domingo, 21 de dezembro de 2014

Nômade Orquestra (2014)



Formada no ABC paulista, em Outubro de 2012, pode-se dizer que a Nomade Orquestra é um ponto de encontro onde diferentes vertentes e expressões musicais interagem de forma única. O grupo desenvolve um trabalho autoral instrumental vivaz e transita com destreza entre os universos do funk, jazz, dub, rock, afro beat, hip-hop, ethiogrooves, entre outros. Além disso, incorpora elementos da música eletrônica, quebrando as barreiras entre música tradicional e música contemporânea. Improvisos, colagens sonoras e arranjos aliados a grooves marcantes e profundos aprimoramentos de timbres, o show se complementa com as projeções do artista plástico Danilo Oliveira em uma profusão de imagens sonoras fazendo da Nomade Orquestra um rico mosaico audiovisual. Toda essa peculiaridade, vem do providencial encontro entre Guilherme Nakata (bateria), Ruy Rascassi (baixo), Fabio Prior (percussão), Luiz Eduardo Galvão (guitarra), Marcos Mauricio (teclado), Beto Malfati (sax, flauta e pick ups), Bio Bonato (sax baritono), Marco Stoppa (trompete), André Calixto (sax tenor e flautas), Victor Fão (trombone) e Danilo Oliveira (Vj). Esse evento atemporal faz-se renascer a magia e o encanto dos encontros dessa vida, com anos de experiênciaem suas bagagens, participações em grandes eventos e festivais, e projetos expressivos na cena indepentende do ABC e de São Paulo.

Download: Nômade Orquestra


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Bonsucesso Samba Clube - Coração da Boca Sai (2014) / Discografia



AD Luna

Depois de oito anos sem lançar álbuns, a Bonsucesso Samba Clube traz ao mundo uma nova cria. Produzido pelo cada vez mais requisitado músico e produtor Yuri Queiroga (que também está na produção do novo disco de Elba Ramalho) e gravado nos estúdios recifenses Muzak e Carranca, Coração da boca sai é o terceiro disco da banda olindense. O público ouvir de graça as 12 músicas da obra no site www.bonsucessosambaclube.com .
A distribuição digital está sendo feita pela CD Baby e, em breve, ele será lançado em CD. “O disco foi feito com recursos próprios. Até chegamos a inscrevê-lo no Funcultura, mas não rolou”, explica Rogerman, vocalista e mentor do grupo. Com exceção da música Dia quente, Rio, que conta com a voz de Lenine, registrada pelo filho dele, no Rio de Janeiro, Coração da boca sai foi todo gravado, mixado e masterizado em Pernambuco.

De acordo com Rogerman, os primeiros esboços do que viria a ser o novo disco começaram a surgir no início do segundo semestre de 2013. As ideias iam surgindo a partir de conversas entre o artista e o produtor. Os encontros aconteceram nas casas dos dois. “Ficávamos conversando, tomando cerveja, com caderno e caneta do lado. Yuri me mostrava bases que tinha feito e, na hora, eu escrevia as letras”, relembra Roger.

A bonita capa do Coração da boca sai nasceu inspirada por um clique da fotógrafa Priscilla Guimarães, que registrou cena de um garoto brincando sob um rio, no Recife. “A ideia é de tomar a expressão ‘coração da boca sai’ como uma sensação. Trazer o Bonsucesso à ativa é uma emoção, uma grande responsabilidade”, expõe.

O disco que sucede Bonsucesso Sambaclube (2003, YB) e Tem arte na barbearia (2006, independente) está repleto de participações. “Queria fazer um disco de participações, mas que houvesse identidade entre as músicas e os convidados”, comenta Rogerman. Buguinha Dub, cuidou das mixagens. Maestro Spok aparece em cinco canções. Ylana divide os vocais com Rogerman, na balada Corpo em chamas, contribuindo para o clima etéreo e onírico da faixa.
Erasto Vancocelos, um dos músicos que mais sabem descrever em sons e palavras a alma olidense, aparece cantando em Beat now e Hey irmão.

A empolgante Superar - a qual já havia sido lançada como single, em fevereiro -  reúne em coro Nena Queiroga, Mônica Feijó, Jr, Black, Fabrício Belo e Fábio Trummer, guitarrista e vocalista da Eddie, banda que Rogerman já integrou. A música é praticamente uma síntese do espírito ensolarado que permeia Coração da boca sai. Outra que deve empolgar nas apresentações e nas festinhas descoladas de Olinda e Recife é Perpétua luz brilhante, com seu envolvente refrão e participações de Thiago Hoover e Luciano Queiroga.

Emoldurada por batidas eletrônicas, uma simpática guitarra meio havaiana e sons de piano, a letra de Dia quente, Rio, cantadas por Roger e Lenine saúdam a Cidade Maravilhosa, sem cair numa exaltação exagerada. A faixa-título conta com a novata Gabi Barreto nos vocais. 
O trio punk hardcore Devotos é a atração da pesada Nas ruas. A banda inteira participou da gravação, com Rogerman apenas “dando uma força” nos vocais. É um som que ficou um pouco deslocado no meio das outras onze composições pop. Mas pode funcionar bem para encerrar shows ao vivo.

Coração da boca sai é o disco mais bem acabado do Bonsucesso Samba Clube. É divertido e tem personalidade. Além do (bom) impacto inicial que se tem numa primeira audição, é interessante perceber as várias camadas de timbres e texturas que ficam mais evidentes a cada apreciação.
Além de Rogerman (vocal), completam a atual formação da banda Oroska (percussão), Rapha Groove (baixo e voz), Sanzyo Rafael (bateria), Vitor Magall (guitarra) e Guga Fonseca (teclados).

Download: Coração da Boca Sai







Bonsucesso Samba Clube (2003)





Tem Arte Na Barbearia (2006)



domingo, 14 de dezembro de 2014

llOVNi - A Vida é Breve (2014)



Sáo Paulo, xx de agosto, de 2014. Após dois eps, llOVNi (2006) e Cinema Americano (2008), o llOVNIi lança o seu primeiro álbum, "a vida e breve", com 10 faixas.
Utilizando a máxima do it yourself em todas as suas produções, a banda imprimiu no álbum sonoridades obscuras, realistas e espaciais.
"a vida eh breve" está disponível gratuitamente para stream e download.
Vídeo - Junto com o álbum, a banda disponibiliza o vídeo para a música "a vida eh breve", dirigido por Rica Guimarães.
llOVNi - Formado pelo carioca Rica Guimarães(vocal/guitarra/bateria) e pelo paulista Diogo Silva (baixo/teclado/backing vocals), a banda llOVNi produz áudio e vídeo no wave/pós-punk/noise-pop com uma dose de psicodelia.
Nas apresentações ao vivo a banda conta com a participação de Michael Chalmer (sax/guitarra/synth), da banda the Glassbox.

Contatos: e-mail / facebook

Download: A Vida é Breve

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

China - Telemática (2014)



COM QUASE 15 ANOS DE CARREIRA E UMA EXTENSA LISTA DE ATIVIDADES, CHINA É DESSES ARTISTAS QUE FAZEM DE TUDO. COMEÇOU AINDA MOLEQUE, EM 1997, COM O SHEIK TOSADO, BANDA QUE O LANÇOU NA VIDA ARTÍSTICA, E QUE SE APRESENTOU ATÉ NO PALCO PRINCIPAL DO ROCK IN RIO 3.

COM O FIM DA BANDA, CHINA SAIU EM CARREIRA SOLO E TEM 3 DISCOS LANÇADOS, UM SÓ (2004), SIMULACRO (2007), MOTO CONTÍNUO (2011), E ACABA A LANÇAR SEU QUARTO ÁLBUM, TELEMÁTICA (2014).

ESSE PERNAMBUCANO AINDA ARRUMA TEMPO PARA FAZER PARCERIAS MUSICAIS E CRIAR PROJETOS PARALELOS.

CHINA CONTRIBUIU COMO COMPOSITOR PARA OS DISCOS DE DADO VILLA LOBOS, JOTA QUEST, LEANDRO, LEHART, MOMBOJÓ, A BANDA MAIS BONITA DA CIDADE, ENTRE OUTROS.

