domingo, 31 de agosto de 2014

Estrelinski e Os Paulera - Leminskanções (2014)



Nada permanece tanto ao invisível quanto a genialidade do artista. Assim a multiplicidade do curitibano Paulo Leminski continua a reverberar sobre as clássicas e modernas mídia de difusão da linguagem. Poeta, escritor e desbravador dos temas da natureza humana e das relações escritas e vividas em seu universo de migrações de culturas e de artes, Paulo Leminski continua perene em sua essência, inegável na história e necessário inspirador ao novo. Além de sua importância poética, Paulo Leminski também permeou suas obras pelo viés da música. Aos pesquisadores de sua obra e astutos por sua linguagem, era sabido que alguns clássicos interpretados por Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Itamar Assumpção e Paulinho Boca tinham provincia “Leminskiana” em sua autoria, a mais jovem com mais negligência, porém, com mais interesse em sua redescoberta. O choque das gerações começa a conectar-se à origem dos pontos, à teia de sua série de mídias chega à um novo sentido sensorial, depois de seus clássicos literários, Paulo Leminski ganhou os museus mais importantes do Brasil e agora se apronta para o universo musical, tão intensa e representativa quando as precedentes.

“Leminskanções” é a nova obra projetada para além de sua vida. Após seis anos de pesquisas dedicadas aos arquivos musicais de Paulo Leminski, Estrela Ruiz Leminski, também escritora, poeta, compositora e cantora do “Música de Ruiz” em dueto com Téo Ruiz, acaba de concluir um belo álbum duplo com composições exclusivas e parcerias de um dos bigodes mais modernista da literatura brasileira. A obra é assinada por “Estrelinski” e “Os Pauleira” que também formam o elenco de corpo que apresenta e veste respeitosamente as canções do disco duplo juntamente com artistas integrados às obras do Paulo. “Os Paulera” compõe duas formações regionais entre Curitiba e São Paulo, onde aconteceram as gravações dos discos.

Um dos discos traz composições inéditas de Paulo Leminski e o outro canções em parceria e participação de outros amigos artistas como Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro, Morais Moreira, Zélia Duncan, Serena Assumpção, Ná Ozzetti, Bernardo Bravo e André Abujamra. No contraponto dos clássicos, o disco ainda aponta novos artistas que também participam nos coros de algumas faixas, são eles: Uyara Torrente (Banda mais Bonita da Cidade), Leo Fressato, Grace Torres (Grupo Fato), Iria Braga, Otto Nascarella, Juliana Cortes e Rogéria Holtz que integram a atual e vibrante construção da atual cena curitibana.

Para expandir as multiplicidades de um dos gênios que mais inspiram a geração vanguardista de artistas e apaixonados por arte contemporânea, esse duplo disco chega em boa hora. Na aparente impossibilidade de alterar as intenções de um artista, “Leminskanções” chega para mostrar as causas e as possibilidades visionárias que estabelecem a verdade e a força do amadurecimento genuíno de um ícone da arte reconstruído de diversas formas por diferentes tempos, lugares e olhares. A mais nova obra que chega ao nosso acervo musical brasileiro não se trata apenas da manchete do “inédito”, a seleção apresentada traz um panorama coerente ao universo e conexões já estabelecidas em vida pelo autor. Numa fibra orgânica composta por pessoas, lugares, arte e seus pensamentos, tudo se reencontra em nessa compilação, e que não é apenas bela, mas naturalmente compreendida em sua vontade que parece permanecer além de nós.

Por: Web Mota

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Download:  Leminskanções


Cordillera - Universe EP (2014)



Cordillera é uma banda brasileira de stoner rock autoral. O som é uma síntese contemporânea das influências clássicas do rock setentista e progressivo com a música alternativa dos anos 90. Em maio de 2014, de forma independente, a banda lança seu debut EP "Universe".



Download: Universe


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Russo Passapusso - Paraíso da Miragem (2014)



O músico e compositor Russo Passapusso é um dos expoentes da nova geração da música popular brasileira produzida na Bahia. Natural de Feira de Santana, foi em Salvador que Russo entrou em contato com o rap, o reggae e a cultura sound system jamaicana, vertentes da música que o influenciaram no início da carreira. Integrado ao coletivo Ministéreo Público, que ocupa diversos espaços da cidade com festas e intervenções sonoras, começou a movimentar uma cena alternativa em Salvador e com isso conquistou um público grande e fiel.

