sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi (2013)



Há 20 anos, quando a música popular brasileira vivia um daqueles seus momentos de impasse criativo, Recife acenou com uma luz no fim do túnel. Era o mangue beat, movimento cujos artistas costuravam samba, psicodelia, hip-hop, maracatu, funk e as novidades eletrônicas da época, embalados por um manifesto dos caranguejos com cérebro e suas parabólicas enfiadas na lama. Concluído o ciclo do mangue, os grupos que fizeram a revolução, Nação Zumbi (que continuou após a morte do líder Chico Science, em 1997) e Mundo Livre S/A, seguiram trajetórias paralelas, transformaram-se, evoluíram, mas não perderam a força criativa. O encontro no disco “Mundo Livre S/A vs Nação Zumbi”, em que um toca as músicas do outro, é mais do que uma celebração do movimento e das suas canções. É um exercício dos mais interessantes, feito por duas bandas bem diferentes, no topo de sua forma artística.
O clima de camaradagem colabora para o bom resultado dessa briga na lama fértil do mangue recifense. Dois cavalos de batalha da Nação com Chico, “A cidade” e “A praieira”, ganham melodia e um tanto de melancolia na interpretação do vocalista Fred 04. Já em “Rios, pontes e overdrives”, o Mundo Livre conjuga samba e punk hardcore para reviver uma das melhores canções de “Da lama ao caos” (1994), álbum de estreia de Chico Science & Nação Zumbi. O funk-maracatu “Etnia”, de “Afrociberdelia” (1996), por sua vez, vira um heavy-samba, daqueles que o ML sabe bem fazer. E “Meu maracatu pesa uma tonelada”, hit do Nação já com o vocalista Jorge Du Peixe à frente, renasce entre cavaquinho, sintetizadores, guitarra noise e vocoder, totalmente diversa, mas ao mesmo tempo fiel ao espírito do original. E assim o Mundo Livre S/A abre uma vantagem que parece difícil de recuperar. Mas não se pode esquecer que do outro lado está a Nação Zumbi.
Grupo calcado na força da cruza de guitarra e tambores (e na presença que Du Peixe impõe, conquistada ao longo de anos na missão de substituir Chico Science), a Nação vai à luta, conseguindo alguns resultados bem felizes em suas releituras do repertório do Mundo Livre. O heavy-samba “Livre iniciativa” (com o qual a banda começou sua trajetória na mídia, em 1994) ganhou leve embalo soul, com a bateria virtuosa de Pupillo, citando “Mr. Big Stuff”, clássico dos anos 1970 da americana Jean Knight. Jorge Du Peixe e o guitarrista Lucio Maia, por outro lado, conseguiram deslizar bem pelas sinuosidades de “Musa da Ilha Grande” (sucesso do primeiro disco do Mundo Livre, “Samba esquema noise”, de 1994), temperando de surf-music o samba praieiro. E a buliçosa “Bolo de ameixa” até pode ter perdido um pouco da sua malandragem original, mas ressurgiu com uma potente faixa da Nação Zumbi. Da mesma forma, “Girando em torno do sol” se encaixou muito bem no formato da banda, que pôde assim deitar e rolar na psicodelia dramática, e virar o placar nesse duelo de caranguejos gigantes em que não há perdedores, só ganhadores.




01. A Cidade (Mundo Livre S/A)
02. Praieira (Mundo Livre S/A)
03. Etnia (Mundo Livre S/A)
04. Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada (Mundo Livre S/A)
05. No Olimpo (Mundo Livre S/A)
06. Rios, Pontes e Overdrives (Mundo Livre S/A)
07. Samba Makossa (Mundo Livre S/A)
08. Livre Iniciativa (Nação Zumbi)
09. Musa da Ilha Grande (Nação Zumbi)
10. Bolo de Ameixa (Nação Zumbi)
11. Girando Em Torno Do Sol (Nação Zumbi)
12. Pastilhas Coloridas (Nação Zumbi)
13. Seu Suor É O Melhor De Você (Nação Zumbi)
14. O Velho James Brown Jah Dizia (Nação Zumbi)

Download: Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi


domingo, 18 de agosto de 2013

Móveis Coloniais de Acaju - De Lá Até Aqui (2013)



De lá até aqui promove um rito de passagem simbólico. Como se registrasse a transição do púbere para o adulto, do acadêmico para o graduado, da garagem para o estúdio. Resultado de uma jornada que se perpetua há 15 anos e que agora se consolida sob a tutela de instrumentistas essencialmente brasilienses e profissionais. “Vivemos disso. Encontramos nosso lugar e assumimos quem somos”, reiterou André.

A maturidade sonora aparece abusando dos gêneros e estilos, provocando um trabalho atípico, propositalmente diferente dos anteriores. Entre as 14 faixas que compõem o álbum, surgem uma homenagem ao rock oitentista de Brasília, influências de Beatles e elementos da disco music dos anos 1970. Eclético, porém harmônico. Os instrumentos ganham espaço e a destreza dos 10 integrantes fica mais nítida (e ousada), como a voz grave e peculiar de André. Cuidados lapidados pelos atenciosos músicos e por uma produção nacional disposta a apostar todas as fichas na banda.

“Quem nos conhece vai se surpreender. Quem ainda não ouviu, vai chegar na hora certa”, convidou o cantor. O inusitado agradou. Embora o disco físico ainda não tenha chegado às prateleiras, a banda disponibilizou, na semana passada, o conteúdo integral de De lá até aqui, na plataforma Deezer, em que é possível escutá-lo, mas não baixá-lo. O trabalho figura entre os mais ouvidos no país e goza de elogios generosos nas redes. A ordem é clara: “Fecha os olhos e vai!”, como proclama um trecho velado do álbum. Agora, exposto.

Download: De Lá Até Aqui

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Coitadinha Bem Feito – As Canções de Ângela Ro Ro (2013)




Participam do disco nomes como Lucas Santtana, Lirinha, Thiago Petit, Leo Cavalcanti, Tatá Aeroplano, Romulo Fróes, Kiko Dinucci, Gui Amabis, Adriano Cintra, Rodrigo Campos, Helio Flanders, Otto, Pélico, Juliano Gauche, Rael, Gustavo Galo e Daniel Black.

