sábado, 7 de novembro de 2015

Dirimbó - EP (2015)




Dirimbó lança primeiro EP repleto de gingado e guitarradas


Grupo de carimbo contemporâneo nascido no Recife apresenta ao público nesta sexta-feira (06/11) seu primeiro EP, com quatro faixas autorais

Amantes do carimbó, merengue, lambada e toda música feita pra se dançar agarradinho, se preparem para receber uma verdadeira unção de swing! É que a banda Dirimbó, um dos grupos que mais tem agitado a noite dançante do Recife e Olinda, vai lançar seu primeiro EP nesta próxima sexta-feira (06/11) no Capibar, na Zona Norte do Recife. A entrada custa R$ 15, à venda no local, e quem adquirir o ingresso vai levar uma cópia do EP pra casa.

A proposta da Dirimbó é de fazer uma verdadeira festa temática paraense, como manda o figurino das tradições do Norte do país. Além das apresentações musicais, o público poderá fazer degustação de Cachaça de Jambu (típica da região) e caldinho de piranha, além de conhecer uma feira de temperos e ervas amazonenses, entre outros charmes que vão ficar pra surpresa. 

O show da Dirimbó contará ainda com as participações especiais do trompetista Marcinho Oliveira e de integrantes da banda Abeokuta. Quem for curtir a noite vai se divertir também com a discotecagem muy caliente de DJ Bibiu do Pará, DJ Indigo e de Rafa Infa, que não vão deixar ninguém ficar parado com as melhores swingadas da pista.  

Sobre o EP da Dirimbó

O primeiro EP da banda apresenta quatro faixas autorais, que são: ‘Selfie’, ‘A Noite é Minha’, ‘Cabousse’ e ‘Cacarimbó’. Todo o processo de produção fonográfica, conceitual e musical do EP tem sido realizado de forma independente e com recursos da própria banda. 

As gravações começaram em julho deste ano, e foram realizadas em vários espaços, a exemplo dos estúdios da Faculdade AESO – Barros de Melo e da residência de alguns integrantes, em Aldeia e Itamaracá. Todo processo de gravação e masterização do EP foi acompanhado pelo técnico de som Vinicius Barros. A mixagem foi feita pelo próprio baterista do grupo e também técnico de som, Alberto Ramsés.

Soma-se a este trabalho o apoio fundamental de alguns parceiros como a já citada Faculdade AESO - Barros de Melo, o guitarrista Félix Robatto, do Pará, entre outros amigos e colaboradores, como a designer Rayana Viana, que desenvolveu a arte da capa do EP e o cartaz deste evento, o DJ Bibiu do Pará, que estimulou a formação da banda desde o início, e Zé Gleisson e Camila Leal, que compuseram algumas das canções do disco.

A Dirimbó é composta por Rafa Lira (vocal e guitarra), Milla Bigio (vocal e percussão), Vitor Pequeno (guitarra), Mário Zappa (baixo), Bruno Negromonte (percussão) e Alberto Ramsés (bateria). Todos personagens experientes da cena musical pernambucana e do Pará que buscam juntos fazer um carimbó bom pra dançar.

Serviço
Lançamento do EP da Dirimbó
Sexta (6/11) | 22h
Capibar (Rua Tapacurá, 100 - Casa Forte)
Ingressos + EP: R$ 15
Informações: (81) 3222 4717
Link do evento no Facebook: http://on.fb.me/1MTx8Pp

Links da banda:

INSTAGRAM: https://instagram.com/bandadirimbo

FACEBOOK: www.facebook.com/bandadirimbo

YOUTUBE: http://bit.ly/1KosgQp

SOUNDCLOUND: http://bit.ly/1MToPHw

Contato
Marcus Iglesias (produção)
(81) 9 9656 7265

Download: Dirimbó


sábado, 31 de outubro de 2015

Igor de Carvalho - A TV, a Lâmpada e o Opaxorô (2014)




Depois de dois anos de muito trabalho, o cantor e compositor, Igor de Carvalho, lançou no dia do seu aniversário, o primeiro disco da carreira.  O albúm, intitulado “A TV, a Lâmpada e o Opaxorô”,  contém 12  músicas autorais e está disponível  para download gratuito na internet. 

