segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Los Sebosos Postizos - Los Sebosos Postizos Interpretam Jorge Ben Jor (2012)




José Teles


Jorge Ben, antes de acrescentar o “Jor”, lançou álbuns de vasta influência na música brasileira, nenhum tão influente quando o Tábua de esmeraldas, de 1974. Pelo menos para a turma do manguebeat, poucos discos foram tão escutados quanto este, na predileção de todos, sobretudo de Fred Zeroquatro e Chico Science. Outros dois álbuns de Jorge Ben Jor que fazem parte da coleção básica do manguebeat são Samba esquema novo (1963), e Bidu – silêncio no Brooklin (1967). O primeiro é o álbum inaugural da obra de Babulina (apelido de Ben Jor), o segundo (pelo selo AU da Rozenblit) é sua resposta ao pessoal do Fino da Bossa, que o baniu do programa por ter se apresentado no Jovem Guarda.

Esta é a trinca de discos de Jorge Ben Jor de onde saiu a maioria das 14 faixas do álbum de estreia dos Los Sebosos Postizos, projeto paralelo de parte do Nação Zumbi (Jorge du Peixe, Dengue, Pupillo e Lúcio Maia). O disco está chegando às lojas pela Deck Disc, com produção de Mário Caldato, contrariando as previsões dos músicos do Nação Zumbi, que prometiam para este ano um CD de inéditas da banda.

“As músicas estão gravadas, mas o disco só em 2013. A gente não tem pressa. Continuamos tocando com Marisa Monte. A turnê dela deve ir até meados do ano que vem. Até lá, a gente vai ouvindo o que foi feito para saber se é isso mesmo o que a gente quer. Jorge talvez bote novas vozes”, comenta o baixista Dengue, de passagem pelo Recife.

Los Sebosos Postizos surgiu de uma homenagem ao ídolo Ben Jor em 1998, numa festa chamada A noite do Ben. Evoluiu para uma banda cover, que desaguou num álbum, que eles achavam que não seria feito: “A ideia do Los Sebosos estava evoluindo para um disco autoral. Mesmo nos covers de Ben Jor tinha, e tem, muito da banda. O repertório está gravado há uns dois anos, só agora foi que mandamos para Mario Caldato. A gente não tinha pressa, como está acontecendo agora com o disco do Nação”, continua Dengue, acrescentando que por enquanto não há vaga na agenda dos músicos para uma turnê dos Los Sebosos: “Acho que vai rolar uns três shows. Um no Rio, outro em São Paulo e no Recife, até porque a gente está se encontrando pouco. Jorge está em São Paulo, eu estou no Rio.

Duas músicas autorais de Los Sebosos Postizos foram gravadas antes. Uma está no primeiro, e único, álbum do coletivo Instituto – Solaris, instrumental – e outra está num disco do Mamelo Sound System. Nenhuma autoral está em Los Sebosos Postizos interpretam Jorge Ben Jor, o álbum. Para chegar às 14 músicas do CD bastou pinçar as preferidas de uma lista que eles selecionaram para tocar ao vivo: “Complicado foi tirar três dessas 14 para o vinil, onde só cabiam 11”, diz Dengue.

Embora tenha canções bem manjadas de Jorge Ben Jor, o CD consegue encaixar os hits em meio a canções, menos conhecidas, até mesmo do Tábua de esmeraldas, do qual pinçaram Cinco minutos. Do Samba esquema novo tem o quase sucesso Rosa, menina, rosa, e duas só conhecidas dos especialistas, Quero esquecer você e A tamba.

Um dos discos menos conhecidos de Ben Jor, Bidu – silêncio no Brooklin é um dos melhores e também o primeiro em que ele empunha uma guitarra e é acompanhado por uma banda de rock, no caso os Fevers. Segundo Dengue, ele é um dos preferidos dos integrantes da Los Sebosos Postizos: “É o mais diferente de Ben Jor, com uma pegada que só ele tem. De Bidu, o quarteto escolheu quatro faixas, todas absolutamente obscuras (a mais conhecida do álbum é Si manda).

De um dos discos menos conhecidos de Ben Jor, Ben é samba bom, de 1964, eles sacaram uma das mais peculiares composições do impagável Babulina, Descalços no parque (que não foi inspirado no filme homônimo, com Robert Redford e Jane Fonda, que é de 1967). Uma música que não é samba, não é bossa nova, tem a mesma levada de Ol’ man mose, hit de Louis Armstrong (cuja versão deu em A história de um homem mau, sucesso de Roberto Carlos, também em 1964).

“A música está no último disco de Marisa Monte, mas a gente gravou primeiro e deixou na gaveta até agora. Curioso é que tocamos o disco de Marisa quase todo. Esta foi um das músicas que não tem participação da gente”, comenta Dengue.

O que justifica a gravação de um disco com repertório de uma banda cover?

