quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Arnaldo Antunes - Disco (2013)



Após uma extensa turnê com o Acústico MTV (2012) e umas férias merecidas em Ilha Grande, com os amigos Dadi e Marisa Monte no início do ano, que renderam boas composições, Arnaldo Antunes está de volta ao mercado com Disco – primeiro trabalho de inéditas desde Iê iê iê, de 2009, e que deu ao artista a oportunidade de gravar e lançar de uma maneira nova. A cada música finalizada, o cantor lançava a faixa em seu site oficial.

“O desejo de chamar o disco de Disco veio justamente da dinâmica que escolhemos para lançá-lo, que é o fato de eu gravá-lo sem interromper a turnê do acústico que estava fazendo”, disse Arnaldo ao Terra, depois de se apresentar no Terra Live Music Especial Natura Musical, na última terça-feira. “Então, como tinha um processo mais demorado, nós pensamos ‘por que não ir mostrando essas músicas na internet?’. E aí foi uma dinâmica super legal; essa liberdade de lançar essas faixas avulsas e ao mesmo tempo concebê-las como parte de um todo.”

Não só no processo de gravação Arnaldo inovou no seu trabalho. Disco também é um álbum de nuances – com composições recentes e aquelas de mais de uma década, além de estilos mais “serenos” e “pesados”. “Tem uma safra de músicas mais serenas e ao mesmo tempo tem rock pesado, como Vá Trabalhar e Sentido”, explicou. “Então é isso, ter esses contrastes, tudo isso eu acho que acaba refletindo uma ideia que trouxe para o álbum.”

Download: Disco



domingo, 24 de novembro de 2013

Khrystal - Dois Tempos (2012)



por Ed Félix

Pensa que é fácil ser uma estrela? Pensa que vida de cantora é brisa fresca? Khrystal propõe uma troca de papéis com você, mas ela tem certeza de que, em dois tempos, vai ganhar a aposta. A cantora potiguar dá sua vida pela música. É o preço para se fazer arte do jeito que ela quer fazer. Vai encarar?

Influenciada pelo jazz, com um pé no blues, e ainda roqueira forte, ela sabe converter as referências de sua formação artística em qualidades para a música regional. É isso mesmo que você está pensando: vai ouvir forró e sentir rock. Neste segundo disco, Khrystal reúne ritmos altos com o que há de melhor na cultura nordestina, na vida real, na vida de cantora. Cantora e compositora. Sua poesia é belíssima, coisa de gente que consegue enxergar - e depois cantar - a beleza das coisas simples do cotidiano. Incrível também é perceber como ela consegue encaixar cada expressão em melodias bárbaras. A voz? Forte, com sotaque carregado, uma das mais originais da música brasileira atual.

Primeira faixa do disco, ‘Na Lama, Na Lapa’ é um grito de liberdade, já avisa que Khrystal canta o que quer. “Fui batizado na capela onde o padre, numa noite de pecado, se encontrou com um alguém”, dispara em ‘Arranha Céu’. Se você já apertou a campainha da vizinha e correu, vai gostar de ‘Bem ou Mal’. Não é por menos que ‘Dois Tempos’ deu título ao disco: “Mato meu leão todo dia pra não ver meu canto calado morrer”.

‘O Trem’ é um dos pontos altos do segundo trabalho em estúdio da cantora. É o romantismo de quem vive debaixo de sol quente: “Comida sem farinha é o mesmo que trepar sem beijar. (...) A vida a dois é feito rapadura: é doce, mas não é mole não”. A Khrystal mais forte do disco é a de ‘Zona Norte, Zona Sul’: “De que lado mora o seu preconceito? Atravesse a ponte que eu vou lhe mostrar”.

“Já me falaram desse tal de erudito, mas meu negócio é a cultura popular”, canta em ‘Potiguaras Guaranis’, uma combinação incrível de tudo o que forma o nordeste brasileiro. O disco fecha com a única canção que não é assinada por Khrystal. ‘Compositor’, de Joyce e Paulo César Pinheiro’, é uma homenagem nada trivial a quem (sobre)vive de música.

Fugir do óbvio, não ter vergonha de mostrar o lado mais sincero de sua voz, não ter vergonha de mostrar todos os seus lados enquanto artista. Khrystal é uma cantora alegre, uma compositora brava, uma artista popular que pode fazer a crítica cair aos seus pés. Potiguar, nordestina, brasileira.

Download: Dois Tempos 


terça-feira, 12 de novembro de 2013

DJ Dolores - Banda Sonora (2013)



Veterano da cena Manguebeat, DJ Dolores está na ativa há mais de 20 anos, várias tournês  mundo afora e seis álbuns com trabalhos de carreira e trilhas sonoras.

DJ Dolores já remixou faixas de Chico Buarque, Tribalistas, Bob Marley (oficial), Sizzla, Perez Prado e Taraf de Haïdouks, entre outros.  Seu remix para Gilberto Gil foi lançado pela revista americana Wired como parte do projeto “Rip, Mash, Sample, Share”.

Como compositor de trilhas sonoras, participou de vários filmes, destacando-se “A Máquina”, “Narradores de Javé”, e mais recentemente, “Estradeiros” e “O som ao redor”. Também compôs músicas originais para teatro e dança.

Vencedor do BBC Awards, na categoria “Club Global”, ganhou duas vezes o prêmio da música brasileira (antigo prêmio TIM) com seus discos.

Download: Banda Sonora

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Escama de Peixe - Rato Cola (2013)



Escama de Peixe é uma banda de rock com forte influência pós-punk. Reúne músicos de várias bandas do underground e da cena independente de Belo Horizonte. Composições de versos curtos e diretos falam do mundo contemporâneo através de alegorias e uma boa dose de deboche. Rato Cola é o álbum de estréia da banda que traz uma instigante colagem de sonoridades: punk, ska, blues, funk e muito rock brasileiro. Produzido na íntegra de forma independente no estúdio caseiro do Colégio Invisível, foi realizado através de uma rede colaborativa física e virtual. Músicas para dropar, flipar e dançar no último volume.
Escama de Peixe é Annita Matta Verme (Vocal), Lacierda Cienfuegos (Guitarra), Pixxx (Baixo), Porquinho (Guitarra e FX), Pyrata (Vocal), Tuca (Vocal), Ubu (Bateria) e Zé Carniça (Metais).

Download:Rato Cola


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Felipe Cordeiro - Se Apaixone Pela Loucura do Seu Amor (2013)




CARLOS ALBUQUERQUE


Uma semana antes de entrar no estúdio para gravar seu novo disco, aquele que sucederia o elogiado “Kitsch pop cult”, de 2012, Felipe Cordeiro reparou que tinha um problema. O cantor, compositor e guitarrista paraense — que toca hoje à noite no Circo Voador, abrindo para Arnaldo Antunes, às 22h — não tinha uma música que resumisse o espírito do futuro trabalho, que sintetizasse o suingue e a irreverência das outras composições que já tinha esboçado. Faltava algo.

— Faltava fuleiragem — resume ele. — Esse sentimento ultrapopular, de sarro, de sátira.
Foi quando um amigo lhe contou uma briga que presenciou na rua, envolvendo um esquentado casal. Em determinado momento da discussão, a mulher sacou uma frase inusitada, que finalizou a discussão como um ippon: “Você pra mim é problema seu!”, exclamou ela. O jogo de palavras encantou Cordeiro, que criou a música “Problema seu”, a última a ficar pronta e a primeira a ser ouvida no disco “Se apaixone pela loucura do seu amor”, que lança hoje no show. Desde quarta-feira, três faixas dele (“Ela é tarja preta”, “Louco desejo” e “Lambada alucinada”) podem ser baixadas gratuitamente no site Natura Musical (naturamusical.com.br), que apoiou o trabalho.
— Esse disco sai um pouco do terreno do kitsch, que estava bem presente no trabalho anterior, para cair mais num pop tropical para valer — conta o músico. — As canções acabaram girando em torno do amor, esse tema clássico que todo autor que se preze tem que tocar um dia.
Com uma economia no uso de samples e outros recursos eletrônicos, “Se apaixone pela loucura do seu amor” leva a assinatura dos produtores Kassin e Carlos Eduardo Miranda, que trabalharam ao lado de Felipe e seu pai, o guitarrista Manoel Cordeiro (também parceiro em quatro músicas do disco).
— Kassin e Miranda são criativos, ousados, livres, não têm limites. Precisava de gente assim ao meu lado — conta ele. — E o Kassin acabou tão apaixonado pelo meu pai que, no fim das gravações, formamos uma banda para ele. Ela vai se chamar Manoel Cordeiro e os Desumanos, com a participação do Liminha. A estreia vai ser em novembro, no festival Se Rasgum, em Belém.
Desse convívio saíram músicas como “Louco desejo”, com timbres que remontam aos anos 1980, e “Lambada alucinada”, dedicada ao amigo Maderito, vocalista da Gang do Eletro.
— “Louco desejo” tem um contraste legal entre os teclados, meio gélidos, e as guitarras, soltas e com muito suingue — explica ele. — Já “Lambada alucinada” é bem rápida, nervosa, com guitarras malvadas, que me fizeram lembrar do Maderito, uma pessoa adorável.
Da parceria com Arnaldo Antunes, nasceu a divertida “Ela é tarja preta” (que acabou gravada também pelo ex-titã em seu “Disco”).
— Estava a fim de compor com Arnaldo há um tempão. Um dia nos encontramos na casa dele, abrimos uma garrafa de vinho e começamos a falar besteira. Ficamos tão empolgados com a letra que nós dois resolvemos gravá-la. A ideia da letra foi do meu pai, sobre esse tipo de mulher-problema que a gente pode encontrar. Ou homem-problema. Depende do ponto de vista.
E de tanto ouvir falar da “cena” musical de Belém, Cordeiro acabou criando uma das faixas centrais do disco: “Brea époque”.
— Nos anos 1920, a cidade sofreu forte influência europeia, na arquitetura, na música, em quase tudo. Diziam que era a Belle Époque adaptada para a Amazônia — reflete. — E hoje Belém vive uma explosão cultural em torno de um local que tem os problemas das grandes cidades, sem as vantagens. A letra reflete essas contradições que fazem Belém ser o que é. E brear é uma expressão local, significa ficar suado, lambuzado por calor e umidade



