domingo, 27 de novembro de 2011

Chico Buarque - Coletânea do Setlist da Turnê "Chico" 2011/2012


Cinco anos após a sua última turnê, Chico Buarque volta com o show de lançamento de seu mais novo CD, ‘Chico’, que já vendeu mais de 80 mil cópias. Embora dono de uma das carreiras mais sólidas e prolíficas da MPB – em 45 anos lançou mais de 40 discos, entre trabalhos solo e projetos –, o compositor é figura bissexta nos palcos brasileiros. Este será apenas o sexto espetáculo apresentado por ele nos últimos 36 anos. Com duração de aproximadamente 1h30, o roteiro é todo construído ao redor das dez canções que compõem o disco novo. Além delas, o artista vasculhou os mais de 400 títulos de sua obra, tão vasta em gêneros quanto em assuntos, para chegar à lista final de 28 músicas. O resultado é um show pautado por canções de todas as fases de sua carreira, do início dos anos 60 até hoje, amarradas entre si por afinidades musicais ou temáticas.

A turnê “Chico” tem estréia nacional em Belo Horizonte, no teatro Palácio das Artes, de 5 a 8 de novembro de 2011.

O velho Francisco 
De volta ao samba 
Desalento 
Injuriado 
Querido Diário 
Rubato 
Choro bandido 
Essa Pequena 
Tipo Um Baião 
Se Eu Soubesse 
Sem Você 2 
Bastidores 
Todo o sentimento 
O meu amor 
Teresinha 
Ana de Amsterdam 
Anos Dourados 
Sob medida 
Nina 
Valsa brasileira 
Geni e o Zepelim 
Barafunda 
Sou Eu 
Tereza da Praia 
A Violeira 
Baioque 
Cálice 
Sinhá 
Sonho de um Carnaval/A felicidade 
Futuros amantes 
Na carreira 

*Setlist do show de estréia da turnê em Belo Horizonte




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tagore - Aldeia (2010)




Se nos idos dos anos 70, entre um protesto e outro, John Lennon desembarcasse em Recife, aprendesse a gostar de cana com mel e caranguejo com sabor de maresia, e fizesse um esforço pra pensar que o Capibaribe era o Tâmisa, talvez sua história tivesse outro desfecho. E num exercício de futuro-do-pretéritologia, diríamos que ele teria feito algumas jam sessions com Alceu Valença, Lula Côrtes e a turma do Ave Sangria, e quiçá participado do legendário Woodstock nordestino, realizado em Fazenda Nova, em 1974. Mas a história não foi essa e o ex-beatle, todos sabem, levou quatro tiros quando entrava em seu prédio, em Nova York, em dezembro de 1980.


Mais de três décadas depois, Tagore lança seu disco de estreia, Aldeia, e oferece uma resposta – de várias, certamente – para como pode ser consonante a combinação do pop inglês com o regionalismo nordestino.


O melhor no álbum de estreia de Tagore é o talento para a composição: são canções com melodias assobiáveis, de fácil digestão, pop no melhor dos sentidos – o que os coloca na escola dos que não perdem a mão na dosagem de simplicidade e elaboração. A composição encontrou par no amigo e músico multinstrumentista João Cavalcanti, sob cujos cuidados ficaram os arranjos e a mixagem de todas as músicas do álbum – além da composição das faixas instrumentais.


As gravações foram realizadas em um estúdio montado num sítio em Aldeia, bairro serrano na região metropolitana do Recife, ao longo de duas semanas – durante as quais os músicos receberam visitas de amigos que colaboraram na gravação de alguns instrumentos. São, ao todo, nove faixas que passeiam por influências como Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Gilberto Gil, Raul Seixas, Moacir Santos, The Kinks, Beatles e as guitarras fuzz do Udigrudi, cena musical pernambucana dos anos 70.


A banda foi a primeira colocada na votação popular do Bis Pro Rock e tem despontado como uma das mais promissoras da nova safra independente de Recife, identificada com o resgate do movimento musical da cidade dos anos 70.


