terça-feira, 25 de outubro de 2011

Bambas Dois - Brasil/Jamaica (2011)



A Jamaica é um país relativamente distante, mas que compartilha muitas características com o Brasil. Prova disso é "Bambas Dois", um dos projetos mais interessantes e musicalmente ricos dos últimos tempos no país e que foi criado pelo produtor Eduardo Bidlovski, o BiD, ao lado do músico Fernando Nunes e de DJ Gusta, da banda Echo Sound System. Continuação de "Bambas e Biritas – Vol. 1", o futuro álbum tem como objetivo apresentar a mistura das culturas e da música brasileira com o reggae e outros gêneros jamaicanos, entre eles o rocksteady e dancehall. E, para tanto, conta com a participação de vários e importantes artistas jamaicanos e brasileiros que dão legitimidade ao projeto.
A ideia nasceu no começo do ano de forma totalmente inesperada. BiD, que havia acabado de produzir o disco "Francisco Forró y Frevo", de Chico César, estava com o músico em uma lancha se preparando para um mergulho quando, ao colocar uma das canções do disco para tocar --um forró com batidas eletrônicas--, observou o motorista do barco cantando em cima de sua base. "Quando ouvi, pensei: isso vai ser o próximo 'Bambas'", contou BiD por telefone. O produtor, então, compôs e gravou 13 faixas instrumentais e viajou até a Jamaica para que artistas locais fizessem letras e emprestassem suas vozes para as canções.
A lista de participações é extensa e conta com grandes ícones da música jamaicana nos vocais, como Heptones, U-Roy, Tony Rebel, Oku Onuora e novatos como Ky-Mani Marley (filho de Bob Marley), Sizzla Kalonji, Queen Ifrica, Luciano, I Wayne e Jesse Royal. Na parte instrumental, Ernest Ranglin (Skatalites), Robbie Lynn (da gravadora Studio One) e Sticky (percussionista de Bob Marley e Augustus Pablo) deram as caras ao lado dos brasileiros Daniel Ganjaman, Lúcio Maia, Marcelo Castilho, Siba, James Mü, Jorge Du Peixe e outros.
Todo o projeto foi registrado em belas imagens tanto em vídeo quanto em fotografia, que podem ser vistos na página do "Bambas Dois" no YouTube e no blog do estúdio Soul City. A ideia é transformar o making of em um programa de TV, para mais tarde ser lançado em DVD. Apenas dois cinegrafistas acompanharam BiD na missão de filmar as gravações. "Foi até um pouco desgastante por ser uma equipe muito enxuta, algo que acabou sobrecarregando todo mundo", contou. "Mas ficamos bem felizes, porque o que rolou talvez só teria acontecido com uma equipe bem maior".
FONTE: UOL MUSICA


Download: Bambas Dois





segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ednardo, Amelinha e Belchior - Pessoal do Ceará


 Uma coleção de re-leituras de clássicos da música cearense como "Terral", "Mucuripe" e "A Palo Seco" fazem desse CD, lançado em 2002, um disco obrigatório para quem gosta da música do Ceará. Foram também incluídas duas faixas inéditas. A produção é de Robertinho de Recife que tocou guitarra e fez os arranjos de quase todas as faixas. Outros músicos presentes nesse CD são: Jamil Joanes no baixo, Luiz Antonio nos teclados, Firmino na percussão, Aldrin de Caruaru na sanfona e Milton Guedes na gaita

1-Terral (Ednardo) - voz: Ednardo, Amelinha e Belchior
2-Como nossos pais (Belchir) - voz: Belchior, Amelinha e Ednardo
3-Na hora do almoço (Belchior) - voz: Belchior e Ednardo
4-Mucuripe (Fagner/Belchior) - voz: Amelinha
5-Pavão Mysteriozo (Ednardo) - voz: Ednardo, Amelinha e Belchior
6-Medo de avião (Belchior) - voz: Belchior e Amelinha
7-Enquanto engoma a calça (Ednardo/Climério) - voz: Ednardo
8-A palo seco (Belchior) - voz: Belchior, Amelinha e Ednardo
9-Pastoril (Ednardo) - voz: Ednardo e Amelinha
10-Alucinação (Belchior) - voz: Belchior
11-Lagoa de Aluá (Ednardo/Climério/Vicente Lopes) - voz: Amelinha
12-Bossa em palavrões (Belchior) - voz: Belchior
13-Mote tom e radar (Ednardo) - voz: Ednardo
14-Artigo 26 (Ednardo) - voz: Ednardo, Amelinha e Belchior



terça-feira, 18 de outubro de 2011

Wado - Samba 808 (2011)