NOS PALCOS, FORMOU COM O MOMBOJÓ A BANDA DEL REY QUE DÁ NOVAS ROUPAGENS AS CANÇÕES DE ROBERTO E ERASMO CARLOS, E O COISINHA É O PROJETO INFANTIL CRIADO POR CHINA, QUE CONVIDOU LULA LIRA (FILHA DE CHICO SCIENCE) PARA DIVIDIR OS VOCAIS EM MÚSICAS AUTORAIS E TAMBÉM CLÁSSICOS DO CANCIONEIRO INFANTIL.

O CANTOR E COMPOSITOR AINDA ARRUMA TEMPO PARA TRABALHAR NO RÁDIO E NA TELEVISÃO.

CHINA PASSOU PELA MTV BRASIL COM OS PROGRAMAS, MTV NA BRASA, SHOW NA BRASA, EXTRATO MTV E MTV 1, E TAMBÉM NA REDE BANDEIRANTES SENDO REPÓRTER DO PROGRAMA A LIGA, E O BAND FOLIA, COBRINDO POR TRÊS ANOS O CARNAVAL PERNAMBUCANO PARA TODO O BRASIL.

NO RÁDIO, CHINA COMANDA PELA OI FM O PROGRAMA, INDEPENDÊNCIA, REVELANDO TODA SEMANA NOVOS NOMES DA MÚSICA INDEPENDENTE BRASILEIRA.

CANSOU SÓ DE LER TODAS AS ATIVIDADES DESSE RAPAZ?

CHINA NÃO!

ELE ACABA DE LANÇAR SEU NOVO ÁLBUM, TELEMÁTICA, COM 13 CANÇÕES, MAS ANTES DO LANÇAMENTO, JÁ HAVIA LIBERADO PARA DOWNLOAD GRATUITO DUAS MÚSICAS DESSE NOVO TRABALHO, PANORAMA E ARQUITETURA DE VERTIGEM, QUE GANHOU CLIPE E FOI SELECIONADA PARA O INTERNATIONAL MUSIC VIDEO FESTIVAL, EM PARIS, E PARA O FESTIVAL CURTA BRASÍLIA.

CHINA PRETENDE CORRER O PAÍS PARA DIVULGAR "TELEMÁTICA" E FAZER SHOWS POR TODO DO BRASIL.

SE TEM UM CARA CONSEGUE FAZER TANTAS COISAS AO MESMO TEMPO, E TODAS ELAS COM UMA QUALIDADE INCRÍVEL, ESSE RAPAZ SE CHAMA FLÁVIO AUGUSTO DORNELAS CÂMARA, OU, CHINA, SE VOCÊ PREFERIR.

DISCOGRAFIA

- SOM DE CARÁTER URBANO E DE SALÃO - SHEIK TOSADO (1999) - TRAMA

- UM SÓ (2004) - EMI

- SIMULACRO (2007) CANDEEIRO RECORDS

- MOTO CONTÍNUO (2011) TRAMA / JOÍNHA RECORDS

- TELEMÁTICA (2014) JOÍNHA RECORDS

CLIPES

- TODA CASA TEM UM POUCO DE ÁFRICA - SHEIK TOSADO (1999) - TRAMA

- REPENTE ENVENENADO - SHEIK TOSADO (1999) - TRAMA

- SHEIK TOSADO - SHEIK TOSADO (1999) - TRAMA

- CANÇÃO QUE NÃO MORRE NO AR (2007) - CANDEEIRO RECORDS

- SÓ SERVE PRA DANÇAR (2011) - JOÍNHA RECORDS

- LONGE DAQUI (2012) - JOÍNHA RECORDS

- PANORAMA (2013) - JOÍNHA RECORDS

- ARQUITETURA DE VERTIGEM (2014) - JOÍNHA RECORDS

COLETÂNEAS

- BAIÃO DE VIRAMUNDO - SHEIK TOSADO (2000) - YB / CANDEEIRO RECORDS

- EU NÃO SOU CACHORRO MESMO (2008) - INDEPENDENTE

- FREVO DO MUNDO (2009) - CANDEEIRO RECORDS

- 100 ANOS DE GONZAGÃO (2012) - LUA MUSIC

- AGENOR, AS CANÇÕES DE CAZUZA (2014) - JÓIA MODERNA

COMPOSIÇÕES EM OUTROS DISCOS

- SOLO - LEANDRO LEHART

- NADA DE NOVO, HOMEM ESPUMA, AMIGO DO TEMPO, ALEXANDRE - MOMBOJÓ

- JARDIM DE CACTUS, O PASSO DO COLAPSO - DADO VILLA LOBOS

- MULHER CROMAQUI - CATARINA DEE JAH

- RGB - JR. BLACK

- CABEZA DE PANDA - CABEZA DE PANDA

- CANÇÕES QUE VÃO MORRER NO AR - A BANDA MAIS BONITA DA CIDADE

- FUNKY FUNKY BOOM BOOM - JOTA QUEST

- YLANA - YLANA QUEIROGA

- A.M.A.R.T.E - CLÁUDIA BEIJA

- TRIO ETERNO - TRIO ETERNO

PARTICIPAÇÕES EM OUTROS DISCOS

- DEVOTOS - DEVOTOS

- LA BIATA - LENINE

- ACADEMIA DA BERLINDA - ACADEMIA DA BERLINDA

- CABEZA DE PANDA - CABEZA DE PANDA

- ANIVERSÁRIO DE 10 ANOS - MOMBOJÓ

TELEVISÃO

- ESTÉREO CLIPE (2009) - ESTAÇÃO TV

- MTV NA BRASA, SHOW NA BRASA, EXTRATO MTV, MTV1 (2011 / 2012) - MTV

- A LIGA, BANDFOLIA (2013 / 2014) - BAND

- JOÍNHA LAB (2015) - INDEPENDENTE

RÁDIO

- PROGRAMA INDEPENDÊNCIA (2013 / 2014) OI FM





RELEASE TELEMÁTICA
ACHO QUE NÃO É MUITO NORMAL ESCREVER O RELEASE DO PRÓPRIO DISCO, NÉ?

O NATURAL É QUE ESSA APRESENTAÇÃO SEJA FEITA POR UM CRÍTICO MUSICAL, UM MÚSICO OU UM ESCRITOR. MAS, DESSA VEZ, EU MESMO QUERIA CONTAR AS HISTÓRIAS POR TRÁS DAS CANÇÕES DE TELEMÁTICA, O QUARTO ÁLBUM QUE LANÇO NA CARREIRA SOLO, QUE COMEÇOU COM O EPUM SÓ (2004), E SEGUIU COM OS ÁLBUNS SIMULACRO (2007) E MOTO CONTÍNUO (2011).

EM GERAL, PRIMEIRO ESCREVO A LETRA EM FORMA DE POEMA, DEPOIS VEM A MÚSICA. E COMO SOU PÉSSIMO INSTRUMENTISTA, JÁ COM A MEMÓRIA UM POUCO AVARIADA, VOU COMPONDO E GRAVANDO TUDO NO COMPUTADOR.

NA PRÉ-PRODUÇÃO DESSE DISCO, GRAVEI TODOS OS INSTRUMENTOS, CONTANDO CLARO, COM A AJUDA DA TECNOLOGIA PARA DEIXAR AS COISAS MAIS CLARAS PARA QUEM VEIO DEPOIS. E QUEM VEIO DEPOIS? OS MEUS AMIGOS MÚSICOS. ESSES CARAS FORAM DANDO IDEIAS, GRAVANDO NOVOS ARRANJOS PARA AS MÚSICAS E ATÉ ME INCENTIVANDO A APROVEITAR MINHAS GRAVAÇÕES TOSCAS. POR ISSO, NAS MÚSICAS DETELEMÁTICA SEMPRE TEM ALGUM INSTRUMENTO TOCADO POR MIM. GRAVEI A MAIOR PARTE DESSE DISCO NA MINHA CASA, E O QUE TENHO É UM QUARTINHO MINÚSCULO, COM UM EQUIPAMENTO DE SOM MODESTO, MAS QUE QUEBRA UM GALHO DANADO.

GOSTO DE TRABALHAR DESSE JEITO E SÓ FUI PARA UM ESTÚDIO PROFISSIONAL QUANDO PRECISEI DE UMA TURMA COM MAIS PREPARO E EQUIPAMENTOS DO QUE EU. O RESULTADO DESSA BEM-VINDA COLABORAÇÃO COLETIVA VOCÊ CONFERE NESTE ÁLBUM.