De voz suave, melodias bem trabalhadas e letras irreverentes,  o disco “A TV, a Lâmpada e o Opaxorô”,  é composto por letras feitas pelo próprio Igor. Nelas, o cantor retrata o dia a dia  e os sentimentos vividos pelas pessoas.

O primeiro disco da carreira de Igor, também conta com a participação de Lula Queiroga, na faixa "Em furto” e de Moreno Veloso, na música  “Rainha de Aiocá”. 

Fonte: http://www.antene-se.com




quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Abeokuta - Agô EP (2015)




Afrobeat pernambucano da Abeokuta pede licença com lançamento do EP ‘Agô’

Neste trabalho o grupo recifense apresenta quatro faixas autorais, disponíveis para download e audição nas principais plataformas da internet



Inspirada no afrobeat criado pelo lendário multi-instrumentista nigeriano Fela Kuti, a banda Abeokuta, nascida no Recife, lança seu primeiro EP de trabalho, intitulado ‘Agô’. O lançamento aconteceu neste último sábado (17), durante a terceira edição do Fela Day Pernambuco, festa mundial em homenagem ao eterno Black President. O álbum ‘Agô’ já pode ser ouvido pelos amantes do afrobeat nas principais plataformas de audição da internet (Deezer, Spotfly, Rdio e Soundclound), e também está disponível para download no site da banda (www.abeokuta.com.br).



A Abeokuta, cujo nome é inspirado na cidade natal de Fela Kuti, é uma das principais bandas do gênero do Nordeste. A banda vivência na prática a atuação de um grupo independente, e este processo ficou evidente durante a produção de ‘Agô’. A ideia, que começou a tomar corpo em março deste ano, surgiu após o retorno do público durante uma festa que a Abeokuta realizou nos últimos dias do Carnaval. “A resposta positiva e vibrante da galera nos mostrou que era necessário dar um passo adiante e materializar aquela energia empenhada nos shows num registro definitivo”, explica Jedson Nobre, baixista e fundador do grupo.



Todo o processo de gravação e mixagem de ‘Agô’ foi realizado no Estúdio Fábrica, com a ajuda do técnico Marcílio Moura, que entendeu a proposta do som e conseguiu transportar as ideias da Abeokuta para o resultado final. O disco conta com quatro faixas (cantadas em iorubá, português e inglês), cujos títulos são: ‘Agó’, ‘Mr. Job’, ‘Lessimí’ e ‘Orunmilá’. A arte da capa do EP inspiração foi nos grafismos africanos e numa tipografia inspirada na cultura nigeriana.



‘Agô’ é uma palavra do idioma iorubá e é usada na anunciação da chegada ou saída em uma casa, espaço público, espaços litúrgicos ou do convívio com um grupo de pessoas. Neste sentido, a Abeokuta anuncia seu primeiro registro sonoro que em bom português poderia ser dito: “Tô chegando”. É a Abeokuta anunciando sua chegada.



O EP será disponibilizado gratuitamente para download no site da banda, além de plataformas de streaming diversas como Spotify, Dezeer, Radio e Youtube. “Queremos que esse trabalho chegue aos mais diversos ouvidos e achamos que essa é a melhor maneira de apresentar nossa música pra o mais abrangente público possível”, comenta o baixista da Abeokuta.



Formação da Abeokuta



O baixista Jedson Nobre, idealizador da Abeokuta e grande admirador de Fela Kuti, tinha o sonho antigo de montar uma banda de afrobeat no Recife. A ideia foi tirada do papel após uma viagem realizado pelo músico ao Rio de Janeiro em maio de 2012.



