontrassem Toumani Diabaté - músico maliense que toca um instrumento chamado kora, uma espécie de harpa com 21 cordas, típica da África Ocidental. Toumani foi premiado em 2010 e 2011 no Grammy Awards na categoria melhor álbum de Traditional World Music.
Arnaldo e Edgard, parceiros há mais de vinte anos, já estavam apresentando uma série de shows juntos, com voz, violão, guitarra e um bumbo eletrônico, e compondo novas canções para um disco, quando foram convidados a dividir um concerto com o maliense em 2010, dentro do Festival Back2Black, no Rio de Janeiro. E, apesar de terem feito apenas um ensaio antes do show, a sintonia foi perfeita. O músico, então, os convidou para gravar em Bamako, capital do Mali, na África. Eles não só aceitaram como chamaram Toumani para participar do novo projeto.
O álbum foi gravado em Mali e São Paulo durante os meses de abril e maio deste ano. Em Bamako, os músicos ficaram duas semanas gravando com Toumani, seu filho, Sidiki Diabaté, e outros músicos do lugar. Lá compuseram mais alguns temas além dos que já haviam feito. O CD, produzido por Gustavo Lenza, tem 14 faixas, além de quatro bônus tracks. O lançamento do disco está previsto para este mês em parceria com a MTV, sob o selo Especial MTV, junto com o documentário, dirigido por Dora Jobim, com cenas das gravações em Mali.
Culinária, modo de vestir e costumes malienses - como assistir novelas brasileiras, por exemplo, também são mostrados no DVD. Uma parte especialmente bonita é o registro feito na casa de Toumani quando as crianças começam a cantar e a dançar. Interessante também quando o músico conta sobre a independência do Mali, na década de 1960, e sobre o movimento de resistência para enfrentar os colonizadores franceses, chamado de Kaira. A "arma" usada pelo movimento foi o canto - que falava sobre cultura, alegria, amor e paz.
"A Curva da Cintura" - Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Toumani Diabaté
1. A CURVA DA CINTURA (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
2. CARA (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
3. CORAÇÃO DE MÃE (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
4. MEU CABELO (Serge Gainsbourg / versão: Arnaldo Antunes)
5. GRÃO DE CHÃOS (Arnaldo Antunes / Liminha / Paulo Miklos)
6. CÊ NÃO VAI ME ACOMPANHAR (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
7. QUE ME CONTINUA (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
8. UM SENHOR (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
9. PSIU (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
10. SE VOCÊ (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
11. MUITO ALÉM (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
12. CÊ SABE COMO É (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
13. IR, MÃO (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
14. KAIRA (Toumani Diabaté / Arnaldo Antunes)
Bônus track
RIO SECO (Toumani Diabaté)
NEBLINA DE AREIA (Edgard Scandurra)
YACINE (Toumani Diabaté)
BAMAKO'S BLUES (Edgard Scandurra)





terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Privataria Tucana - Amaury Ribeiro Jr. (2011)





Prepare-se, leitor, porque este, infelizmente, não é um livro qualquer. A "PRIVATARIA TUCANA" nos traz, de maneira chocante e até decepcionante, a dura realidade dos bastidores da política e do empresariado brasileiro, em conluio para roubar dinheiro público. Faz uma denúncia vigorosa do que foi a chamada Era das Privatizações, instaurada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e por seu então Ministro do Planejamento, José Serra. Nomes imprevistos, até agora blindados pela aura da honestidade, surgirão manchados pela imprevista descoberta de seus malfeitos. 
Amaury Ribeiro Jr. faz um trabalho investigativo que começa de maneira assustadora, quando leva um tiro ao fazer reportagem sobre o narcotráfico e assassinato de adolescentes, na periferia de Brasília. Depois do trauma sofrido, refugia-se em Minas e começa a investigar uma rede de espionagem estimulada pelo ex-governador paulista José Serra, para desacreditar seu rival no PSDB, o ex-governador mineiro Aécio Neves. Ao puxar o fio da meada, mergulha num novelo de proporções espantosas. 


Download: A Privataria Tucana




sábado, 10 de dezembro de 2011

Turbowolf - Turbowolf (2011)




O auto intitulado álbum de estréia da banda de Bristol, UK, é nada menos do que surpreendente. É um registro comprometido de riffs, floreios selvagens, teclado e vocais erráticos.


Com muitas bandas modernas de rock clássico soando extravagantes e geralmente simplesmente chatas, Turbowolf está aqui para urinar no seu ensopado dos anos 70 e trazer,chutando e gritando, o som da "old school"  para os dias de hoje. Nada faz isso mais aparentes do que em "Seven Severed Heads", uma explosão de 2 minutos de apunhalados, rugindo versos com riffs frenéticos.


Os fãs de muito tempo vão reconhecer as faixas do seu EP 'Big Cut' aninhado juntamente com as novas adições. Enquanto estas canções mais antigas são exemplos surpreendentes do talento da banda em escrever, o material mais recente mostra explosivas excentricidades. 'Son (Sun)' abre com a guitarra escolhida a dedo, precedida por acordes tangidos no baixo, antes de desembocar no corpo principal da música, mostrando o talento vocal de Chris Georgiadis na frente de um cenário mais maduro.


Simplificando, este álbum é impecável; fãs de punk, psicodélico e rock podem todos juntos apreciarem o mamute que é Turbowolf.


