terça-feira, 22 de julho de 2014

Chama Violeta EP (2014)



GRUPO CHAMA VIOLETA
“Chama Violeta” é o nome do grupo musical que se originou no sul do Brasil com um som original, profundo e transmutador. O grupo mistura ritmos e sensações em uma levada genuinamente brasileira, no entanto, mesclada às influências de todos os cantos do mundo. Este grupo trás, em suas músicas imagéticas e transcendentais, a preocupação com a vida, com o homem e com a terra. Entendendo que o homem é um agente importante na transformação do meio; e que seus pensamentos e ações modificam o presente, e projetam o futuro. “Chama violeta” o nome dado a este grupo é o fogo sagrado que transmuta a causa, o efeito, o registro e a memória do nosso passado histórico. Esta é a chama da transmutação e da liberdade. E motivados pelo significado simbólico desta Chama, que este jovem grupo inicia seus trabalhos buscando em seus anseios a reconstrução do hoje pela experimentação dos sons e dos sentidos. Assim tecem uma musicalidade que não se encaixa em um único gênero musical e desconhece seus limites. Elogiando a dúvida, exercitando o amor e cortejando a paciência; não porque o tempo sana, mas porque ela: a paciência, é generosa com o processo. E é burra a crença na finalidade.

ILHA
Pensando a ilha como um lugar autônomo e integrado, criamos este show. Assim, em uma ilha. Cercado de águas, no mato, com pássaros nos ensinando a cantar todos os dias. Assim, se deu o processo. Porém, ao longe podíamos ouvir os barulhos dos carros, os barcos cargueiros, o ir e vir das pessoas. E, propomos, então, uma conversa com a cidade, para lhe contar que logo ali se tem água pura para beber, silêncio e fruta madura no pé. E, diariamente, retornávamos à cidade onde, cotidianamente, tecíamos este diálogo. Talvez, acreditemos nas ilhas de desordens. E, foi na ilha que fizemos nosso primeiro show, e que chamamos igualmente de Ilha, onde pudemos evidenciar o processo. Este show traz a conexão com o sensível, a disposição com a vida e a predisposição para transformação. Procuramos com a nossa arte a sensibilização, o mergulho, o reencontro, um despertar. Misturando ritmos e estilos. Entre o samba, e o funk, com jazz, com reggae, no Soul, na Salsa. E, conversando com as nossas raízes nas músicas regionais. Brincando com o coco, com baião, com a ciranda, com boi bumbá, com o Sopapo, e o tambor de crioula. Tecendo uma musicalidade singular, cercada de ambiência, mergulhada em sensações. Buscando na terra, o enraizamento, a ancestralidade, a arte. No fogo, a força, a nutrição, a transformação. Na água, a fluidez, a continuidade, a calma. E, no ar, os sonhos, a potência. No grupo, músicos, atores, poetas e palhaços. Transposições de artes, diálogos entre linguagens. Titeu Moraes na guitarra; Paulo Liska, no baixo; Chirú, no violão e no vocal; Duda Cunha, na bateria; Rafael Pavão e Luana Fernandes, na percussão. Propomos um passeio por matarias, morros, rios, cidades, cachoeiras, e cascatas. Lugares longínquos, antigos, perpetuados no inconsciente. E, assim, talvez, consigamos acessar aquele ‘ponto tenro e sem nome que faz do seres humanos, seres humanos’.

REPERTÓRIO:
1- AGUA BENZÊ - Chama Violeta MINOTAURO (Chama Violeta)
2- AQUI AGORA EU SOU (Chama Violeta)
3- SEM MARCAÇÃO (Chama Violeta)
4- ESPERANÇA (Chama Violeta)
5- LEVANTE (Chama Violeta)
6- FIGUEIRA (Chama Violeta)
7- TERRA FOGO AGUA E AR (Chama Violeta)
8- ESTRANHAS CATEDRAIS (Chama Violeta)
9- AGEGÊ (Chama Violeta)
10- INDIO MULATO SADU (Chama Violeta)
11- CHAMA TUTU (Chama Violeta)
12- AVE DO CÉU (Chama Violeta)
13- PÉ DIREITO (Chama Violeta)
14- JUREMA (Chama Violeta)
15- BOIADEIRO (Chama Violeta)
16- MEU GUIA (Chama Violeta)
17- CASTELOS E PALAFÍTAS (Chama Violeta)
18- SAIGON (Chama Violeta)
*Todas as músicas do Grupo Chama Violeta são autorais. As letras são de Wagner Silveira dos Santos (Chirú), e a composição e arranjo foram construídos coletivamente pelo Grupo