O repertório é focado em quatro dos cinco primeiros álbuns da carreira da homenageada, de 1979 a 1984.

"Eu estou muito lisonjeada, a escolha do repertório foi muito certa. Eu cantei aquelas músicas porque não tenho pudor. Até hoje tem muita cantora com dificuldade de cantar para o feminino."

"Amor, meu Grande Amor" - Lucas Santtana
"Renúncia" - Lirinha
"Came e Case" - Leo Cavalcanti
"Só nos Resta Viver" - Romulo Fróes
"Mares da Espanha" - Thiago Pethit
"Balada da Arrasada" - Tatá Aeroplano
"Coitadinha Bem Feito" - Otto
"Abre o Coração" - Gui Amabis
"Gota de Sangue" - Adriano Cintra
"Não Há Cabeça" - Pélico
"Fogueira" - Rodrigo Campos
"Tango da Bronquite" - Kiko Dinucci
"Perdoar-os, Pai" - Rael
"Fraca e Abusada" - Gustavo Galo
"Tola Foi Você" - Dani Black
"A Mim e a Mais Ninguém" - Juliano Gauche
"Me Acalmo Danando" - Helio Flanders

Ruspo - Esses Patifes (2013)


Há algo de novo na música brasileira. É Esses Patifes, o primeiro lançamento de Ruspo. Com 14 faixas feitas na estrada, é um disco em que as canções se dão como mapas. Escritas e gravadas durante os últimos dois anos entre as cidades de Santos, Campinas e São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Altamira e Belém (PA) e Campo Grande e Dourados (MS), as músicas acompanham os caminhos do autor, que é também jornalista, através dum Brasil de distâncias graves e silêncios longos.

A geografia invade também a sonoridade, num pastiche de sons mesclado a vinhetas de uma Europa pós-guerra e a possibilidades intertextuais imediatas com diversas escolas e expressões musicais – e ainda assim, absolutamente brasileiro. Uma brasilidade de ouvido aberto para o mundo, imersa num padrão criativo que dispensa as fronteiras. Por essa razão, este é um disco difícil de categorizar.

Os cruzamentos são tão inesperados quanto fantásticos, no sentido estrito do termo. Uma criança indígena cantando em Araweté junto de calmas guitarras de post-rock, em ALTAMIRA, a história da construção da hidrelétrica de Belo Monte pelos olhos de um operário!

Em EUA – recriação de um microconto de Franz Kafka quase cantada por Paulo Diniz -, as únicas coisas consistentes na música são a linha de baixo de jazz estóica e repetitiva e as maracas terapêuticas. O resto muda e e se transforma constantemente. Tudo nessa música é excêntrico. Espere pelo solo de guitarra ridículo no final, que parece ter sido gravado por um menino de 14 anos que está lendo tablaturas pela primeira vez.

A tapeçaria das canções e seus intertextos, referências, cópias e colagens e sinapses que elas estabelecem, e os erros e ironias que carega, resulta numa tessitura multicor única e enigmática. É preciso ouvir pra sentir e entender. Ouvir Luzia Luluza de Gil discutir colonialidade com jambu em BELÉM, BELÉM. Bater palma com o sobrinho da Kátia Abreu no funk pseudo-barroco CHATUBA DO AGROBOY. Entender a lipogramática anti-eletricidade de ANASTÁCIO, parceria com o produtor inglês Mr. Bird, com suas escaletas distantes e soturnas e flautas de efeito hipnótico. Pegar a estrada junto com dois perdidos na atmosfera empoeirada da Rodovia Transamazônica, subvertida aqui num baixo digital de rádio FM dos anos 80 e guitarras debaixo d’água na faixa-título.

Chocalhos, blim-blons, gamelans, samplers, sintetizadores e uma sensibilidade aguçada para melodias, reorganizados em uma banda diferente a cada pista. Sem sobrar, sem ser over. Esses Patifes tem estilo e ouve-se do início ao fim, como obra, um pouco como antigamente, no sentido de se recostar para prestar atenção em alguma coisa.

Download: Esses Patifes






Tom Zé - Tribunal do Feicebuqui EP (2013)