Na ocasião, Jedson conheceu o baterista Tony Allen e o guitarrista Oghene Kolgbo, ambos ex-parceiros de Fela Kuti, e participou também de uma jam session com outros participantes de peso. Entre eles, estavam B. Negão, André Sampaio e Abayomy Afrobeat Orquestra, entre outros. Foi um tiro certeiro. Jedson voltou determinado a montar a banda, e assim surgiu a Abeokuta.



Além de Jedson Nobre no baixo, a banda conta com Chico Farias (guitarra), Miguel Jorge (Voz), Pedro Drope (guitarra), Hood Rocha (teclado), Diego Drão (órgão), Beto Bala (baterista), Samuel Negão (percussão), Parrô Mello (sax) e Marcinho Racional (trompete). Um time de grandes músicos da cena pernambucana, todos com forte ligação com os sons provenientes da diáspora negra.







ESCUTE AGORA O EP ‘AGÔ’, DA ABEOKUTA:



Site oficial: www.abeokuta.com.br



Facebook: www.facebook.com/abeokutaafrobeat



Soundclound: www.soundcloud.com/abeokutaafrobeat



Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC_gnrW2FFwcu78fbXvBIJ3g


Download: AGÔ

domingo, 16 de agosto de 2015

Gudicarmas - Dharma (2015)



A Gudicarmas, banda autoral surgida em 2011 no Recife, inicia o ano em fase final de produção do primeiro disco, intitulado ‘Dharma’. A singularidade de cada um dos integrantes, a saber Felipe Sitonio (violão, guitarra, gaita e voz), Mateus Guedes (guitarra, bateria e voz), Otávio Carvalheira (baixo e voz), Pedro “Paca” Valença (percussão e efeitos) e Rafael Cunha (bateria, sintetizador, gaita e voz) está devidamente mesclada nas composições reunidas para o novo trabalho, a ser lançado em 16 de agosto de 2015. A co-produção e mixagem do disco é assinada por Diogo Guedes (Banda de Joseph Tourton, Rua), e masterização de Bruno Giorgi (Rua, Lenine, Cícero).

O nome da banda, aparentemente esquisito, reúne o conjunto de ações que resultam em consequências (o popular “Karma”) com acordes e arranjos complexos que inspiram sensações inebriantamente boas (leia-se, do inglês, o “Good”). Daí, tem-se o abrasileirado "Gudicarmas". 



As 11 composições presentes em ‘Dharma’, algumas delas regravações de músicas do primeiro EP intitulado ‘Gudicarmas (2012)’, possuem uma temática que permeiam vários meios: política, loucura, amor, cotidiano. As influências sonoras presentes no disco trazem o movimento Udigrudi (Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Aratanha Azul) como forte semelhança e inspiração, além de variados ritmos musicais: Baião (Faixa ‘Eu, Ela e o o Mar’‘Almôndegas’), Dub & Reggae (‘Palácio de Paloccis’), Blues (‘Ávido’ e ‘Azuis Blues’), todos eles misturados com uma pitada de rock progressivo.


A trajetória da banda ao longo dos seus primeiros anos de existência contempla apresentações em eventos como: Feira ExpoIdea 2.0; Peixe Sonoro (2012, Nascedouro de Peixinhos); Seletiva Pré-AMP (2013); Grito Rock – Recife e Paulista (2013); Virada Cultural de Campina Grande (2014); Campus Festival João Pessoa: Gudicarmas + Vanguart (2014); Festival Visionário BoiKot (Serra Negra, 2014) e São João Multicultural de Arcoverde (Palco Mutimusical, 2015). 