Participou da criação e é frontman de um dos grupos mais relevantes para a vanguarda musical da Bahia, o BaianaSystem, que faz uma releitura contemporânea da guitarra baiana e já se apresentou em países como Japão, França, Dinamarca, Rússia, EUA e China, e em diversos estados brasileiros. Junto a Fael Primeiro e DJ Raiz integra o Bemba Trio, que mescla influências do rap e da música jamaicana com a sonoridade característica da música baiana. Polivalente, quebra as barreiras entre o engajamento e o entretenimento, a cultura popular e o pop.

Para celebrar uma trajetória de 10 anos de carreira, Passapusso lança em agosto de 2014 seu primeiro disco autoral. Com o título Paraíso da Miragem, o álbum traz canções com letras confessionais sobre a vida do compositor e conta com a produção e arranjos dos músicos Curumin, Zé Nigro e Lucas Martins e as participações especiais de BNegão, Edgard Scandurra, Anelis Assumpção e Marcelo Jeneci. No palco, Russo se apresenta ao lado dos produtores do álbum.


Download: Paraíso da Miragem



Tuca - Psiconauta (2014)



Cineasta, músico, videodesigner, filmmaker, paraibano, cearense, mineiro e multiplo.
Dellani Lima, conhecido artisticamente como TucA, é o meu mais novo ponto de reflexão sobre a multiplicidade da música e, principalmente, da qualidade e propriedade em poder misturar quase tudo sem se perder no seu próprio universo. São tantas vontades e possibilidades disponíveis dentro da oferta e procura da música hoje, que a “reflexão” começou a perder seu posto de direção para a “estética sonora” em grande parte das obras, causando um estranheza de ideais e dando margem a apenas um panorama estético no novo. Um sintoma disso são os tapas na linguagem, postura e até aparência dos novos artistas nas redes sociais, e ficamos eternamente olhando uma bela cortina de ansiedade e surpresas que até chegam belas, mas sem verdade. Mas há as exceções, claro!

Depois de anos e anos atuando simultaneamente entre produção de vários projetos pessoais e também de parceiros e algumas instituições sobre arte (vale conferir a infinita lista de trabalhos e projetos artísticos com ação ativa do TucA em seu blog), ele acaba de nos apresentar o seu mais novo álbum autoral: “Psiconauta”. Uma produção totalmente independente, com concepção e produção própria moldado em seu próprio estúdio em sua casa em Belo Horizonte. Depois de ouvir o disco por dias e dias entre casas, caronas e cidades diferentes, resolvi tirar um tempo para prosear um pouco com o TucA para descobrir de onde veio tão bela energia causada neste álbum. Ele disse: “Queria um disco urbano, mas que tivesse algo de espiritualidade ou de busca… o pensamento de transgressão e transcendência nas métricas e nos timbres característicos da música urbana (disco, punk, rock) mas com melodias mais melancólicas… ou mesmo densas…nesse projeto a musicalidade híbrida, poesia inspirada nos poetas e compositores malditos brasileiros… tenho  muita influencia de Paulo Leminski, Cacaso, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, entre outros.”. Fiquei emocionado, pois não havia lido nada sobre a obra ainda, e a resposta é bem parecida com as minhas buscas memoriais. Além das referencias apontadas, ressalto a beleza que é perceber as mudanças de campo e o surgimento de novos elementos e timbres que vão aparecendo no decorrer da execução do disco completo e em sua ordem estabelecida. Uma ótima experiência de contemplação para aqueles que gostam de ouvir da forma que o artista quer que você experimente. Ouvir o álbum foi bom, foi saudável e energético. Sem contar a delicadeza da voz da Ana Mo que acompanha TucA colocando céu e ar em sua estrada de experimentações.