Na Irará dos anos 1940, o menino Antônio José Santana Martins ouvia das tias comunistas a recomendação, ao sair de casa com dinheiro no bolso para gastar em uma guloseima qualquer: “Pode comprar gasosa (refrigerante), mas só guaraná. Não tome Coca-Cola de jeito nenhum, porque ela é o capitalismo”. Em março de 2013, o conselho voltou a ecoar na cabeça do moleque, agora um respeitável senhor de 76 anos (nem tão respeitável, nem tão senhor, ainda um tanto moleque) conhecido como Tom Zé. Um comercial da Coca-Cola do qual ele é o narrador gerou uma enxurrada de críticas nas redes sociais que o tachavam de “vendido”, “americanizado”, “traidor”, “velho bundão” e o acusavam, dizendo que ele agora, em vez do samba, “tá estudando propaganda” (uma referência a seu clássico disco “Estudando o samba”).
Tropicalisticamente digeridos, os xingamentos foram recortados e colados nos versos de “Tom Zé mané”, uma das faixas de “Tribunal do feicebuqui”, EP com cinco faixas (leia trechos abaixo) no qual o artista lança seu olhar sobre a polêmica — disponível a partir de amanhã em http://www.tomze.com.br/. Feito com nomes da nova geração como Emicida, Tatá Aeroplano, O Terno, Filarmônica de Pasárgada e Trupe Chá de Boldo, o EP é o ponto de partida de um álbum completo que deve sair entre agosto e setembro (quando será editado também um compacto em vinil de “Tribunal do feicebuqui”).
Apesar de nascer de um movimento de reação às críticas, o disco não é uma resposta raivosa a elas, ou mesmo uma resposta, como esclarece Tom Zé:
— Todas as músicas são relacionadas à literatura da internet surgida dessa polêmica, seja falando bem ou mal de mim, tudo tratado da mesma forma. Prezo as críticas e os elogios com o mesmo valor, não acho que os comentários negativos sejam patrulha ou nada parecido.
Inicialmente, porém, Tom Zé não viu nas críticas (e nas defesas e ponderações surgidas num segundo momento) estopim para criação. No dia 8 de março, ele escreveu em seu blog, na sua primeira manifestação sobre o caso: “Perco o sono por causa do assunto”. Profundamente chateado com a repercussão, ele ouviu a sugestão do jornalista Marcus Preto, que prepara a biografia do compositor: por que não transformar aquilo tudo num disco, um novo “Imprensa cantada” (álbum de 2003 feito num procedimento usado em diversos momentos de sua carreira, de canções criadas a partir de assuntos do momento, quase recortes de notícias)?
A ideia fermentou, e na madrugada seguinte, entusiasmado, Tom Zé conversou com Marcus sobre a possibilidade de convocarem músicos jovens para fazer com ele o disco.
— Liguei para quem já havia me dito que adorava Tom Zé ou que eu achava que podia ter sido influenciado por ele — conta Marcus. — Marcelo Segreto (da Filarmônica de Pasárgada), por exemplo, estava compondo uma música chamada “Estudando Tom Zé” quando o chamei. E me mostrou um funk carioca que tinha feito a partir da visão de Tom Zé sobre o gênero.
O numeroso grupo de artistas ocupou o estúdio que Tom Zé mantém num apartamento do prédio onde mora, transformando o local numa usina de criação. De espírito familiar, ressalta o baiano:
— Todo dia, todo mundo aqui, parece aquela casa que tem 15 filhos e 18 netos — brinca Tom Zé. — Todo mundo dando penada em tudo. Você sabe como é a convivência com os jovens: se a gente pensa que é sabido, tá fodido. Tem que estar ciente de que eles sabem demais. Mesmo que seja para discordar deles.
Os arranjos ficaram nas mãos dos “meninos”, com “penadas” de Tom Zé, que também encomendou a eles músicas (dando os motes) ou propôs parcerias. O EP começa com os xingamentos de “Tom Zé mané”, de Segreto, Tatá Aeroplano, Gustavo Galo (da Trupe Chá de Boldo), e Emicida.
O disco segue com “Zé a zero”, de Tom Zé, Segreto e Tim Bernardes (O Terno), que cita diretamente a polêmica (“A copa aqui co qui cale?/ É coco colá/ Aqui copa coca acolá/ Fazendo propaganda do Tom Zé”). Ao comentar a música, Segreto revela um tanto da mecânica do encontro com o compositor de Irará:
— A letra que mandei era: “Ô rapá qualé que é/ Era a Copa Coca-Cola fazendo propaganda pro Tom Zé”. Ele musicou pegando umas sílabas, repetindo, criando outros sentidos com as aliterações. Seu modo de trabalhar é muito livre.
“Taí”, que tem uma batida estilizada do tamborzão do funk carioca, era um jingle que Tom Zé compôs para o guaraná Taí (da Coca-Cola, aliás), quando trabalhou na agência de publicidade DPZ por seis meses. A melodia é a mesma de “Ta-hi”, marchinha de Joubert de Carvalho que se tornou clássica na voz de Carmen Miranda. Ela ganhou versos adicionais de Segreto.
Tim Bernardes compôs “Papa Francisco”, que canta com Tom Zé. Trata-se de um bem-humorado pedido de perdão à Sua Santidade. O pecado? “O povo, querida, com pedras na mão/ Voltadas contra o imperialismo pagão”. Num arranjo à la Mutantes, referências à tropicalista “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso (“Já não penso mais em casamento/ Mas se tomo Coca-Cola acho que estou me vendendo”).
Acanção “Irará iralá”, que fecha “Tribunal do feicebuqui” (nome extraído do rap que Emicida faz em “Tom Zé mané”), é a que tem a ligação menos óbvia com o caso. Num arranjo que bebe nas trilhas western spaghetti de Ennio Morricone, a faixa, só de Tom Zé, lista nomes de personagens da cidade, o cenário que formou o artista (“Renato, filho de dona Ceci/ Não fosse ele eu não tava aqui”).
— Na voz das meninas ficou uma coisa estranhíssima, um iraraense quebra-língua, meio paulista, meio imitando sertanejo — diz Tom Zé.
Irará aparece em muitos versos dos novos parceiros de Tom Zé. Além disso, durante a confusão gerada pela campanha para a Coca-Cola, o artista decidiu doar o cachê do comercial para a banda da cidade.
— Sonho fazer o lançamento do disco lá, com todos os músicos que participaram dele.
“Irará iralá” também faz a ligação com o álbum de dez faixas que o artista prepara com o mesmo grupo de músicos — que tem ainda Daniel Maia comandando a mesa de som. Ela é a única que ficará no disco, descrito por Tom Zé como a “parte freudiana” da discussão em torno do caso Coca-Cola.
— Sou eu no inferno em que sou duplamente atacado pelo interesse de lealdade aos ideais e pelo interesse por fama, beleza, vida luxuosa — explica.
Várias canções do futuro disco serão recriações de músicas inéditas encontradas por Tom Zé numa fita de 1972. Ele as entregou aos jovens parceiros para que eles trabalhassem nelas à vontade. Só uma é de 1982, “Pour Elis”, que o baiano fez sobre um texto de Fernando Faro para Elis Regina.
— Milton Nascimento deve cantar essa — adianta.
Há ainda uma que Tom Zé pediu a Segreto, “Guga na lavagem”, uma carta a seu irmão.
— Passei 30 anos na mão de analistas, os psiquiatras de doido manso. Augusto sempre aguentou a barra sem isso, mas ano retrasado teve uma fossa muito grande. Por uma herança, a família brigou com ele, que foi se isolando, sem se cuidar, sem sair... Falei com Segreto, que me deu uma letra linda. Mostrei a música para Guga, que imediatamente se animou, falou que estará na próxima festa da lavagem de Irará.
O parceiro Segreto resume a ideia que atravessa “Tribunal do feicebuqui”, o EP e o álbum.
— A questão não é defender ou atacar Tom Zé. É incorporar essa tensão entre crítica e aceitação.