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Marcelo Jeneci - De Graça (2013)



Em parceria com o Portal Natura Musical, o cantor e compositor Marcelo Jeneci apresenta seu novo álbum “De Graça” via streaming gratuito. O link para a audição está disponível no site do Natura Musical .

Deixando a monotomia, Marcelo Jeneci apresentou o single “De Graça” – uma das músicas do disco – há 2 semanas atrás e assume o balanço do novo trabalho com a mensagem: “O bom da vida é de graça e ache graça quem quiser achar”.

Produzido por Kassin e co-produzido por Adriano Cintra, o álbum chegará às lojas em novembro. Jeneci se despede de seu antigo trabalho “Feito Pra Acabar” e floresce em uma nova fase ensolarada de sua carreira.


Download: De Graça


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Onda Vaga (Discografia)

Fuerte Y Caliente (2007)



A banda nasceu, em solo uruguaio, com membros argentinos da união de duas bandas: Doris ( Nacho Rodriguez e Marcelo Blanco) e Michael Mike ( Marcos Orellana e Thomas Justo Gaggero ) e o alemão Cohen ( Satélite Kingston ) nos vocais e trombone .

Desde a sua criação , em 2008, Onda Vaga não escolheu o caminho habitual para promover-se na indústria da música. E, graças ao boca a boca de um público que os segue a partir de então tornou-se um evento cult com apresentações constantes, sempre a casa cheia .

Com a história de seis anos , a banda gravou três álbuns de estúdio : " Fuerte y Caliente” (2008), “Espíritu Salvaje” (2010) e "Magma Elemental" (2013) dedicado à cena local em quatro turnês européias e consagração como banda revelação no Fuji rock Festival , no Japão ( http://www.youtube.com/watch?v=giApjnkEx3w ) onde tocaram no mesmo palco com bandas como Radiohead, Stone Roses , Justice , Beady Eye e Noel Gallagher. A banda se apresentou na frente de mais de 10.000 pessoas e foi citadapela Billboard por sua energia no palco e aceitação do público .

2013 encontrou-os com um show de despedida do material anterior no Konex , em fevereiro, ele voltou a ser vendido para fora . Em janeiro de 2013 David Byrne reuniu uma seleção de músicas de artistas americanos em sua rádio on-line e destaca Onda Vaga com 4 músicas em uma lista de reprodução para compartilhar com Café Tacuba , Kevin Johansen , Natalia Lafourcade , Carlinhos Brown e Los Fabulosos Cadillacs , entre outros artistas estas latitudes ( http://www.davidbyrne.com/radio/index.php ) .

A banda oficial do Facebook ultrapassa 150 mil fãs e da participação das pessoas com comentários compartilhados e postagens em suas próprias paredes mostra claramente o entusiasmo e lealdade do público com a banda.









Espiritu Salvage (2010)



Download: Espiritu Salvaje









Magma Elemental (2013)



Download: Magma Elemental



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Cérebro Eletrônico - Vamos Pro Quarto! (2013)



O Cérebro Eletrônico foi formado por volta do ano 2002 por Fernando Maranho e Tatá Aeroplano. Em 2003 eles gravaram em esquema caseiro e lançaram o primeiro disco intitulado "Onda Híbrida Ressonante" pelo selo Reco Head. O experimentalismo fez parte desse trabalho, que apesar de estar centralizado na música eletrônica, apontava o tropicalismo como a grande referência musical. 

Após o lançamento do primeiro disco, o "duo" Cérebro Eletrônico foi aos poucos tornando-se uma banda e diversos integrantes passaram pela fase inicial, entre eles Dudu Tsuda (teclados), Isidoro Cobra (baixo e backing vocal) e Helena Rosenthal (violão e backing vocal). O baterista Gustavo Souza faz parte da banda desde a primeira formação.

Por volta de 2006, a banda começou a criar um repertório de canções genuinamente "pop", onde o cinema, o dadaísmo, a literatura fantástica e a "mojicália" estavam estampados em notas e letras do que seria o segundo disco, intitulado "Pareço Moderno", lançado em 2008 em múltiplos formatos pela Phonobase Music Services. Desta vez a banda gravou em estúdio com o produtor Alfredo Bello (Dj Tudo). 

Em 2008 e 2009 entraram na banda Fernando TRZ (teclados) e Renato Cortez (baixo) que participaram do terceiro disco intitulado "Deus e o Diabo no Liquidificador", lançado em 2010. Canções como Decência, Cama, Sóbrio e Só e o Fabuloso Destino do Chapeleiro Louco, trouxeram uma roupagem mais psicodélica e guitarreira à banda. Alfredo Bello e Fernando Maranho assumiram a produção. 

Em 2013 foi lançado o quarto disco da banda "Vamos pro Quarto!", que pode ser considerado o mais eclético e experimental de todos os seus álbuns, com músicas de diversos tipos e jeitos, algumas bem inusitadas. Com produção e composição coletiva, o disco foi concebido em um fim de semana alucinante nas montanhas de Bragança Pta. A mix, gravação e coprodução ficou a cargo de Otavio Carvalho, o "Ota".


Download: Vamos Pro Quarto


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Baleia - Quebra Azul (2013)




Depois de um ano dividindo-se entre shows e estúdio, a banda Baleia faz uma brilhante estreia com o álbum ‘Quebra azul’. A produção de ouro, comandada por Bruno Giorgi e Lucas Ariel, traz uma nova proposta musical: desprendendo-se um pouco do estilo jazzístico que marcou as antigas canções para, agora, apostar no ‘pop progressivo’ – termo que simboliza o novo trabalho.  ”Não foi uma fuga consciente, foi uma evolução natural do grupo. Quando a gente começou, a banda era uma brincadeira séria. Tínhamos um fetiche de tocar jazz. A mudança foi um processo inevitável de cada um colocar suas influências no som”, explicou o vocalista Gabriel Vaz. O grupo que começou a ganhar atenção pelo cover jazzy de ‘What goes around… comes around’, de Justin Timberlake, dessa vez buscou inspiração no formato não-cíclico (que não repete versos e refrão em ciclos), usado pela banda inglesa Radiohead, resultando em inícios calmos e ritmos energéticos que crescem progressivamente ao longo das canções.

Os arranjos inusitados (com a presença até de um violino) foram combinados a elementos criativos, como guitarras distorcidas,  duas baterias e até mesmo uma escova de dente, tudo isso em uma mesma música! Com seis integrantes e referências musicais distintas, a banda prefere não seguir uma linearidade e opta por crescer mutuamente. “É tudo bem caótico. O que a gente tem em comum é uma vontade de não se acomodar musicalmente, nunca ir pelo caminho mais fácil. É bem trabalhoso, mas a gente se propõe a pensar muito a cada música que faz”, contou.


Download: Quebra Azul

 

domingo, 13 de outubro de 2013

Rinoceronte - O Instinto (2013)



A banda de Santa Maria Rinoceronte, com a clássica formação em trio que constitui o imaginário elementar do rock n’roll, tem uma sonoridade robusta que orbita em torno do stoner rock e suas variações, observando também as influências da psicodelia, do blues e do hard rock setentista.