Download: Turbowolf


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Hipnotic Brass Ensemble - Bulletproof Brass (2011)


Ex-trompetista da Sun Ra Arkestra durante 1959 e 1965, Phil Cohran era membro de destaque no cenário de jazz em Chicago nos anos 50 e 60 por ter participado também de outros projetos de importância no meio. Pai de “apenas” 23 filhos com mães diferentes, Cohran acreditava que cada filho seu tinha de aprender a tocar algum instrumento, assim os faziam acordar ainda muito pequenos às 6 da manhã para aulas de música antes de irem para a escola entre o fim dos anos 70 e ínicio dos 80.
Em 1986 Cohran fundou a Phil Cohran and the Youth Ensemble, um projeto musical em que toda a família participava, inclusive as mães que eram cantoras. Os filhos que na época escutavam bandas de rap como Public Enemy e NWAaprimoraram suas técnicas em palco até que os mais velhos partiram para faculdades de música espalhadas pelos EUA. O projeto se dissolveu e os mais jovens foram às ruas de Chicago em busca de ganhar algum dinheiro tocando suas próprias canções. Anthony, um dos irmãos, foi assassinado no ínicio de 1996, isso acabou reunindo a família Cohran novamente. Os demais que estavam espalhados pelo país resolveram voltar para casa e compor músicas juntos, assim nasceu o Gangsters With A Curfew, grupo de nove homens formado pelos irmãos mais velhos da família que mais tarde virou o Wolf Park.
Tocar nas ruas já não era uma dificuldade. Sem precisar de qualquer aparelho eletrônico, oito dos irmãos Cohran se juntaram ao baterista Gabriel Wallace, que não tem ligação sanguínea alguma com eles, para tocar nas ruas de Chicago sob o nome de Hypnotic Brass Ensemble. A proposta era levar a sua música basicamente instrumental, cheia de alma com raízes fortes do jazz de Chicago e das bandas de metais de New Orleans, ao homem comum das ruas em um estilo peculiar que eles batizaram de “Hypnotic”. Misturando sua audaciosa linha de metais com funk e hip hop, fazendo nascer a partir daí canções de harmonias maravilhosas, melodias e arranjos primorosos com os instrumentos variando o tempo todo no ritmo frenético dos metais.
O primeiro álbum do Hypnotic Brass Ensemble veio em 2004 e se chama Flipside, foi gravado de forma independente assim como Jupiter, lançado em 2005 que vendeu 325 mil cópias através da autopromoção. Isso chamou a atenção de grandes gravadoras que enxergaram o potencial da banda e assim ofereceram diversas propostas. Acabaram recusadas pela banda que na época tinha se mudado para Nova Iorque e lançava mais uma vez de forma independente seu terceiro disco que leva o nome da banda. Da mesma forma foram lançados outros discos como apresentações ao vivo e o disco The Brothas, distribuído pela Pheelco Entertainment. O ritmo e balanço contagiante de suas músicas rendiam convites de festivais importantes de música por todo o mundo, mas foi tocando mais uma vez nas ruas que a história do grupo tomou novos rumos. Durante show em uma esquina próxima ao escritório da gravadora Honest Jon’s a banda acabou chamando atenção do selo onde um dos diretores é o Damon Albarn. Acabaram assinando contrato para lançar um disco. O trabalho mais uma vez levou o nome da banda e mostra o Hypnotic Brass Ensemble em um patamar mais alto em sua carreira, mesmo trazendo no disco faixas que já apareceram em outros lançamentos, mas com algumas mudanças. O lançamento rendeu outros projetos com músicos renomados como Erykah Badu, Mos Def e o “patrão” Damon Albarn, que levou o Hypnotic Brass Ensemble para tocar com o Gorillaz.
Mesmo de contrato assinado com a Honest Jon’s, por onde lançou em 2010 o EPHeritage, um trabalho de versões para músicas de outros artistas, o Hypnotic Brass Ensemble não abandonou suas raízes. É possível vez por outra encontrar a banda pelas ruas de Chicago ou de Nova Iorque tocando como sempre fez, seja em metrôs ou também  pequenos bares para recolher algum dinheiro e mostrar seu trabalho. Algo um tanto inusitado e que beira despretensão para uma banda tão promissora e capaz que tem em seus admiradores gente como David Byrne,Jay-Z e até o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Este inclusive chegou a convidar a banda para participar de comícios quando ainda fazia campanha para se eleger presidente, tamanha a admiração. Em outubro de 2010 o Hypnotic Brass Ensemble esteve no Brasil tocando em Salvador e Rio de Janeiro pelo festival de percussão Percpan. Mas este foi mais um dos frutos que Phil Cohran colheu pelos tempos de quando fazia suas crianças se dedicarem à música antes de irem à escola.


ChoiceCuts Live: Kryptonite (Hypnotic Brass Ensemble) from ChoiceCuts on Vimeo.

domingo, 27 de novembro de 2011

Chico Buarque - Coletânea do Setlist da Turnê "Chico" 2011/2012


Cinco anos após a sua última turnê, Chico Buarque volta com o show de lançamento de seu mais novo CD, ‘Chico’, que já vendeu mais de 80 mil cópias. Embora dono de uma das carreiras mais sólidas e prolíficas da MPB – em 45 anos lançou mais de 40 discos, entre trabalhos solo e projetos –, o compositor é figura bissexta nos palcos brasileiros. Este será apenas o sexto espetáculo apresentado por ele nos últimos 36 anos. Com duração de aproximadamente 1h30, o roteiro é todo construído ao redor das dez canções que compõem o disco novo. Além delas, o artista vasculhou os mais de 400 títulos de sua obra, tão vasta em gêneros quanto em assuntos, para chegar à lista final de 28 músicas. O resultado é um show pautado por canções de todas as fases de sua carreira, do início dos anos 60 até hoje, amarradas entre si por afinidades musicais ou temáticas.

A turnê “Chico” tem estréia nacional em Belo Horizonte, no teatro Palácio das Artes, de 5 a 8 de novembro de 2011.