“Psiconauta” é espiritual, urbano e catalizador de timbres latinos em sua mais respeitosa harmonia. Um balde de política e poética para a caretice patrulhadora que não consegue desestrurar nada sem ter que vestir uma boa roupa, postar uma foto ou andar com figuras populares. TucA é uma espécie de gurú que conseguiu filtrar muito do que tenho recebido em forma de música. Depois de algumas experiências espirituais e ritualísticas, o artista trouxe mais emoções e sensações para sua concepção sonora. Música para pensar, sentir ou mesmo para dançar. Acho que acertei quando respondi o seu e-mail, e coloquei o seu disco para tocar. Na verdade, para me tocar!

Todas as músicas são de sua autoria, exceto “Eu Sempre Serie Aquele Cara” de Jonnata Doll e os Garotos Solventes e “Reduçao de Danos – Ministério da Saúde” de Grilowsky e Paulo do Amparo.

Ficha técnica de “Psiconauta”:
Vocais: Ana Mo & TucA
Guitarra: Porquinho
Guitarra e teclados: Lacerda Jr
Baixo: Alex Pix
Conceito, programação, pesquisa, e produção musical: TucA.

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Download:  Psiconauta


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Goma-Laca - Afrobrasilidades em 78 RPM (2014)




GOMA-LACA é um centro de investigações dedicado ao universo da música brasileira feita na primeira metade do século XX e registrada nos antigos discos feitos de cera de carnaúba e goma-laca que giravam a 78 rotações por minuto.


Em programas de rádio, artigos, seleções musicais, shows especiais e disco, a pesquisa propõe olhares e investiga contextos e contemporaneidades, buscando intercâmbio entre acervos e enfoques, épocas e gerações.

O álbum Goma-Laca – Afrobrasilidades em 78 rpm apresenta reinvenções a partir de temas do candomblé, capoeira, jongos, maracatus, emboladas e choro gravados originalmente entre as décadas de 1920 a 1950. Com direção musical e arranjos de Letieres Leite, participam do disco Karina Buhr, Lucas Santtana, Russo Passapusso e Juçara Marçal, acompanhados pelo contrabaixista Marcos Paiva,  Hercules Gomes ao piano,  Sergio Machado na bateria e o mestre de percussão Gabi Guedes. Sob a regência de Letieres, o grupo criou com os cantores arranjos de tons jazzísticos sobre ritmos afrobaianos, e tudo foi registrado ao vivo no Estúdio Traquitana, em São Paulo.

O repertório foi construído a partir de pesquisa de Biancamaria Binazzi e Ronaldo Evangelista e traz recriações de músicas originalmente gravadas em discos de 78 rotações, por intérpretes como Vanja Orico, Josué de Barros, Filhos de Nagô, Stefana de Macedo, Jararaca e Ratinho.  Entre as releituras de capoeira, embolada, canção praieira, coco-rojão, jongo, aparecem faixas como o tema “Batuque”, atribuído ao Quilombo dos Palmares, século XVII, e alguns dos primeiros temas de candomblé lançados em disco, como cantos para “Exu” e “Ogum”. Ao longo do disco, também revelam-se trechos e ecos de temas populares já relidos por nomes como Gilberto Gil, Tom Jobim, Milton Nascimento e João Donato. O CD inclui libreto com reprodução de todos os selos dos 78s originais e textos informativos sobre origens e caminhos das composições.

GOMA-LACA – Afrobrasilidades em 78 RPM (2014)

Concepção e pesquisa: Goma-Laca/Biancamaria Binazzi e Ronaldo Evangelista
Direção Musical de Letieres Leite
Produzido por Ronaldo Evangelista
Gravado no Estúdio Traquitana, SP, nos dias 10, 11 e 12 de fevereiro de 2014,
por Evaldo Luna, Décio 7 e Junior Zorato.
Mixado por Gustavo Lenza
Masterizado por Felipe Tichauer
Direção de Arte: Janaína Pinho e Henry Kage
Produção Gráfica: Valéria Hevia
Impressão: Indústria Gráfica Brasileira
Vídeos: Eugênio Vieira
RádioDocumentário: Biancamaria Binazzi
Produção Executiva: Agogô Cultural/Tatiana Dascal e Emilie Bloch
Realizado com o apoio do ProAC

Se você é professor, pesquisador, músico, jornalista e/ou representa um centro cultural, biblioteca, escola, centro de estudo, e quer uma cópia do disco, por favor escreva para disco@goma-laca.com

Download:Afrobrasilidades em 78RPM