A sonoridade desse álbum estará presente em sua forma crua na performance dos três músicos (Paulo Noronha, Vinícius Brum e Luiz Henrique Alemão) que vem, cada vez mais, garantindo um lugar de destaque no cenário da música independente brasileira.

Download: O Instinto


 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Coutto Orchestra - Eletro Fun Farra (2013)



Formada em 2010, a micro-big-band faz a fusão da cultura dj com as diversas melodias mundo afora, levando para o mundo o maracatu de brejão, a taieira e o forró para executar um caldeirão sonoro de melodias cativantes e batidas fortes.
No palco, os instrumentistas linkam aparatos tecnológicos à sanfona, percussões, sopros e vozes entoando canções sem palavras envoltas por projeções e luzes provocando uma sensação festiva e imagética.
 Atualmente a Coutto Orchestra vem ganhando destaque em importantes espaços do cenário da música brasileira como  shows na Feira da Música (CE), Porto Musical (PE), Festival Quebramar (AP), BNB Instrumental (PB e PE), LAB Festival(AL), Festival de Inverno de Garanhuns (PE), Festival Quebramar (AM), Palco Giratório (SE), Verão Sergipe (SE) e participação em diversas coletâneas fisicas e virtuais como Bass Culture e Beyound e Viva Brasil (BM&A), Serigy All Stars (Disco de Barro), dentre outras.

O primeiro disco oficial da Coutto Orchestra reúne os elementos que abriram as portas do mundo para a alegria festiva da banda e apela para uma batida forte, fruto de uma pesquisa dedicada aos ritmos que marcam o pulso da aldeia global, para dar sentido à provocação imagética que orientou o processo de construção do álbum.
Lançado pelo selo Disco de Barro, Eletro Fun Farra é composto por dez faixas dedicadas à celebração, músicas que extrapolam notas e acordes para desaguar num caldeirão sonoro que transcende a geografia com o propósito de comunicar sensações imagéticas através da música.

Download: Eletro Fun Farra



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Tuca - Curioso (2013)



TUCA, O CURIOSO


   "Curioso" são poesias, loops, rimas, beats, contos, samples, efeitos, imagens, sons, cinema brasileiro e a vontade de se expressar, de sonhar de olhos abertos. Falar de coisas absurdas, de si e do mundo. Um ponto de vista musicado. Do punk, do rock, da eletrônica, do rap, do pop, do experimental. Pedaço de cada um, um todo só. A unidade está na poética livre, marginal, do experimento visceral. O conceito é o cotidiano, mas aquele que permite o sonho, a liberdade de expressão, sem preconceitos, livre do ranço, da amargura, do tédio de nossos egoísmos repentinos. O sonho segue sua boca!

Sempre tive muita vontade de musicar meus poemas e contos escondidos. Ainda não sabia como. Até conhecer em 2000 o Lacerda JR, através do Alex Pix. De lá pra cá nós três, nesses doze anos, fizemos inúmeras experiências sonoras, experimentações híbridas (punk, garagem, eletrônico, rap, noise, frevo, entre outros gêneros), grupos musicais, canções cheias de poesia marginal, erros, improvisos e acasos, tudo sempre no espírito "faça você mesmo" e "lo-fi". Logo depois tivemos a maravilhosa Ana Mo em nossas façanhas. Foi quando realmente decidimos pelo caminho da canção. Em 2009, produzimos então a primeira banda com os quatro juntos: Madame Rrose Sélavy; com seis demos realizadas. Depois pela Internet, conheci Matt Love, do Canadá. Então veio o "Antitrusts", com uma demo e mais outra em processo. Até show e intervenções começaram a surgir, principalmente para a Rrose. Foram apresentações bem intensas. Dessas novas experiências, foram elaboradas novas canções e outro projeto: Felix Canidae, com uma demo lançada recentemente. Neste grupo e nas três últimas demos da Rrose, nós conseguimos entender mais o que queríamos, o nosso jeito, a maneira como fazemos, melhoramos as canções, os arranjos, as captações de áudio, as mixagens, toda a produção musical, mas totalmente independente ainda e em casa mesmo. Mas como sempre, a vida não é fácil, e podemos ser engasgados por sua aspereza. E cada vez mais ficou difícil de produzir coletivamente, nós quatro, e em outros projetos. Por inúmeras razões. Decidimos então concentrar mais na Madame Rrose, e compreender cada vez mais sua sonoridade, as letras e as composições como todo. Mas minha inquietação é grande. Quando tenho meus momentos de crise, desemprego e outras mazelas, eu faço algo contra essa inércia das coisas, enfrento meu ego ferido, minhas angústias, meus medos, meu egoísmo. Daí surgiu a trilha sonora para meus poemas e contos guardados: "Curioso", meu primeiro álbum com a produção musical toda minha. Um projeto de música pop experimental. Mas é claro, com a parceria nos vocais, e na força, da minha companheira de tantas aventuras, da vida, Ana Mo.

Download: Curioso 


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Leo Damasio - EP (2013)



Gravado em maio de 2013 por Weber Teixeira no Cadenza Estúdio, em Lavras/MG, o álbum apresenta cinco faixas escritas por Leo Damasio e com osarranjos de Adriano Carvalho no baixo, André Índio na percussão, B DoisSantana na bateria e Cristiano Magrão na guitarra. A Produção Musical doálbum é de GH Lage e a Direção Musical de Leo Damasio e Adriano Carvalho.Pedro P. assina a produção artística e a fotografia é de Adriano Bastos e Thiago Nascimento.

As cinco faixas do EP combinam elementos típicos da música brasileira com ritmos, melodias e timbres que não cabem em fronteira alguma. A riqueza musical do EP revela uma trama de referências que concentra as influências do compositor e as desdobra, multiplicadas pela singularidade dos músicos convidados. Sem perder o foco na simplicidade, pedra fundamental da beleza, a clareza dos arranjos enaltece a palavra cantada, abrindo espaço para que a voz se lance entre o som e o silêncio com a tranquilidade de quem está em boa companhia.

Boas para cantar e fáceis de entender, as canções de Leo Damasio desenham uma paisagem onde a vida segue lenta, rústica e naturalmente, alheia à complexidade efervescente das capitais. Abordando temas como o eterno duelo entre São Jorge e o dragão desenhados na Lua, o grito de Januário, o cangaceiro do Sul de Minas e um convite da morte para o “lado de lá”, suas letras tratam de ideias sensíveis e interessantes, daquele jeito natural e despretensioso que caracteriza o povo mineiro.

Nascido em Varginha, interior de Minas Gerais, Leo Damasio cresceu em um bairro simples, longe do centro da cidade, jogando bola, soltando pipa e vendendo doce e picolé rua afora, até se apaixonar pela música. Aos 21 anos mudou-se para São João del Rei para cursar psicologia na UFSJ. Integrou a primeira turma da Bituca - Universidade da Música Popular em Barbacena, onde estudou com grandes músicos como Gilvan de Oliveira, Ian Guest, Cleber Alves, Lincoln Cheib e o Grupo Ponto de Partida e se formou em Canto Popular com Babaya. Participou dos principais eventos artísticos de São João del Rei e Tiradentes com os grupos Metanoia, Señor Blues e com o trio O Parangolé de MPB. Afastou-se dos palcos em 2005 e retomou em 2012 para a realização de seu primeiro EP autoral lançado em Agosto de 2013.

Contato: leodamasio.music@hotmail.com
Mais sobre Leo Damasio nas redes sociais :
Facebook: https://www.facebook.com/leodamasio.musica
Youtube: http://www.youtube.com/channel/UC15usMsc5EM2Maf8EA3KRYg
Soundcloud: https://soundcloud.com/leodamasio

Download: Leo Damasio

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Bixiga 70 (2013)



A música é instrumental mas o discurso é claro. Bixiga 70 chega chegando ao segundo disco: o groove ficou mais pesado; guitarras e teclados agora estão na linha de frente junto com os metais; bateria, baixo e percussões impulsionam os arranjos sem massagem; a ira se espalha pelos timbres, pelas linhas melódicas, pelos riffs – a temperatura subiu geral. Terreiro, Jamaica, dinâmicas jazzísticas, Pará, Etiópia e um clima de “blaxploitation à brasileira” se misturam com equilíbrio. A influência do afrobeat – supracitada nas boas críticas do primeiro disco, de 2011 – agora se dilui num mar de referências e o som alcançado identifica a banda como uma impressão digital. A África, afinal, é o mundo inteiro.