AGORA, TE DOU UMA BREVE DESCRIÇÃO DAS MÚSICAS DE TELEMÁTICA.

"ARQUITETURA DE VERTIGEM" FOI COMPOSTA EM 2010. A FRASE "RECIFE ALCANÇA UM CÉU DE CONCRETO ARMADO…" ME VEIO À MENTE QUANDO PERCEBI QUE, DO PRÉDIO PARA ONDE EU TINHA ACABADO DE ME MUDAR, DAVA PARA VER CONSTRUÇÕES SEMELHANTES BROTANDO EM OUTROS BAIRROS. O TEXTO QUE ABRE A FAIXA É DO JORNALISTA E ESCRITOR OTTO LARA RESENDE E FOI EXTRAÍDO DE UMA ENTREVISTA QUE ELE DEU NOS ANOS 70, QUANDO JÁ SE FALAVA DA VERTICALIZAÇÃO DAS CIDADES. O CLIPE, QUE RECEBEU ÓTIMAS CRÍTICAS, FOI SELECIONADO PARA O FESTIVAL INTERNACIONAL DE VIDEOCLIPES DE PARIS E PARA O FESTIVAL DE BRASÍLIA, EM 2014.

"CHOQUE PESADELO" NASCEU DE UM PAPO COM O BLOGUEIRO E PARCEIRO DOS TEMPOS DE MTV, PC SIQUEIRA, QUE É UM FENÔMENO DE VIEWS E LIKES NAS REDES SOCIAIS COM SEUS VÍDEOS. FIQUEI PENSANDO EM COMO A VIDA DELE SE DIVIDIA ENTRE O REAL E O VIRTUAL. ESSA MÚSICA TEM A PARTICIPAÇÃO DE ILHAN ERSAIN (WAX POETICS) TOCANDO SAXOFONE. QUANDO COMECEI A TRABALHAR EM "PANORAMA", EU TINHA APENAS O REFRÃO, QUE LEMBRA UMA PEGADA, VAMOS DIZER ASSIM, MAIS JOVEM GUARDA. DEIXEI DE LADO E COMECEI A COMPOR OUTRA COISA, QUE ACABOU VIRANDO A PRIMEIRA PARTE DA MÚSICA. A LETRA VEIO DEPOIS, INSPIRADA NAS CANÇÕES DE ERASMO CARLOS. PANORAMA FOI LANÇADA COMO SINGLE E GANHOU UM CLIPE EM FORMATO VÍDEOLETRA COLABORATIVO, ABERTO NA INTERNET, COM PARTICIPAÇÃO DOS FÃS.

O QUE EU MAIS CURTO EM "MEMÓRIA CELESTE" É O BEAT ELETRÔNICO. PARECE QUE FOI TOCADA POR UM BATERISTA MESMO E NÃO PROGRAMADA NO COMPUTADOR. JORGE DU PEIXE (NAÇÃO ZUMBI) JÁ APARECEU NO ESTÚDIO COM A LETRA PRONTA E SUA VOZ DE TROVÃO. O CARA AINDA DEU IDEIAS PARA O ARRANJO GERAL E GRAVOU UMA ESCALETA. "O CÉU DE BRASÍLIA" TEM O BAIXO DE FELIPE S. (MOMBOJÓ), QUE AMARRA E DÁ TODO O BALANÇO DA CANÇÃO. FUI FAZER UM SHOW POR LÁ, ACORDEI CEDO E SAÍ PARA ANDAR PELO JARDIM DO HOTEL. OLHEI PARA CIMA E CONSTATEI QUE AQUELE ERA O CÉU MAIS BONITO QUE EU JÁ TINHA VISTO.

"CORES NOVAS" É UMA PARCERIA COM A CANTORA CYZ E O GUITARRISTA ANDRÉ ÉDIPO. ELE CHEGOU COM A MÚSICA, EU TINHA A LETRA, E ELA COLOCOU A MELODIA. CRIAMOS UMA ESPÉCIE DE BOLERO COMBINANDO COM O POEMA. ESSA FAIXA TEM A PARTICIPAÇÃO DE LUZIA LUCENA E SOFIA FREIRE, DUAS JOVENS CANTORAS DO RECIFE.

UM DIA A CANTORA E ATRIZ KARINE CARVALHO ME MOSTROU UM PEDAÇO DE LETRA E PEDIU QUE EU COMPLETASSE. ACABEI COMPONDO A MÚSICA TAMBÉM. "OUTRA COISA" SÓ NÃO TINHA NOME AINDA. EU MANDAVA AS VÁRIAS VERSÕES E KARINE SEMPRE DIZIA: "SE LIGA QUE ISSO É OUTRA COISA", E ASSIM A CANÇÃO FOI BATIZADA. QUANDO FOMOS GRAVAR PARA VALER, ACHEI QUE A "VOZ GUIA", QUE EU HAVIA REGISTRADO EM CASA HÁ ANOS, TINHA FICADO COM MUITO MAIS EMOÇÃO, E DECIDI DEIXÁ-LA. MAIS VALE UMA BOA INTERPRETAÇÃO DO QUE TODOS OS RECURSOS TECNOLÓGICOS DISPONÍVEIS.

"QTK 63 KAIOWA" É UMA MÚSICA INSTRUMENTAL QUE FOI COMPOSTA POR MIM E MEU IRMÃO, BRUNO XIMARÚ. APESAR DA INSISTÊNCIA DELE, NUNCA ACHEI QUE DEVIA COLOCAR LETRA, SOAVA MAIS COMO TRILHA DE FILME.CONVIDEI RODRIGO LEMOS E DIEGO PLAÇA (A BANDA MAIS BONITA DA CIDADE) PARA FAZEREM UM CORO COMO SE FOSSE UM CANTO MEIO INDÍGENA, MEIO GREGORIANO, E LUCAS DOS PRAZERES GRAVOU AS PERCUSSÕES, QUE SEGUNDO ELE, REMETEM AOS BARULHOS DA MATA E À FORMA MAIS TRIBAL DE COMPOSIÇÃO MUSICAL.

"TELEMÁTICA" É A FAIXA QUE DÁ NOME AO DISCO E SURGIU DO TEXTO "A FÁBRICA", DO FILÓSOFO TCHECO VILÉM FLUSSER. FALA DA RELAÇÃO DO HOMEM COM A MÁQUINA, DAS FÁBRICAS COM O HOMEM. LEMBRO QUE TINHA COMENTADO SOBRE O DISCO NOVO COM HD MABUSE, UM DOS MENTORES DE CHICO SCIENCE, E O CARA ME MANDOU ESSE TEXTO, QUE ACABOU ME AJUDANDO UM BOCADO NA CONCEPÇÃO DO ÁLBUM INTEIRO. OUTRO QUE COLABOROU COM ESSA FAIXA, E TAMBÉM COM O DISCO, FOI O PESQUISADOR DE ENGENHARIA DE SOFTWARE E REFERÊNCIA BRASILEIRA NO ASSUNTO SÍLVIO MEIRA.

"EM "SUBINTENÇÕES", CRIEI A BASE RÍTMICA DA CANÇÃO, USANDO A BATERIA DE UM JEITO DIFERENTE, INSPIRADO NA PERFORMANCE DO BATERISTA DO CAN - BANDA DE ROCK EXPERIMENTAL ALEMÃ DOS ANOS 70. O BAIXO QUE PJ (JOTA QUEST) GRAVOU SÓ CONTRIBUIU PARA O GROOVE FICAR MAIS SINCOPADO. "REALINHAR" FOI LANÇADA PRIMEIRO NO MAIS RECENTE DISCO DO JOTA QUEST, FUNKY FUNKY BOOM BOOM, E É UMA PARCERIA MINHA COM OS CARAS. RESOLVI LANÇAR TAMBÉM A MINHA VERSÃO POR LEMBRAR QUE, NA ÉPOCA DA TROPICÁLIA, ERA NATURAL EXISTIREM VÁRIAS INTERPRETAÇÕES PARA UMA MESMA MÚSICA, COMO ACONTECEU COM A CLÁSSICA "BABY".