Download: Dharma


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Orquestra Contemporânea de Olinda - Bonfim (2015)




Bomfim é um disco que poderia chamar-se Guadalupe, Amaro Branco, Bonsucesso, Maruim...Toda Olinda lá de baixo, periferia às margens do sítio histórico, descreveria bem a essência do terceiro álbum de carreira da Orquestra Contemporânea de Olinda (OCO). Neste trabalho, a banda que desde 2008 trilha um caminho crescente no cenário da música brasileira, volta confortável para casa. O bom fim de um ciclo criativo para um recomeço, com tudo de melhor que a palavra traz. Retorno ao que Olinda tem de mais rica: os moradores, os candomblés e seus afoxés, os cocos de umbigada, do Pneu e da Xambá. As loas de maracatu da Tabajara. As figuras fantásticas, como o Cariri, em um carnaval reconhecido no mundo todo. Os sete músicos pernambucanos, de performance sempre surpreendente no palco, vivem, se alimentam dessa Olinda transbordante de arte e autorreferências, ao mesmo tempo cosmopolita, transitando lado a lado com o que vem de fora.

Dessa mistura de tradições e influências, Gilú Amaral (percussão), Rapha B (bateria), Hugo Gila (baixo), Juliano Holanda (guitarra), Tiné e Maciel Salú (vocais), e ainda um dos mais expressivos saxofonistas do país, o Maestro Ivan do Espírito Santo, unem-se a um trio de metais (trompete, trombone e tuba) vindo do Grêmio Musical Henrique Dias, primeira escola profissionalizante de frevo de Olinda, em atividade ininterrupta desde 1954. Após oito anos de estrada, a Orquestra Contemporânea de Olinda nunca se sentiu tão ela, tão segura do seu lugar e da força da música que faz e carrega.

Os primeiros shows de lançamento de Bomfim já estão agendados para junho: começam no dia 18 e 20 no Rio (RJ), 19 em Niterói (RJ), 25 em Goiânia (GO) e 26 em Brasília (DF) . Além do show no Teatro Oscar Niemeyer, em Niterói, a banda ainda tem garantida pela Petrobras a circulação do espetáculo por várias capitais brasileiras, como Belém, Manaus, Fortaleza, Juazeiro do Norte, Salvador, Recife, Goiânia, Cuiabá, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e São Paulo. Além do lançamento em streaming, a banda projeta a venda das principais lojas do país de Bomfim em embalagem digipack e vinil.

Conceito - Bomfim é 100% autoral, gravado no Fábrica Estúdios (PE). O disco traz 11 faixas com produção e direção musical são assinadas por Juliano Holanda e Orquestra Contemporânea de Olinda. O designer gráfico é de Sebba Cavalcante sob conceito de Aline Feitosa e fotografias de Beto Figueiroa. Os grafismos são de Maria Morena e de Zelão, um dos últimos artistas populares da 'escola' de Bajado. Zelão morreu em Olinda logo após a conclusão deste trabalho para a Orquestra Contemporânea de Olinda, em dezembro de 2014. A máscara usada pelo menino da capa é de Julião das Máscaras, terceiro da geração de uma família que mantém viva a arte das fantasias com papel marchê no bairro do Guadalupe, Olinda. O show traz cenografia de Renata Gamelo e light design de Roberto Riegert. A Quatro Cantos Produções faz a produção executiva deste terceiro disco de carreira da OCO.
Trajetória - Com o primeiro disco, homônimo, lançado em 2008 (Som Livre), a Orquestra Contemporânea de Olinda conquistou indicações ao Prêmio da Música Brasileira (2009), Grammy latino (2010), teve o show considerado um dos melhores de 2009 pelo Jornal O Globo e ganhou meia página do The New York Times pela apresentação feita no Lincoln Center (NY), em 2010, na primeira turnê pelos EUA. Em 2012, a OCO lançou o elogiado disco "Pra ficar", que teve como produtor musical o conceituado Arto Lindsay.