O trompete que chora no solo de “Deixa a Gira Girá” (ponto de candomblé, já adaptado pelo trio baiano Os Tincoãs, em 1973); a bateria que demole qualquer tropa de choque em “Ocupaí”; a guitarra que insinua um certo mistério em “5 Esquinas”; o sintetizador que evoca o futurismo em “Kriptonita”; o lamento coletivo na saideira, “Isa”; tudo parece reverberar a frequência que tomou as ruas do Brasil em junho de 2013 – mês em que a banda finalizou este segundo disco, com produção de seus integrantes e mixagem de Victor Rice. O processo de composição coletivo no estúdio e o entrosamento afinado em turnês azeitou – ou melhor, “vinagrou” – a química.



Download: Bixiga 70


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Fro-u - EP (2013)



Fro-u é um projeto de música autoral/independente, criado pelos jovens músicos Fro-u(guitarra, violão e voz) e Amaral (baixo e voz) em junho de 2011. Nascidos em Recife, suas músicas exploram as influências de Lenine, Tim Maia, Zeca Baleiro, Djavan, Moraes Moreira, Seu Jorge, Los Hermanos e Raul Seixas, alguns, entre os muitos artistas nacionais que os inspiram, além de bandas e artistas internacionais, a exemplo de Pink Floyd, Eric Clapton, John Mayer e Clodplay. Com essa mistura entre artistas, bandas e estilos musicais, Fro-u começa seu projeto com a intenção de inovar a já inovadora música pernambucana e lançar em singles as músicas, "Daqui pra trás", "Lento", "Seja o mar" e "Cai na dança".

Integrantes:
Guitarra/Violão/Voz - Lucas Fro-u
Baixo/Voz - Endi Amaral

E-mail: frou.contato@gmail.com
Origem: Recife - pe (Brasil)
Residência: Recife - pe (Brasil)

Download: Fro-u EP





quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Porcas Borboletas (2013)



– Por Hélio Flanders –

Fui finalizar as gravações do terceiro álbum do Vanguart no Estúdio El Rocha, lá descobri que os Porcas Borboletas também haviam acabado de gravar seu terceiro álbum. Fui tomado por um acesso de ansiedade para saber o que viria daqueles caras, justamente por nunca saber o que esperar deles. Tomado por outro acesso, desta vez de corrupção artística, sempre perdoada pelos fins, menti a Fernando Sanches: “Acabei de falar com Danislau por telefone e ele disse que você poderia me passar uma cópia do disco pra eu ouvir”. Então recebi um CD-R com 12 canções fresquinhas e corri para casa como um ladrão de chocolate de supermercado.

Quando as músicas começaram a pular daquela playlist, tive certeza de que estava ouvindo o melhor álbum do Porcas Borboletas até hoje. Mais certeiros e espertos, mais maduros e fortes do que nunca, e com a personalidade de sempre.

Download: Porcas Borboletas




sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi (2013)



Há 20 anos, quando a música popular brasileira vivia um daqueles seus momentos de impasse criativo, Recife acenou com uma luz no fim do túnel. Era o mangue beat, movimento cujos artistas costuravam samba, psicodelia, hip-hop, maracatu, funk e as novidades eletrônicas da época, embalados por um manifesto dos caranguejos com cérebro e suas parabólicas enfiadas na lama. Concluído o ciclo do mangue, os grupos que fizeram a revolução, Nação Zumbi (que continuou após a morte do líder Chico Science, em 1997) e Mundo Livre S/A, seguiram trajetórias paralelas, transformaram-se, evoluíram, mas não perderam a força criativa. O encontro no disco “Mundo Livre S/A vs Nação Zumbi”, em que um toca as músicas do outro, é mais do que uma celebração do movimento e das suas canções. É um exercício dos mais interessantes, feito por duas bandas bem diferentes, no topo de sua forma artística.
O clima de camaradagem colabora para o bom resultado dessa briga na lama fértil do mangue recifense. Dois cavalos de batalha da Nação com Chico, “A cidade” e “A praieira”, ganham melodia e um tanto de melancolia na interpretação do vocalista Fred 04. Já em “Rios, pontes e overdrives”, o Mundo Livre conjuga samba e punk hardcore para reviver uma das melhores canções de “Da lama ao caos” (1994), álbum de estreia de Chico Science & Nação Zumbi. O funk-maracatu “Etnia”, de “Afrociberdelia” (1996), por sua vez, vira um heavy-samba, daqueles que o ML sabe bem fazer. E “Meu maracatu pesa uma tonelada”, hit do Nação já com o vocalista Jorge Du Peixe à frente, renasce entre cavaquinho, sintetizadores, guitarra noise e vocoder, totalmente diversa, mas ao mesmo tempo fiel ao espírito do original. E assim o Mundo Livre S/A abre uma vantagem que parece difícil de recuperar. Mas não se pode esquecer que do outro lado está a Nação Zumbi.
Grupo calcado na força da cruza de guitarra e tambores (e na presença que Du Peixe impõe, conquistada ao longo de anos na missão de substituir Chico Science), a Nação vai à luta, conseguindo alguns resultados bem felizes em suas releituras do repertório do Mundo Livre. O heavy-samba “Livre iniciativa” (com o qual a banda começou sua trajetória na mídia, em 1994) ganhou leve embalo soul, com a bateria virtuosa de Pupillo, citando “Mr. Big Stuff”, clássico dos anos 1970 da americana Jean Knight. Jorge Du Peixe e o guitarrista Lucio Maia, por outro lado, conseguiram deslizar bem pelas sinuosidades de “Musa da Ilha Grande” (sucesso do primeiro disco do Mundo Livre, “Samba esquema noise”, de 1994), temperando de surf-music o samba praieiro. E a buliçosa “Bolo de ameixa” até pode ter perdido um pouco da sua malandragem original, mas ressurgiu com uma potente faixa da Nação Zumbi. Da mesma forma, “Girando em torno do sol” se encaixou muito bem no formato da banda, que pôde assim deitar e rolar na psicodelia dramática, e virar o placar nesse duelo de caranguejos gigantes em que não há perdedores, só ganhadores.




01. A Cidade (Mundo Livre S/A)
02. Praieira (Mundo Livre S/A)
03. Etnia (Mundo Livre S/A)
04. Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada (Mundo Livre S/A)
05. No Olimpo (Mundo Livre S/A)
06. Rios, Pontes e Overdrives (Mundo Livre S/A)
07. Samba Makossa (Mundo Livre S/A)
08. Livre Iniciativa (Nação Zumbi)
09. Musa da Ilha Grande (Nação Zumbi)
10. Bolo de Ameixa (Nação Zumbi)
11. Girando Em Torno Do Sol (Nação Zumbi)
12. Pastilhas Coloridas (Nação Zumbi)
13. Seu Suor É O Melhor De Você (Nação Zumbi)
14. O Velho James Brown Jah Dizia (Nação Zumbi)

Download: Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi


domingo, 18 de agosto de 2013

Móveis Coloniais de Acaju - De Lá Até Aqui (2013)



De lá até aqui promove um rito de passagem simbólico. Como se registrasse a transição do púbere para o adulto, do acadêmico para o graduado, da garagem para o estúdio. Resultado de uma jornada que se perpetua há 15 anos e que agora se consolida sob a tutela de instrumentistas essencialmente brasilienses e profissionais. “Vivemos disso. Encontramos nosso lugar e assumimos quem somos”, reiterou André.

A maturidade sonora aparece abusando dos gêneros e estilos, provocando um trabalho atípico, propositalmente diferente dos anteriores. Entre as 14 faixas que compõem o álbum, surgem uma homenagem ao rock oitentista de Brasília, influências de Beatles e elementos da disco music dos anos 1970. Eclético, porém harmônico. Os instrumentos ganham espaço e a destreza dos 10 integrantes fica mais nítida (e ousada), como a voz grave e peculiar de André. Cuidados lapidados pelos atenciosos músicos e por uma produção nacional disposta a apostar todas as fichas na banda.

“Quem nos conhece vai se surpreender. Quem ainda não ouviu, vai chegar na hora certa”, convidou o cantor. O inusitado agradou. Embora o disco físico ainda não tenha chegado às prateleiras, a banda disponibilizou, na semana passada, o conteúdo integral de De lá até aqui, na plataforma Deezer, em que é possível escutá-lo, mas não baixá-lo. O trabalho figura entre os mais ouvidos no país e goza de elogios generosos nas redes. A ordem é clara: “Fecha os olhos e vai!”, como proclama um trecho velado do álbum. Agora, exposto.