No caso do Los Sebosos Postizos, o fato de o grupo inovar no formato. Nem chega a ser um tributo, nem propriamente um grupo cover. Os arranjos e andamentos na maioria das faixas são bastante diferentes. Em outras o novo arranjo é feito em cima do original, só que com outros instrumentos. É isso o que eles fazem com a mais ou menos manjada O homem da gravata florida (esta é a terceira regravação da canção, além das duas feitas pelo autor).

Em Os alquimistas estão chegando, uma das poucas que preservam o mesmo ritmo da original, programações e a produção de Mario Caldato revestem a canção de outros tons, sonoridades: “Mario gosta muito de usar ecos, de ambiência. Ele fez um trabalho muito bom em cima das fitas que mandamos”, credita Dengue”. O quarteto do Nação tem o reforço de Guizado (trompete), Bactéria (teclado), Da Lua (percussão) e Bárbara Eugênia (backing vocal).

Download: Los Seboso Postizos Interpretam Jorge Ben



Wado (Discografia)



Site Oficial do Wado: http://www.wado.com.br/

O que esquenta o sangue de wado que agora vive no verão sem fim de Alagoas é a forma como as periferias do mundo têm construído a nova música através de quase nada de matéria prima. Transformando arte bruta em estúdios caseiros, com microfones baratos e pouco conhecimento técnico, mas com muita urgência, energia e gana.
A subversão não está mais na estética do punk, domesticado e adocicado em canções de amor. O que dá voz a quem não tem voz hoje são ritmos como o funk carioca, o reggaeton e os afoxés baianos. Wado foi beber nestas astúcias da periferia para construir a estética de seu novo álbum, Terceiro Mundo Festivo.

São os ritmos terceiro-mundistas que permeiam este novo disco que também traz referências mundiais como as batidas de Timbaland, Pharrel e M.I.A. O disco é um passeio por novas levadas, americanas e africanas e também, um retorno a concisão de discurso dos seus primeiros discos.


O Começo; No Brasil; Na Europa:

No ano de 2001 Wado lança o seu primeiro CD e chama a atenção dos brasileiros para a nova safra de compositores que fazem “música inteligente”, como bem afirma o jornalista Pedro Alexandre Sanches em matéria para o jornal Folha de São Paulo.
Foi a partir deste trabalho que Wado começou a ser reconhecido e respeitado em outros estados do Brasil, figurou em muitas listas de disco como o melhor do ano. Alexandre Matias, não só colocou o Cd de Wado no topo de sua lista com também escreveu uma crítica com declarações sobre tal escolha, “e agora vem Wado, com seu excelente O Manifesto da Arte Periférica, até agora o melhor disco de 2001. Sai Daft Punk, sai Vídeo Hits - o lugar é deste catarinense radicado em Maceió que conseguiu fazer um disco com sotaque, mas sem soar pós-mangue beat. Os dois discos que mais gostei no ano passado foram o do Mundo Livre S/A e o do Badly Drawn Boy. Wado converge os dois e cria um Damon Gough sambista, praiano.” – trecho do artigo publicado no Correio Popular (SP).

Aos 25 anos Wado começa a participar de projetos envolvendo o mercado internacional, na época do lançamento de seu segundo disco, “Cinema Auditivo”, quando foi convidado para participar do Tim Festival, oportunidade em que se apresentou ao lado de bandas como Los Hermanos, Lambchop, 2manyDJs e Public Enemy. Mostrando os timbres ousados, letras marcantes e a pegada firme nos grooves.

Depois de ter rodado quase todo o Brasil apresentando seu show, Wado grava “A Farsa do Samba Nublado” e com ele é selecionado pela FUNARTE para participar do Projeto Pixinguinha, antiga e lendária atividade do Ministério da Cultura que promove o intercâmbio de manifestações musicais entre as diversas regiões do país. Assim, em 2004, Wado excursionou pelo Sul e Sudeste do país ao lado de artistas como Rita Ribeiro, Totonho e Carlos Malta.

Em 2005 a França comemora um grande evento, “O ano do Brasil na França” e a caravana da qual Wado fez parte no Projeto Pixinguinha é escolhida para representar o Brasil. Este foi o primeiro show que Wado fez na Europa, na cidade de Paris. No ano seguinte é novamente selecionado para representar o Brasil, na cidade de Berlim – Alemanha no projeto Copa da Cultura / Música do Brasil, onde apresentou seu show dançante durante a Popkomm, Feira de Música Internacional. A música de Wado já circula pelo mercado europeu através da Coletânea Brazil Luaka Bop e da Coletânea da revista Tip Popkomm, com 80 mil cópias.

Wado já esteve em de festivais como Coquetel Molotov e Rec Beat (PE) Goiânia Noise (GO), Com: tradição (SP), FMI (BSB), Feira da Música (CE) além de vários outros eventos importantes do calendário nacional.