Em 2013, a OCO apresentou showcase na WOMEX, maior feira de música do mundo, o que garantiu a 4ª turnê internacional do grupo, que ocorreu o fim de 2013. Nos dois anos seguintes, a Orquestra circulou por todas as regiões brasileiras. Apresentaram-se em grandes festivais, como o Se Rasgum (PA) e o Psicodália (SC); levou o público para ferver em praças públicas, como na acolhedora Pirenópolis, no Centro-Oeste, e na capital federal. Fez shows históricos em Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, São Paulo e Florianópolis. Encerrou a turnê do álbum "Pra Ficar" numa emocionante apresentação com lotação máxima no Teatro Santa Isabel, no Recife.







segunda-feira, 1 de junho de 2015

Zé Manoel - Canção e Silêncio (2015)




—Zé Manoel! De onde saiu este cara?
Uns quatro anos atrás, uma amiga me passou um CD demo, de um músico seu conhecido, a quem cobriu de elogios, pediu que eu desse uma escutada. O disco repousou um bom tempo, acho que uns dois meses, num móvel perto do computador, fazendo companhia a outros que separei pra conferir. Um belo dia, olhei de lado e a vista caiu sobre o tal CD demo. Um “Zé Manoel” escrito em letras azuis. Coloquei o disco no drive do computador, e já comecei a gostar, mal soaram os primeiros acordes, acho que de Samba tem, que era feito se Edu Lobo cantasse um afro samba de Baden e Vinicius.
     
Aumentei o volume das caixas de som, e deitei no sofá pra escutar o disco. A cada canção mais eu me perguntava de onde tinha saído aquele cara. Ninguém compunha mais daquela maneira. Pelo menos ninguém da geração nascida a partir da década de 80. Canções, com começo, meio e fim, harmonias requintadas, como se fazia nos anos 60. Zé Manoel cantava acompanhando-se ao piano, em algumas faixas com uma banda. Me entusiasmei pela demo. Virou trilha dos nossos papos no Frontal, um bar na Mamede Simões (point descolado do Recife, pra quem não sabe). Devo ter convertido muita gente à música de Zé Manoel, a quem conheci, algum tempo depois, ali mesmo na dita Mamede.
   
Agora, eis-me cá, incumbido da tarefa de escrever sobre seu segundo álbum, Canção e silêncio, viabilizado pela aprovação num edital do Natura Musical, que lhe proporcionou gravar como acontecia numa época de vacas gordas para a indústria fonográfica. Deu-lhe condições, por exemplo, de convidar dois dos mais destacados produtores do país na atualidade: o gaúcho Carlos Eduardo Miranda (Produção musical) e o carioca Kassin (Produção adicional de bases). A princípio, pode parecer estranho a dupla num mesmo disco, são estilos diferentes, não trilham a mesma seara sonora. Não trilhavam, porque boas ideia convergiram para um mesmo ponto. Por mais elementos que tenham acrescentado, o que prevalece nas treze faixas do álbum é Zé Manoel, piano e voz.
   
Nesses quatro anos, Zé mudou, continua criando melodias engenhosas e belas, com ótimas letras. Porém diferentes do que fez no primeiro disco. As novas canções não arrebatam, apoderam-se de quem as escuta, lenta e inexoravelmente, como o rio São Francisco inundando terras ribeirinhas. Zé Manoel é dotado do raro dom da sutileza, e de contornar o fácil. Ao longo do disco há intervenções dos maestros Letieres Leite (BA), Mateus Alves (PE) e Fabio Negroni (RJ), que assinam arranjos de, respectivamente, cordas, madeiras e metais, mas o alicerce, a espinha dorsal é a formação instrumental clássica, de piano, baixo (Kassin), e bateria (Tutty Moreno). De participações especiais, uma deferência à Petrolina, na voz de Dona Amélia, do Samba de Véio, da Ilha do Massangano, no rio São Francisco (em Mãe d´agua) e o canto privilegiado de Isadora Melo, nova cantora pernambucana (prestem atenção neste nome) , afinadíssima, sem vibrato esbanja talento em Volta pra casa, mais uma canção marinha.
   