FICHA TÉCNICA
Wagner Silveira dos Santos (Chirú) --- Letra, Voz e Violão
Rafael Pavão --- Percussão
Luana Fernandes --- Percussão
Titeu Moraes --- Guitarra
Paulo Liska --- Baixo
Duda Cunha --- Bateria
Mirco Zanini --- Iluminação
Otávio Moura --- Técnico de Som


Download: Chama Violeta


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Mombojó - Alexandre (2014)



Quando surgiu, há 13 anos, os integrantes do Mombojó ainda eram adolescentes. A média de idade girava em torno dos 17. Há grupos que, à medida que seus membros vão amadurecendo, o pulso criativo se enfraquece, o som produzido não empolga, as engrenagens se enferrujam. Com o novo álbum Alexandre, a banda mostra que o amadurecimento tem feito bem à sua música.

O quinto disco do Mombojó é um dos melhores do hoje quarteto, formado por  Felipe S (voz e guitarra), Chiquinho (teclado e sampler), Marcelo Machado (guitarra) e Vicente Machado (bateria e sampler). O produtor e amigo dos rapazes Missionário José tem se ocupado com o contrabaixo, visto que o antigo dono do posto, Samuel Vieira, deixou a banda para trabalhar como ator. Atualmente, ele interpreta o personagem Igor, na novela Geração Brasil (Globo, às 19h). "O baixo no Mombojó normalmente transita entre a sua função convencional e outras funções texturais, busquei explorar um pouco isso. E dividir essa função no disco com Felipe e com Dengue é sem dúvida uma honra", comenta Missionário.

Alexandre é daqueles discos que podem até causar certo estranhamento na primeira audição. Mas vai se tornando cada vez mais interessante, inspirado e convidativo. Além do Stereolab, há influências de Radiohead, Tortoise, Justin Timberlake e Cidadão Instigado. As participações especiais ficaram por conta de China, da cantora paulista Céu, Pupillo e Dengue (respectivamente, baterista e baixista da Nação Zumbi), Pedro Mibieli (violino) e Vitor Araújo (piano) participam do álbum.

Na entrevista, Marcelo Machado fala sobre a ainda mais presente influência do Stereolab (banda britânica de post rock) ainda mais presente no disco. A vocalista, Laetitia Sadier, canta e divide com os integrantes do Mombojó a autoria da canção Summer long -, do processo de composição e produção, da influência que São Paulo exerce sobre eles e do Ocupe Estelita. A faixa Me encantei por Rosário foi composta a partir de textos do movimento Direitos Urbanos, que discute problemas relacionados à ocupação dos espaços urbanos.

Alexandre soa como o disco mais maduro e conceitualmente mais consistentente da Mombojó. De que forma o direcionamento musical do novo disco surgiu? Foi algo intencional, com vocês conversando e dizendo: "esse disco vai soar assim, com tais elementos" ou foi algo mais natural?
Nosso processo de criação é sempre muito espontâneo em relação às composições, temos sempre a preocupação de não nos repetirmos nas estruturas musicais. Nesse disco em especial, tivemos a intenção de sair do modo convencional de fazer discos. Nós nos permitimos fazer um álbum que fosse mais uma experiência sonora incluindo músicas instrumentais, textos incidentais, músicas usando o Pro Tools como ferramenta instrumental e outras coisas que saem um pouco do padrão. Nos inspiramos muito nos discos do Stereolab neste sentido.

Apesar de sutil, a influência do Stereolab sempre apareceu no trabalho de vocês. Neste disco ela aparece mais. Teria sido por conta da participação da cantora Laetitia Sadier?
Nós sempre tivemos uma grande influência do Stereolab no nosso som e na nossa carreira em geral, com certeza a participação de Laetitia nos inspirou e nos motivou absurdamente nesse disco.

De que forma a morada São Paulo influenciou e tem influenciado na maneira como trabalham a carreira e suas composições?
Ao meu ver São Paulo tem nos influenciado mais em como trabalhamos nossa carreira, por nos proporcionar um ritmo mais intenso de shows e por oferecer um grande leque de possibilidades relacionadas a outras atmosferas do trabalho como artistas. Neste momento eu estou morando em Recife e é de onde tem vindo grande parte da minha inspiração musical para compor.

O que a Mombojó pensa sobre o movimento Ocupe Estelita?
Nós somos completamente a favor do movimento, fazemos parte dessa geração que está vivendo uma retomada das manifestações em que o povo recifense luta para ter voz ativa nas questões envolvendo a nossa cidade. É um absurdo o que estamos vivendo naquela área e estamos talvez no momento mais político da história do Mombojó por conta de tudo que vem acontecendo em Recife e no país.

