terça-feira, 26 de agosto de 2014

Tuca - Psiconauta (2014)



Cineasta, músico, videodesigner, filmmaker, paraibano, cearense, mineiro e multiplo.
Dellani Lima, conhecido artisticamente como TucA, é o meu mais novo ponto de reflexão sobre a multiplicidade da música e, principalmente, da qualidade e propriedade em poder misturar quase tudo sem se perder no seu próprio universo. São tantas vontades e possibilidades disponíveis dentro da oferta e procura da música hoje, que a “reflexão” começou a perder seu posto de direção para a “estética sonora” em grande parte das obras, causando um estranheza de ideais e dando margem a apenas um panorama estético no novo. Um sintoma disso são os tapas na linguagem, postura e até aparência dos novos artistas nas redes sociais, e ficamos eternamente olhando uma bela cortina de ansiedade e surpresas que até chegam belas, mas sem verdade. Mas há as exceções, claro!

Depois de anos e anos atuando simultaneamente entre produção de vários projetos pessoais e também de parceiros e algumas instituições sobre arte (vale conferir a infinita lista de trabalhos e projetos artísticos com ação ativa do TucA em seu blog), ele acaba de nos apresentar o seu mais novo álbum autoral: “Psiconauta”. Uma produção totalmente independente, com concepção e produção própria moldado em seu próprio estúdio em sua casa em Belo Horizonte. Depois de ouvir o disco por dias e dias entre casas, caronas e cidades diferentes, resolvi tirar um tempo para prosear um pouco com o TucA para descobrir de onde veio tão bela energia causada neste álbum. Ele disse: “Queria um disco urbano, mas que tivesse algo de espiritualidade ou de busca… o pensamento de transgressão e transcendência nas métricas e nos timbres característicos da música urbana (disco, punk, rock) mas com melodias mais melancólicas… ou mesmo densas…nesse projeto a musicalidade híbrida, poesia inspirada nos poetas e compositores malditos brasileiros… tenho  muita influencia de Paulo Leminski, Cacaso, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, entre outros.”. Fiquei emocionado, pois não havia lido nada sobre a obra ainda, e a resposta é bem parecida com as minhas buscas memoriais. Além das referencias apontadas, ressalto a beleza que é perceber as mudanças de campo e o surgimento de novos elementos e timbres que vão aparecendo no decorrer da execução do disco completo e em sua ordem estabelecida. Uma ótima experiência de contemplação para aqueles que gostam de ouvir da forma que o artista quer que você experimente. Ouvir o álbum foi bom, foi saudável e energético. Sem contar a delicadeza da voz da Ana Mo que acompanha TucA colocando céu e ar em sua estrada de experimentações.

“Psiconauta” é espiritual, urbano e catalizador de timbres latinos em sua mais respeitosa harmonia. Um balde de política e poética para a caretice patrulhadora que não consegue desestrurar nada sem ter que vestir uma boa roupa, postar uma foto ou andar com figuras populares. TucA é uma espécie de gurú que conseguiu filtrar muito do que tenho recebido em forma de música. Depois de algumas experiências espirituais e ritualísticas, o artista trouxe mais emoções e sensações para sua concepção sonora. Música para pensar, sentir ou mesmo para dançar. Acho que acertei quando respondi o seu e-mail, e coloquei o seu disco para tocar. Na verdade, para me tocar!

Todas as músicas são de sua autoria, exceto “Eu Sempre Serie Aquele Cara” de Jonnata Doll e os Garotos Solventes e “Reduçao de Danos – Ministério da Saúde” de Grilowsky e Paulo do Amparo.

Ficha técnica de “Psiconauta”:
Vocais: Ana Mo & TucA
Guitarra: Porquinho
Guitarra e teclados: Lacerda Jr
Baixo: Alex Pix
Conceito, programação, pesquisa, e produção musical: TucA.

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Download:  Psiconauta


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