Nascido em Petrolina, onde são onipresentes as águas do “Velho Chico”, e morador no Recife, entrecortada de rios, e que tem o mar como ponto de confluência, Zé Manoel não tinha como não fazer das águas, doce e salgada, seu referencial. No disco anterior, a canção que norteia o repertório é o maracatu Saraivada de Felicidade, que conta a expectativa e o deslumbramento do viajante que se depara com a imensidão do oceano. Neste Canção e Silêncio, Zé Manoel varia de temas, mas o mar é quem traça o roteiro, que ele singra navegando sobre ondas, quase sempre, mansas: “E vem o mar/com seu azul e vem o mar/com sua espuma, vem o mar/com suas algas e vem o mar/com suas ondas/ vem o mar com a sua força/vem o mar com seu bramidos/ e vem o mar com seus rugidos, vem o mar... e deposita sobra a areia/cachos de estrelas marinhas (O Mar – letra de Sergio Napp e música de Ze Manoel).
   
Um disco que começa com chuva, um temporal, com Água Doce, um baião, em andamento lento, piano e voz, em tons graves, relâmpagos e trovões, então vem a calmaria num cantar suave, e inocente como uma parlenda: “Acorda vem ver a chuva/aguando o pé de laranja lima”. Que termina com Estrela Nova (letra de Dulce Quental): “Tempo, tempo/solta as velas contra o vento/deixa ir”, melodia com requintes chopinianos (Zé Manoel estudou piano dos dez aos 18 anos). “Há uma história central que serve de roteiro para toda a escuta do disco. É uma história real de um pescador da cidade de Olinda, que ao se deparar com a morte e desaparecimento no mar, do seu filho, também pescador, depois de tentativas frustradas de resgate pelos bombeiros, resolve armar a sua rede e com toda sua experiência e sabedoria de homem do mar, consegue pesca-lo”, comenta Zé Manoel.
   
A canção desta história central chama-se Sereno Mar, a letra mais longa do disco, um mini roteiro. Lembra os mares bravios de Dorival Caymmi, porém o mar de Zé Manoel não é especificamente o mar de Pernambuco, é o mar como metáfora. Sereno Mar recebe um arranjo de cordas (Letieres Leite), à Villa-Lobos, mais percussões, as variações no andamento lhe reveste de um clima cinematográfico. “É um disco de canções marítimas, em referência e reverência ao universo de Caymmi, mas também de canções ribeirinhas e urbanas”, ressalta Zé. O elemento água presente na chanson Cheio de vazio, melancólica, romântica, o personagem da letra caminha, triste, pela Rua da Aurora, margeada pelo Capíbaribe e onde, garantem, nasce o sol mais bonito no Recife. Na mesma Aurora, há uma escultura do poeta Manuel Bandeira a contemplar o Capibaribe.
   
Este disco também confirma Zé Manoel como um grande autor de canções, ou seja, de músicas que não se comprometem com tempo e lugar. Nascem para ser eternas, sem vínculos com modas, ou tendências. Uma destas é a que dá título ao álbum, Canção em Silêncio, dos versos “Vejo a cada instante você indo embora/Eu não sei pra onde/Deve ser onde a alegria/ e o seu amor se escondem”. Aqui, ali, há regionalismos, como acontece em O Mar, Nas Asas do Mangangá, ou na carioquice de Cada Vez que Digo Adeus, um samba cadenciado, meio bossa nova (como ficaria esta na voz de Elis? Me pergunto, enquanto o ouço). Mas a maioria, feito, A Maio Ambição, Habanera Hobie Cat Acalanto (com Kassin e Mavi Pugliesi) e a citada Volta pra Casa se prestariam a ter letras em qualquer idioma, há universalidade em suas melodias.
   
O disco chega ao fim, com a harmonicamente rebuscada Estrela Nova. Finda as canções, o silêncio. Recomeço a ouvi-lo, me perguntando: de onde saiu este Zé Manoel? O cara, desde a supracitada demo, e agora este novo disco, me leva a lembrar de Nelson Rodrigues sugerindo que todo mundo deveria nascer de sapatos e guarda-chuva. Zé deve ter nascido assim, pela maturidade de sua ainda curta, mas já importante obra.