O velho Francisco 
De volta ao samba 
Desalento 
Injuriado 
Querido Diário 
Rubato 
Choro bandido 
Essa Pequena 
Tipo Um Baião 
Se Eu Soubesse 
Sem Você 2 
Bastidores 
Todo o sentimento 
O meu amor 
Teresinha 
Ana de Amsterdam 
Anos Dourados 
Sob medida 
Nina 
Valsa brasileira 
Geni e o Zepelim 
Barafunda 
Sou Eu 
Tereza da Praia 
A Violeira 
Baioque 
Cálice 
Sinhá 
Sonho de um Carnaval/A felicidade 
Futuros amantes 
Na carreira 

*Setlist do show de estréia da turnê em Belo Horizonte




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tagore - Aldeia (2010)




Se nos idos dos anos 70, entre um protesto e outro, John Lennon desembarcasse em Recife, aprendesse a gostar de cana com mel e caranguejo com sabor de maresia, e fizesse um esforço pra pensar que o Capibaribe era o Tâmisa, talvez sua história tivesse outro desfecho. E num exercício de futuro-do-pretéritologia, diríamos que ele teria feito algumas jam sessions com Alceu Valença, Lula Côrtes e a turma do Ave Sangria, e quiçá participado do legendário Woodstock nordestino, realizado em Fazenda Nova, em 1974. Mas a história não foi essa e o ex-beatle, todos sabem, levou quatro tiros quando entrava em seu prédio, em Nova York, em dezembro de 1980.


Mais de três décadas depois, Tagore lança seu disco de estreia, Aldeia, e oferece uma resposta – de várias, certamente – para como pode ser consonante a combinação do pop inglês com o regionalismo nordestino.


O melhor no álbum de estreia de Tagore é o talento para a composição: são canções com melodias assobiáveis, de fácil digestão, pop no melhor dos sentidos – o que os coloca na escola dos que não perdem a mão na dosagem de simplicidade e elaboração. A composição encontrou par no amigo e músico multinstrumentista João Cavalcanti, sob cujos cuidados ficaram os arranjos e a mixagem de todas as músicas do álbum – além da composição das faixas instrumentais.


As gravações foram realizadas em um estúdio montado num sítio em Aldeia, bairro serrano na região metropolitana do Recife, ao longo de duas semanas – durante as quais os músicos receberam visitas de amigos que colaboraram na gravação de alguns instrumentos. São, ao todo, nove faixas que passeiam por influências como Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Gilberto Gil, Raul Seixas, Moacir Santos, The Kinks, Beatles e as guitarras fuzz do Udigrudi, cena musical pernambucana dos anos 70.


A banda foi a primeira colocada na votação popular do Bis Pro Rock e tem despontado como uma das mais promissoras da nova safra independente de Recife, identificada com o resgate do movimento musical da cidade dos anos 70.


Tagore Suassuna – Voz e Violão
João Felipe Cavalcanti – Guitarra, baixo, piano elétrico e moog
Diego Dornelles – Guitarra, baixo, piano elétrico e moog
Caramurú Baumgartner – Percussão e voz
Gustavo Perylo – Bateria

Download: Tagore




Poliglota/Saga dos Carneiros - Tagore no Café Porteño from brunavalenca on Vimeo.
Tagore, Aldeia by PilhaSonora Records

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Is This Indie (2011)



Há dez anos um grupo de cinco novaiorquinos chamado The Strokes lançou Is This It. Para homenagear o disco, o Rock ‘n’ Beats convidou bandas brasileiras para tocá-lo na na íntegra em uma releitura particular deste emblemático álbum – incluímos duas faixas bônus ao projeto, uma segunda versão de Last Nite e uma música nunca gravada pelo Strokes. E o resultado é Is This Indie, muito bem apresentado pelos jornalistas Lucio Ribeiro e Marcelo Costa.
Além de lembrar a importância do disco, escolheram bandas de sete estados brasileiros pensando em representar a diversidade da atual música independente brasileira. A coletânea não mostra necessariamente as aceleradas guitarras do Strokes, mas a criatividade de quem ajuda a construir a identidade de um período da produção nacional. São 14 bandas de sete estados deste país, cada uma tocou uma faixa.
“Is This It” – Volver (Pernambuco)
“The Modern Age” – Vivendo do Ócio (Bahia)
“Soma” – João e Os Poetas de Cabelo Solto (São Paulo)
“Barely Legal” – Cícero (Rio de Janeiro)
“Someday” – Sabonetes (Paraná)
“Alone, Together” – Pública (Rio Grande do Sul)
“Last Nite” – Vespas Mandarinas (São Paulo)
“Hard to Explain” – Volantes (Rio Grande do Sul)
“New York City Cops” – R Sigma (Rio de Janeiro)
“Trying Your Luck” – Suéteres (São Paulo)
“Take It or Leave It” – Charme Chulo (Paraná)
“When It Started” – Jennifer Lo-Fi (São Paulo)
Bonus Tracks:
Rosa (Last Nite) – Banda Uó (Goiás)
Sagganuts – Visitantes (São Paulo)

Download: Is This Indie

Modern Age - Vivendo do Ócio by liracomunicacao

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Apanhador Só - Acústico-Sucateiro (2011)