Download: http://www.tomze.com.br/

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Agenor - Canções de Cazuza (2013)



Cazuza tem uma lista de canções que todo mundo conhece. Ao mesmo tempo tem uma grande lista de obras desconhecidas. Tão desconhecidas quanto seu nome verdadeiro - Agenor de Miranda Araújo Neto.
E são justamente esses lados B e faixas raras que são destaque da coletânea "Agenor - Canções de Cazuza", que será lançada daqui a alguns dias no site projetoagenor.com.br para download.
Com curadoria da jornalista Lorena Calábria o projeto reuniu 17 nomes da música brasileira de hoje, em especial cariocas, “com uma certa licença geográfica". “Estava tudo muito claro na cabeça inquieta do Zé Pedro quando ele me chamou para esse projeto: um álbum com músicas de Cazuza, a maioria desconhecidas, recriadas por uma nova geração”.
O projeto dá sequência a uma série de discos tributos comandados pelo DJ Zé Pedro em sua gravadora Jóia Moderna, que já homenageou Marina Lima, Péricles Cavalcanti e Angela Ro Ro.
Na lista de participações estão Do Amor, Tono, China, Domenico, Felipe Cordeiro, Wado, Botika, Kassin, Letuce, Silva, Bruno Cosentino, Mombojó, Mariano Maronatto, Qinho, Catarina dee Jah, Brunno Monteiro e Momo.
A seleção busca várias épocas. O Mombojó ressuscita “Vem Comigo” do segundo disco do Barão Vermelho, enquanto China aparece com a faixa “Culpa de Estimação”, gravada em Só se for a dois (1987). Faixas raras também estão presentes, como "Doralinda", parceria de Cazuza com João Donato que só foi lançada no Box Cazuza, e "Sorte e Azar", recuperada recentemente para o relançamento do primeiro disco do Barão Vermelho. “Eu nem suspeitava que Cazuza tivesse feito uma rumba como 'Tapas na Cara', entregue a Angela Maria. Ou que a cantora Joanna fosse sua parceira em 'Nunca Sofri por Amor', diz Lorena.

01. Gatinha de Rua - Do Amor
02. Amor, Amor - Tono
03. Culpa de Estimação - China
04. Vingança Boba - Domenico
05. Tapas na Cara - Felipe Cordeiro
06. Down em Mim - Wado
07. Ritual - Botika
08. Doralinda - Kassin
09. Não Amo Ninguém - Letuce
10. Mais Feliz - Silva
11. A Inocência do Prazer - Bruno Cosentino
12. Vem Comigo - Mombojó
13. Incapacidade de Amar - Mariano Marovatto
14. Sorte e Azar - Qinho
15. Largado no Mundo - Catarina Dee Jah
16. Nunca Sofri Por Amor - Brunno Monteiro
17. Blues do Iniciante - Momo 

Download Rip: Agenor

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Ex-Exus: Xô (2013)



RELEASE
Maquiagens, monstrices, máscaras, ídolos, coragem e sal grosso é o que utilizam os Ex-exus para retirar da música os espíritos obscuros. Fazendo, refazendo e desfazendo trabalhos viciados sem medo de acusações de clichê, populismo ou vaidade. Ex-exus é um projeto de três ex-integrantes da Comuna: Bruno, Ricardo e Amaro, mais João Marcelo Ferraz, do coletivo TV Primavera.

HISTÓRICO
Reunidos desde o final de 2008, os Ex-exus gravaram sua primeira demo, Terroristas Freelancers, em estúdio caseiro. As gravações desse primeiro trabalho foram disponibilizadas para download via internet no site da Trama Virtual e no Blog da banda, além de estarem disponíveis para audição gratuita no MySpace do grupo. A demo foi destaque no site da Trama Virtual e eleita como um dos 10 melhores lançamentos de 2009. Além da produção estritamente musical, durante esse curto período de existência, os Ex-exus já produziram sete vídeo-clipes e mais de 100 vídeos de divulgação da banda. Todos disponíveis no canal do You Tube da banda:
www.youtube.com/osexexus
Os Ex-exus fizeram sua estréia no festival Grito Rock Porto de Galinhas 2009. A partir daí, foram convidados para festivais como Noites Abrafin & Fora do Eixo, Observa e Toca Malakoff e No Ar: Coquetel Molotov 2009. Em pouco tempo de existência, a banda já obteve notoriedade para participar de um dos principais festivais independentes do país, o Coquetel Molotov, criando repercussão dentro e fora do Estado. Dividindo o palco com nomes importantes da cena musical do pais, como: Cidadão Instigado, Mombojó, etc. O segundo EP da banda foi o Pau, Brazil!, gravado no estúdio da Casona e lançado em 2010. O registro fonográfico tem 5 faixas, todas de autoria dos Exexus, transitando entre rock, pop, indie e brega. As letras, em sua maior parte
focadas no universo masculino, trazem uma nova forma de expressividade poética e política, sem concessões ou apelos a sentimentalismos e regionalismos.


Em 2011, os Ex-exus gravaram o primeiro disco cheio da banda, intitulado: Xô. Com produção do jornalista paulista Alex Antunes, do produtor paraense Léo Chermont e do estúdio Casona. Xô foi um disco mixado e finalizado em 2013. Processo feito por muitas mãos e guiado por Alex Antunes, o Xô tem participações de: Matheus Mota, Glauco César II, Grilowsky, Catarina Dee Jah,
Junior do Jarro, Raul Luna, Marie Carangi, Luiza Falcão e Demóstenes Macaco! Estão todos contemplados no encarte do disco! Por conta dessa turma toda existe o Xô... curtam, deleitem-se, esparramemse...
Nós Somos Vocês, Vocês Somos Nós!

Xô ----- Ficha Técnica:
1 - Estejam Sempre aqui
2 - O Bloco que você me deu
3 - Música Romântica/Xô
4 - Carne Humana
5 – O malvado
6 - No Escuro
7 - Clube da Encruzilhada
8 - A Culpa é Minha e Eu Boto em Quem Eu Quiser
9 - Desejo Louco
10 - Pra Ivete Cantar
11 – Estamos virando monstros, querida!
Todas as músicas de autoria de Ricardo Maia Jr. Exceto Música Romântica e Xô de Amaro Mendonça; Carne Humana e No Escuro, de João Marcelo Ferraz e Desejo Louco, de Fernando Mendes.
Produzido por Ex-exus e Alex Antunes.
Gravado no estúdio Casona, nos meses de Fevereiro e Março de 2011*.
Técnicos de gravação: Bruno Freire, Djalma Rodrigues, Léo Chermont e Arthur Soares.