Download:Alexandre


terça-feira, 15 de julho de 2014

Afroelectro - Mocambo EP (2014)



Formada em 2009, a banda Afroelectro cria a sua identidade sonora revisitando o continente africano através do contato com artistas e a sua produção sonora mais comtemporânea, da vivência direta de alguns integrantes da banda com músicos de lá e da experiência de habitar uma grande metrópole como São Paulo, que tem sido a grande catalisadora da cultura brasileira e do mundo. É o lugar onde o côco e a embolada dialogam com o hip-hop, onde o rock encontra o candomblé, onde a tradição encontra o novo. A cultura brasileira é encontrada com muita força na música do Afroelectro, principalmente nos versos e nas partes cantadas. Cantos de cultura popular de diferentes regiões do país como os cantos de Tambor de Crioula de Taboca do Maranhão (trazidos para São Paulo pelo Pai Euclides da Casa Fanti-Ashanti), versos de Cavalo-Marinho, originários de Nazaré da Mata (Pernambuco), cantos de capoeira e de candomblé são colocados em evidência nas músicas do grupo.

Em 2012 o Afroelectro lançou seu primeiro disco na choperia do SESC Pompéia em São Paulo, e pouco tempo depois é convidado para repetir esse show na Mostra da Prata Casa (projeto que contempla as melhores apresentações do ano) no mesmo espaço. O álbum é resultado de um ano de trabalho entre horas de estúdio e apresentações ao vivo, dessa forma criando uma sonoridade diferenciada, rica em experimentos rítmicos e texturas musicais surpreendentes, mas ao mesmo tempo acessível e dançante. Produzido por Sérgio Machado e Michi Ruzitschka, o disco conta ainda com as participações de Chico Cesar, Kiko Dinucci, Siba, do multiinstrumentista Antônio Loureiro além dos percussionistas Felipe Roseno e Romulo Nardes do grupo Bixiga 70.

Também foi convidado para criar a trilha sonora do espetáculo “YEBO” da companhia de dança contemporânea Gumboot Dance Brasil e executá-la ao vivo nas apresentações. Em 2014 fez parte de dois espetáculos em homenagem ao instrumentista Paulo Moura em São José do Rio Preto e no espaço Tom Jobim no Rio de Janeiro e tocou no Sofar Secret Festival em São Paulo. Ainda em julho deste ano o grupo lançará seu EP novo “Mocambo” com cinco faixas inéditas.

Afroelectro é composto pelos musicos  Sérgio Machado (bateria, teclados, programações e vocais), Michi Ruzitschka (guitarras e vocais), Meno del Picchia (baixo-elétrico e vocais), Mauricio Badé (percussão e vocais) e Denis Duarte (loops, percussão e vocais).

Download: Mocambo

domingo, 13 de julho de 2014

Charlie e os Marretas - Charlie e os Marretas (2014)



No dia 23 de maio, o Auditório Ibirapuera, em São Paulo, foi palco do lançamento oficial do primeiro disco da banda Charlie & Os Marretas, que traz nove faixas inteiramente compostas pelo próprio grupo e inspiradas na dualidade estética existente entre a nova e a velha escola do funk. As composições do disco revelam influências que contemplam ícones da velha guarda do gênero como James Brown, Parliament e The Meters, além do hip hop de Afrika Bambaataa e DJ Premier, que convivem com o tempero das novas gerações do jazz-funk e do hiphop, representadas por RH Factor, Madlib e J Dilla, além de ritmos contemporâneos dançantes como o reggeaton e o dubstep.

A dualidade estética também foi explorada na própria produção do disco, que conta com algumas faixas gravadas ao vivo e outras gravadas instrumento por instrumento, estendendo o processo criativo à fase de pós-produção ao introduzir elementos eletrônicos como sampler e MPC nas composições. Assim, o disco transmite a essência do Charlie & Os Marretas, que se define como uma banda de funk avessa à abordagem purista do gênero e mostra a cara da nova geração do funk autoral brasileiro: moderno e cheio de groove, com um pé na inovação e o outro nas pistas dos grandes bailes de antigamente. Formada em 2009, a banda foi inspirada pela sonoridade e atitude do funk dos anos 70. Através de uma vasta pesquisa do gênero e de seus derivados, aliada aos anos de estrada, o Charlie & Os Marretas desenvolveu um estilo próprio aplicado na gravação do disco. O resultado é uma combinação voltada para as pistas, que remete aos saudosos tempos dos bailes black.