Aos amigos, compositores, parceiros, jornalistas e ouvintes.
Depois de cinco discos, dez anos de chão e afirmação confirmada de que fazemos isso
mais por necessidade de expressão e realização pessoal que por questões de mercado,
chegamos de Alagoas agora com este Samba 808.
Tem entre duetos e parcerias uma constelação:
Zeca Baleiro, Curumin, Chico César, Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, Fernando
Anitelli, Fábio Góes, Alvinho Lancellotti, André Abujamra e Momo.
E minha querida banda:
Rodrigo Peixe, Pedro Ivo Euzébio, Dinho Zampier, Bruno Rodrigues e Vitor Peixoto.
Depois de conversas com alguns selos nada pareceu muito justo ou recíproco nos
interesses e optamos por extremar o do it yourself deste álbum:
Estar em selo/gravadora servia para distribuição e para dar visibilidade, visibilidade
gravadora não tem dado e distribuição... Os caminhos na internet têm resolvido isso
melhor.
Este disco é um presente pra você.
Lançar ao mesmo tempo para o público e mídia foi nossa idéia, dando brechas para sorte
e subvertendo as antigas prioridades do sistema de distribuição, que tinha como prérequisito
a aceitação da mídia e espaços comprados para a divulgação.
As músicas estarão editadas de forma tradicional para rádio, TV e demais mídias e irão
gerar o direito autoral de praxe.
Existem outras questões também relativas a lançar o novo disco digitalmente apenas, no
site, disponibilizando todas as faixas e encarte, um contador de downloads será nosso
termômetro.
Desta forma poupamos um pouco de plástico e papel deixando o disco apenas como
uma obra intelectual sem suporte fixo para se ouvir, o que já é a prática da maioria (e que
economiza um tanto de outras tralhas, não haverá informação tátil, pensamos mais pra
frente de ter uma prensagem como souvenir de show, isso é incerto), damos um passo
adiante em muitas questões, podemos ter problemas com a falta dele físico, mas me
parece bem coerente com a cultura do mp3 hoje e a natureza do disco nos anos 10 que
estamos vivendo.
Aos blogueiros amigos, pedimos que postem/recomendem o disco apontando para o
nosso site (http://www.wado.com.br/download/discos/wado-samba808-2011.zip) para
que saibamos realmente quantos downloads foram feitos.
De ser o Samba 808 tocado com uma máquina velha reutilizada, de ser um refugo de
tecnologia, é bem dentro do raciocínio. Baixa, deleita ou deleta, fofoca pros amigos que é
bom ou ruim e convida os outros a clicarem neste borro de gêneros.
Wado


Download: Samba 808



domingo, 16 de outubro de 2011

Karina Buhr - Longe de Onde (2011)



A música de Karina Buhr tem o sim e o não. Em sua poesia existe esperança e morte, solidão e amor. Se compor é assumir todas as possibilidades, em uma canção cabem todas as ideias, pensamentos, sensações que se for capaz de imaginar e sentir. Da primeira à última das onze faixas de Longe de Onde, segundo álbum solo de Karina, a vida é uma surpresa.

Assim como em seu primeiro disco (“Eu Menti Pra Você”, janeiro de 2010), o novo foi produzido por Karina ao lado de Bruno Buarque e Mau, respectivamente baterista e baixista e estrutura base para suas narrativas musicais cheias de rasteiras nas expectativas. Liga que se completa com o tecladista André Lima e o trompetista Guizado, mais a impressionante dupla de guitarristas Edgard Scandurra e Fernando Catatau, camadas de som se alternando e se encontrando.

Banda meganinja que acompanha a espontaneidade das canções e conduz a eletricidade em alta voltagem de Karina: ao vivo é uma experiência, disco é pras canções nascerem. Tudo leve e tudo denso. E tão particular que uma das coisas mais fascinantes de um segundo disco é ver o que não era coincidência nem vira acidente, o que se torna a voz, o que se cristaliza como personalidade artística - ou o que cabe no nosso ouvir.

Tematicamente, eu-liricamente, melodicamente, nos arranjos e letras plurais nos estilos e abordagens, as composições de Karina são a invenção de um mundo sem limites - geográficos, conceituais, de imaginação. Universo que se expande do punk rock de “Cara Palavra” à poesia aguda de “Não Precisa me Procurar”. Nas imagens de pista de dança versus campo de guerra de “The War’s Dancing Floor” à pressão surf music de “Guitarristas de Copacabana”. Do encontro de leveza e fatalismo no delicioso reggae “Cadáver” ao dueto de voz e guitarra na bela “Amor Brando”. E na sinceridade irresistível da quase new wave “Não me Ame Tanto”.