Mixagem: Bruno Freire (Casona).
Masterização: Adelmo Tenório (Estúdio Unimaster).
*As participações vocais de Catarina, além de algumas vozes e teclados para Clube da Encruzilhada e vocais para Desejo Louco, foram gravadas no estúdio Base com Vinícius Nunes.
Arte Encarte: Ex-exus
Fotografias: Quel Valentim, Bruno Freire e João Marcelo Ferraz
Diagramação: A Firma de Design

CONTATOS
exexus@gmail.com
rmaiajr80@gmail.com
(81) 8822-3753 (Ricardo Maia)
http://soundcloud.com/exexus

Download: 







quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Nana - Pequenas Margaridas (2013)



Com apenas 22 anos e menos de dois de carreira iniciada, nana lança, no dia 7 de agosto, seu primeiro disco inteiramente autoral: pequenas margaridas. A cantora, que já teve destaque nos principais veículos da imprensa baiana e em diversos blogs especializados em música, disponibilizará em seu próprio site o disco completo para download gratuito.
pequenas margaridas, que foi produzido e arranjado pela própria cantora, diz mais sobre ela do que qualquer texto. É através dos sons delicados e por vezes introspectivos de sua música que podemos entrar de verdade em seu universo e redescobrir o significado de coisas muitas vezes banais. O nome pequenas margaridas foi inspirado pelo filme homônimo de 1966, dirigido por Vera Chytilová, referência fundamental para nana.
Uma característica importante no disco é o seu caráter do it yourself. Além de gravar todos os arranjos instrumentais das 13 músicas em sua casa, nana produziu, num processo quase artesanal, todas as bases eletrônicas sem se utilizar de efeitos de quantização. Também não foram usados plug-ins de afinação nas vozes. A intenção da artista era produzir uma música baseada em samplers e sons eletrônicos, mas que não soasse robótica ou muito pós-produzida.
O resultado disso é um disco feito por uma mulher comum, suscetível a erros como todas as outras, mas que consegue, através de sua música, expressar um caleidoscópio de sentimentos e imagens.
Histórico
Ao longo de pouco mais de um ano de trabalho, nana já marcou presença em importantes eventos em Salvador como o Festival Zona Mundi e o projeto Conexão Vivo nas principais salas do centro cultural da cidade, o Teatro Castro Alves e a Concha Acústica. Fez shows de abertura para o músico texano Ben Kweller, no SESC Vila Mariana em São Paulo e para o duo argentino Finlandia em Feira de Santana. No final de 2012 se apresentou ao vivo no Estúdio Showlivre, disponível na íntegra no youtube.
Também conhecida pelas versões que faz de outros artistas, nana foi convidada para participar de coletâneas distribuídas gratuitamente na internet como: Re-trato, homenagem os 15 anos do grupo Los Hermanos, produzida pela Musicoteca; Jeito Felindie, produzida por Jorge Wagner para o site Fita Bruta, homenageando o grupo Raça Negra; Brasileiros, produzida pelo Pulsa Nova Música com artistas novos fazendo releituras de clássicos da música brasileira, e recentemente Um novo Prisma, organizada pelo site Rock’n’Beats em homenagem aos 40 anos do álbum Dark Side of the Moon da banda Pink Floyd. Além disso, em 2012 participou do Programa Evidente, do Canal Brasil, com exibição dos clipes expressionismo alemão e da sua versão para Odara de Caetano Veloso e Punhal de prata de Alceu Valença.
Também teve suas músicas na programação de rádios nacionais e internacionais, como a Rádio CBN e a Educadora (Bahia), Amazing Radio (Reino Unido) e Radio Campus Paris (França). E músicas nas trilhas sonoras dos curtas “Roupas no Varal” de Maurício Lídio, “Lemon lips” de Marccela Vegah e na websérie “A vida \o/ de Lucas Batista”, transmitida pelo portal Omelete.

Download: Pequenas Margaridas


Red Hot + Rio 2 (2011)



Com produção do brasileiro Béco Dranoff, o disco duplo passeia pelos mais diversos estilos da MPB, apesar de citar todos como parte do movimento criado por Caetano Veloso e Gilberto Gil em 1968. Há parcerias, como Marisa Monte, Rodrigo Amarante e Devendra Banhart em "Nu Com a Minha Música", e Caetano Veloso com David Byrne em "Dreamworld: Marco de Canaveses", e releituras solo, como "O Leãozinho", feita pela banda Beirut. Com participação da Orquestra Contemporânea de Olinda, o rapper Emicida faz uma versão para "Roda", de Gilberto Gil.



Confira a tracklist:

Disco 1 (Red)

1 - Alice Smith e Aloe Blacc - "Baby"
2 - Beck e Seu Jorge - "Tropicália (Mario C 2011 Remix)"
3 - Mia Doi Todd e José González - "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo"
4 - Quadron - "Samba de Verão"
5 - Vanessa da Mata, Seu Jorge e Almaz - "Boa Reza"
6 - John Legend - "Love I've Never Known"
7 - Aloe Blacc e Clara Moreno - "Nascimento (Rebirth) - Scene 2"
8 - Curumin - "Ela (Ticklah Remix)"
9 - Aloe Blacc e Alice Smith - "Baby (Old Dirty Baby Dub Version)"
10 - Superhuman Happiness e Cults - "Um Canto de Afoxé Para o Bloco do Ilê"
11 - Om'Mas Keith - "Mistérios"
12 - Forró in the Dark, Brazilian Girls e Angelique Kidjo - "Aquele Abraço"
13 - Mia Doi Todd - "Canto de Iemanjá"
14 - Caetano Veloso - "Terra (Prefuse 73 '3 Mellotrons in a Quiet Room' Version)"
15 - Marisa Monte, Devendra Banhart e Rodrigo Amarante - "Nú Com a Minha Música"
16 - Bebel Gilberto - "Acabou Chorare"
17 - David Byrne e Caetano Veloso - "Dreamworld: Marco de Canaveses"

Disco 2 (Hot)