A produção do disco é assinada pela própria banda e por Gui Jesus Toledo, que gravou e mixou oprojeto no estúdio CANOA. As gravações contaram com participações especiais nos metais deNatan Oliveira (trompete e trombone), músico de apoio da banda que trouxe a experiência adquirida em trabalhos com a Banda Black Rio, Tony Tornado e Elza Soares, além do já antigo parceiro de estrada Vinicius Chagas no sax tenor e Rafael Molina no sax alto, tenor e EWI. Finalizado em março deste ano, o disco foi masterizado no Estúdio El Rocha por Fernando Sanches e será disponibilizado para download gratuito a partir do dia 15 de maio. Além do formato digital, o disco também terá suas versões em CD e LP, graças à parceria entre os selos Brasilis Grooves Records e RISCO – coletivo independente integrado pelo Charlie & Os Marretas e os grupos O Terno, Memórias de Um Caramujo, Os Mojo Workers, Noite Torta, Luiza Lian, Grand Bazaar e Caio Falcão. O esmero na produção também contempla o produto físico final, que conta com arte de Lewis Heriz, artista inglês que já assinou capas de discos para várias gravadoras estrangeiras como Now-Again, Stones Throw, Tru-Thoughts e Soundway Records, além de diversas capas de filmes.

Formada por Charles Tixier (bateria, MPC e voz), Gabriel Basile (percussão e voz), André Vac (guitarra, voz e composições), Guilherme Giraldi (baixo e composições) e Tomás de Souza(teclados e voz), nos shows a banda agora conta com Filipe Nader (sax alto e barítono) e Natan Oliveira (trompete e trombone). Os cinco anos de atuação do Charlie & Os Marretas na cena paulistana renderam a consagração da banda entre os amantes de performances intensas e dançantes, ao estilo dos bailes de antigamente. Nessas ocasiões, o repertório da banda trazia uma série de clássicos do funk de James Brown, Tim Maia e The Meters, até pérolas garimpadasda Banda União Black, Ripple e Blackbyrds. Após esse tempo de estrada, o grupo apostou nas composições próprias e aperfeiçoou um repertório autoral vibrante, já apresentado em casas de show como Clash Club (Vai Music Trends), The Week (Inner Multi Art – Palco Red Bull Music Academy), EcoHouse (Navegroove), Tapas Club (Maracutaia), Casa do Mancha, Sarajevo Club,Berlin, Puxadinho da Praça, Mundo Pensante, Serralheria, Auditório Ibirapuera e no Coala Festival 2014.

Em paralelo ao trabalho autoral, o grupo atua como banda de apoio e faz a direção musical do cantor e compositor recifense Di Melo, O Imorrível, ícone da soul music brasileira. Junto a ele, o Charlie & Os Marretas já se apresentou em São Paulo no Auditório Ibirapuera, SESC Pompéia (com participação de BNegão), nas comemorações do 1º de maio da CUT (com a participação especial do rapper Emicida), MUBE (Jam Session Verdi); Rio de Janeiro (Circo Voador – Festival MOLA e Morro do Salgueiro - Norte Comum); Brasília (Festival Satélite 061) e participou do programa Cultura Livre, apresentado por Roberta Martinelli, na TV Cultura, no qual também já tocou seu trabalho autoral. A experiência adquirida em todos esses palcos foi aplicada ao formato do show, pensado como um legítimo espetáculo minuciosamente idealizado, focado em transições que se mostram às vezes imprevistas e outras vezes sutis a partir de interlúdios e outras composições da banda para além do disco. A concepção do show como uma só unidade, à moda dos grandes mestres do funk, se traduz nas reações do público, que em muitos momentos sente a sua tensão acumulada ao presenciar o Charlie & Os Marretas segurando um groove na manga da camisa, para em seguida arrebatar novamente a platéia com mais marretadas sonoras.

A banda ainda mostra, literalmente, a cara do seu trabalho com o videoclipe de “Marretón”, a faixa mais dançante do álbum, escolhida como música de trabalho e que apresenta uma mistura pesada de funk, reggaeton e influências do afoxé. Nela, abanda leva a sério o refrão e o grande motivo que a leva a fazer seu funk autoral: o resgate dos grandes bailes, onde, quando a festa começa, todos só querem dançar. Com essa e outras combinações que compõem o disco, a banda prova que o funk não morreu, é só saber procurar.

Download: Charlie e os Marretas