Download: De Lá Até Aqui

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Coitadinha Bem Feito – As Canções de Ângela Ro Ro (2013)




Participam do disco nomes como Lucas Santtana, Lirinha, Thiago Petit, Leo Cavalcanti, Tatá Aeroplano, Romulo Fróes, Kiko Dinucci, Gui Amabis, Adriano Cintra, Rodrigo Campos, Helio Flanders, Otto, Pélico, Juliano Gauche, Rael, Gustavo Galo e Daniel Black.

O repertório é focado em quatro dos cinco primeiros álbuns da carreira da homenageada, de 1979 a 1984.

"Eu estou muito lisonjeada, a escolha do repertório foi muito certa. Eu cantei aquelas músicas porque não tenho pudor. Até hoje tem muita cantora com dificuldade de cantar para o feminino."

"Amor, meu Grande Amor" - Lucas Santtana
"Renúncia" - Lirinha
"Came e Case" - Leo Cavalcanti
"Só nos Resta Viver" - Romulo Fróes
"Mares da Espanha" - Thiago Pethit
"Balada da Arrasada" - Tatá Aeroplano
"Coitadinha Bem Feito" - Otto
"Abre o Coração" - Gui Amabis
"Gota de Sangue" - Adriano Cintra
"Não Há Cabeça" - Pélico
"Fogueira" - Rodrigo Campos
"Tango da Bronquite" - Kiko Dinucci
"Perdoar-os, Pai" - Rael
"Fraca e Abusada" - Gustavo Galo
"Tola Foi Você" - Dani Black
"A Mim e a Mais Ninguém" - Juliano Gauche
"Me Acalmo Danando" - Helio Flanders

Ruspo - Esses Patifes (2013)


Há algo de novo na música brasileira. É Esses Patifes, o primeiro lançamento de Ruspo. Com 14 faixas feitas na estrada, é um disco em que as canções se dão como mapas. Escritas e gravadas durante os últimos dois anos entre as cidades de Santos, Campinas e São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Altamira e Belém (PA) e Campo Grande e Dourados (MS), as músicas acompanham os caminhos do autor, que é também jornalista, através dum Brasil de distâncias graves e silêncios longos.

A geografia invade também a sonoridade, num pastiche de sons mesclado a vinhetas de uma Europa pós-guerra e a possibilidades intertextuais imediatas com diversas escolas e expressões musicais – e ainda assim, absolutamente brasileiro. Uma brasilidade de ouvido aberto para o mundo, imersa num padrão criativo que dispensa as fronteiras. Por essa razão, este é um disco difícil de categorizar.

Os cruzamentos são tão inesperados quanto fantásticos, no sentido estrito do termo. Uma criança indígena cantando em Araweté junto de calmas guitarras de post-rock, em ALTAMIRA, a história da construção da hidrelétrica de Belo Monte pelos olhos de um operário!

Em EUA – recriação de um microconto de Franz Kafka quase cantada por Paulo Diniz -, as únicas coisas consistentes na música são a linha de baixo de jazz estóica e repetitiva e as maracas terapêuticas. O resto muda e e se transforma constantemente. Tudo nessa música é excêntrico. Espere pelo solo de guitarra ridículo no final, que parece ter sido gravado por um menino de 14 anos que está lendo tablaturas pela primeira vez.

A tapeçaria das canções e seus intertextos, referências, cópias e colagens e sinapses que elas estabelecem, e os erros e ironias que carega, resulta numa tessitura multicor única e enigmática. É preciso ouvir pra sentir e entender. Ouvir Luzia Luluza de Gil discutir colonialidade com jambu em BELÉM, BELÉM. Bater palma com o sobrinho da Kátia Abreu no funk pseudo-barroco CHATUBA DO AGROBOY. Entender a lipogramática anti-eletricidade de ANASTÁCIO, parceria com o produtor inglês Mr. Bird, com suas escaletas distantes e soturnas e flautas de efeito hipnótico. Pegar a estrada junto com dois perdidos na atmosfera empoeirada da Rodovia Transamazônica, subvertida aqui num baixo digital de rádio FM dos anos 80 e guitarras debaixo d’água na faixa-título.

Chocalhos, blim-blons, gamelans, samplers, sintetizadores e uma sensibilidade aguçada para melodias, reorganizados em uma banda diferente a cada pista. Sem sobrar, sem ser over. Esses Patifes tem estilo e ouve-se do início ao fim, como obra, um pouco como antigamente, no sentido de se recostar para prestar atenção em alguma coisa.

Download: Esses Patifes






Tom Zé - Tribunal do Feicebuqui EP (2013)




Na Irará dos anos 1940, o menino Antônio José Santana Martins ouvia das tias comunistas a recomendação, ao sair de casa com dinheiro no bolso para gastar em uma guloseima qualquer: “Pode comprar gasosa (refrigerante), mas só guaraná. Não tome Coca-Cola de jeito nenhum, porque ela é o capitalismo”. Em março de 2013, o conselho voltou a ecoar na cabeça do moleque, agora um respeitável senhor de 76 anos (nem tão respeitável, nem tão senhor, ainda um tanto moleque) conhecido como Tom Zé. Um comercial da Coca-Cola do qual ele é o narrador gerou uma enxurrada de críticas nas redes sociais que o tachavam de “vendido”, “americanizado”, “traidor”, “velho bundão” e o acusavam, dizendo que ele agora, em vez do samba, “tá estudando propaganda” (uma referência a seu clássico disco “Estudando o samba”).
Tropicalisticamente digeridos, os xingamentos foram recortados e colados nos versos de “Tom Zé mané”, uma das faixas de “Tribunal do feicebuqui”, EP com cinco faixas (leia trechos abaixo) no qual o artista lança seu olhar sobre a polêmica — disponível a partir de amanhã em http://www.tomze.com.br/. Feito com nomes da nova geração como Emicida, Tatá Aeroplano, O Terno, Filarmônica de Pasárgada e Trupe Chá de Boldo, o EP é o ponto de partida de um álbum completo que deve sair entre agosto e setembro (quando será editado também um compacto em vinil de “Tribunal do feicebuqui”).
Apesar de nascer de um movimento de reação às críticas, o disco não é uma resposta raivosa a elas, ou mesmo uma resposta, como esclarece Tom Zé:
— Todas as músicas são relacionadas à literatura da internet surgida dessa polêmica, seja falando bem ou mal de mim, tudo tratado da mesma forma. Prezo as críticas e os elogios com o mesmo valor, não acho que os comentários negativos sejam patrulha ou nada parecido.
Inicialmente, porém, Tom Zé não viu nas críticas (e nas defesas e ponderações surgidas num segundo momento) estopim para criação. No dia 8 de março, ele escreveu em seu blog, na sua primeira manifestação sobre o caso: “Perco o sono por causa do assunto”. Profundamente chateado com a repercussão, ele ouviu a sugestão do jornalista Marcus Preto, que prepara a biografia do compositor: por que não transformar aquilo tudo num disco, um novo “Imprensa cantada” (álbum de 2003 feito num procedimento usado em diversos momentos de sua carreira, de canções criadas a partir de assuntos do momento, quase recortes de notícias)?
A ideia fermentou, e na madrugada seguinte, entusiasmado, Tom Zé conversou com Marcus sobre a possibilidade de convocarem músicos jovens para fazer com ele o disco.
— Liguei para quem já havia me dito que adorava Tom Zé ou que eu achava que podia ter sido influenciado por ele — conta Marcus. — Marcelo Segreto (da Filarmônica de Pasárgada), por exemplo, estava compondo uma música chamada “Estudando Tom Zé” quando o chamei. E me mostrou um funk carioca que tinha feito a partir da visão de Tom Zé sobre o gênero.
O numeroso grupo de artistas ocupou o estúdio que Tom Zé mantém num apartamento do prédio onde mora, transformando o local numa usina de criação. De espírito familiar, ressalta o baiano:
— Todo dia, todo mundo aqui, parece aquela casa que tem 15 filhos e 18 netos — brinca Tom Zé. — Todo mundo dando penada em tudo. Você sabe como é a convivência com os jovens: se a gente pensa que é sabido, tá fodido. Tem que estar ciente de que eles sabem demais. Mesmo que seja para discordar deles.
Os arranjos ficaram nas mãos dos “meninos”, com “penadas” de Tom Zé, que também encomendou a eles músicas (dando os motes) ou propôs parcerias. O EP começa com os xingamentos de “Tom Zé mané”, de Segreto, Tatá Aeroplano, Gustavo Galo (da Trupe Chá de Boldo), e Emicida.
O disco segue com “Zé a zero”, de Tom Zé, Segreto e Tim Bernardes (O Terno), que cita diretamente a polêmica (“A copa aqui co qui cale?/ É coco colá/ Aqui copa coca acolá/ Fazendo propaganda do Tom Zé”). Ao comentar a música, Segreto revela um tanto da mecânica do encontro com o compositor de Irará:
— A letra que mandei era: “Ô rapá qualé que é/ Era a Copa Coca-Cola fazendo propaganda pro Tom Zé”. Ele musicou pegando umas sílabas, repetindo, criando outros sentidos com as aliterações. Seu modo de trabalhar é muito livre.
“Taí”, que tem uma batida estilizada do tamborzão do funk carioca, era um jingle que Tom Zé compôs para o guaraná Taí (da Coca-Cola, aliás), quando trabalhou na agência de publicidade DPZ por seis meses. A melodia é a mesma de “Ta-hi”, marchinha de Joubert de Carvalho que se tornou clássica na voz de Carmen Miranda. Ela ganhou versos adicionais de Segreto.
Tim Bernardes compôs “Papa Francisco”, que canta com Tom Zé. Trata-se de um bem-humorado pedido de perdão à Sua Santidade. O pecado? “O povo, querida, com pedras na mão/ Voltadas contra o imperialismo pagão”. Num arranjo à la Mutantes, referências à tropicalista “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso (“Já não penso mais em casamento/ Mas se tomo Coca-Cola acho que estou me vendendo”).
Acanção “Irará iralá”, que fecha “Tribunal do feicebuqui” (nome extraído do rap que Emicida faz em “Tom Zé mané”), é a que tem a ligação menos óbvia com o caso. Num arranjo que bebe nas trilhas western spaghetti de Ennio Morricone, a faixa, só de Tom Zé, lista nomes de personagens da cidade, o cenário que formou o artista (“Renato, filho de dona Ceci/ Não fosse ele eu não tava aqui”).
— Na voz das meninas ficou uma coisa estranhíssima, um iraraense quebra-língua, meio paulista, meio imitando sertanejo — diz Tom Zé.
Irará aparece em muitos versos dos novos parceiros de Tom Zé. Além disso, durante a confusão gerada pela campanha para a Coca-Cola, o artista decidiu doar o cachê do comercial para a banda da cidade.
— Sonho fazer o lançamento do disco lá, com todos os músicos que participaram dele.
“Irará iralá” também faz a ligação com o álbum de dez faixas que o artista prepara com o mesmo grupo de músicos — que tem ainda Daniel Maia comandando a mesa de som. Ela é a única que ficará no disco, descrito por Tom Zé como a “parte freudiana” da discussão em torno do caso Coca-Cola.
— Sou eu no inferno em que sou duplamente atacado pelo interesse de lealdade aos ideais e pelo interesse por fama, beleza, vida luxuosa — explica.
Várias canções do futuro disco serão recriações de músicas inéditas encontradas por Tom Zé numa fita de 1972. Ele as entregou aos jovens parceiros para que eles trabalhassem nelas à vontade. Só uma é de 1982, “Pour Elis”, que o baiano fez sobre um texto de Fernando Faro para Elis Regina.
— Milton Nascimento deve cantar essa — adianta.
Há ainda uma que Tom Zé pediu a Segreto, “Guga na lavagem”, uma carta a seu irmão.
— Passei 30 anos na mão de analistas, os psiquiatras de doido manso. Augusto sempre aguentou a barra sem isso, mas ano retrasado teve uma fossa muito grande. Por uma herança, a família brigou com ele, que foi se isolando, sem se cuidar, sem sair... Falei com Segreto, que me deu uma letra linda. Mostrei a música para Guga, que imediatamente se animou, falou que estará na próxima festa da lavagem de Irará.
O parceiro Segreto resume a ideia que atravessa “Tribunal do feicebuqui”, o EP e o álbum.
— A questão não é defender ou atacar Tom Zé. É incorporar essa tensão entre crítica e aceitação.