Discografia:
2001 - O Manifesto da Arte Periférica
2002 - Cinema Auditivo
2004 - A Farsa do Samba Nublado
2008 - Terceiro Mundo Festivo
2009 - Atlântico Negro
2011 - Samba 808


http://www2.uol.com.br/wado/
   

Download: O Manifesto da Arte Periférica


Download: Cinema Auditivo


Download: A Farsa do Samba Nublado


Download: Terceiro Mundo Festivo


Download: Atlântico Negro


Download: Samba 808

domingo, 16 de setembro de 2012

Abayomy Afrobeat Orquestra - Abayomy (2012)


O grupo foi criado especialmente para a primeira edição do FELA DAY - Evento internacional que celebra o nascimento do nigeriano criador do Afrobeat - no Rio de Janeiro. Do encontro feliz desses grandes amigos, músicos e admiradores da obra de Fela Kuti surgiu necessidade de continuar com o projeto para dar mais visibilidade a este gênero musical que está presente no trabalho de diversos artistas brasileiros e ao mesmo tempo é ainda pouco conhecido do grande público. A Abayomy é formada por 13 músicos que abusam de suas referências brasileiras e genialidade em arranjos vivos, calcados na força do afrobeat. No momento, a Orquestra se prepara para gravar seu primeiro disco com lançamento previsto para o segundo semestre de 2010 e traz em suas letras um discurso claro sobre as desigualdades sociais e raciais, e também o sincretismo religioso brasileiro através das versões para cânticos que há gerações estão vivos nos terreiros de candomblé e nas matas onde é feito o culto da Jurema. Também não falta em seu repertório covers de clássicos do afrobeat e versões para composições de artistas como Jorge Ben, Marku Ribas, Antônio Carlos & Jocafi e outros diretamente inspirados nas raízes rítmicas africanas. O Show é um verdadeiro passeio por essas sonoridades marcantes. Passeio em que tanto o público quanto os integrantes da ABAYOMY AFROBEAT ORQUESTRA criam, através da música, e com muita brasilidade, um caminho que os conduz diretamente à África.

Download: Abayomy Afrobeat Orquestra

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Antibalas - Antibalas (2012)


Poucas bandas foram tão ligadas com um antecessor estilístico e filosófico como Antibalas são com Fela Kuti. Menos ainda tem sido tão capaz de fazer justiça ao seu antecessor, afinal, essa é a banda que foi recrutada para dar alguma verossimilhança sônica para as produções originais do musical Fela!.
E, em pagamento da dívida estilística com o autor do Afrobeat, por mais de uma dúzia de anos a banda do Brooklyn passou um punhado de álbuns provando que é uma forma de arte que pode não só sobreviver, mas prosperar, artisticamente e politicamente, fora do contexto da década de 1970 na Nigéria. 

Em termos superficiais, os Antibalas poderiam ser atrelados a algum movimento específico agitado nas atuais questões sócio-política, onde a luta de classes e a privação de direitos são jogados fora, e movimentos contra o sistema são empurrados para o fundo, mesmo que nunca realmente possam ser aniquilados. Mas para muitas pessoas, a exploração financeira, aplicação da lei equivocada, e materialismo insatisfatório não são mais prevalentes do que eram quando Liberations Afor Beat vol. 1 saiu, eles são apenas mais visíveis para as pessoas que não se preocupam com isso. Antibalas tem usado estas incursões para um tipo peculiar de música de protesto: Eles trocam a especificidade didática pela alegoria sorrateira, cambiando as manchetes de jornal pela luta diária do cirdadão.

Download:  Antibalas



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Macaco Bong - This Is Rolê (2012)



É um prazer anunciar , juntamente com os parceiros Fora do Eixo , A Construtora Música e Cultura , Popfuzz Records , Travolta Discos , Pedrone Amplificadores Valvulados e Compacto Rec que nosso disco This is rolê está disponivel para download no nosso site.

- http://macacobong.com.br/  

Leia um trecho da resenha de Alex Antunes sobre o disco:

"Um universo criativo muito próprio, que ignora os modismos; uma visão política de mundo; uma opção pela música instrumental. Esse é o tripé em que se assenta, mais do que a estética, o caráter do Macaco Bong.

Segundos álbuns costumam ser uma passagem essencial para a trajetória de uma banda. Porque já não há aquela explosão de repertório e energia acumulados, contra as dificuldades iniciais de produção. Para as bandas que importam, um segundo álbum traz em geral uma segurança maior (quanto ao domínio dos meios técnicos) e ao mesmo tempo um autoquestionamento de identidade: quem se é, como se faz e, provavelmente o mais importante, porque se faz.

Ainda mais se o primeiro álbum foi um sucesso (caso de Artista Igual Pedreiro, melhor disco nacional de 2008 pela Rolling Stone e presente em várias listas), e a pressão por resultados começa a aparecer. Mas desde o primeiro momento essa não era uma banda “normal”: um trio instrumental virtuose de Cuiabá, misturando referências locais ao rock pesado.

(...)

Com essa expansão de horizontes estéticos, uma mudança na formação – a saída do baixista Ney Hugo e a entrada de Gabriel Murilo –, e a mudança para Belo Horizonte como base de operações (depois da natal Cuiabá e de um período em São Paulo), a curiosidade sobre o segundo álbum foi ficando acirrada. O que viria por aí?"

Download: This Is Rolê