José Teles *jornalista, cronista, pesquisador de música popular, e escritor




terça-feira, 19 de maio de 2015

Metá Metá - EP (2015)



Enquanto a gente prepara o terceiro álbum, taí um EP, lançado às véspera da terceira turnê europeia. Nesse EP, aproveitamos para gravar as músicas que entraram no show mas ainda não tinham sido gravadas por nós. 

 O disco abre com Atotô, do Kiko, gravado originalmente em 2007 por ele e Juçara, no álbum Padê. A segunda faixa é Me Perco Nesse Tempo, conhecida pelo registro feito pela banda brasileira pós-punk "As Mercenárias", no disco "Cadê as Armas?". O EP fecha com o samba de Douglas Germano, Sozinho, com formação acústica, como o Metá fez em seu primeiro álbum de 2011. 

O EP foi gravado no dia 02 de abril de 2015 no estúdio El Rocha, por Fernando Sanches, que também mixou e masterizou o álbum.

Juçara Marçal: voz
Kiko Dinucci: guitarra, violão, voz
Thiago França: sax tenor e barítono
Marcelo Cabral: baixo
Serginho Machado: bateria

taca-lhe pau!!!

KIKO DINUCCI



Download: Metá Metá - EP


domingo, 17 de maio de 2015

Macumbia - Carne Latina (2015)



Macumbia é uma Banda híbrida sul-americana, que mistura ritmos caribenhos com os tradicionais brasileiros.
Acreditamos na união dos povos latinos através da música. Criando obras originais ao público que só quer dançar ou ficar hipnotizado com a alegria e força de cada apresentação. com seus integrantes de diferentes culturas e nacionalidades capazes de adicionar timbres e camadas de ambientes para criar obras originais ao público que só quer dançar ou ficar hipnotizado com a sua alegria e força em cada apresentação, por esta razão, suas letras são cantadas em Espanhol, Português e Inglês, abordando questões de todos os dias de nossos povos.
A banda nasceu em 2012, na litorânea João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, famosa por sua sonoridade rica culturalmente. 
Já em 2013, lançou seu primeiro álbum "chuta que é Macumbia"; alcançando impacto significativo sobre o movimento de bandas independentes do Brasil, sendo reconhecida pelos melhores blogs de música em toda a América Latina e Europa, como o Garage Membro Blogs, Liszt MTV Brasil, Rebel Sounds, e o mais famoso do Brasil chamado Amplificador na lista dos 20 melhores álbuns brasileiros para download gratuito. 
Em julho de 2014 criou uma página na Rede Social Facebook, e conta com mais de 1700 fãs de todo o mundo.
Atualmente estamos em fase de finalização do nosso segundo álbum chamado “Carne Latina", disco que, mesmo sem ter sido lançado, já está sendo jogado e explorado na maior parte de nossas apresentações/ shows e sendo extremamente aceito pelo público. Todas as músicas foram criadas com um único propósito: fazer com que a felicidade chege aos ouvidos, infectando o coração, cintura e pés de passaportes, fronteiras e culturas distintas. Tudo isso só foi possível com a evolução da Banda neste processo de criação das músicas e surgiu a possibilidade de expandir o grupo, agregando músicos da Amazônia, Paraíba, Venezuela e Norte- Americano. E se for pra misturar, que seja musica e dança.


Download: Carne Latina


sábado, 16 de maio de 2015

Graxa - Aquele Disco Massa (2015)