Download: http://www.tomze.com.br/

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Agenor - Canções de Cazuza (2013)



Cazuza tem uma lista de canções que todo mundo conhece. Ao mesmo tempo tem uma grande lista de obras desconhecidas. Tão desconhecidas quanto seu nome verdadeiro - Agenor de Miranda Araújo Neto.
E são justamente esses lados B e faixas raras que são destaque da coletânea "Agenor - Canções de Cazuza", que será lançada daqui a alguns dias no site projetoagenor.com.br para download.
Com curadoria da jornalista Lorena Calábria o projeto reuniu 17 nomes da música brasileira de hoje, em especial cariocas, “com uma certa licença geográfica". “Estava tudo muito claro na cabeça inquieta do Zé Pedro quando ele me chamou para esse projeto: um álbum com músicas de Cazuza, a maioria desconhecidas, recriadas por uma nova geração”.
O projeto dá sequência a uma série de discos tributos comandados pelo DJ Zé Pedro em sua gravadora Jóia Moderna, que já homenageou Marina Lima, Péricles Cavalcanti e Angela Ro Ro.
Na lista de participações estão Do Amor, Tono, China, Domenico, Felipe Cordeiro, Wado, Botika, Kassin, Letuce, Silva, Bruno Cosentino, Mombojó, Mariano Maronatto, Qinho, Catarina dee Jah, Brunno Monteiro e Momo.
A seleção busca várias épocas. O Mombojó ressuscita “Vem Comigo” do segundo disco do Barão Vermelho, enquanto China aparece com a faixa “Culpa de Estimação”, gravada em Só se for a dois (1987). Faixas raras também estão presentes, como "Doralinda", parceria de Cazuza com João Donato que só foi lançada no Box Cazuza, e "Sorte e Azar", recuperada recentemente para o relançamento do primeiro disco do Barão Vermelho. “Eu nem suspeitava que Cazuza tivesse feito uma rumba como 'Tapas na Cara', entregue a Angela Maria. Ou que a cantora Joanna fosse sua parceira em 'Nunca Sofri por Amor', diz Lorena.

01. Gatinha de Rua - Do Amor
02. Amor, Amor - Tono
03. Culpa de Estimação - China
04. Vingança Boba - Domenico
05. Tapas na Cara - Felipe Cordeiro
06. Down em Mim - Wado
07. Ritual - Botika
08. Doralinda - Kassin
09. Não Amo Ninguém - Letuce
10. Mais Feliz - Silva
11. A Inocência do Prazer - Bruno Cosentino
12. Vem Comigo - Mombojó
13. Incapacidade de Amar - Mariano Marovatto
14. Sorte e Azar - Qinho
15. Largado no Mundo - Catarina Dee Jah
16. Nunca Sofri Por Amor - Brunno Monteiro
17. Blues do Iniciante - Momo 

Download Rip: Agenor

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Ex-Exus: Xô (2013)



RELEASE
Maquiagens, monstrices, máscaras, ídolos, coragem e sal grosso é o que utilizam os Ex-exus para retirar da música os espíritos obscuros. Fazendo, refazendo e desfazendo trabalhos viciados sem medo de acusações de clichê, populismo ou vaidade. Ex-exus é um projeto de três ex-integrantes da Comuna: Bruno, Ricardo e Amaro, mais João Marcelo Ferraz, do coletivo TV Primavera.

HISTÓRICO
Reunidos desde o final de 2008, os Ex-exus gravaram sua primeira demo, Terroristas Freelancers, em estúdio caseiro. As gravações desse primeiro trabalho foram disponibilizadas para download via internet no site da Trama Virtual e no Blog da banda, além de estarem disponíveis para audição gratuita no MySpace do grupo. A demo foi destaque no site da Trama Virtual e eleita como um dos 10 melhores lançamentos de 2009. Além da produção estritamente musical, durante esse curto período de existência, os Ex-exus já produziram sete vídeo-clipes e mais de 100 vídeos de divulgação da banda. Todos disponíveis no canal do You Tube da banda:
www.youtube.com/osexexus
Os Ex-exus fizeram sua estréia no festival Grito Rock Porto de Galinhas 2009. A partir daí, foram convidados para festivais como Noites Abrafin & Fora do Eixo, Observa e Toca Malakoff e No Ar: Coquetel Molotov 2009. Em pouco tempo de existência, a banda já obteve notoriedade para participar de um dos principais festivais independentes do país, o Coquetel Molotov, criando repercussão dentro e fora do Estado. Dividindo o palco com nomes importantes da cena musical do pais, como: Cidadão Instigado, Mombojó, etc. O segundo EP da banda foi o Pau, Brazil!, gravado no estúdio da Casona e lançado em 2010. O registro fonográfico tem 5 faixas, todas de autoria dos Exexus, transitando entre rock, pop, indie e brega. As letras, em sua maior parte
focadas no universo masculino, trazem uma nova forma de expressividade poética e política, sem concessões ou apelos a sentimentalismos e regionalismos.