"OLHO DE THUNDERA" É A MÚSICA QUE FOI COMPOSTA DE FORMA MAIS RÁPIDA E TAMBÉM MAIS DEMORADA. EXPLICO: A MÚSICA FICOU PRONTA EM MEIA HORA, MAS LEVOU SEIS ANOS PARA SER, DE FATO, TERMINADA. NUMA JAM SESSION COM MINHA BANDA, YURI QUEIROGA PUXOU O RIFF DE GUITARRA E LOGO VIERAM A LETRA E A MELODIA. TALVEZ POR TER NASCIDO PREMATURAMENTE, ELA FICOU GUARDADA POR TODOS ESSES ANOS. NA GRAVAÇÃO DAS BASES DESSE DISCO, YURI INICIOU O MESMO RIFF, DEMOS UM TEMPO NA FAIXA QUE ESTÁVAMOS GRAVANDO, E, COMO ANTES, EM 30 MINUTOS A MÚSICA ESTAVA PRONTA.

A FAIXA MAIS CURIOSA DESSE DISCO É "FREVO MORGADO", FEITA POR MIM E ANDRÉ ÉDIPO PARA DISPUTAR UM CONCURSO DE FREVO. ENCONTREI, DEPOIS DE UM TEMPO, UM DOS ORGANIZADORES E COMENTEI QUE A COMPOSIÇÃO ERA BOA, MAS NÃO TINHA FICADO ENTRE AS FINALISTAS. QUANDO FALEI O NOME DA MÚSICA, FUI INTERROMPIDO DE IMEDIATO: "CHINA, COMO É QUE TU INSCREVES UMA MÚSICA COM ESSE NOME NUM CONCURSO DE FREVO? A GALERA QUER FREVOS PRA CIMA E NÃO FREVOS MORGADOS". SE PARA UM CONCURSO NÃO ERA UM TÍTULO ADEQUADO, PARA UM DISCO FICOU IDEAL. AS PARTICIPAÇÕES DE VITOR ARAÚJO, VINÍCIUS SARMENTO, PÚBLIUS E DECO TROMBONE SÓ DEIXARAM ESSE FREVO MAIS BONITO.

E CHEGAMOS AO FINAL DAS 13 FAIXAS QUE COMPÕEM TELEMÁTICA, MEU QUARTO ÁLBUM SOLO, FEITO COM RECURSOS PRÓPRIOS E MUITO ESFORÇO. SER ARTISTA INDEPENDENTE NO BRASIL SÓ TEM GRAÇA SE FOR ASSIM, COM SUOR, PERSEVERANÇA E PACIÊNCIA PARA APROVEITAR TUDO NO TEMPO CERTO.

POR: CHINA

Download: Telemática

 

sábado, 29 de novembro de 2014

Ganeshas - Cabeça Parabólica (2013)





por Arthur Dapieve

"Admito que estava um pouco apreensivo. E se, a despeito das qualidades das músicas antigas, o segundo trabalho fosse uma bomba? Isso não é tão comum? O primeiro jorra a criatividade acumulada durante anos de vícios e ensaios solitários, e na sequência o segundo mal se sustenta de pé... Meus temores não duraram nem três minutos e meio, a duração da primeira faixa, Longe do Rio. Aquilo era mais roqueiro do que as outras coisas de que eu me lembrava da banda e, bingo!, aderia ao ouvido como a boa música pop. (…) Os outros trinta e três minutos e pouco do CD não abalaram a minha convicção de que ali havia um trabalho bem pensado, com início, meio e fim. (…) Além de Longe do Rio, também a tristíssima balada chico-buarquiana Ano novo ou o terno baião-rock Da panela (que virou o primeiro clipe oficial do disco) bombariam nas rádios de um mundo ideal. O CD Cabeça parabólica simplesmente não tem música ruim. Tenho é dificuldades em escolher a minha faixa favorita. Se é o humor intelectual de Rua Araucária ou se é a autobiografia-de-muita-gente Ele não sabe dançar. Bom, eu vou ficar por aqui, ouvindo o disco de novo, de novo e de novo para tentar decidir. (…) Fico feliz quando escuto garotos que saem da zona de conforto da música de elevador e assumem, mais do que o som, a postura do rock como modo de fazer diferença na vida das pessoas. (...)"

Download:Cabeça Parabólica


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Criolo - Convoque Seu Buda (2014)




Por Luciana Rabassallo

Nasceu! Um dos discos mais aguardados de 2014, Convoque Seu Buda, terceiro registro de estúdio do rapper Criolo, foi disponibilizado para audição e download gratuito na noite desta segunda-feira, 3, sem aviso, pompa ou firula. Com 10 faixas, entre elas “Duas de Cinco”, que já havia saído no EP de mesmo nome, lançado em 2013, o álbum é uma nova imersão do músico no que mais popular há na música brasileira. Rap, samba, rock, reggae e forró são alguns dos gêneros pelos quais Criolo transita com leveza e naturalidade no disco.


Produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, Convoque Seu Buda foi gravado no estúdio El Rocha, na zona oeste de São Paulo, entre o fim de julho e o início de setembro. O álbum, mixado por Mario Caldato Jr. e masterizado por Robert Carranza, em Los Angeles, conta com participações de Kiko Dinucci, Juçara Marçal, Tulipa Ruiz, Neto, do grupo Síntese, e Rodrigo Campos, com destaque para Money Mark - produtor e colaborador dos Beastie Boys. Além do lançamento no Brasil, o trabalho foi divulgado simultaneamente na Europa – pelo selo Sterns Music - e nos Estados Unidos – pelo selo Circular Moves.

Em entrevista publicada na edição 97/setembro da revista Rolling Stone Brasil, o rapper falou sobre o disco: “Você tem que sorrir, mas pode sorrir até certo tanto”, explica Criolo, sobre a maneira como o terceiro álbum refletirá tudo o que aconteceu com ele nos últimos anos. “Todo mundo fala de um sorriso largo, que isso contagia. Ao mesmo tempo, se você parar para pensar, o sorriso parece ter o prazo de alguns segundos.”


As comparações com os dois álbuns anteriores, Ainda Há Tempo (2008), gravado aos poucos e praticamente sem recursos, e o reconhecido Nó Na Orelha (2011), aclamado pelo público e pela crítica, são inevitáveis. Enquanto os fãs de rap esperavam uma sonoridade mais “pesada”, pauta em beats graves e rimas diretas como as de Ainda Há Tempo, Convoque Seu Buda exala o amadurecimento de Criolo como músico e decreta que não há barreiras musicais para o trabalho dele.


“Convoque Seu Buda”, “Esquiva da Esgrima” e “Plano de Voo”, além da já citada Duas de Cinco”, são as canções que carregam a origem artística de Criolo. Nas quatro faixas, ele rima sobre as desocupações violentas que aconteceram em São Paulo este ano, cita ídolos como Black Alien, Ferréz, Sartre, Nietzsche, Sabotage e Perrenoud, além de mostrar a insatisfação dele com a sociedade consumista e a preocupação com os irmãozinhos que estão nas ruas por conta da expansão imobiliária.


Assim como em Nó Na Orelha, o novo trabalho também carrega um samba e um reggae. “Fermento Pra Massa”, que tem arranjos de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, fala sobre a falta de pão na padaria por conta de uma greve de ônibus na cidade, que impossibilitou a ida do padeiro ao trabalho. Já o reggae “Pé de Breque”, que lembra muito “Samba Sambei”, do disco anterior, é uma ode ao estilo de vida pregado pelo Movimento Rastafári.
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O grande destaque do álbum, contudo, é uma parceria entre Criolo e a cantora Tulipa Ruiz. Em “Cartão de Visita”, o mote gira em torno do dinheiro: MC Lon, expoente do funk ostentação, e Thassia, blogueira de moda teen, são citados na letra como jovens que souberam aproveitar a veia consumista da geração deles, enquanto o refrão retrata um garoto pedindo dinheiro no farol.

Mas as citações não param por aí. No meio da canção, Criolo, com voz empostada, solta a seguinte frase: "A alma flutua/ Leite a criança quer beber/ Lázaro, alguém nos ajude a entender", referindo-se a uma entrevista dada por ele ao apresentador Lázaro Ramos e que virou motivo de piada na internet por conta do discurso pouco claro de Criolo.