1 - Beirut - "O Leãozinho"
2 - Tha Boogie - "Panis et Circensis"
3 - of Montreal e Os Mutantes - "Bat Macumba"
4 - Phenomenal Handclap Band + Marcos Valle: "Tudo o Que Você Podia Ser"
5 - Madlib e Joyce Moreno - "Banana [ft. Generation Match]"
6 - Marina Gasolina E Secousse - "Freak le Boom Boom"
7 - Money Mark, Thalma de Freitas e João Parahyba - "Tropical Affair"
8 - Los Van Van e Carlinhos Brown - "Soy Loco Por Ti, América"
9 - Orquestra Contemporânea de Olinda e Emicida - "Roda"
10 - Mayra Andrade e Trio Mocotó - "Berimbau"
11 - Apollo Nove, Céu e N.A.S.A. - "It's a Long Way"
12 - DJ Dolores, Eugene Hütz, Otto, Fred 04 e Isaar - "A Cidade"
13 - Javelin e Tom Zé - "Ogodô, Ano 2000"
14 - Atom e Toshiyuki Yasuda - "Águas de Março [part. Fernanda Takai e Moreno Veloso]"
15 - Twin Danger - "Show Me Love"
16 - Rita Lee - "Pistis Sophia"


Download: Red Hot + Rio 2


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Bárbara Eugênia - É o Que Temos (2013)



Por Xico Sá, SP, últimos dias do Verão, 2013

A gente pode não saber onde colocar o desejo, meu caro Sigmund, mas Bárbara Eugênia, neste seu segundo disco, sabe muito bem onde pôr o amor, meu senhor. Na canção romântica que não tem medo do rosto colado, de um passeio de domingo ou de uma eventual roubada no picnic – corra, Lola, corra. Se no primeiro disco a fossa era nova, como saiu no jornal, neste é possível até – pasmem, senhores & senhoras - brincar de amar. Tem leveza, mas não se engane, o suspense continua. O amor tem sempre requintes de um certo Hitchcock.

Daí que Bárbara diz: “Bailemos”, na maresia da faixa “Coração”. Não há guarda-chuva nem vacina contra o pesadelo da dor amorosa. Daí que Bárbara, agora, parece dizer, à vera: não é por sabermos do inevitável fim que vamos soltar precocemente os cupins da discórdia e estragar logo tudo. Né? Roberto corta essa.
Bárbara vem como num mangá japonês. De trás para frente. Este disco-narrativa está para o “durante” dos acasalamentos assim como o inicial esteve para o “depois”. E não cabe a este pobre cronista resenhador dar pistas autobiográficas da moça, aliás, que moça, aquela voz meio rouca, a forma como chega no palco, suspiro, os vestidos que parecem trocar ideias com as costelas. Será que conversam sobre a atual fraqueza dos hombres?

Yes, sem pistas, arte é enigma e suspense. O que interessa é que o trabalho novo é melhor ainda. Poderíamos chutar aqui um zilhão de possíveis rótulos e pegadas: um Andrew Bird nas entrelinhas, uma trilha meio cinema safado italiano de Tinto Brass, o cheiro da chanson estilo “Les Provocateurs” (projeto do Edgar Scandurra que a Bárbara participa), o filtro azul lisérgico etc etc etc.

Ora, é tido, havido e sabido que a moça aprecia o que fica entre os anos 1950-70 da música, sem obrigação maluca de pregar um rótulo na testa. Isso já era. Além do mais, temos “as mesmas velhas dúvidas”, sempre, a história se repete na nossa adorável lavanderia de “roupa suja” - título de uma chapante canção em parceria com o Pélico, outro cão-vadio que entende do assunto.

A tal faixa conversa, de alguma maneira, por isso a lindeza narrativa do disco, com o clássico da Jovem Guarda “Porque brigamos”, versão de Rossini Pinto, safra 1972, para a canção de Neil Diamond. Noites brancas com sujeiras a passar a limpo. Ô Diana!

Uma rápida parada técnica, maestro: os arranjos do disco lembram sopros do coração, em acentos das cordas ou dos metais propriamente ditos. Aquela coisa: Bárbara vai contando uma história e a música só na sístole e na diástole. Principalmente em “Peso dos erros”, vontade de bolero, vidas noves fora zero.

Que coisa linda, confesso a que mais gosto de todas, “Ugabuga Feelings”, ela suando dendê, assim meio me deixas louca, e o moço da cara boa à espreita, que safadeza mais gostosa, ave palavra.

Babélica Bárbara em português dos Tristes Trópicos, em inglês (“I Wonder”) que lembra a Marilyn Monroe de “Os Desajustados”, Bárbara em drama nouvelle vague (“Jusqu'a la mort”), Barbarella sem medo da chuva com Tatá Aeroplano, Bárbara simplesmente sozinha como em uma nova e bela canção

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Mopho - Discografia

        


  No início de uma década que marcou definitivamente a queda da indústria fonográfica nos moldes tradicionais, onde mesmo artistas consagrados passavam por dificuldades, o Mopho teve seu espaço garantido graças à inquestionável qualidade de composições como Não Mande Flores ou Uma Leitura Mineral Incrível. Aos que tiveram a oportunidade de assistir aos shows de lançamento do seu primeiro CD, a banda apresentava um verdadeiro caleidoscópio sonoro, intensificado por figurinos coloridos e retrôs, que envolvia o público com camadas densas de timbres clássicos, com solos de guitarras e teclados lisérgicos, linhas de baixo hipnotizantes e uma bateria competente que se harmonizavam como os melhores ingredientes para uma receita infalível de um estilo de Rock’n’Roll que já não se fazia no Brasil.
           Em 2004 o Mopho lança Sine Diabolo Nullus Deus, com sua arte gráfica inspirada em Rubber Soul, dos Beatles, uma das maiores influências da banda. O CD traz músicas de destaque como O Amor é Feito de Plástico e Quando Você Me Disse Adeus, esta última entra na trilha sonora do longa-metragem de animação Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n Roll, do diretor gaúcho Otto Guerra.
          Após um longo e turbulento período de adaptações que quase extinguiu a banda, em 2011 é lançado Vol.3, onde a banda explora mais uma vez os limites de seu potencial criativo. O CD é composto por dez músicas que nada têm de aleatórias, interligando-se mutuamente através de memórias musicais instantâneas que vão se formando a cada acorde que entra pelos ouvidos.
Os anos longe dos estúdios de gravação alimentaram não só a expectativa dos fãs, mas também a sede da banda por um trabalho que novamente os representasse de maneira fiel. E assim aconteceu. O CD recebeu várias indicações em sites de música como um dos melhores do ano de 2011, com destaque para Quanto Vale Um Pensamento Seu, que conta com a participação do também alagoano Wado nos vocais, devolvendo a banda à estrada novamente, na prazerosa e simbiótica tarefa de dividir com o público mais um trabalho digno de ser lembrado por muitos e muitos anos.
          Desde a sua estreia, em fases distintas, a banda passou por diferentes formações e hoje conta com João Paulo (guitarra e vocais), Hélio Pisca (bateria), Leonardo Luiz (teclados), Júnior Beatle (baixo) e Marco Túlio (violões), uma formação muito próxima a dos primórdios do lançamento do primeiro CD, que contava com Júnior Bocão no baixo e ainda não tinha o auxílio de Marco Túlio nos violões. Entre os extremos desta linha do tempo, Dinho Zampier ainda deixou registrado seu teclado no terceiro CD do grupo. E o que outrora era um quarteto transformou-se em um quinteto, apto a reproduzir ao vivo cada nuance das sonoridades registradas em estúdio, satisfazendo mesmo ao mais exigente dos ouvintes. Saudações a uma grande banda!
Jackson Humberto

