sábado, 23 de junho de 2012

Humberto Teixeira - O Doutor do Baião




Um advogado apaixonado pela música, mais do que isso, um advogado fazedor de música. Ele se chamava Humberto Teixeira, nasceu em Iguatu e foi, junto com Lauro Maia, o cearense que mais divulgou a música do Ceará, que a levou para o mundo. Além de compor, ele tocava flauta e bandolim. Nos anos 30, já morando no Rio de Janeiro, ganhou um concurso de marchinhas de Carnaval, mas foi nos anos 40 que seu destino de compositor consagrado começava a se delinear. Apresentado ao grande Lua, Mestre Luiz Gonzaga , por intermédio de Lauro Maia, ele viria a compor a dupla mais conhecida da música nordestina de todos os tempos. Esse foi um daqueles encontros fundamentais que acontecem de vez em quando na história. Alguém consegue imaginar Lua sem Humberto Teixeira ou vice versa ? “Baião” foi a primeira música da dupla a ser gravada, também por um conjunto cearense – 4 azes e um coringa - e de lá pra cá, muitos sucessos vieram, sendo talvez, a mais conhecida a maravilhosa Asa Branca.

No dia 27 de agosto de 2002, no Teatro Rival, em plena Cinelândia carioca, se realizou a festa de entrega do 1º Premio Rival BR de Música e o homenageado da noite era justamente Humberto Teixeira. Grandes nomes da MPB se reuniram e cantaram as músicas inesquecíveis do Doutor do Baião. O show foi gravado e filmado por Denise Dummont, atriz e filha de Humberto Teixeira. Da gravação, foi feito o CD “O Doutor do Baião – Humberto Teixeira”, lançado pela gravadora carioca Biscoito Fino. Na época se anunciou que um DVD com a íntegra do show também seria lançado, mas infelizmente até hoje isso não aconteceu, o que é uma pena -tomara que pelo menos partes do show apareçam no filme “O homem que engarrafava nuvens”, de Lyrio Ferreira , que vem por aí - pois algumas músicas apresentadas na noite memorável do Rival ficaram de fora do CD, como por exemplo Fagner cantando “Kalu” , que aparece no disco em uma versão de estúdio feita por Chico Buarque. Aliás, além de Chico, Gal Costa, Caetano Veloso e Maria Bethânia também participam do CD, porém em versões de estúdio, separadamente e não participando do show.

“O Doutor do Baião” é um CD fundamental, pois mostra às novas gerações uma excelente seleção de algumas das composições mais importantes de Humberto Teixeira, com intérpretes de estilos completamente diferentes como é o caso de Lenine e Zeca Pagodinho. Rita Ribeiro, Fagner e Elba Ramalho estão completamente à vontade, praticamente “em casa” e dão um show de interpretação. Um disco muito oportuno e com um encarte bem interessante, mostrando fotos de arquivo da família Teixeira . A direção musical do disco/show foi de Wagner Tiso, a direção e o roteiro de Túlio Feliciano e o projeto foi idealizado por Denise Dummont e Ana Lontra Jobim.

Os músicos que participaram do show foram os seguintes:
Jorge Helder (baixo), Lula Galvão (violão e guitarra), André “Bochecha” (bateria), Robertinho Silva (percussão), Mingo Araújo (percussão), Zé Américo (acordeon), Márcio Malard (violoncelo), Cristiano Alves (clarinete/carone), Marcos Nimihister (teclados e acordeon) e Wagner Tiso (arranjos, direção musical, piano e acordeon).


O DOUTOR DO BAIÃO – HUMBERTO TEIXEIRA
Biscoito Fino –BF-533

1 - Asa Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Maria Bethânia (estúdio)
2 – Baião de dois (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Caetano Veloso (estúdio)
3 – Adeus Maria Fulo (Sivuca/Humberto Teixeira) – voz: Gal Costa c/ Sivuca (estúdio)
4 – Kalu (Humberto Teixeira) – voz: Chico Buarque (estúdio)
5 – Baião (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Carmélia Alves
6 – Mangaratiba (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Cordel do Fogo Encantado
7 – Sinfonia do Café (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Rita Ribeiro
8 – No meu pé de serra (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Gilberto Gil
9 – Juazeiro (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Gilberto Gil
10 – Respeita Januário (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Lenine
11 – Qui nem jiló (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Lenine
12 – Deus me perdoe (Lauro Maia/Humberto Teixeira) – voz: Zeca Pagodinho
13 – Dono dos teus olhos (Humberto Teixeira) – voz: Fagner
14 – Xanduzinha (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Fagner
15 – Légua Tirana (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Fagner e Elba Ramalho
16 – Paraíba (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Elba Ramalho
17 – Assum preto (Humberto Teixeira) – voz: Elba Ramalho
18 – Asa Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Sivuca, Rita Ribeiro, Carmélia Alves, Elba Ramalho, Lenine, Fagner e Gilberto Gil.

