domingo, 24 de novembro de 2013

Khrystal - Dois Tempos (2012)



por Ed Félix

Pensa que é fácil ser uma estrela? Pensa que vida de cantora é brisa fresca? Khrystal propõe uma troca de papéis com você, mas ela tem certeza de que, em dois tempos, vai ganhar a aposta. A cantora potiguar dá sua vida pela música. É o preço para se fazer arte do jeito que ela quer fazer. Vai encarar?

Influenciada pelo jazz, com um pé no blues, e ainda roqueira forte, ela sabe converter as referências de sua formação artística em qualidades para a música regional. É isso mesmo que você está pensando: vai ouvir forró e sentir rock. Neste segundo disco, Khrystal reúne ritmos altos com o que há de melhor na cultura nordestina, na vida real, na vida de cantora. Cantora e compositora. Sua poesia é belíssima, coisa de gente que consegue enxergar - e depois cantar - a beleza das coisas simples do cotidiano. Incrível também é perceber como ela consegue encaixar cada expressão em melodias bárbaras. A voz? Forte, com sotaque carregado, uma das mais originais da música brasileira atual.

Primeira faixa do disco, ‘Na Lama, Na Lapa’ é um grito de liberdade, já avisa que Khrystal canta o que quer. “Fui batizado na capela onde o padre, numa noite de pecado, se encontrou com um alguém”, dispara em ‘Arranha Céu’. Se você já apertou a campainha da vizinha e correu, vai gostar de ‘Bem ou Mal’. Não é por menos que ‘Dois Tempos’ deu título ao disco: “Mato meu leão todo dia pra não ver meu canto calado morrer”.

‘O Trem’ é um dos pontos altos do segundo trabalho em estúdio da cantora. É o romantismo de quem vive debaixo de sol quente: “Comida sem farinha é o mesmo que trepar sem beijar. (...) A vida a dois é feito rapadura: é doce, mas não é mole não”. A Khrystal mais forte do disco é a de ‘Zona Norte, Zona Sul’: “De que lado mora o seu preconceito? Atravesse a ponte que eu vou lhe mostrar”.

“Já me falaram desse tal de erudito, mas meu negócio é a cultura popular”, canta em ‘Potiguaras Guaranis’, uma combinação incrível de tudo o que forma o nordeste brasileiro. O disco fecha com a única canção que não é assinada por Khrystal. ‘Compositor’, de Joyce e Paulo César Pinheiro’, é uma homenagem nada trivial a quem (sobre)vive de música.

Fugir do óbvio, não ter vergonha de mostrar o lado mais sincero de sua voz, não ter vergonha de mostrar todos os seus lados enquanto artista. Khrystal é uma cantora alegre, uma compositora brava, uma artista popular que pode fazer a crítica cair aos seus pés. Potiguar, nordestina, brasileira.

Download: Dois Tempos 


terça-feira, 12 de novembro de 2013

DJ Dolores - Banda Sonora (2013)



Veterano da cena Manguebeat, DJ Dolores está na ativa há mais de 20 anos, várias tournês  mundo afora e seis álbuns com trabalhos de carreira e trilhas sonoras.

DJ Dolores já remixou faixas de Chico Buarque, Tribalistas, Bob Marley (oficial), Sizzla, Perez Prado e Taraf de Haïdouks, entre outros.  Seu remix para Gilberto Gil foi lançado pela revista americana Wired como parte do projeto “Rip, Mash, Sample, Share”.

Como compositor de trilhas sonoras, participou de vários filmes, destacando-se “A Máquina”, “Narradores de Javé”, e mais recentemente, “Estradeiros” e “O som ao redor”. Também compôs músicas originais para teatro e dança.

Vencedor do BBC Awards, na categoria “Club Global”, ganhou duas vezes o prêmio da música brasileira (antigo prêmio TIM) com seus discos.

Download: Banda Sonora

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Escama de Peixe - Rato Cola (2013)



Escama de Peixe é uma banda de rock com forte influência pós-punk. Reúne músicos de várias bandas do underground e da cena independente de Belo Horizonte. Composições de versos curtos e diretos falam do mundo contemporâneo através de alegorias e uma boa dose de deboche. Rato Cola é o álbum de estréia da banda que traz uma instigante colagem de sonoridades: punk, ska, blues, funk e muito rock brasileiro. Produzido na íntegra de forma independente no estúdio caseiro do Colégio Invisível, foi realizado através de uma rede colaborativa física e virtual. Músicas para dropar, flipar e dançar no último volume.
Escama de Peixe é Annita Matta Verme (Vocal), Lacierda Cienfuegos (Guitarra), Pixxx (Baixo), Porquinho (Guitarra e FX), Pyrata (Vocal), Tuca (Vocal), Ubu (Bateria) e Zé Carniça (Metais).