As novidades de Convoque Seu Buda ficam por conta do baião dançante “Pegue Pra Ela”, que poderia estar em um disco do Instituto, projeto capitaneado por Ganjaman, Rica Amabis e Tejo Damasceno, ao lado de “Fio De Prumo (Padê Onã), outro forró com participação de Juçara Marçal e letra de Douglas Germano.

Download: Convoque seu Buda


domingo, 16 de novembro de 2014

Clarissa Mombelli - Sempre Mais (2014)




“Sempre Mais” é o nome da nova música da cantora e compositora que terá seu disco lançado em março de 2015.

Influenciada pelo rock, pelo folk e a MPB, a gaúcha Clarissa Mombelli gravou seu primeiro CD, “Volta no Tempo”, em 2010. O álbum retrata a infância e a juventude da cantora. Dois anos mais tarde, “Nesta estrada e no fim” entrou em produção, repetindo o tom emocional repleto de homenagens e lembranças, mas trazendo uma nova visão de mundo. “Possui temas e questionamentos que eu estou vivendo. O álbum de 2010 está repleto de temáticas que eu deixei pra trás, foram importantes na minha vida naquele momento. Fala mais de infância, de sentimentos jovens e até infantis, já nesse segundo falo de sentimento com uma abordagem diferente”, explica.
O segundo disco também passou por inovação, com colaboração de vários cantores e amigos convidados, como as compositoras de Porto Alegre Carmen Corrêa e Lara Rossato, e o compositor Uruguaio Sebastian Jantos, que cantam com Clarissa em algumas faixas do disco. Além da pluralidade, a produção acontece em São Paulo, Uruguai e Porto Alegre, contando com a colaboração de 06 diferentes produtores: Eduardo Dolzan, André Brasil, Vini Albernaz, Diego Janssen, Guilherme Almeida e Iuri Freiberger, o que garante uma mistura de ritmos e experiências. A intenção é oferecer ao público um CD com 12 faixas de repertório amplo e diverso. “Será um trabalho mais eclético”, completa. 
O single “Sempre Mais” pode ser ouvido e baixado pelo soundcloud.com/clamombelli ou pelo site da cantora www.clarissamombelli.com.br. É uma produção de Guilherme Almeida (ex integrante da banda Publica e atual baixista da banda Pitty) e tem participação da bateria de Thiago Guerra (baterista da banda Fresno).
Sempre Mais (Clarissa Mombelli) 
Gravada e mixada no Estúdio Bugrada Records, São Paulo, SP, Brasil, Produzida por Guilherme Almeida 
Guilherme Almeida (guitarra, Baixo, violão, piano e synth) Thiago Guerra (bateria) Clarissa Mombelli (Voz) 
Mixagem final: Iuri Freiberger. 
Masterização: Mubemol, Gilberto Ribeiro Jr.

Download: Sempre Mais

domingo, 9 de novembro de 2014

Alessandra Leão - Pedra de Sal EP (2014)




Pedra de Sal
EP

“bem quando acho que encontrei a mim mesma, preciso sempre retornar pra chegar um pouco mais perto. é um caminho individual, mas não solitário: é a casa cheia de amigos, amor e risadas- muitas mãos pra me sustentar quando minha alma treme. em meio a tudo isso, a música segue até o final do ritual, até termos saudado todas as forças da nossa própria natureza.”

 Alessandra Leão

O Disco

Pedra de Sal é o primeiro capítulo do novo ciclo criativo de Alessandra Leão, Língua, que será lançado no formato de três EPs: Pedra de Sal, Aço e Língua. O disco, que tem direção artística de Alessandra e produção musical de Caçapa, é um lançamento do selo Garganta Records em parceria com a YB Music.

Dentro da trajetória artística de Alessandra, Língua é um mergulho profundo na construção e desconstrução do seu processo criativo, um salto em direção a uma sonoridade visceral, pessoal e intensa. Em fronteiras que se dissolvem, a música de Pedra de Sal abre-se ao ruído e à fragmentação e reinventa sua relação com a polifonia de matriz africana e com a tradição musical do Nordeste.

O primeiro EP apresenta duas composições de Alessandra (Pedra de Sal e Mofo), duas parcerias com Kiko Dinucci (Tatuzinho e Devora o Lobo), além de Doutrina e Toque de Yemanjá, uma recriação de toadas tradicionais do Babassuê de Belém do Pará e do Xangô do Recife (originalmente gravadas pela Missão de Pesquisas Folclóricas, idealizada por Mário de Andrade, em 1938).

O disco conta com a participação de Caçapa (guitarra e arranjos), Rafa Barreto (guitarra), Missionário José (baixo), Mestre Nico (percussão), Guilherme Kastrup (bateria e percussão), Kiko Dinucci (voz e guitarra), Juçara Marcal (voz), Sandra Ximenez (voz) e Lurdez da Luz (coro). Tem co-produção musical de Kiko Dinucci e Guilherme Kastrup nas faixas Tatuzinho, Mofo e Devora o Lobo e co-direção artística de Luciana Lyra. O projeto gráfico é assinado por Vânia Medeiros, com fotografia de Tiago Lima e figurino da marca Francisca, de Virgínia Falcão.

É o encontro desses pares que expande os limites da música de Alessandra e fortalece o diálogo com outras linguagens artísticas: uma teia de sons, poesia, artes cênicas e visuais. Assim, Pedra de Sal abre espaços íntimos entre linguagens. Espaços de invenção e criação, de transgressão e ruptura. Do íntimo que se pode partilhar.

Histórico

Alessandra Leão é percussionista, compositora e cantora. Iniciou sua carreira em 1997 com o grupo Comadre Fulozinha e atuou ao lado de músicos como Antônio Carlos Nóbrega, Siba, Silvério Pessoa, Kimi Djabaté (Guiné Bissau), Florencia Bernales (Argentina), entre outros. Em 2006, Alessandra deu início ao seu trabalho autoral, com o elogiado Brinquedo de Tambor. Produzido e arranjado em parceria com o violeiro, compositor e arranjador Caçapa. Em 2008 lançou o CD do projeto Folia de Santo, idealizado, coordenado e produzido por ela. Em 2009, lançou seu segundo CD solo Dois Cordões, com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo e produzido por Caçapa. Nesse mesmo ano compôs a trilha sonora do espetáculo teatral Guerreiras, de Luciana Lyra, lançado em livro+CD em 2010. Tem realizado turnês no Brasil, Argentina, Colômbia, França, Bélgia, Portugal e Holanda.



Pedra de Sal por Arthur de Faria

Acompanho o trabalho solo da Alê (ao lado de seu marido/arranjador/guitarrista Caçapa) desde seus primeiríssimos passos. Sempre me encantou a voz crua em contraponto com, justamente, os intrincados contrapontos armados pelos arranjos - em cima de uma música que, ao mesmo tempo, é tão ligada à sua ancestralidade quanto fincada no século XXI,  tempos pós-tudo, às vezes tão difíceis pra quem nasceu antes dos últimos 20 anos do século XX.

O que sempre seguiu me interessando na sua música, e me encanta, é que, como grande parte dos grandes artistas que propuseram novas sínteses, Alê (e Caçapa) tem buscado, ao mesmo tempo, aprofundar o foco e abrir o horizonte. 

Parece fácil? É a coisa mais difícil desse mundo. Mas tá ali, escarrado a seco nesta primeira parte da trilogia de EPs Pedra da Sal. O foco se aprofunda na abertura - Yemanjá --, recriando o que Mário de Andrade registrou no Recife em 1938, levando o conceito de Alê (e Caçapa) a níveis inéditos de sonoridade, arranjo, interpretação, radicalizando o minimalismo e ainda introduzindo dissonâncias onde antes não havia. 

E aí as quatro seguintes, Pedra de Sal, Mofo (ambas de Alessandra) e  Devora o Lobo (Alessandra e Kiko Dinucci) apontam outras direções, mas tem um fio claro com todo o já feito. E nem podia ser diferente, pra um artista sensível: num momento em que a realidade brasileira está em algum lugar que não o canto “fofo” que parece ser comum a TODAS as cantoras com menos de 40 anos (e note: nada contra o “canto fofo” - tudo contra o TODAS), nada mais distante de uma postura “desencanada”, “leve” ou “descompromissada” do que esse novo trabalho de Alessandra. A raiva, o pasmo, o grito, tudo isso não havia no seu canto e na sua composição. Agora há.

Uma artista de seu tempo.