Em uma recente viagem ao Marrocos depois de um show do festival Roskilde, na Dinamarca, atraída pela beleza do lugar e da escrita árabe nas ruas, pela simbologia da proximidade distante, Karina registrou em Casablanca a imagem de capa do disco, foto de Jorge Bispo. Longe depende de onde, mas longe também é onde. Karina Buhr não é de nenhum lugar que você conhece. Riqueza de interpretações, insinuações, declarações, provocações, despadronizações.

Com seu romantismo e existencialismo, lirismo e ironia, Karina é absolutamente sincera nas mentiras da arte, da representação, da sugestão anticlichê em composições de ritmo oral, esperto e instintivo. Lógica própria, que se apresenta e existe de pronto. Experiências que se somam, nenhuma coisa em si exatamente definindo ou explicando. A poética é invulgar e literalidade é limitação. A vivência é única, e é justamente nessa coisa única que tudo se torna mais interessante. Falar muito é como explicar a piada: para fazer ideia, só ouvindo e pensando e sentindo.

Ronaldo Evangelista Outubro/2011

Download: Longe de Onde

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Patativa do Assaré - A Terra é Naturá




O disco A Terra é Naturá foi produzido por Raimundo Fagner, tendo o cineasta Rosenberg Cariri como assistente de produção, nos violões duas feras: Manassés e Nonato Luiz, e a introdução das poesias é feita na rabeca por outro gigante da cultura popular, o Cego Oliveira.


Só gente da melhor qualidade!


As faixas são todas sensacionais, mas as que eu mais gosto são "Mãe Preta" e "A Morte de Nanã", com sua tristeza pungente e profunda.


Escutem com a mente aberta e o espírito preparado, pois é coisa finíssima, um filé!

  1. A Terra é Naturá
  2. Cabra da Peste
  3. Eu Quero
  4. O Agregado
  5. Coração Doente
  6. Mãe Preta
  7. Vaca Estrela e Boi Fubá
  8. Caboclo Roceiro
  9. Eu e a Pitombeira
  10. Antonio Conselheiro
  11. A Morte de Nanã
Post retirado do blog: http://emboladaetc.blogspot.com

Download: Patativa

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Tom Morello - The Nightwatchman (World Wide Rebel Songs) 2011



O Nightwatchman é o alter ego de Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine. Enquanto Morello é mais conhecido pela sua mistura de  fúria hard rock com hip-hop, como o Nightwatchman ele se mostra como vocalista solo, acústico e compositor.Ele próprio escreveu as músicas que refletem suas convicções políticas de esquerda. 
No início deste ano, Nightwatchman, de Tom Morello lançou um EP inspirado em protestos no inverno passado contra a Scott Walker, governador de Wisconsin de direita. Walker tem uma votação irrelevante, mas ainda está balançando Morello: "Salvar o martelo para o Homem ".

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Junio Barreto - Setembro (2011)