Tagore Suassuna – Voz e Violão
João Felipe Cavalcanti – Guitarra, baixo, piano elétrico e moog
Diego Dornelles – Guitarra, baixo, piano elétrico e moog
Caramurú Baumgartner – Percussão e voz
Gustavo Perylo – Bateria

Download: Tagore




Poliglota/Saga dos Carneiros - Tagore no Café Porteño from brunavalenca on Vimeo.
Tagore, Aldeia by PilhaSonora Records

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Is This Indie (2011)



Há dez anos um grupo de cinco novaiorquinos chamado The Strokes lançou Is This It. Para homenagear o disco, o Rock ‘n’ Beats convidou bandas brasileiras para tocá-lo na na íntegra em uma releitura particular deste emblemático álbum – incluímos duas faixas bônus ao projeto, uma segunda versão de Last Nite e uma música nunca gravada pelo Strokes. E o resultado é Is This Indie, muito bem apresentado pelos jornalistas Lucio Ribeiro e Marcelo Costa.
Além de lembrar a importância do disco, escolheram bandas de sete estados brasileiros pensando em representar a diversidade da atual música independente brasileira. A coletânea não mostra necessariamente as aceleradas guitarras do Strokes, mas a criatividade de quem ajuda a construir a identidade de um período da produção nacional. São 14 bandas de sete estados deste país, cada uma tocou uma faixa.
“Is This It” – Volver (Pernambuco)
“The Modern Age” – Vivendo do Ócio (Bahia)
“Soma” – João e Os Poetas de Cabelo Solto (São Paulo)
“Barely Legal” – Cícero (Rio de Janeiro)
“Someday” – Sabonetes (Paraná)
“Alone, Together” – Pública (Rio Grande do Sul)
“Last Nite” – Vespas Mandarinas (São Paulo)
“Hard to Explain” – Volantes (Rio Grande do Sul)
“New York City Cops” – R Sigma (Rio de Janeiro)
“Trying Your Luck” – Suéteres (São Paulo)
“Take It or Leave It” – Charme Chulo (Paraná)
“When It Started” – Jennifer Lo-Fi (São Paulo)
Bonus Tracks:
Rosa (Last Nite) – Banda Uó (Goiás)
Sagganuts – Visitantes (São Paulo)

Download: Is This Indie

Modern Age - Vivendo do Ócio by liracomunicacao

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Apanhador Só - Acústico-Sucateiro (2011)