Com versos filosóficos e música de espírito aventureiro, o disco do quarteto de Porto Alegre conquistou admiradores fiéis em shows pelos principais palcos do Rio Grande do Sul. Com ele, a banda ganhou, emvotação popular, concurso da TramaVirtual e foi ao Rio de Janeiro abrir show de Maria Rita. À viagem seguiram-se apresentações em São Paulo que renderam bons comentários e garantiram regresso à capital paulista, em 2008, e destaque em matéria do O Estado de S. Paulo sobre “novos artistas para ficar de olho”.
O segredo do sucesso do grupo está no talento para compor canções que remetem a uma ancestralidade pop de assimilação imediata, ao mesmo tempo em que desafia ouvintes atentos a desvendar novas camadas sonoras e líricas a cada audição. Foi esse equilíbrio entre o popular e o experimental que rendeu ao Apanhador Só tanto reconhecimento, antes mesmo de seu primeiro álbum, Apanhador Só, ser lançado em 2010 e ir direto para as listas de melhores daquele ano.
Consagrado pop
Com o lançamento do primeiro disco cheio, choveram elogios nas principais publicações culturais brasileiras destacando a destreza dos gaúchos para renovar e lapidar o rock – fundindo referências do tango ao reggae com o charme da percussão sucateira e poesias bem escritas e bem cantadas. Tudo isso numa embalagem impecável: cada canção ganhou uma ilustração do cartunista Fabiano Gummo e caligrafia próprias no encarte do disco – inestimável presente para os que, em plena revolução digital, esgotaram a primeira tiragem da bolachinha nos concorridos shows de lançamento.
O refinamento pop de seu debut colocou, definitivamente, o grupo na linha de frente da nova música brasileira, com direito a indicação na categoriaAposta MTV do Video Music Brasil 2010 e consagração no Prêmio Açorianos de Música, de onde o Apanhador Só saiu laureado por “Melhor Álbum Pop”, “Melhor Produtor Musical” (Marcelo Fruet) e “Melhor Projeto Gráfico” (Rafael Rocha).
Também disponível gratuitamente em seu site, Apanhador Só atingiu a impressionante marca de mais de 50 mil downloads em um ano – número que duplicou nos meses seguintes e vem crescendo diariamente. Os números se convertem em coro durante os shows, em especial em “Um Rei e o Zé” – cujo clipe, uma adorável e divertida partida de taco-bola produzida com esmero pela Sofá Verde Filmes, é presença constante na programação da MTV e levou a banda a ser indicada ao VMB 2011, desta vez como Revelação.
Aonde o povo está
O reconhecimento da crítica amparado por um séquito fiel de admiradores sustenta apresentações lotadas tanto em sua Porto Alegre natal quanto no cobiçado circuito do SESC São Paulo, em eventos disputados como Virada Cultural Paulista, Feira Música Brasil, o festival latino-americano El Mapa de Todos, e em casas de show e teatros das principais cidades brasileiras. A simpatia irresistível do frontman Alexandre Kumpinski, somada à guitarra esmerilhada de Felipe Zancanaro, ao baixo sedutor de Fernão Agra, à bateria precisa de Martin Estevez e à inefável bicicleta percussiva – símbolo da banda –, arrebata plateias por onde quer que passe.
Ainda colhendo os louros de sua bela estreia, o Apanhador Só decidiu, em 2011, reinventar seus recentes clássicos e trouxe a público um novo trabalho. Gravado na sala da casa de Kumpinski usando gaiola, sacos plásticos, ralador de queijo, cantil de escoteiro, talheres, pedaços de conduíte, tecladinhos, walkie-talkie e outras bugigangas, objetos eletrônicos e instrumentos lo-fi, o disco Acústico-Sucateiro evidenciou a capacidade de experimentar e inovar da banda. Além de disponibilizado para download gratuito, o material – que traz ainda a inédita “Na Ponta dos Pés” – saiu em fita cassete.
Novamente, com projeto gráfico ousado desenvolvido por Felipe Oliveira e ilustrado pelo cartunista Diego Gerlach, o lançamento incentiva o público a reciclar ideias e materiais. No encarte, a banda convida os fãs a também lançarem mão de objetos do dia-a-dia para criar arte e, nas apresentações, propõe que o público leve fitas cassetes (novas ou usadas) para serem trocadas por cópias do Acústico-Sucateiro.
A iniciativa abriu possibilidades para o grupo, que passou a realizarintervenções em lugares públicos das cidades que visita em turnê, como praças, parques, estações de metrô e pequenos teatros históricos (a exemplo do Paiol, em Curitiba), numa eficiente estratégia de ocupação e revalorização de espaços urbanos, para além da ampliação de plateias e contato contíguo com seu público.
Junto e misturado
Da síntese das duas experiências, nasceu o espetáculo Elétrico-Acústico-Sucateiro, que estreou com sucesso em Porto Alegre, com convidados como os músicos Ian Ramil, Marcelo Fruet e Homem-Banda, cenário, iluminação e projeções especiais e catarse do público em noites de sessões duplas – que devem percorrer teatros de outras cidades em breve.
No momento, o quarteto trabalha no clipe de “Nescafé“, considerada uma das melhores músicas de 2010. A canção recentemente foi cantada em show por Vitor Ramil e seu filho Ian (parceiro de Kumpinski nesta composição e também em “Um Rei e o Zé”) e estará no álbum de estreia do cantor Filipe Catto, a ser lançado pela Universal.
O Apanhador Só promete novo disco para 2012. Algumas músicas já aparecem no set list das apresentações do grupo – como “Torcicolo”, “Mas Não”, “Ele se Acordou”, “Salão de Festa” e “Paraquedas” – e apontam caminhos ensolarados para o futuro do grupo, mantendo o foco em experimentos que testam os limites do pop.
Créditos: Ikaro Choco



Download:Apanhador Só

sábado, 5 de novembro de 2011

Lenine - Chão (2011)




por BRUNA VELOSO
13 de Outubro de 2011
Músico cria trabalho corajoso, trafegando entre sintetizadores e sons orgânicos 