Mopho (2000)


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Sine Diabolo Nullus Deus (2004)



Volume 3 (2011)



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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Alvinho Lancellotti - O Tempo Faz a Gente Ter Esses Encantos (2012)



O pai, Ivor, tem canções gravadas por Roberto Carlos e Clara Nunes. O irmão mais velho, Domenico, integrante do coletivo 2, é um dos nomes mais conhecidos da chamada nova cena carioca (hoje nem tão mais nova assim). Alvinho Lancellotti se firmou no mesmo cenário como vocalista do Fino Coletivo, sexteto de samba-rock com dois álbuns lançados. O tempo faz a gente ter esses encantos, há poucos dias nas lojas e disponível para download (no site www.alvinholancellotti.com.br), é o segundo CD solo dele – o primeiro de estúdio.

A praia, neste momento solo (fala-se em novo álbum do Fino Coletivo para o segundo semestre de 2013), continua a mesma. Só que o samba, aqui, aparece mais intimista. São 10 faixas, gravadas por uma penca de músicos – entre eles, o guitarrista Davi Moraes; o violonista Pedro Costa, um dos quatro produtores; e Domenico, na bateria e percussão.

As canções, todas de Alvinho, foram compostas nos últimos anos. Algumas não entraram no repertório do Fino. Quando Lulu Santos pediu-lhe que enviasse algumas composições, o músico viu que já tinha material para um novo disco.

Como a intenção era de que elas ficassem mais próximas do formato em que foram compostas, a instrumentação é baseada principalmente em percussão e cordas. Sexta-feira, que abre o álbum, bem poderia estar num disco do Fino Coletivo. Tem certa malemolência, que vai ao encontro dos versos “Alegria faz a moça girar/ Gentileza, tudo em paz no lugar”.

Alegria da gente chega no mesmo clima, só que mais percussiva. Já o samba Vidigal é introduzido por um grupo de crianças. O clima arrefece em É de mamãe, canção de ninar semiacústica que emenda com a apaixonada Meu bloco de amor. Única faixa com um coautor, Antena (parceria com Domenico) é ensolarada, com clima meio setentista.

Download: Alvinho Lancellotti 

Nevilton - Sacode! (2013)



por José Julio do Espírito Santo

Trio paranaense mantém pique em segundo disco
Apesar do título, Sacode! chega mais calmo, mas tão bem resolvido quanto o independente De Verdade, primeiro álbum do Nevilton, de 2011. Baladas como “Crônica”, que abre o álbum, e o iê-iê-iê “Friozinho”, que canta a paixão de um amor duradouro, levam o som da banda paranaense a um terreno mais pop. Ainda assim, o novo trabalho, produzido pela dupla Carlos Eduardo Miranda e Tomás Magno, continua ancorado em riffs fortes, que fizeram a fama desde que o grupo apareceu em 2007. Em português simples, claro e muitas vezes inspirado, Sacode! carrega o gene dominante do rock. A faixa-título é o maior exemplo do som forte do trio, em uma conversa séria entre a guitarra de Nevilton de Alencar, o baixo de Tiago “Lobão” Inforzato e a bateria de Éder Chapolla. “Vou ver o Mar”, com a letra enraizada no cancioneiro nacional – tal qual uma faixa imaginária de Vinicius de Moraes e Toquinho, fossem eles criados ao som de Led Zeppelin –, e a fascinante “Porcelana”, com ares de moda de viola e bafo de pub rock, evidenciam influências díspares que o grupo reconfigura de maneira especial.

Download:  Sacode! 


Ricardo Herz Trio - Aqui é o Meu Lá (2012)



Em 2012, o violinista Ricardo Herz lançou seu quarto disco, “Aqui é o meu Lá – Ricardo Herz Trio”, com composições próprias e direção musical de Benjamim Taubkin. Acompanhado de Pedro Ito (bateria e percussão) e Michi Ruzitschka (violão 7 cordas), o violinista tem se apresentado nos principais teatros e festivais do Brasil e exterior, marcando o público com sua contagiante presença de palco: são solos endiabrados e melodias marcantes que fazem do show uma experiência única na música instrumental brasileira. Com esse disco, o Ricardo Herz Trio ganhou o Troféu Cata-Vento 2012, da Cultura Brasil, escolhido por Solano Ribeiro.

Em outubro deste ano o Ricardo Herz Trio teve uma importante missão: foi o único grupo a representar o Brasil na seleção oficial do Womex – The World Music Expo, a mais importante feira de música do mundo. Em cada edição são escolhidos somente 30 artistas pra fazer apresentações e mostrar seus trabalhos para os maiores produtores e programadores de salas e festivais do gênero. A edição deste ano vai foi em Tessalônica, Grécia.