Download: Doutor do Baião


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Baião de Viramundo - Tributo a Luiz Gonzaga




Gláuber Rocha profetizou e Conselheiro abriu os canais: o Sertão vai virar um mar de criatividade que inundará o mundo, contra a secura dos impostos pela indústria cultural.
O inglês de Ariano Suassuna é tão pobre quanto o be-bop no samba de Jackson do Pandeiro. Mas quem precisa de inglês e be-bop, quando se tem Jacinto Silva e Cascabulho?
Fato é que a Bossa Nova não nasceu com João Gilberto, mas a partir dele. E por isso a Bahia colaborou com a preguiça, e a genialidade, da batida. A Tropicália nasceu com a Bahia, e Caetano e Gil; mas foi o tempero de Luiz Gonzaga e Capiba que estabeleceu sua posição de poesia na música, de ritmo na prosa de nossos brasis, tão unos e tão variados, tão puros e tão diversos.
O Sertão é um punhado de casos e uma só história. Torquato Neto desconcertou o Sul, mas, já sem gás, abriu a torneira pra que o gás não deixasse o oxigênio respirar. Morremos todos juntos e renascemos em sua poesia, concreta em meio à subjetividade nacional.
Nesse Viramundo eletrônico, Luiz Gonzaga sampleia o baião, urbaniza a caatinga, e os caranguejos fazem vaquejadas no terreno onde antes só havia canavial.
E quanto a nós? Vamos edificando a saga do caboclo de lança cibernético, nos versos de Bráulio Tavares, na cantoria austera de Pinto de Monteiro. Pois Zé da Luz não desconhece o Cordel do Fogo Encantado, nem estranha Silvério Pessoa, mas os recria quando Zé Limeira inventa Orlando Tejo e nos faz crer na impossibilidade de Cego Aderaldo ter sido obra, e arte, de um certo Jessiê Quirino...
O Nordeste é o que dele temos feito, e o que ele nos faz, dia-a-dia.

Esse texto é uma homenagem ao Projeto Baião de Viramundo, disco que reuniu os bons novos nomes da música pernambucana, numa releitura genaial da obra de Luíz Gonzaga.

Stellio Mendes

Vozes da Seca (Black Alien, Speed Freaks & Rica Amabis)
Cacimba Nova (Mestre Ambrósio)
A Dança da Moda (DJ Dolores)
Orélia (Otto)
O Fole Roncou (Nação Zumbi)
Dezessete e Setecentos (Mundo Livre S/A)
Assum Preto (Sheik Tosado)
Retrado de um Forró (Eddie)
De Juazeiro a Crato (Cascabulho)
Minha Fulô (Comadre Fulorzinha)
Juazeiro (Naná Vasconcelos & João Carlos)
Sabiá (Stela Campos)
Marimbondo (Chão e Chinelo)
Qui Nem Jiló (Andrea Marquee)
Acauã (Nouvelle Cuisine)
LG - Tu'Alma Sertaneja (Anvil FX & Lex Lilith)

Download: Baião de Viramundo


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Abidoral Jamacaru - Avallon



Abidoral Jamacaru é um músico poeta com inúmeras canções gravadas ao longo de mais de 20 anos de carreira. Sua discografia é composta de três álbuns: Avalon (1986) originalmente gravado em  LP  foi considerado pela crítica umas das obras- primas da música cearense na década de 80;  Peixe  (1997) lançado já em CD, que teve sua canção-título baseada em uma obra homônima de Patativa do Assaré e Bárbara (2007-2008) em que se refere à avó republicana de José de Alencar e passeia por estilos diversos, do blues ao coco, do rock ao forró. Em geral, as temáticas de suas canções abordam elementos que descrevem situações políticas, sociais, referentes também à cultura popular tradicional, mas que, paralelamente, também lança olhares para realidades diversas, aberturas de novos campos de significação onde  possam coabitar em um mesmo contexto o moderno e o antigo, o que é considerado vanguarda e as diversas manifestações de  tradição. Este artista teve participação fundamental no conjunto de movimentos artísticos da década de 70, no Ceará, denominados de Contra-cultura, que buscava uma nova lógica artística baseada em rupturas e descontinuidades, assentada no esforço de mover as fronteiras e aproximar o regional do universal, a musica erudita e popular, hibridizando distintos elementos, sempre em busca da construção de uma ou algumas identidades musicais brasileiras

Download: Avallon