Embora Lenine tenha estudado química, a palavra “fórmula” parece não fazer parte do dicionário do artista pernambucano. Entre um álbum e outro, ele sempre buscou novos caminhos musicais para amparar suas composições, sem se manter preso a maneirismos ou receitas, ainda que isso pudesse 
parecer sedutor. Mas agora o rompimento é definitivamente maior: depois de um disco como Labiata (2008), com o peso de músicas como “Excesso Exceto”, Lenine retorna com Chão, um álbum, como ele próprio define, “minimal”. 
Chão é um jogo de montar, com dez pequenas peças complementares, como ligadas por um fio invisível. Da música-título, na abertura, a “Isso É Só o Começo”, a última, são pouco mais de 28 minutos. Depois de ouvir as faixas algumas vezes, a sensação é de que cada um desses minutos foi pensado de forma a chamar o próximo, fazendo com que Chão seja realmente um álbum, no sentido completo (e cada vez mais raro) da palavra: uma obra ordenada, circular, não apenas um punhado de singles reunidos em um mesmo CD. Nove das faixas de Chão têm um elemento não “musical” – uma inspiração tirada da música concreta, com uma boa parcela de influência do filho do meio de Lenine, Bruno Giorgi, de 22 anos. Essa é outra novidade: diferente dos trabalhos anteriores, o projeto foi pensado e concebido apenas a três – pai e filho (o “chão” de Lenine é a família; na capa, ele aparece com o neto, Tom) e o guitarrista JR Tostoi, que há anos faz parte da banda do cantor. 
“Chão” começa com o som de passos, que permanecem durante os 3’31’’ da música, a mais longa do álbum. A letra, escrita por Lenine com o parceiro Lula Queiroga (ao lado de quem, há quase 20 anos, lançou o primeiro LP, Baque Solto, hoje uma raridade), é menos direta que de costume, mais abstrata, enquanto a música em si abre uma atmosfera de tensão, com sons eletrônicos. Quando o barulho dos passos começa a baixar, entram batidas de um coração, que introduzem “Se Não For Amor Eu Cegue”, de estrofes curtas. A guitarra de Tostoi sugere certa urgência, ainda que os versos sejam sobre o amor, tema constante no repertório de Lenine (na obra dele, nunca com clichês). Depois da aura apreensiva do início – que retorna mais adiante – vem “Amor É para Quem Ama”, uma pérola de calmaria pontuada pelo canto de Frederico – um passarinho – e com citação a Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. 
Nenhuma das músicas de Chão tem bateria, mas todos os espaços são muito bem preenchidos – seja pela pausa milimetricamente colocada, seja pela forma característica de Lenine tocar violão – menos presente neste disco, é verdade –, por sintetizadores ou pelos sons orgânicos. Como em “Malvadeza”, em que o som maior é o de cigarras, ou na tocante “De Onde Vem a Canção”, com os “tics” de um metrônomo e de uma máquina de escrever. Embora menos comercial, dá para prever pelo menos duas músicas de Chão como música-tema de algum personagem de novela: “Envergo Mas Não Quebro” (elemento: motosserra) e “Tudo que Me Falta, Nada que Me Sobra” (a única sem sons não instrumentais), as mais aceleradas do disco. Fechando o pacote, está, curiosamente, “Isso É Só o Começo”, que de forma emblemática apresenta todos os elementos usados nas faixas anteriores – além dos já citados, há ainda uma máquina de lavar e uma chaleira. Enquanto alguns artistas consagrados perdem-se em autorreferências tediosas, amargam em longos períodos de inverno criativo ou simplesmente rendem-se à facilidade de permanecer no lugar-comum, Chão comprova que Lenine pertence a uma classe distinta: a do artista em constante evolução.


Download: Chão
Chão (mediafire)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Eddie - Veraneio (2011)


Eddie (release) Olinda, 1989. Datar como de costume, como de costume, na Marim dos Caetés, quebrada-cenário de nossos manuais de história e chapações. “Lembra quando Nassau...? E daquela cachaça?” Duvido! Mas, recordo que foi neste ano que ouvi Pixies+Ramones+Dead Kenneds+frevo, entre outros pesos e bossas, ecoar na rua do Sol (salve o velho Pocolouco!). 
Todos liquidificados num só nome: Eddie. A verdade é que desde o fogo holandês que varreu a velha vila, não se via tanto calor, transformado agora em massa sonora. 
Olinda e seus arredores, ainda pré-manguebeat, traduzia sua pegada, seus tipos, seus desejos, em 3 acordes e muita maloqueiragem - o Original Olinda Style em seu legítimo cavalo... 
Mas as labaredas do incêndio, desta vez, não ficaram só por ali. Propagaram-se pelo mundo nas turnês da banda pelo Brasil e pela Europa (2005, 2006, 2007). Espalharam-se também através dos seus 4 registros em discos, tocados nos mais dignos sound-systems: Sonic Mambo (Roadrunner, 1998), Original Olinda Style (independente, 2002), Metropolitano (independente, 2006) e Carnaval no Inferno (independente, 2008) e, agora, o ensolarado Veraneio (2011).
Hoje, depois de várias formações, a Eddie é composta por Fábio Trummer (guitarra & voz), Urêa (percussão & voz), Andret (trompetes, teclados & samplers), Kiko (bateria) e Rob (baixo), contando sempre com a parceria especial de Erasto Vasconcelos, o verdadeiro farol de Olinda. Um escrete com sonoridade própria, cheia de grooves peculiaríssimos e experimentações inflamáveis. Capaz de incendiar até o mais frio dos terreiros do velho mundo, de levantar o fogo morto de ritmos quentes abafados pelo discurso da tradição, como o próprio frevo (o hit “Quando a maré encher” é frevo, meu bem!), entre outras façanhas infernais. Fica, então, o alerta: a Eddie é combustão certeira. Cuidado, principalmente se você brinca com álcool...