por Ronaldo Bressane
A volta do Sosseguim
Sete anos levou Junio Barreto para espantar a “maldição do segundo disco”, esse clichezão da crítica musical. Espantou do jeito mais solar que podia. Afinal, o chamado Caymmi de Caruaru – pela voz grave e pela lentidão ao compor – também passou um bom tempo espantando umas e outras desilusões. Quarou a dor no varal: sobrou só o sumo do sangue derramado, virada a mágoa em magia. Pacificado, não por acaso o nome do álbum é Setembro, mês em que o sol volta de longo inverno.
Se a música de Junio aperfeiçoou harmonia e melodia, tornando-as mais intrincadas mas também mais leves, sua poética ficou mais paradoxal. Amante dos diminutivos, o Sosseguim até que não abusa das miniaturas neste álbum, preferindo largar a notória timidez para abraçar termos grandiosos como “império”, “glória” e “paraíso”. E embora a sintaxe das frases seja rebuscada, lembrando Guimarães Rosa e Manoel de Barros, seu vocabulário é naturalista, mínimo, léxico de poeta árcade: a onipresente luz da manhã, o sol, o mar, os ribeiros, a chuva, as matas, os coqueiros, as areias, as tardes serenas, as flores – e, contraditório como o afrosamba se renova no contato com o manguebeat, um jardim elétrico pode rimar com um jardim imperial.
Coisa fina, burilada por Junio e lavrada na bateia de Pupillo, um dos maiores bateristas do Brasil, aquele mesmo, da Nação Zumbi, agora amadurecido como produtor. Pupillo e seu gêmeo, o baixista Dengue, ocupam quase todas as faixas, estreladas ainda por belezas como as vozes de Céu, Marina de la Riva e Luiza Maita, o violão de Seu Jorge, os teclados de Chiquinho e Victor Araújo, as guitarras de Gustavo Ruiz e Junior Boca, a Orquestra Experimental de Cordas e a banda Mombojó, entre muitos talentos da nova música contemporânea brasileira. Tudo forma um conjunto orgânico, tudo se parece com Junio Barreto e também com o samba atemporal, canções que ouvimos como se existissem aí há tanto tempo – como todo setembro, quando chega, depois de tanta espera, espantando o frio com as asas das aleluias.
FAIXA A FAIXA
“Serenada solidão”, samba que abre o álbum, é feliz mas sem apelar – a jangadeira é pontuada por teclados de alta madrugada de Vitor Araújo, guardando um leve pique cafuçu notado na guitarra dedilhada de Gustavo Ruiz. Finaliza com sabedoria de quem passou a noite em claro: “Resta aguardar a alvorada em mim”.
A marchinha quase frevo “Jardim Imperial” informa do abalo que a moça causou no poeta – uma tal “formosa dona dos estragos meus”. É talvez a única canção
melancólica do disco, e a mais direta a tocar na questão da dor de cotovelo, “suprema provação” que nasce da “enganadora tentação”.
A faixa-título, que traz o tal “jardim elétrico”, tem ótimo riff de guitarra de Junior Boca e teclados a cargo de Chiquinho (Mombojó). Em alguns aspectos “Setembro” lembra os ácidos afrosambas que populavam o primeiro disco do Sosseguim. Alguns dos mais psicodélicos versos de Junio estão aqui: “Teu corpo luava ouro/ nos banhados que a chuvinha fez/ nas lavadas que ramalha a flor/ nos setembros de chegar/ Tu reinas vasta nas cheias de cada maré/ Tu raias do céu que enfeita a manhã/ És flecha soltada do aroma da mata/ Clareia dos olhos, candeia medonha”.
Ornado pelo duo de trombones de Misael França e Zilmar Medeiros, que lembra a elegância das composições de Moacir Santos, além do luxuoso trio formado por Céu, Marina de la Riva e Luiza Maita, o lento samba bluesy “Rios de passar” tem o quarteto de versos mais brilhante do álbum: “Acorda, pedra amorosa/ Na glória a alma esquece a dor/ E a rosa que plantasse ontem/ enfeita a festa de outro amor”. É pra morrer, nego.
O arranjo sofisticado, circular, de “Noturna”, lembra que, ao contrário do primeiro álbum, neste Junio quase não usa refrões. O cinematográfico samba-valsa, talvez um dos arranjos mais classudos de um disco já classudo demais, traz a Orquestra Experimental de Cordas, o piano e o Casiotone de Vitor Araújo.
Em “Fineza”, em que Junio se aproxima de Chico Buarque, inclusive no timbre de voz, Seu Jorge surge com um violão base bacanão, mais as vozes do trio calafrio supracitado, além dos teclados e metalofone de Dudu Tsuda. Puladinho, o samba traça o passeio do sol no céu. Isso lá é tema pra canção, mago?
Outra faixa cafuçu é a semiciranda “Gafieira da maré”, que saúda a musa que “chegou como as ondas do mar”. O quase-refrão lembra “Bicho do mato”, de Jorge Benjor e certo samba de Tamba Trio, bem como a pilantragem de Simonal. Segue a tradição marinheira de Junio, o caruaruense sempre com saudade da praia.
Seguindo o passeio pela rua da luz vermelha vem o surf rock brega iê-iê- iê “Passione”, parceria com de Junio com Jorge Du Peixe sobre a base levada pelo Mombojó (destaque para o teclado de Chiquinho e a guitarra de Felipe S).
A instrumental “Vamos abraçar o sol” é tecida de uns pá-pá-pás típicos do sambacana dos anos 60. Forte candidata a trilha sonora do árido movie pernambucano.
E então… “Quando alvorada em meus olhos se fez/ refletindo a mais bela manhã”, versos típicos de Cartola, Lupiscínio, Nelson: “Meu céu razão precisa/ realeza de guiar/ em mar de vagar deserto”, prossegue o Sosseguim. Na líquida “Alento da lagoinha”, Junio Barreto encerra seu segundo álbum com um arranjo minimalista – só voz, piano de Vitor Araújo e bateria de Pupillo –, elegância de alvorada a alvorada.

Download: Setembro

Para ouvir o cd: http://www.juniobarreto.com/


SETEMBRO [Dir: Pedro Severien / Rodrigo Campos] from MULISHA.EC on Vimeo.