Herz reinventou o violino. Sua técnica leva ao instrumento o resfolego da sanfona, o ronco da rabeca e as belas melodias do choro tradicional e moderno. Com a influência de Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Egberto Gismonti, Jacob do Bandolim entre outros, o violinista mistura ritmos brasileiros,  africanos e o sentido de improvisação do jazz mostrando a influência dos 9 anos em que viveu na França. Dali levou sua música para os 4 cantos do mundo: tocou em Festivais na Malásia, no México, na Holanda, em clubes de Jazz na Rússia, em Israel, na Dinamarca e gravou com músicos de diversos países.

Graduado em violino erudito pela USP, sua sólida formação também vem da renomada Berklee College of Music, nos Estados Unidos, e da Centre des Musiques Didier Lockwood, escola do violinista francês Didier Lockwood, uma lenda do violino jazz. Com Lockwood, tocou nas principais capitais brasileiras durante as celebrações do Ano da França no Brasil.

De volta ao Brasil, Herz tem participado de muitos projetos e colaborado com músicos de todo o país. Em 2011, se apresentou como solista ao lado de Dominguinhos, abrindo a temporada anual da Orquestra Jazz Sinfônica no Auditório Ibirapuera. Formou um duo com o vibrafonista, multi-instrumentista e compositor  mineiro Antonio Loureiro e foi selecionado no Rumos Música 2010-2012, do Itaú Cultural, onde nasceu mais um duo, desta vez com o gaúcho Samuca do Acordeon. Os dois projetos em breve virarão discos. Com a camerata Cantilena Ensemble tem tocado o repertório do seu disco infantil. Ricardo também tem dedicado parte de seu tempo no ensino e difusão do violino popular.

Atualmente dedica-se aos shows de lançamento do novo disco, “Aqui é o meu lá”, no Brasil e no exterior.

“(…) o disco disputa seriamente como um dos melhores lançamentos instrumentais brasileiros do ano”
Irineu Franco Perpétuo – Guia da Folha – Folha de São Paulo – 28/07/12

“Um dos lançamentos mais inspirados da cena instrumental este ano”
Eduardo Tristão Girão – Estado de Minas 27/07/12

“Ricardo é desses moços que melhor toca ultimamente, toca pra valer. É um ótimo incentivo para a música brasileira, ainda mais por que, além de ser um excelente músico, tem um ‘molho’ único tocando violino no forró.”
Domiguinhos

“Cheio de sensibilidade e virtuosismo, swing e lirismo, Ricardo Herz está colocando os ‘pingos nos is’ na história do violino popular no Brasil! Tudo com muita musicalidade e a característica mais marcante em sua personalidade quando sobe ao palco: carisma! Sucesso de público e crítica”
Hamilton de Holanda

“Violino Popular Brasileiro é um título mais do que perfeito para o CD do Ricardo Herz. Com uma técnica apurada, passa por baião, forró (às vezes como se fosse rabeca), sambas, chorinhos e canções com autoridade e intimidade absolutas de quem conhece, de fato, o Brasil.”
Edu Lobo

“É de se espantar que o riquíssimo universo músical brasileiro poucas vezes tenha gerado grandes especialistas no violino, instrumento versátil e central na história do ocidente. É também de se espantar, por outro lado, que, mesmo sem uma longa tradição às suas costas, tenha surgido aqui um dos maiores violinistas da música popular mundial, o paulistano Ricardo Herz”
André Domingues – Diário do Comércio – SP- pag 24 – 26/06/12

“A música brasileira, sua especialidade, está aqui magnificamente representada com originalidade graças a seu grande talento de violinista”
Didier Lockwood


Download: Aqui é o Meu Lá 

Facção Caipira (2012)



A Facção Caipira nasceu em 2009 na cidade de Niteroi/RJ com a intenção de tocar o que gosta e cantar o que quiser. 
O quarteto formado por Jan Santoro (Voz/Resonator), Daniel Leon (Gaita), Vinicius Câmara (Baixo) e Renan Carriço (Bateria) participou dos maiores festivais da cidade, 
além de vencer os prêmios de melhor interprete, instrumentista, musica e banda no Festival Som na UFF 2012. 
O auto-intitulado EP foi lançado no fim do último ano em um show com ingressos esgotados no histórico Teatro Municipal de Niterói.

Telefone: (21) 8728-7385 (José Pantoja)


Gudicarmas - EP (2012)



A Gudicarmas, banda autoral surgida em 2011 no Recife, inicia o ano em plena produção. A singularidade de cada um dos integrantes, a saber Felipe Sitônio(violão, gaita e voz), Mateus Guedes (guitarra e voz), Otávio Carvalheira (baixo e voz), Pedro “Paca” Valença (percussão) e Rafael Cunha (bateria e voz) serão mescladas nas composições reunidas para o primeiro CD, a ser lançado no segundo semestre de 2013.

A Gudicarmas mostra suas abrangentes referências musicais como,
por exemplo, na música Azúis Blues, em que mescla a introdução de
WithinYouWithoutYou, dos clássicos Beatles e finaliza com a tranquila Doin Time, da californiana Sublime. As músicas, cujas letras falam sobre o cotidiano, o amor, a política e a natureza enquanto meio do homem, serão gravadas na própria cidade.

O nome da banda, aparentemente esquisito, reúne o conjunto de ações que resultam em consequências (o popular “Karma”) com as notas e arranjos ousados de algo muito bom (leia-se, do inglês, o “Good”). Daí, tem-se o abrasileirado "Gudicarmas".

A trajetória da banda ao longo do seu primeiro ano de existência contempla apresentações em eventos como a FeiraExpoideia, o PE Nova Música, a Terça Autoral do UK Pub, pocket-shows nas Livrarias Cultura e Saraiva e o projeto Peixe Sonoro do Nascedouro de Peixinhos, em parceria com a Aeso.

As músicas Quero Ar, Eu, ela e o mar, Azúis Blues, Doce Natureza, e as
recentes Almôndegas e Angelus estarão presentes no álbum de estreia da
banda. Esta última música, inclusive, participou do 14º FESTCINE, Festival de Vídeo de Pernambuco, com exibição no tradicional Cinema São Luiz, no centro do Recife, e foi classificada como uma das 10 revelações pela Joinha Records, selo colaborativo de artistas expoentes do cenário pernambucano, como China, Tibério Azul e Mombojó.

Site oficial: http://gudicarmas.tnb.art.br/ 

Download: Gudicarmas