“Não Se Vive Impunemente as Delícias dos Extremos”, ostentava como título - em rosa! - um livro grosso na prateleira da biblioteca da casa dos meus pais, lá no alto, que eu mirava com a curiosidade imensa dos meus oito anos. Nunca abri pra ler. Nunca li. Mas êita frase que tem feito cada vez mais sentido...

Arthur de Faria é músico, mestre em literatura brasileira e ex-jornalista

Pedra de Sal por Martim Simões

Se para muitos de nós evoluir, no sentido de mudar e inovar, é um dos principais conflitos da vida, para artistas que lidam com linguagens tradicionais, essa tarefa é ainda mais árdua.

Funciona assim: se você inicia a sua trajetória artística lidando com algo que é entendido como folclore, em suas formas mais prevalentes, espera-se que permaneça assim, engessado nesse formato, para sempre. Do contrário, o artista cai na vala dos pecadores, daqueles que tiveram acesso à manifestação mais pura, plena e correta, mas que por usura, ignorância ou mero capricho resolveram se desviar daquilo que para muitos é sagrado.

Mesmo hoje, quando fusões e releituras preponderam, artistas que mudam de rota são frequentemente denunciados como traidores ou impostores. Ouvimos: “Fulano tinha talento, mas agora vai fazer um filme em Hollywood” ou “Sicrano era um grande músico, até começar a mexer com essa parafernália eletrônica”. Tais julgamentos, além de obtusos, escondem um simplismo que não cabe na vida dos verdadeiros artistas. 

Há um jogo que se repete no fazer das artes. Uma gangorra entre o que revelar e o quanto esconder, entre o que é escolha e o que é pulsão. A isso se junta o desejo de criar uma ponte entre o que se tem para oferecer e a expectativa do público. Ou, de forma mais absurda, o que o artista imagina que os outros querem dele. E é fácil ficar refém do olhar alheio ou do medo de se perder ao tentar trilhar novos caminhos. 

Mas arte implica em risco e é precisamente isso que Alessandra Leão demonstra em Pedra de Sal. Nesse EP, ela cristaliza anos de viagens, parcerias, reflexões e muita escuta. Depois de quase duas décadas lidando principalmente com as sonoridades tradicionais do nordeste, o desafio agora é acrescentar a música mais contemporânea de São Paulo ao seu repertório. Alguns ouvirão como rompimento, mas eu ouço aqui uma continuidade renovada. Mesmo que muito tenha mudado, existe nessa novidade, temas e modos de expressão que se coadunam com o restante da sua produção. 

E o que soa dissonante retrata com perfeição o que deveria ser a missão de qualquer artista a cada novo trabalho: o ato de parir a si mesmo, na certeza de que o seu único compromisso é com a sua obra.

Martim Simões é cineasta.

Download:  Pedra de Sal


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Mato Seco - Seco e Ainda Vivo (2014)



A Banda Mato Seco formou-se em meados de 2002, na cidade de São Caetano do Sul, grande ABC Paulista. Objetivando disseminar a filosofia do Bem e da Justiça de forma limpa, passaram a compor letras com conotações políticas e sociais. Mas, sempre pregando na sua música Reggae Ortodoxa cantada com verdade e sentimento libertador que a Paz é a única forma de combater a todo o mal.

Nascida de forma inusitada, a Mato Seco se fez do encontro de grandes amigos de infância que não sabiam nada sobre a teoria da música, mas, tinham a certeza que pretendiam desenvolver um trabalho voltado para a verdade do Reggae. Autodidatas com os seus respectivos instrumentos, há 12 anos deram início a esse processo de evolução/revolução, tendo alguns dos maiores dons dado por Deus, Resistência, Força e Purificação como símbolos da banda e palavras de ordem que regem essa família.

Hoje, portando-se como grandes guerreiros em cima do palco, lutam para que o seu povo reflita e se conscientize de que “o grande guerreiro sai da guerra com a sua espada limpa”, e a verdade que prevalece é dos dias melhores que virão, renovando a fé e a esperança no coração de todos aqueles que praticam o bem. O Bem sobre todo o Mal.. E Paz e Bem! 

Download: Seco e Ainda Vivo


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Juvenil Silva - Super Qualquer no Meio de Lugar Nenhum (2014)



Após lançar Desapego, no ano passado, e receber uma repercussão superpositiva do público, o músico Juvenil Silva realiza nesta sexta-feira (3), às 20h, o lançamento de seu segundo álbum, Super qualquer no meio de lugar nenhum, no Teatro de Santa Isabel.

Assim como no disco, a apresentação conta com a participação de diversos convidados, como Juliano Holanda, Isaar, Cláudio N, Aninha Martins, Leo Vila Nova, Márcio Oliveira, Arthur Soares e Rachel Bourbon, além dos músicos Ênio Borba (guitarra), Manoel Otávio (contrabaixo), Hugo Coutinho (teclados) e Gilvandro Barros (bateria), que formam a banda de Juvenil.

O álbum, que já está disponível no SoundCloud de Juvenil, traz 12 faixas que passeiam por ritmos como ciranda, funk, udigrudi e folk sem deixar de lado a pegada rock’n’roll que caracteriza suas canções.

Além de uma ampliação no horizonte rítmico, Super qualquer no meio lugar nenhum representa um amadurecimento e maior refinação em seu processo de produção. Diferentemente do álbum de estreia, totalmente gravado de forma caseira, o segundo disco contou com o suporte do Estúdio Base e a produção do músico Arthur Soares, que o acompanhou de perto durante as gravações.

Após o lançamento, Juvenil se prepara para apresentar o disco em Fortaleza, Porto Alegre e Rio de Janeiro até o fim do ano.

Download: Super Qualquer no Meio de Lugar Nenhum


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Superlage (2014)




Superlage é global beat, respira música dos subúrbios e transpira latinidade. Junta músicos do Amazonas, Pará e Pernambuco, num caldo bem temperado de sons tropicais, misturado à bases eletrônicas preparadas com sabor bem brasileiro. Não é difícil identificar no som da banda o desejo de um baile onde pernas, braços, ventres, cinturas e sorrisos se confundam alegremente na pista de dança ou na rua, colorida e solar como os carnavais.

Nascida em Olinda, Pernambuco, Superlage é uma dupla que compõe, arranja, toca, mixa e produz canções baseadas na cumbia, miscigenada com reggae dancehall, baião e carimbó.

Formada pelo beatmaker DJ Incidental, pernambucano da gema, neto de mestre de brinquedo popular, uma biblioteca humana de cumbias de todos os estilos possíveis e Raimundo Alfaia, amazonense, baixista, cantor e produtor.

Para interpretar este primeiro leque de canções produzidas pela dupla, foi convidada Jana Figarella, cantora paraense com o sotaque do carimbó e da cultura ribeirinha amazônica, o que redefiniu e alargou a geografia emocional das canções, já tão miscigenadas nos ritmos latinos e nordestinos presentes nos beats eletrônicos da dupla.

Superlage mostra a cultura de festa de um Brasil afro-latino, integrado a um sentimento de revalorização da cumbia com modernizantes timbres eletrônicos, que inspiram jovens músicos e platéias por todo o mundo.

As canções têm sua poesia inspirada em cordéis, passagens urbanas de praias e coqueiros, o vento nos cabelos, estouro de fogos, carnavais…. Um convite ao mergulho num mar sonoro de alegria e cores vibrantes, produzidas cuidadosamente num ambiente de doce balanço tropical.

Superlage é um baile caliente!


Criado em 2012, o “Daft Punk da Cumbia” se prepara para sua estréia. Com as participações especialíssimas de Jana Figarella, em oito das 12 canções, e de Alessandra Leão na contagiante “Se O Teu Desejo É Amar”, o grupo chega botando quente. Imagine essa situação hipotética: a Margareth Menezes foi pro Pará, encheu a bagagem com licor da Jumburana e foi beber lá na Bodega de Véio. O som é cumbia, é tecnobrega, tem uma pitadinha de carimbó, de axé e é pop demais. Serve pro headphone, pro sistema de som, pra equipe de som, pro carro e pro sonzinho da cozinha, mas acima de tudo é pra dançar. Duvido você ouvir qualquer uma das músicas abaixo e não mexer pelo menos o ombrinho, companheiro(a).