Download: Veraneio



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Bambas Dois - Brasil/Jamaica (2011)



A Jamaica é um país relativamente distante, mas que compartilha muitas características com o Brasil. Prova disso é "Bambas Dois", um dos projetos mais interessantes e musicalmente ricos dos últimos tempos no país e que foi criado pelo produtor Eduardo Bidlovski, o BiD, ao lado do músico Fernando Nunes e de DJ Gusta, da banda Echo Sound System. Continuação de "Bambas e Biritas – Vol. 1", o futuro álbum tem como objetivo apresentar a mistura das culturas e da música brasileira com o reggae e outros gêneros jamaicanos, entre eles o rocksteady e dancehall. E, para tanto, conta com a participação de vários e importantes artistas jamaicanos e brasileiros que dão legitimidade ao projeto.
A ideia nasceu no começo do ano de forma totalmente inesperada. BiD, que havia acabado de produzir o disco "Francisco Forró y Frevo", de Chico César, estava com o músico em uma lancha se preparando para um mergulho quando, ao colocar uma das canções do disco para tocar --um forró com batidas eletrônicas--, observou o motorista do barco cantando em cima de sua base. "Quando ouvi, pensei: isso vai ser o próximo 'Bambas'", contou BiD por telefone. O produtor, então, compôs e gravou 13 faixas instrumentais e viajou até a Jamaica para que artistas locais fizessem letras e emprestassem suas vozes para as canções.
A lista de participações é extensa e conta com grandes ícones da música jamaicana nos vocais, como Heptones, U-Roy, Tony Rebel, Oku Onuora e novatos como Ky-Mani Marley (filho de Bob Marley), Sizzla Kalonji, Queen Ifrica, Luciano, I Wayne e Jesse Royal. Na parte instrumental, Ernest Ranglin (Skatalites), Robbie Lynn (da gravadora Studio One) e Sticky (percussionista de Bob Marley e Augustus Pablo) deram as caras ao lado dos brasileiros Daniel Ganjaman, Lúcio Maia, Marcelo Castilho, Siba, James Mü, Jorge Du Peixe e outros.
Todo o projeto foi registrado em belas imagens tanto em vídeo quanto em fotografia, que podem ser vistos na página do "Bambas Dois" no YouTube e no blog do estúdio Soul City. A ideia é transformar o making of em um programa de TV, para mais tarde ser lançado em DVD. Apenas dois cinegrafistas acompanharam BiD na missão de filmar as gravações. "Foi até um pouco desgastante por ser uma equipe muito enxuta, algo que acabou sobrecarregando todo mundo", contou. "Mas ficamos bem felizes, porque o que rolou talvez só teria acontecido com uma equipe bem maior".
FONTE: UOL MUSICA


Download: Bambas Dois





segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ednardo, Amelinha e Belchior - Pessoal do Ceará


 Uma coleção de re-leituras de clássicos da música cearense como "Terral", "Mucuripe" e "A Palo Seco" fazem desse CD, lançado em 2002, um disco obrigatório para quem gosta da música do Ceará. Foram também incluídas duas faixas inéditas. A produção é de Robertinho de Recife que tocou guitarra e fez os arranjos de quase todas as faixas. Outros músicos presentes nesse CD são: Jamil Joanes no baixo, Luiz Antonio nos teclados, Firmino na percussão, Aldrin de Caruaru na sanfona e Milton Guedes na gaita

1-Terral (Ednardo) - voz: Ednardo, Amelinha e Belchior
2-Como nossos pais (Belchir) - voz: Belchior, Amelinha e Ednardo
3-Na hora do almoço (Belchior) - voz: Belchior e Ednardo
4-Mucuripe (Fagner/Belchior) - voz: Amelinha
5-Pavão Mysteriozo (Ednardo) - voz: Ednardo, Amelinha e Belchior
6-Medo de avião (Belchior) - voz: Belchior e Amelinha
7-Enquanto engoma a calça (Ednardo/Climério) - voz: Ednardo
8-A palo seco (Belchior) - voz: Belchior, Amelinha e Ednardo
9-Pastoril (Ednardo) - voz: Ednardo e Amelinha
10-Alucinação (Belchior) - voz: Belchior
11-Lagoa de Aluá (Ednardo/Climério/Vicente Lopes) - voz: Amelinha
12-Bossa em palavrões (Belchior) - voz: Belchior
13-Mote tom e radar (Ednardo) - voz: Ednardo
14-Artigo 26 (Ednardo) - voz: Ednardo, Amelinha e Belchior



terça-feira, 18 de outubro de 2011

Wado - Samba 808 (2011)


Aos amigos, compositores, parceiros, jornalistas e ouvintes.
Depois de cinco discos, dez anos de chão e afirmação confirmada de que fazemos isso
mais por necessidade de expressão e realização pessoal que por questões de mercado,
chegamos de Alagoas agora com este Samba 808.
Tem entre duetos e parcerias uma constelação:
Zeca Baleiro, Curumin, Chico César, Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, Fernando
Anitelli, Fábio Góes, Alvinho Lancellotti, André Abujamra e Momo.
E minha querida banda:
Rodrigo Peixe, Pedro Ivo Euzébio, Dinho Zampier, Bruno Rodrigues e Vitor Peixoto.
Depois de conversas com alguns selos nada pareceu muito justo ou recíproco nos
interesses e optamos por extremar o do it yourself deste álbum:
Estar em selo/gravadora servia para distribuição e para dar visibilidade, visibilidade
gravadora não tem dado e distribuição... Os caminhos na internet têm resolvido isso
melhor.
Este disco é um presente pra você.
Lançar ao mesmo tempo para o público e mídia foi nossa idéia, dando brechas para sorte
e subvertendo as antigas prioridades do sistema de distribuição, que tinha como prérequisito
a aceitação da mídia e espaços comprados para a divulgação.
As músicas estarão editadas de forma tradicional para rádio, TV e demais mídias e irão
gerar o direito autoral de praxe.
Existem outras questões também relativas a lançar o novo disco digitalmente apenas, no
site, disponibilizando todas as faixas e encarte, um contador de downloads será nosso
termômetro.
Desta forma poupamos um pouco de plástico e papel deixando o disco apenas como
uma obra intelectual sem suporte fixo para se ouvir, o que já é a prática da maioria (e que
economiza um tanto de outras tralhas, não haverá informação tátil, pensamos mais pra
frente de ter uma prensagem como souvenir de show, isso é incerto), damos um passo
adiante em muitas questões, podemos ter problemas com a falta dele físico, mas me
parece bem coerente com a cultura do mp3 hoje e a natureza do disco nos anos 10 que
estamos vivendo.
Aos blogueiros amigos, pedimos que postem/recomendem o disco apontando para o
nosso site (http://www.wado.com.br/download/discos/wado-samba808-2011.zip) para
que saibamos realmente quantos downloads foram feitos.
De ser o Samba 808 tocado com uma máquina velha reutilizada, de ser um refugo de
tecnologia, é bem dentro do raciocínio. Baixa, deleita ou deleta, fofoca pros amigos que é
bom ou ruim e convida os outros a clicarem neste borro de gêneros.
Wado