Em 2011, os Ex-exus gravaram o primeiro disco cheio da banda, intitulado: Xô. Com produção do jornalista paulista Alex Antunes, do produtor paraense Léo Chermont e do estúdio Casona. Xô foi um disco mixado e finalizado em 2013. Processo feito por muitas mãos e guiado por Alex Antunes, o Xô tem participações de: Matheus Mota, Glauco César II, Grilowsky, Catarina Dee Jah,
Junior do Jarro, Raul Luna, Marie Carangi, Luiza Falcão e Demóstenes Macaco! Estão todos contemplados no encarte do disco! Por conta dessa turma toda existe o Xô... curtam, deleitem-se, esparramemse...
Nós Somos Vocês, Vocês Somos Nós!

Xô ----- Ficha Técnica:
1 - Estejam Sempre aqui
2 - O Bloco que você me deu
3 - Música Romântica/Xô
4 - Carne Humana
5 – O malvado
6 - No Escuro
7 - Clube da Encruzilhada
8 - A Culpa é Minha e Eu Boto em Quem Eu Quiser
9 - Desejo Louco
10 - Pra Ivete Cantar
11 – Estamos virando monstros, querida!
Todas as músicas de autoria de Ricardo Maia Jr. Exceto Música Romântica e Xô de Amaro Mendonça; Carne Humana e No Escuro, de João Marcelo Ferraz e Desejo Louco, de Fernando Mendes.
Produzido por Ex-exus e Alex Antunes.
Gravado no estúdio Casona, nos meses de Fevereiro e Março de 2011*.
Técnicos de gravação: Bruno Freire, Djalma Rodrigues, Léo Chermont e Arthur Soares.

Mixagem: Bruno Freire (Casona).
Masterização: Adelmo Tenório (Estúdio Unimaster).
*As participações vocais de Catarina, além de algumas vozes e teclados para Clube da Encruzilhada e vocais para Desejo Louco, foram gravadas no estúdio Base com Vinícius Nunes.
Arte Encarte: Ex-exus
Fotografias: Quel Valentim, Bruno Freire e João Marcelo Ferraz
Diagramação: A Firma de Design

CONTATOS
exexus@gmail.com
rmaiajr80@gmail.com
(81) 8822-3753 (Ricardo Maia)
http://soundcloud.com/exexus

Download: 







quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Nana - Pequenas Margaridas (2013)



Com apenas 22 anos e menos de dois de carreira iniciada, nana lança, no dia 7 de agosto, seu primeiro disco inteiramente autoral: pequenas margaridas. A cantora, que já teve destaque nos principais veículos da imprensa baiana e em diversos blogs especializados em música, disponibilizará em seu próprio site o disco completo para download gratuito.
pequenas margaridas, que foi produzido e arranjado pela própria cantora, diz mais sobre ela do que qualquer texto. É através dos sons delicados e por vezes introspectivos de sua música que podemos entrar de verdade em seu universo e redescobrir o significado de coisas muitas vezes banais. O nome pequenas margaridas foi inspirado pelo filme homônimo de 1966, dirigido por Vera Chytilová, referência fundamental para nana.
Uma característica importante no disco é o seu caráter do it yourself. Além de gravar todos os arranjos instrumentais das 13 músicas em sua casa, nana produziu, num processo quase artesanal, todas as bases eletrônicas sem se utilizar de efeitos de quantização. Também não foram usados plug-ins de afinação nas vozes. A intenção da artista era produzir uma música baseada em samplers e sons eletrônicos, mas que não soasse robótica ou muito pós-produzida.
O resultado disso é um disco feito por uma mulher comum, suscetível a erros como todas as outras, mas que consegue, através de sua música, expressar um caleidoscópio de sentimentos e imagens.
Histórico
Ao longo de pouco mais de um ano de trabalho, nana já marcou presença em importantes eventos em Salvador como o Festival Zona Mundi e o projeto Conexão Vivo nas principais salas do centro cultural da cidade, o Teatro Castro Alves e a Concha Acústica. Fez shows de abertura para o músico texano Ben Kweller, no SESC Vila Mariana em São Paulo e para o duo argentino Finlandia em Feira de Santana. No final de 2012 se apresentou ao vivo no Estúdio Showlivre, disponível na íntegra no youtube.
Também conhecida pelas versões que faz de outros artistas, nana foi convidada para participar de coletâneas distribuídas gratuitamente na internet como: Re-trato, homenagem os 15 anos do grupo Los Hermanos, produzida pela Musicoteca; Jeito Felindie, produzida por Jorge Wagner para o site Fita Bruta, homenageando o grupo Raça Negra; Brasileiros, produzida pelo Pulsa Nova Música com artistas novos fazendo releituras de clássicos da música brasileira, e recentemente Um novo Prisma, organizada pelo site Rock’n’Beats em homenagem aos 40 anos do álbum Dark Side of the Moon da banda Pink Floyd. Além disso, em 2012 participou do Programa Evidente, do Canal Brasil, com exibição dos clipes expressionismo alemão e da sua versão para Odara de Caetano Veloso e Punhal de prata de Alceu Valença.
Também teve suas músicas na programação de rádios nacionais e internacionais, como a Rádio CBN e a Educadora (Bahia), Amazing Radio (Reino Unido) e Radio Campus Paris (França). E músicas nas trilhas sonoras dos curtas “Roupas no Varal” de Maurício Lídio, “Lemon lips” de Marccela Vegah e na websérie “A vida \o/ de Lucas Batista”, transmitida pelo portal Omelete.

Download: Pequenas Margaridas


Red Hot + Rio 2 (2011)



Com produção do brasileiro Béco Dranoff, o disco duplo passeia pelos mais diversos estilos da MPB, apesar de citar todos como parte do movimento criado por Caetano Veloso e Gilberto Gil em 1968. Há parcerias, como Marisa Monte, Rodrigo Amarante e Devendra Banhart em "Nu Com a Minha Música", e Caetano Veloso com David Byrne em "Dreamworld: Marco de Canaveses", e releituras solo, como "O Leãozinho", feita pela banda Beirut. Com participação da Orquestra Contemporânea de Olinda, o rapper Emicida faz uma versão para "Roda", de Gilberto Gil.



Confira a tracklist:

Disco 1 (Red)

1 - Alice Smith e Aloe Blacc - "Baby"
2 - Beck e Seu Jorge - "Tropicália (Mario C 2011 Remix)"
3 - Mia Doi Todd e José González - "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo"
4 - Quadron - "Samba de Verão"
5 - Vanessa da Mata, Seu Jorge e Almaz - "Boa Reza"
6 - John Legend - "Love I've Never Known"
7 - Aloe Blacc e Clara Moreno - "Nascimento (Rebirth) - Scene 2"
8 - Curumin - "Ela (Ticklah Remix)"
9 - Aloe Blacc e Alice Smith - "Baby (Old Dirty Baby Dub Version)"
10 - Superhuman Happiness e Cults - "Um Canto de Afoxé Para o Bloco do Ilê"
11 - Om'Mas Keith - "Mistérios"
12 - Forró in the Dark, Brazilian Girls e Angelique Kidjo - "Aquele Abraço"
13 - Mia Doi Todd - "Canto de Iemanjá"
14 - Caetano Veloso - "Terra (Prefuse 73 '3 Mellotrons in a Quiet Room' Version)"
15 - Marisa Monte, Devendra Banhart e Rodrigo Amarante - "Nú Com a Minha Música"
16 - Bebel Gilberto - "Acabou Chorare"
17 - David Byrne e Caetano Veloso - "Dreamworld: Marco de Canaveses"

Disco 2 (Hot)

1 - Beirut - "O Leãozinho"
2 - Tha Boogie - "Panis et Circensis"
3 - of Montreal e Os Mutantes - "Bat Macumba"
4 - Phenomenal Handclap Band + Marcos Valle: "Tudo o Que Você Podia Ser"
5 - Madlib e Joyce Moreno - "Banana [ft. Generation Match]"
6 - Marina Gasolina E Secousse - "Freak le Boom Boom"
7 - Money Mark, Thalma de Freitas e João Parahyba - "Tropical Affair"
8 - Los Van Van e Carlinhos Brown - "Soy Loco Por Ti, América"
9 - Orquestra Contemporânea de Olinda e Emicida - "Roda"
10 - Mayra Andrade e Trio Mocotó - "Berimbau"
11 - Apollo Nove, Céu e N.A.S.A. - "It's a Long Way"
12 - DJ Dolores, Eugene Hütz, Otto, Fred 04 e Isaar - "A Cidade"
13 - Javelin e Tom Zé - "Ogodô, Ano 2000"
14 - Atom e Toshiyuki Yasuda - "Águas de Março [part. Fernanda Takai e Moreno Veloso]"
15 - Twin Danger - "Show Me Love"
16 - Rita Lee - "Pistis Sophia"


Download: Red Hot + Rio 2


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Bárbara Eugênia - É o Que Temos (2013)



Por Xico Sá, SP, últimos dias do Verão, 2013

A gente pode não saber onde colocar o desejo, meu caro Sigmund, mas Bárbara Eugênia, neste seu segundo disco, sabe muito bem onde pôr o amor, meu senhor. Na canção romântica que não tem medo do rosto colado, de um passeio de domingo ou de uma eventual roubada no picnic – corra, Lola, corra. Se no primeiro disco a fossa era nova, como saiu no jornal, neste é possível até – pasmem, senhores & senhoras - brincar de amar. Tem leveza, mas não se engane, o suspense continua. O amor tem sempre requintes de um certo Hitchcock.