Com versos filosóficos e música de espírito aventureiro, o disco do quarteto de Porto Alegre conquistou admiradores fiéis em shows pelos principais palcos do Rio Grande do Sul. Com ele, a banda ganhou, emvotação popular, concurso da TramaVirtual e foi ao Rio de Janeiro abrir show de Maria Rita. À viagem seguiram-se apresentações em São Paulo que renderam bons comentários e garantiram regresso à capital paulista, em 2008, e destaque em matéria do O Estado de S. Paulo sobre “novos artistas para ficar de olho”.
O segredo do sucesso do grupo está no talento para compor canções que remetem a uma ancestralidade pop de assimilação imediata, ao mesmo tempo em que desafia ouvintes atentos a desvendar novas camadas sonoras e líricas a cada audição. Foi esse equilíbrio entre o popular e o experimental que rendeu ao Apanhador Só tanto reconhecimento, antes mesmo de seu primeiro álbum, Apanhador Só, ser lançado em 2010 e ir direto para as listas de melhores daquele ano.
Consagrado pop
Com o lançamento do primeiro disco cheio, choveram elogios nas principais publicações culturais brasileiras destacando a destreza dos gaúchos para renovar e lapidar o rock – fundindo referências do tango ao reggae com o charme da percussão sucateira e poesias bem escritas e bem cantadas. Tudo isso numa embalagem impecável: cada canção ganhou uma ilustração do cartunista Fabiano Gummo e caligrafia próprias no encarte do disco – inestimável presente para os que, em plena revolução digital, esgotaram a primeira tiragem da bolachinha nos concorridos shows de lançamento.
O refinamento pop de seu debut colocou, definitivamente, o grupo na linha de frente da nova música brasileira, com direito a indicação na categoriaAposta MTV do Video Music Brasil 2010 e consagração no Prêmio Açorianos de Música, de onde o Apanhador Só saiu laureado por “Melhor Álbum Pop”, “Melhor Produtor Musical” (Marcelo Fruet) e “Melhor Projeto Gráfico” (Rafael Rocha).
Também disponível gratuitamente em seu site, Apanhador Só atingiu a impressionante marca de mais de 50 mil downloads em um ano – número que duplicou nos meses seguintes e vem crescendo diariamente. Os números se convertem em coro durante os shows, em especial em “Um Rei e o Zé” – cujo clipe, uma adorável e divertida partida de taco-bola produzida com esmero pela Sofá Verde Filmes, é presença constante na programação da MTV e levou a banda a ser indicada ao VMB 2011, desta vez como Revelação.
Aonde o povo está
O reconhecimento da crítica amparado por um séquito fiel de admiradores sustenta apresentações lotadas tanto em sua Porto Alegre natal quanto no cobiçado circuito do SESC São Paulo, em eventos disputados como Virada Cultural Paulista, Feira Música Brasil, o festival latino-americano El Mapa de Todos, e em casas de show e teatros das principais cidades brasileiras. A simpatia irresistível do frontman Alexandre Kumpinski, somada à guitarra esmerilhada de Felipe Zancanaro, ao baixo sedutor de Fernão Agra, à bateria precisa de Martin Estevez e à inefável bicicleta percussiva – símbolo da banda –, arrebata plateias por onde quer que passe.
Ainda colhendo os louros de sua bela estreia, o Apanhador Só decidiu, em 2011, reinventar seus recentes clássicos e trouxe a público um novo trabalho. Gravado na sala da casa de Kumpinski usando gaiola, sacos plásticos, ralador de queijo, cantil de escoteiro, talheres, pedaços de conduíte, tecladinhos, walkie-talkie e outras bugigangas, objetos eletrônicos e instrumentos lo-fi, o disco Acústico-Sucateiro evidenciou a capacidade de experimentar e inovar da banda. Além de disponibilizado para download gratuito, o material – que traz ainda a inédita “Na Ponta dos Pés” – saiu em fita cassete.
Novamente, com projeto gráfico ousado desenvolvido por Felipe Oliveira e ilustrado pelo cartunista Diego Gerlach, o lançamento incentiva o público a reciclar ideias e materiais. No encarte, a banda convida os fãs a também lançarem mão de objetos do dia-a-dia para criar arte e, nas apresentações, propõe que o público leve fitas cassetes (novas ou usadas) para serem trocadas por cópias do Acústico-Sucateiro.
A iniciativa abriu possibilidades para o grupo, que passou a realizarintervenções em lugares públicos das cidades que visita em turnê, como praças, parques, estações de metrô e pequenos teatros históricos (a exemplo do Paiol, em Curitiba), numa eficiente estratégia de ocupação e revalorização de espaços urbanos, para além da ampliação de plateias e contato contíguo com seu público.
Junto e misturado
Da síntese das duas experiências, nasceu o espetáculo Elétrico-Acústico-Sucateiro, que estreou com sucesso em Porto Alegre, com convidados como os músicos Ian Ramil, Marcelo Fruet e Homem-Banda, cenário, iluminação e projeções especiais e catarse do público em noites de sessões duplas – que devem percorrer teatros de outras cidades em breve.
No momento, o quarteto trabalha no clipe de “Nescafé“, considerada uma das melhores músicas de 2010. A canção recentemente foi cantada em show por Vitor Ramil e seu filho Ian (parceiro de Kumpinski nesta composição e também em “Um Rei e o Zé”) e estará no álbum de estreia do cantor Filipe Catto, a ser lançado pela Universal.
O Apanhador Só promete novo disco para 2012. Algumas músicas já aparecem no set list das apresentações do grupo – como “Torcicolo”, “Mas Não”, “Ele se Acordou”, “Salão de Festa” e “Paraquedas” – e apontam caminhos ensolarados para o futuro do grupo, mantendo o foco em experimentos que testam os limites do pop.
Créditos: Ikaro Choco



Download:Apanhador Só

sábado, 5 de novembro de 2011

Lenine - Chão (2011)




por BRUNA VELOSO
13 de Outubro de 2011
Músico cria trabalho corajoso, trafegando entre sintetizadores e sons orgânicos 