Download:Rato Cola


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Felipe Cordeiro - Se Apaixone Pela Loucura do Seu Amor (2013)




CARLOS ALBUQUERQUE


Uma semana antes de entrar no estúdio para gravar seu novo disco, aquele que sucederia o elogiado “Kitsch pop cult”, de 2012, Felipe Cordeiro reparou que tinha um problema. O cantor, compositor e guitarrista paraense — que toca hoje à noite no Circo Voador, abrindo para Arnaldo Antunes, às 22h — não tinha uma música que resumisse o espírito do futuro trabalho, que sintetizasse o suingue e a irreverência das outras composições que já tinha esboçado. Faltava algo.

— Faltava fuleiragem — resume ele. — Esse sentimento ultrapopular, de sarro, de sátira.
Foi quando um amigo lhe contou uma briga que presenciou na rua, envolvendo um esquentado casal. Em determinado momento da discussão, a mulher sacou uma frase inusitada, que finalizou a discussão como um ippon: “Você pra mim é problema seu!”, exclamou ela. O jogo de palavras encantou Cordeiro, que criou a música “Problema seu”, a última a ficar pronta e a primeira a ser ouvida no disco “Se apaixone pela loucura do seu amor”, que lança hoje no show. Desde quarta-feira, três faixas dele (“Ela é tarja preta”, “Louco desejo” e “Lambada alucinada”) podem ser baixadas gratuitamente no site Natura Musical (naturamusical.com.br), que apoiou o trabalho.
— Esse disco sai um pouco do terreno do kitsch, que estava bem presente no trabalho anterior, para cair mais num pop tropical para valer — conta o músico. — As canções acabaram girando em torno do amor, esse tema clássico que todo autor que se preze tem que tocar um dia.
Com uma economia no uso de samples e outros recursos eletrônicos, “Se apaixone pela loucura do seu amor” leva a assinatura dos produtores Kassin e Carlos Eduardo Miranda, que trabalharam ao lado de Felipe e seu pai, o guitarrista Manoel Cordeiro (também parceiro em quatro músicas do disco).
— Kassin e Miranda são criativos, ousados, livres, não têm limites. Precisava de gente assim ao meu lado — conta ele. — E o Kassin acabou tão apaixonado pelo meu pai que, no fim das gravações, formamos uma banda para ele. Ela vai se chamar Manoel Cordeiro e os Desumanos, com a participação do Liminha. A estreia vai ser em novembro, no festival Se Rasgum, em Belém.
Desse convívio saíram músicas como “Louco desejo”, com timbres que remontam aos anos 1980, e “Lambada alucinada”, dedicada ao amigo Maderito, vocalista da Gang do Eletro.
— “Louco desejo” tem um contraste legal entre os teclados, meio gélidos, e as guitarras, soltas e com muito suingue — explica ele. — Já “Lambada alucinada” é bem rápida, nervosa, com guitarras malvadas, que me fizeram lembrar do Maderito, uma pessoa adorável.
Da parceria com Arnaldo Antunes, nasceu a divertida “Ela é tarja preta” (que acabou gravada também pelo ex-titã em seu “Disco”).
— Estava a fim de compor com Arnaldo há um tempão. Um dia nos encontramos na casa dele, abrimos uma garrafa de vinho e começamos a falar besteira. Ficamos tão empolgados com a letra que nós dois resolvemos gravá-la. A ideia da letra foi do meu pai, sobre esse tipo de mulher-problema que a gente pode encontrar. Ou homem-problema. Depende do ponto de vista.
E de tanto ouvir falar da “cena” musical de Belém, Cordeiro acabou criando uma das faixas centrais do disco: “Brea époque”.
— Nos anos 1920, a cidade sofreu forte influência europeia, na arquitetura, na música, em quase tudo. Diziam que era a Belle Époque adaptada para a Amazônia — reflete. — E hoje Belém vive uma explosão cultural em torno de um local que tem os problemas das grandes cidades, sem as vantagens. A letra reflete essas contradições que fazem Belém ser o que é. E brear é uma expressão local, significa ficar suado, lambuzado por calor e umidade