A canção que abre os trabalhos é “O Teu Calor”, que recebe também um remix de Lúcio K no final. Na sequência “De Tanto Esperar” vem com um refrão que casaria perfeitamente na voz de Ivete Sangalo (produção, fica a dica). Com certeza você vai se pegar cantarolando De tanto esperar perdeu a vez. De tanto esperar ficou pra depois. “La Cicimila” traz uma cumbia mais crua, com areia nas chinelas. Bem da beira da praia. “Cumbia das Flores” tem um quê de reggae, ouça bem, lá no fundinho aquele teclado em looping. Coisa phyna mesmo.
A safadeza volta pesada em “Quero Brincar de Sol”. Na beira da praia, cabelo ao vento…

”Dia de Rei” vem com a voz de Raimundo Alfaia e com overdubs bem interessantes e mais referências jamaicanas. Um recorte de “A Message To You Rudy” do The Specials começa a ganhar força em “Baila Perfumada” e se encontra com uma batida pop da pesada. A instrumental “Uh La Lai” é dessas que nasceram com o DNA paraense regada a açaí e cupuaçu. “Se O Teu Desejo É Amar” tem um pezinho no forró e ganha brilho com a bela voz de Alessandra Leão. O quase axé “Trança de Raiz” tem um dos refrões mais legais do disco. É bom fazer trança de raiz pra não ver o vento desmanchar o penteado. E a cereja do bolo “Para de Chover” poderia ser da Gaby Amarantos, Gang do Eletro, mas nasceu em Olinda e tem potencial para ser hit no Brasil todo.

Um disco sólido, bem amarrado do começo ao fim e que em momento algum, repito, em momento algum, foge da proposta de te fazer dançar. Se permita, ouça o Superlage e se joga que vale a pena demais.

Peu Araújo


Download: Superlage


domingo, 21 de setembro de 2014

Aguardela (2014)




AGUARDELA é uma banda de amigos mineiros formada, em 2011, no Rio de Janeiro. Transitando de cantigas medievais ao swing latino, passando por ritmos folclóricos europeus até desembocar no post-rock grave, Pedro Salim, Daniela Santos, Sérgio Veloso, Thiago Oliveira e Fábio Nascimento já fizeram shows no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Juiz de Fora. Suas composições trazem um folk de melodias sutis e pegada de rock’n’roll, além de influências da música popular brasileira.

Download: Aguardela


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Tagore - Movido a Vapor (2014)



A banda foi formada em 2010 por Tagore Suassuna (violão e voz) e pelo multi-instrumentista João Cavalcanti. O primeiro registro oficial é o EP Aldeia, batizado com o nome do aprazível bairro onde as músicas do disco foram geradas. Completam a formação atual, Caramurú Baumgartner (percussão e voz), Emerson Calado (ex-Cordel do Fogo Encantado), João Cavalcanti e Júlio Castilho (líder e cantor da Feiticeiro Julião), que dividem baixo, guitarra e sintetizadores.

Em Movido a vapor, Tagore desfila uma série de canções bastante influenciadas pelo som setentista de artistas nacionais como Ave Sangria, Secos & Molhados, Zé Ramalho, Raul Seixas. Alceu Valença e Tom Zé foram homenageados com regravações de duas músicas marcantes da carreira: Morena tropicana, do pernambucano, e Todos os olhos, do baiano. A produção ficou sob responsabilidade de Clayton Barros (outro ex-Cordel) e Vinícius Nunes.

O disco também tem um jeitão de rock rural à Sá, Rodrix & Guarabyra, porém com toques mais contemporâneos. É o caso da bonita 2012, um quase bolero, com letra psicodélica ("E os pássaros também voaram em vão/ E o cogumelo ardeu meu coração"), finalizada por um viajante solo de sintetizador.

A crítica social aparece nos irônicos versos de Ilhas Cayman. Música que pode fazer levar o cidadão a refletir sobre a atuação de muitos políticos brasileiros. "Na eleição que vem/ Promento melhorar, porém/ Sem parar de roubar/ Pra praticar o bem/ Insisto em desviar/ Mais cem milhões pra passear". Diz trecho da letra.

Por AD Luna

Download:  Movido a Vapor


domingo, 31 de agosto de 2014

Estrelinski e Os Paulera - Leminskanções (2014)



Nada permanece tanto ao invisível quanto a genialidade do artista. Assim a multiplicidade do curitibano Paulo Leminski continua a reverberar sobre as clássicas e modernas mídia de difusão da linguagem. Poeta, escritor e desbravador dos temas da natureza humana e das relações escritas e vividas em seu universo de migrações de culturas e de artes, Paulo Leminski continua perene em sua essência, inegável na história e necessário inspirador ao novo. Além de sua importância poética, Paulo Leminski também permeou suas obras pelo viés da música. Aos pesquisadores de sua obra e astutos por sua linguagem, era sabido que alguns clássicos interpretados por Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Itamar Assumpção e Paulinho Boca tinham provincia “Leminskiana” em sua autoria, a mais jovem com mais negligência, porém, com mais interesse em sua redescoberta. O choque das gerações começa a conectar-se à origem dos pontos, à teia de sua série de mídias chega à um novo sentido sensorial, depois de seus clássicos literários, Paulo Leminski ganhou os museus mais importantes do Brasil e agora se apronta para o universo musical, tão intensa e representativa quando as precedentes.

“Leminskanções” é a nova obra projetada para além de sua vida. Após seis anos de pesquisas dedicadas aos arquivos musicais de Paulo Leminski, Estrela Ruiz Leminski, também escritora, poeta, compositora e cantora do “Música de Ruiz” em dueto com Téo Ruiz, acaba de concluir um belo álbum duplo com composições exclusivas e parcerias de um dos bigodes mais modernista da literatura brasileira. A obra é assinada por “Estrelinski” e “Os Pauleira” que também formam o elenco de corpo que apresenta e veste respeitosamente as canções do disco duplo juntamente com artistas integrados às obras do Paulo. “Os Paulera” compõe duas formações regionais entre Curitiba e São Paulo, onde aconteceram as gravações dos discos.

Um dos discos traz composições inéditas de Paulo Leminski e o outro canções em parceria e participação de outros amigos artistas como Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro, Morais Moreira, Zélia Duncan, Serena Assumpção, Ná Ozzetti, Bernardo Bravo e André Abujamra. No contraponto dos clássicos, o disco ainda aponta novos artistas que também participam nos coros de algumas faixas, são eles: Uyara Torrente (Banda mais Bonita da Cidade), Leo Fressato, Grace Torres (Grupo Fato), Iria Braga, Otto Nascarella, Juliana Cortes e Rogéria Holtz que integram a atual e vibrante construção da atual cena curitibana.

Para expandir as multiplicidades de um dos gênios que mais inspiram a geração vanguardista de artistas e apaixonados por arte contemporânea, esse duplo disco chega em boa hora. Na aparente impossibilidade de alterar as intenções de um artista, “Leminskanções” chega para mostrar as causas e as possibilidades visionárias que estabelecem a verdade e a força do amadurecimento genuíno de um ícone da arte reconstruído de diversas formas por diferentes tempos, lugares e olhares. A mais nova obra que chega ao nosso acervo musical brasileiro não se trata apenas da manchete do “inédito”, a seleção apresentada traz um panorama coerente ao universo e conexões já estabelecidas em vida pelo autor. Numa fibra orgânica composta por pessoas, lugares, arte e seus pensamentos, tudo se reencontra em nessa compilação, e que não é apenas bela, mas naturalmente compreendida em sua vontade que parece permanecer além de nós.

Por: Web Mota

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Download:  Leminskanções


Cordillera - Universe EP (2014)



Cordillera é uma banda brasileira de stoner rock autoral. O som é uma síntese contemporânea das influências clássicas do rock setentista e progressivo com a música alternativa dos anos 90. Em maio de 2014, de forma independente, a banda lança seu debut EP "Universe".



Download: Universe


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Russo Passapusso - Paraíso da Miragem (2014)



O músico e compositor Russo Passapusso é um dos expoentes da nova geração da música popular brasileira produzida na Bahia. Natural de Feira de Santana, foi em Salvador que Russo entrou em contato com o rap, o reggae e a cultura sound system jamaicana, vertentes da música que o influenciaram no início da carreira. Integrado ao coletivo Ministéreo Público, que ocupa diversos espaços da cidade com festas e intervenções sonoras, começou a movimentar uma cena alternativa em Salvador e com isso conquistou um público grande e fiel.