Embora Lenine tenha estudado química, a palavra “fórmula” parece não fazer parte do dicionário do artista pernambucano. Entre um álbum e outro, ele sempre buscou novos caminhos musicais para amparar suas composições, sem se manter preso a maneirismos ou receitas, ainda que isso pudesse 
parecer sedutor. Mas agora o rompimento é definitivamente maior: depois de um disco como Labiata (2008), com o peso de músicas como “Excesso Exceto”, Lenine retorna com Chão, um álbum, como ele próprio define, “minimal”. 
Chão é um jogo de montar, com dez pequenas peças complementares, como ligadas por um fio invisível. Da música-título, na abertura, a “Isso É Só o Começo”, a última, são pouco mais de 28 minutos. Depois de ouvir as faixas algumas vezes, a sensação é de que cada um desses minutos foi pensado de forma a chamar o próximo, fazendo com que Chão seja realmente um álbum, no sentido completo (e cada vez mais raro) da palavra: uma obra ordenada, circular, não apenas um punhado de singles reunidos em um mesmo CD. Nove das faixas de Chão têm um elemento não “musical” – uma inspiração tirada da música concreta, com uma boa parcela de influência do filho do meio de Lenine, Bruno Giorgi, de 22 anos. Essa é outra novidade: diferente dos trabalhos anteriores, o projeto foi pensado e concebido apenas a três – pai e filho (o “chão” de Lenine é a família; na capa, ele aparece com o neto, Tom) e o guitarrista JR Tostoi, que há anos faz parte da banda do cantor. 
“Chão” começa com o som de passos, que permanecem durante os 3’31’’ da música, a mais longa do álbum. A letra, escrita por Lenine com o parceiro Lula Queiroga (ao lado de quem, há quase 20 anos, lançou o primeiro LP, Baque Solto, hoje uma raridade), é menos direta que de costume, mais abstrata, enquanto a música em si abre uma atmosfera de tensão, com sons eletrônicos. Quando o barulho dos passos começa a baixar, entram batidas de um coração, que introduzem “Se Não For Amor Eu Cegue”, de estrofes curtas. A guitarra de Tostoi sugere certa urgência, ainda que os versos sejam sobre o amor, tema constante no repertório de Lenine (na obra dele, nunca com clichês). Depois da aura apreensiva do início – que retorna mais adiante – vem “Amor É para Quem Ama”, uma pérola de calmaria pontuada pelo canto de Frederico – um passarinho – e com citação a Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. 
Nenhuma das músicas de Chão tem bateria, mas todos os espaços são muito bem preenchidos – seja pela pausa milimetricamente colocada, seja pela forma característica de Lenine tocar violão – menos presente neste disco, é verdade –, por sintetizadores ou pelos sons orgânicos. Como em “Malvadeza”, em que o som maior é o de cigarras, ou na tocante “De Onde Vem a Canção”, com os “tics” de um metrônomo e de uma máquina de escrever. Embora menos comercial, dá para prever pelo menos duas músicas de Chão como música-tema de algum personagem de novela: “Envergo Mas Não Quebro” (elemento: motosserra) e “Tudo que Me Falta, Nada que Me Sobra” (a única sem sons não instrumentais), as mais aceleradas do disco. Fechando o pacote, está, curiosamente, “Isso É Só o Começo”, que de forma emblemática apresenta todos os elementos usados nas faixas anteriores – além dos já citados, há ainda uma máquina de lavar e uma chaleira. Enquanto alguns artistas consagrados perdem-se em autorreferências tediosas, amargam em longos períodos de inverno criativo ou simplesmente rendem-se à facilidade de permanecer no lugar-comum, Chão comprova que Lenine pertence a uma classe distinta: a do artista em constante evolução.


Download: Chão
Chão (mediafire)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Eddie - Veraneio (2011)


Eddie (release) Olinda, 1989. Datar como de costume, como de costume, na Marim dos Caetés, quebrada-cenário de nossos manuais de história e chapações. “Lembra quando Nassau...? E daquela cachaça?” Duvido! Mas, recordo que foi neste ano que ouvi Pixies+Ramones+Dead Kenneds+frevo, entre outros pesos e bossas, ecoar na rua do Sol (salve o velho Pocolouco!). 
Todos liquidificados num só nome: Eddie. A verdade é que desde o fogo holandês que varreu a velha vila, não se via tanto calor, transformado agora em massa sonora. 
Olinda e seus arredores, ainda pré-manguebeat, traduzia sua pegada, seus tipos, seus desejos, em 3 acordes e muita maloqueiragem - o Original Olinda Style em seu legítimo cavalo... 
Mas as labaredas do incêndio, desta vez, não ficaram só por ali. Propagaram-se pelo mundo nas turnês da banda pelo Brasil e pela Europa (2005, 2006, 2007). Espalharam-se também através dos seus 4 registros em discos, tocados nos mais dignos sound-systems: Sonic Mambo (Roadrunner, 1998), Original Olinda Style (independente, 2002), Metropolitano (independente, 2006) e Carnaval no Inferno (independente, 2008) e, agora, o ensolarado Veraneio (2011).
Hoje, depois de várias formações, a Eddie é composta por Fábio Trummer (guitarra & voz), Urêa (percussão & voz), Andret (trompetes, teclados & samplers), Kiko (bateria) e Rob (baixo), contando sempre com a parceria especial de Erasto Vasconcelos, o verdadeiro farol de Olinda. Um escrete com sonoridade própria, cheia de grooves peculiaríssimos e experimentações inflamáveis. Capaz de incendiar até o mais frio dos terreiros do velho mundo, de levantar o fogo morto de ritmos quentes abafados pelo discurso da tradição, como o próprio frevo (o hit “Quando a maré encher” é frevo, meu bem!), entre outras façanhas infernais. Fica, então, o alerta: a Eddie é combustão certeira. Cuidado, principalmente se você brinca com álcool...

Download: Veraneio