Daí que Bárbara diz: “Bailemos”, na maresia da faixa “Coração”. Não há guarda-chuva nem vacina contra o pesadelo da dor amorosa. Daí que Bárbara, agora, parece dizer, à vera: não é por sabermos do inevitável fim que vamos soltar precocemente os cupins da discórdia e estragar logo tudo. Né? Roberto corta essa.
Bárbara vem como num mangá japonês. De trás para frente. Este disco-narrativa está para o “durante” dos acasalamentos assim como o inicial esteve para o “depois”. E não cabe a este pobre cronista resenhador dar pistas autobiográficas da moça, aliás, que moça, aquela voz meio rouca, a forma como chega no palco, suspiro, os vestidos que parecem trocar ideias com as costelas. Será que conversam sobre a atual fraqueza dos hombres?

Yes, sem pistas, arte é enigma e suspense. O que interessa é que o trabalho novo é melhor ainda. Poderíamos chutar aqui um zilhão de possíveis rótulos e pegadas: um Andrew Bird nas entrelinhas, uma trilha meio cinema safado italiano de Tinto Brass, o cheiro da chanson estilo “Les Provocateurs” (projeto do Edgar Scandurra que a Bárbara participa), o filtro azul lisérgico etc etc etc.

Ora, é tido, havido e sabido que a moça aprecia o que fica entre os anos 1950-70 da música, sem obrigação maluca de pregar um rótulo na testa. Isso já era. Além do mais, temos “as mesmas velhas dúvidas”, sempre, a história se repete na nossa adorável lavanderia de “roupa suja” - título de uma chapante canção em parceria com o Pélico, outro cão-vadio que entende do assunto.

A tal faixa conversa, de alguma maneira, por isso a lindeza narrativa do disco, com o clássico da Jovem Guarda “Porque brigamos”, versão de Rossini Pinto, safra 1972, para a canção de Neil Diamond. Noites brancas com sujeiras a passar a limpo. Ô Diana!

Uma rápida parada técnica, maestro: os arranjos do disco lembram sopros do coração, em acentos das cordas ou dos metais propriamente ditos. Aquela coisa: Bárbara vai contando uma história e a música só na sístole e na diástole. Principalmente em “Peso dos erros”, vontade de bolero, vidas noves fora zero.

Que coisa linda, confesso a que mais gosto de todas, “Ugabuga Feelings”, ela suando dendê, assim meio me deixas louca, e o moço da cara boa à espreita, que safadeza mais gostosa, ave palavra.

Babélica Bárbara em português dos Tristes Trópicos, em inglês (“I Wonder”) que lembra a Marilyn Monroe de “Os Desajustados”, Bárbara em drama nouvelle vague (“Jusqu'a la mort”), Barbarella sem medo da chuva com Tatá Aeroplano, Bárbara simplesmente sozinha como em uma nova e bela canção

Download: É o Que Temos

Mopho - Discografia

        


  No início de uma década que marcou definitivamente a queda da indústria fonográfica nos moldes tradicionais, onde mesmo artistas consagrados passavam por dificuldades, o Mopho teve seu espaço garantido graças à inquestionável qualidade de composições como Não Mande Flores ou Uma Leitura Mineral Incrível. Aos que tiveram a oportunidade de assistir aos shows de lançamento do seu primeiro CD, a banda apresentava um verdadeiro caleidoscópio sonoro, intensificado por figurinos coloridos e retrôs, que envolvia o público com camadas densas de timbres clássicos, com solos de guitarras e teclados lisérgicos, linhas de baixo hipnotizantes e uma bateria competente que se harmonizavam como os melhores ingredientes para uma receita infalível de um estilo de Rock’n’Roll que já não se fazia no Brasil.
           Em 2004 o Mopho lança Sine Diabolo Nullus Deus, com sua arte gráfica inspirada em Rubber Soul, dos Beatles, uma das maiores influências da banda. O CD traz músicas de destaque como O Amor é Feito de Plástico e Quando Você Me Disse Adeus, esta última entra na trilha sonora do longa-metragem de animação Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n Roll, do diretor gaúcho Otto Guerra.
          Após um longo e turbulento período de adaptações que quase extinguiu a banda, em 2011 é lançado Vol.3, onde a banda explora mais uma vez os limites de seu potencial criativo. O CD é composto por dez músicas que nada têm de aleatórias, interligando-se mutuamente através de memórias musicais instantâneas que vão se formando a cada acorde que entra pelos ouvidos.
Os anos longe dos estúdios de gravação alimentaram não só a expectativa dos fãs, mas também a sede da banda por um trabalho que novamente os representasse de maneira fiel. E assim aconteceu. O CD recebeu várias indicações em sites de música como um dos melhores do ano de 2011, com destaque para Quanto Vale Um Pensamento Seu, que conta com a participação do também alagoano Wado nos vocais, devolvendo a banda à estrada novamente, na prazerosa e simbiótica tarefa de dividir com o público mais um trabalho digno de ser lembrado por muitos e muitos anos.
          Desde a sua estreia, em fases distintas, a banda passou por diferentes formações e hoje conta com João Paulo (guitarra e vocais), Hélio Pisca (bateria), Leonardo Luiz (teclados), Júnior Beatle (baixo) e Marco Túlio (violões), uma formação muito próxima a dos primórdios do lançamento do primeiro CD, que contava com Júnior Bocão no baixo e ainda não tinha o auxílio de Marco Túlio nos violões. Entre os extremos desta linha do tempo, Dinho Zampier ainda deixou registrado seu teclado no terceiro CD do grupo. E o que outrora era um quarteto transformou-se em um quinteto, apto a reproduzir ao vivo cada nuance das sonoridades registradas em estúdio, satisfazendo mesmo ao mais exigente dos ouvintes. Saudações a uma grande banda!
Jackson Humberto

Mopho (2000)


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Sine Diabolo Nullus Deus (2004)



Volume 3 (2011)



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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Alvinho Lancellotti - O Tempo Faz a Gente Ter Esses Encantos (2012)



O pai, Ivor, tem canções gravadas por Roberto Carlos e Clara Nunes. O irmão mais velho, Domenico, integrante do coletivo 2, é um dos nomes mais conhecidos da chamada nova cena carioca (hoje nem tão mais nova assim). Alvinho Lancellotti se firmou no mesmo cenário como vocalista do Fino Coletivo, sexteto de samba-rock com dois álbuns lançados. O tempo faz a gente ter esses encantos, há poucos dias nas lojas e disponível para download (no site www.alvinholancellotti.com.br), é o segundo CD solo dele – o primeiro de estúdio.

A praia, neste momento solo (fala-se em novo álbum do Fino Coletivo para o segundo semestre de 2013), continua a mesma. Só que o samba, aqui, aparece mais intimista. São 10 faixas, gravadas por uma penca de músicos – entre eles, o guitarrista Davi Moraes; o violonista Pedro Costa, um dos quatro produtores; e Domenico, na bateria e percussão.

As canções, todas de Alvinho, foram compostas nos últimos anos. Algumas não entraram no repertório do Fino. Quando Lulu Santos pediu-lhe que enviasse algumas composições, o músico viu que já tinha material para um novo disco.

Como a intenção era de que elas ficassem mais próximas do formato em que foram compostas, a instrumentação é baseada principalmente em percussão e cordas. Sexta-feira, que abre o álbum, bem poderia estar num disco do Fino Coletivo. Tem certa malemolência, que vai ao encontro dos versos “Alegria faz a moça girar/ Gentileza, tudo em paz no lugar”.

Alegria da gente chega no mesmo clima, só que mais percussiva. Já o samba Vidigal é introduzido por um grupo de crianças. O clima arrefece em É de mamãe, canção de ninar semiacústica que emenda com a apaixonada Meu bloco de amor. Única faixa com um coautor, Antena (parceria com Domenico) é ensolarada, com clima meio setentista.

Download: Alvinho Lancellotti