Download: Samba 808



domingo, 16 de outubro de 2011

Karina Buhr - Longe de Onde (2011)



A música de Karina Buhr tem o sim e o não. Em sua poesia existe esperança e morte, solidão e amor. Se compor é assumir todas as possibilidades, em uma canção cabem todas as ideias, pensamentos, sensações que se for capaz de imaginar e sentir. Da primeira à última das onze faixas de Longe de Onde, segundo álbum solo de Karina, a vida é uma surpresa.

Assim como em seu primeiro disco (“Eu Menti Pra Você”, janeiro de 2010), o novo foi produzido por Karina ao lado de Bruno Buarque e Mau, respectivamente baterista e baixista e estrutura base para suas narrativas musicais cheias de rasteiras nas expectativas. Liga que se completa com o tecladista André Lima e o trompetista Guizado, mais a impressionante dupla de guitarristas Edgard Scandurra e Fernando Catatau, camadas de som se alternando e se encontrando.

Banda meganinja que acompanha a espontaneidade das canções e conduz a eletricidade em alta voltagem de Karina: ao vivo é uma experiência, disco é pras canções nascerem. Tudo leve e tudo denso. E tão particular que uma das coisas mais fascinantes de um segundo disco é ver o que não era coincidência nem vira acidente, o que se torna a voz, o que se cristaliza como personalidade artística - ou o que cabe no nosso ouvir.

Tematicamente, eu-liricamente, melodicamente, nos arranjos e letras plurais nos estilos e abordagens, as composições de Karina são a invenção de um mundo sem limites - geográficos, conceituais, de imaginação. Universo que se expande do punk rock de “Cara Palavra” à poesia aguda de “Não Precisa me Procurar”. Nas imagens de pista de dança versus campo de guerra de “The War’s Dancing Floor” à pressão surf music de “Guitarristas de Copacabana”. Do encontro de leveza e fatalismo no delicioso reggae “Cadáver” ao dueto de voz e guitarra na bela “Amor Brando”. E na sinceridade irresistível da quase new wave “Não me Ame Tanto”.

Em uma recente viagem ao Marrocos depois de um show do festival Roskilde, na Dinamarca, atraída pela beleza do lugar e da escrita árabe nas ruas, pela simbologia da proximidade distante, Karina registrou em Casablanca a imagem de capa do disco, foto de Jorge Bispo. Longe depende de onde, mas longe também é onde. Karina Buhr não é de nenhum lugar que você conhece. Riqueza de interpretações, insinuações, declarações, provocações, despadronizações.

Com seu romantismo e existencialismo, lirismo e ironia, Karina é absolutamente sincera nas mentiras da arte, da representação, da sugestão anticlichê em composições de ritmo oral, esperto e instintivo. Lógica própria, que se apresenta e existe de pronto. Experiências que se somam, nenhuma coisa em si exatamente definindo ou explicando. A poética é invulgar e literalidade é limitação. A vivência é única, e é justamente nessa coisa única que tudo se torna mais interessante. Falar muito é como explicar a piada: para fazer ideia, só ouvindo e pensando e sentindo.

Ronaldo Evangelista Outubro/2011

Download: Longe de Onde

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Patativa do Assaré - A Terra é Naturá




O disco A Terra é Naturá foi produzido por Raimundo Fagner, tendo o cineasta Rosenberg Cariri como assistente de produção, nos violões duas feras: Manassés e Nonato Luiz, e a introdução das poesias é feita na rabeca por outro gigante da cultura popular, o Cego Oliveira.


Só gente da melhor qualidade!


As faixas são todas sensacionais, mas as que eu mais gosto são "Mãe Preta" e "A Morte de Nanã", com sua tristeza pungente e profunda.


Escutem com a mente aberta e o espírito preparado, pois é coisa finíssima, um filé!

  1. A Terra é Naturá
  2. Cabra da Peste
  3. Eu Quero
  4. O Agregado
  5. Coração Doente
  6. Mãe Preta
  7. Vaca Estrela e Boi Fubá
  8. Caboclo Roceiro
  9. Eu e a Pitombeira
  10. Antonio Conselheiro
  11. A Morte de Nanã
Post retirado do blog: http://emboladaetc.blogspot.com

Download: Patativa

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Tom Morello - The Nightwatchman (World Wide Rebel Songs) 2011



O Nightwatchman é o alter ego de Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine. Enquanto Morello é mais conhecido pela sua mistura de  fúria hard rock com hip-hop, como o Nightwatchman ele se mostra como vocalista solo, acústico e compositor.Ele próprio escreveu as músicas que refletem suas convicções políticas de esquerda. 
No início deste ano, Nightwatchman, de Tom Morello lançou um EP inspirado em protestos no inverno passado contra a Scott Walker, governador de Wisconsin de direita. Walker tem uma votação irrelevante, mas ainda está balançando Morello: "Salvar o martelo para o Homem ".