Participou da criação e é frontman de um dos grupos mais relevantes para a vanguarda musical da Bahia, o BaianaSystem, que faz uma releitura contemporânea da guitarra baiana e já se apresentou em países como Japão, França, Dinamarca, Rússia, EUA e China, e em diversos estados brasileiros. Junto a Fael Primeiro e DJ Raiz integra o Bemba Trio, que mescla influências do rap e da música jamaicana com a sonoridade característica da música baiana. Polivalente, quebra as barreiras entre o engajamento e o entretenimento, a cultura popular e o pop.

Para celebrar uma trajetória de 10 anos de carreira, Passapusso lança em agosto de 2014 seu primeiro disco autoral. Com o título Paraíso da Miragem, o álbum traz canções com letras confessionais sobre a vida do compositor e conta com a produção e arranjos dos músicos Curumin, Zé Nigro e Lucas Martins e as participações especiais de BNegão, Edgard Scandurra, Anelis Assumpção e Marcelo Jeneci. No palco, Russo se apresenta ao lado dos produtores do álbum.


Download: Paraíso da Miragem



Tuca - Psiconauta (2014)



Cineasta, músico, videodesigner, filmmaker, paraibano, cearense, mineiro e multiplo.
Dellani Lima, conhecido artisticamente como TucA, é o meu mais novo ponto de reflexão sobre a multiplicidade da música e, principalmente, da qualidade e propriedade em poder misturar quase tudo sem se perder no seu próprio universo. São tantas vontades e possibilidades disponíveis dentro da oferta e procura da música hoje, que a “reflexão” começou a perder seu posto de direção para a “estética sonora” em grande parte das obras, causando um estranheza de ideais e dando margem a apenas um panorama estético no novo. Um sintoma disso são os tapas na linguagem, postura e até aparência dos novos artistas nas redes sociais, e ficamos eternamente olhando uma bela cortina de ansiedade e surpresas que até chegam belas, mas sem verdade. Mas há as exceções, claro!

Depois de anos e anos atuando simultaneamente entre produção de vários projetos pessoais e também de parceiros e algumas instituições sobre arte (vale conferir a infinita lista de trabalhos e projetos artísticos com ação ativa do TucA em seu blog), ele acaba de nos apresentar o seu mais novo álbum autoral: “Psiconauta”. Uma produção totalmente independente, com concepção e produção própria moldado em seu próprio estúdio em sua casa em Belo Horizonte. Depois de ouvir o disco por dias e dias entre casas, caronas e cidades diferentes, resolvi tirar um tempo para prosear um pouco com o TucA para descobrir de onde veio tão bela energia causada neste álbum. Ele disse: “Queria um disco urbano, mas que tivesse algo de espiritualidade ou de busca… o pensamento de transgressão e transcendência nas métricas e nos timbres característicos da música urbana (disco, punk, rock) mas com melodias mais melancólicas… ou mesmo densas…nesse projeto a musicalidade híbrida, poesia inspirada nos poetas e compositores malditos brasileiros… tenho  muita influencia de Paulo Leminski, Cacaso, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, entre outros.”. Fiquei emocionado, pois não havia lido nada sobre a obra ainda, e a resposta é bem parecida com as minhas buscas memoriais. Além das referencias apontadas, ressalto a beleza que é perceber as mudanças de campo e o surgimento de novos elementos e timbres que vão aparecendo no decorrer da execução do disco completo e em sua ordem estabelecida. Uma ótima experiência de contemplação para aqueles que gostam de ouvir da forma que o artista quer que você experimente. Ouvir o álbum foi bom, foi saudável e energético. Sem contar a delicadeza da voz da Ana Mo que acompanha TucA colocando céu e ar em sua estrada de experimentações.

“Psiconauta” é espiritual, urbano e catalizador de timbres latinos em sua mais respeitosa harmonia. Um balde de política e poética para a caretice patrulhadora que não consegue desestrurar nada sem ter que vestir uma boa roupa, postar uma foto ou andar com figuras populares. TucA é uma espécie de gurú que conseguiu filtrar muito do que tenho recebido em forma de música. Depois de algumas experiências espirituais e ritualísticas, o artista trouxe mais emoções e sensações para sua concepção sonora. Música para pensar, sentir ou mesmo para dançar. Acho que acertei quando respondi o seu e-mail, e coloquei o seu disco para tocar. Na verdade, para me tocar!

Todas as músicas são de sua autoria, exceto “Eu Sempre Serie Aquele Cara” de Jonnata Doll e os Garotos Solventes e “Reduçao de Danos – Ministério da Saúde” de Grilowsky e Paulo do Amparo.

Ficha técnica de “Psiconauta”:
Vocais: Ana Mo & TucA
Guitarra: Porquinho
Guitarra e teclados: Lacerda Jr
Baixo: Alex Pix
Conceito, programação, pesquisa, e produção musical: TucA.

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Download:  Psiconauta


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Goma-Laca - Afrobrasilidades em 78 RPM (2014)




GOMA-LACA é um centro de investigações dedicado ao universo da música brasileira feita na primeira metade do século XX e registrada nos antigos discos feitos de cera de carnaúba e goma-laca que giravam a 78 rotações por minuto.


Em programas de rádio, artigos, seleções musicais, shows especiais e disco, a pesquisa propõe olhares e investiga contextos e contemporaneidades, buscando intercâmbio entre acervos e enfoques, épocas e gerações.

O álbum Goma-Laca – Afrobrasilidades em 78 rpm apresenta reinvenções a partir de temas do candomblé, capoeira, jongos, maracatus, emboladas e choro gravados originalmente entre as décadas de 1920 a 1950. Com direção musical e arranjos de Letieres Leite, participam do disco Karina Buhr, Lucas Santtana, Russo Passapusso e Juçara Marçal, acompanhados pelo contrabaixista Marcos Paiva,  Hercules Gomes ao piano,  Sergio Machado na bateria e o mestre de percussão Gabi Guedes. Sob a regência de Letieres, o grupo criou com os cantores arranjos de tons jazzísticos sobre ritmos afrobaianos, e tudo foi registrado ao vivo no Estúdio Traquitana, em São Paulo.

O repertório foi construído a partir de pesquisa de Biancamaria Binazzi e Ronaldo Evangelista e traz recriações de músicas originalmente gravadas em discos de 78 rotações, por intérpretes como Vanja Orico, Josué de Barros, Filhos de Nagô, Stefana de Macedo, Jararaca e Ratinho.  Entre as releituras de capoeira, embolada, canção praieira, coco-rojão, jongo, aparecem faixas como o tema “Batuque”, atribuído ao Quilombo dos Palmares, século XVII, e alguns dos primeiros temas de candomblé lançados em disco, como cantos para “Exu” e “Ogum”. Ao longo do disco, também revelam-se trechos e ecos de temas populares já relidos por nomes como Gilberto Gil, Tom Jobim, Milton Nascimento e João Donato. O CD inclui libreto com reprodução de todos os selos dos 78s originais e textos informativos sobre origens e caminhos das composições.

GOMA-LACA – Afrobrasilidades em 78 RPM (2014)

Concepção e pesquisa: Goma-Laca/Biancamaria Binazzi e Ronaldo Evangelista
Direção Musical de Letieres Leite
Produzido por Ronaldo Evangelista
Gravado no Estúdio Traquitana, SP, nos dias 10, 11 e 12 de fevereiro de 2014,
por Evaldo Luna, Décio 7 e Junior Zorato.
Mixado por Gustavo Lenza
Masterizado por Felipe Tichauer
Direção de Arte: Janaína Pinho e Henry Kage
Produção Gráfica: Valéria Hevia
Impressão: Indústria Gráfica Brasileira
Vídeos: Eugênio Vieira
RádioDocumentário: Biancamaria Binazzi
Produção Executiva: Agogô Cultural/Tatiana Dascal e Emilie Bloch
Realizado com o apoio do ProAC

Se você é professor, pesquisador, músico, jornalista e/ou representa um centro cultural, biblioteca, escola, centro de estudo, e quer uma cópia do disco, por favor escreva para disco@goma-laca.com

Download:Afrobrasilidades em 78RPM