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Junio Barreto - Setembro (2011)



por Ronaldo Bressane
A volta do Sosseguim
Sete anos levou Junio Barreto para espantar a “maldição do segundo disco”, esse clichezão da crítica musical. Espantou do jeito mais solar que podia. Afinal, o chamado Caymmi de Caruaru – pela voz grave e pela lentidão ao compor – também passou um bom tempo espantando umas e outras desilusões. Quarou a dor no varal: sobrou só o sumo do sangue derramado, virada a mágoa em magia. Pacificado, não por acaso o nome do álbum é Setembro, mês em que o sol volta de longo inverno.
Se a música de Junio aperfeiçoou harmonia e melodia, tornando-as mais intrincadas mas também mais leves, sua poética ficou mais paradoxal. Amante dos diminutivos, o Sosseguim até que não abusa das miniaturas neste álbum, preferindo largar a notória timidez para abraçar termos grandiosos como “império”, “glória” e “paraíso”. E embora a sintaxe das frases seja rebuscada, lembrando Guimarães Rosa e Manoel de Barros, seu vocabulário é naturalista, mínimo, léxico de poeta árcade: a onipresente luz da manhã, o sol, o mar, os ribeiros, a chuva, as matas, os coqueiros, as areias, as tardes serenas, as flores – e, contraditório como o afrosamba se renova no contato com o manguebeat, um jardim elétrico pode rimar com um jardim imperial.
Coisa fina, burilada por Junio e lavrada na bateia de Pupillo, um dos maiores bateristas do Brasil, aquele mesmo, da Nação Zumbi, agora amadurecido como produtor. Pupillo e seu gêmeo, o baixista Dengue, ocupam quase todas as faixas, estreladas ainda por belezas como as vozes de Céu, Marina de la Riva e Luiza Maita, o violão de Seu Jorge, os teclados de Chiquinho e Victor Araújo, as guitarras de Gustavo Ruiz e Junior Boca, a Orquestra Experimental de Cordas e a banda Mombojó, entre muitos talentos da nova música contemporânea brasileira. Tudo forma um conjunto orgânico, tudo se parece com Junio Barreto e também com o samba atemporal, canções que ouvimos como se existissem aí há tanto tempo – como todo setembro, quando chega, depois de tanta espera, espantando o frio com as asas das aleluias.
FAIXA A FAIXA
“Serenada solidão”, samba que abre o álbum, é feliz mas sem apelar – a jangadeira é pontuada por teclados de alta madrugada de Vitor Araújo, guardando um leve pique cafuçu notado na guitarra dedilhada de Gustavo Ruiz. Finaliza com sabedoria de quem passou a noite em claro: “Resta aguardar a alvorada em mim”.
A marchinha quase frevo “Jardim Imperial” informa do abalo que a moça causou no poeta – uma tal “formosa dona dos estragos meus”. É talvez a única canção
melancólica do disco, e a mais direta a tocar na questão da dor de cotovelo, “suprema provação” que nasce da “enganadora tentação”.
A faixa-título, que traz o tal “jardim elétrico”, tem ótimo riff de guitarra de Junior Boca e teclados a cargo de Chiquinho (Mombojó). Em alguns aspectos “Setembro” lembra os ácidos afrosambas que populavam o primeiro disco do Sosseguim. Alguns dos mais psicodélicos versos de Junio estão aqui: “Teu corpo luava ouro/ nos banhados que a chuvinha fez/ nas lavadas que ramalha a flor/ nos setembros de chegar/ Tu reinas vasta nas cheias de cada maré/ Tu raias do céu que enfeita a manhã/ És flecha soltada do aroma da mata/ Clareia dos olhos, candeia medonha”.
Ornado pelo duo de trombones de Misael França e Zilmar Medeiros, que lembra a elegância das composições de Moacir Santos, além do luxuoso trio formado por Céu, Marina de la Riva e Luiza Maita, o lento samba bluesy “Rios de passar” tem o quarteto de versos mais brilhante do álbum: “Acorda, pedra amorosa/ Na glória a alma esquece a dor/ E a rosa que plantasse ontem/ enfeita a festa de outro amor”. É pra morrer, nego.
O arranjo sofisticado, circular, de “Noturna”, lembra que, ao contrário do primeiro álbum, neste Junio quase não usa refrões. O cinematográfico samba-valsa, talvez um dos arranjos mais classudos de um disco já classudo demais, traz a Orquestra Experimental de Cordas, o piano e o Casiotone de Vitor Araújo.
Em “Fineza”, em que Junio se aproxima de Chico Buarque, inclusive no timbre de voz, Seu Jorge surge com um violão base bacanão, mais as vozes do trio calafrio supracitado, além dos teclados e metalofone de Dudu Tsuda. Puladinho, o samba traça o passeio do sol no céu. Isso lá é tema pra canção, mago?
Outra faixa cafuçu é a semiciranda “Gafieira da maré”, que saúda a musa que “chegou como as ondas do mar”. O quase-refrão lembra “Bicho do mato”, de Jorge Benjor e certo samba de Tamba Trio, bem como a pilantragem de Simonal. Segue a tradição marinheira de Junio, o caruaruense sempre com saudade da praia.
Seguindo o passeio pela rua da luz vermelha vem o surf rock brega iê-iê- iê “Passione”, parceria com de Junio com Jorge Du Peixe sobre a base levada pelo Mombojó (destaque para o teclado de Chiquinho e a guitarra de Felipe S).
A instrumental “Vamos abraçar o sol” é tecida de uns pá-pá-pás típicos do sambacana dos anos 60. Forte candidata a trilha sonora do árido movie pernambucano.
E então… “Quando alvorada em meus olhos se fez/ refletindo a mais bela manhã”, versos típicos de Cartola, Lupiscínio, Nelson: “Meu céu razão precisa/ realeza de guiar/ em mar de vagar deserto”, prossegue o Sosseguim. Na líquida “Alento da lagoinha”, Junio Barreto encerra seu segundo álbum com um arranjo minimalista – só voz, piano de Vitor Araújo e bateria de Pupillo –, elegância de alvorada a alvorada.

Download: Setembro

Para ouvir o cd: http://www.juniobarreto.com/


SETEMBRO [Dir: Pedro Severien / Rodrigo Campos] from MULISHA.EC on Vimeo.