O “cronista do Jiquiá” ataca novamente! O cantor e compositor Graxa lançou, nesta segunda (11), o seu segundo álbum, Aquele Disco Massa. O novo trabalho do músico está disponível, para streaming, na plataforma virtual bandcamp e traz 12 faixas onde a veia cáustica e, ao mesmo tempo, bem humorada, se faz presente em cada uma delas. 
No seu primeiro álbum, Molho (2013), Graxa fala de situações diversas do cotidiano, com boas pitadas de irreverência. Em Aquele Disco Massa, ele tem como alvo do seu discurso, em boa parte das músicas, a indústria cultural e a sua interferência na relação artista x mercado. A sonoridade do disco também ganhou quilos de robustez com relação ao anterior. Graxa, agora, se aprofunda no universo do rock. Guitarras mais pesadas compõem a sonoridade das canções, que podem ir do blues ao romantismo, mas sempre com uma “guitarra pancada”, como diz o músico.
O processo de gravação, também diferente do seu primeiro disco, trouxe mais organicidade ao som. Em Molho, as músicas ainda não contavam com uma banda-base e as baterias foram criadas em programações de computador. Dessa vez, Graxa, que agora já tem sua banda formada e ensaiada para as gravações e shows – Rama Om (guitarra) e Tiago Marditu (bateria) -, optou por trazer para o disco um som mais orgânico, com sonoridade de banda. As baterias foram gravadas no estúdio Engenho do Som, em Engenho Velho. Os demais instrumentos foram captados no estúdio Duzamigos, na Boa Vista, e também na casa do próprio Graxa. A mixagem e a masterização ficou a cargo de Adriano Leão, do Estúdio Pântano. A foto da capa foi feita por Igor Marques e o projeto gráfico do disco é do artista visual Daaniel Araújo.
Assim como no trabalho anterior, Graxa agregou os amigos músicos para colaborarem com o som de Aquele Disco Massa. Ao longo das 12 faixas, são várias as participações: Isaar, Juliano Holanda, Claudio N, Grilowski, Hugo Coutinho, Leo Vila Nova, Julio Andrade, Filipe Franco, João Tragtenberg, Deco do Trombone, Leonardo Luiz e D Mingus.
Souvenir retrô
Se em Molho, Graxa lançou uma tiragem em vinis, pelo selo Media 4 Music, com Aquele Disco Massa o músico surpreende e já está providenciando uma tiragem em fitas K7, de forma independenter Segundo ele, as fitas poderão se tornar um souvenir, mas também terão uma funcionalidade: através de um QR-Code, quem adquirir a fita poderá fazer o download do álbum completo para o smartphone.

Download: Aquele Disco Massa




quarta-feira, 13 de maio de 2015

Siba - De Baile Solto (2015)




Neste álbum, que sucede "Avante", mais roqueiro e o seu primeiro solo, o pernambucano faz uma retomada rítmica de suas origens, que remete à música de rua, de ritual e do maracatu.
"'Baile" é um olhar ao meu redor. Tem uma poética familiar, um assombro com a natureza, mas parte de um questionamento político", explica o cantor. O questionamento, segundo ele, vem da posição desprivilegiada que o Maracatu de Baque Solto ocupa no panorama cultural do país. Em fevereiro de 2014, em Nazaré da Mata, na Mata Norte de Pernambuco, conhecida como a capital estadual do maracatu, representantes de grupos que promovem festas de rua ao som do ritmo nordestino relataram que a Polícia Militar estava restringindo às 2h o término das apresentações, que tradicionalmente ocorrem até o amanhecer. Siba foi um dos artistas a se mobilizar pela causa na internet. "Ensaio de maracatu vai até o amanhecer, por costume secular. Para o maracatuzeiro, maracatu só é maracatu se amanhece o dia. Se não, vira "folclore", palavra usada na região para denominar todo tipo de apresentação artificial, show pra turista", escreveu em sua página do Facebook no ano passado. Após uma audiência ficou decidido que maracatus de baque solto e virado do município poderiam fazer seus espetáculos até as 5h, conforme dita a tradição. O contexto influenciou a produção. "Esse disco ["De Baile Solto"] não é sobre uma situação, mas parte de uma situação desta vila de Pernambuco. O governo resolveu proibir uma festa tradicional. Foi muito discutido. Parte muito disso e de leituras de coisas que eu vi", conta o músico. "Retomando a referência na musica de rua, eu precisei repensar o nosso lugar na sociedade", continua.
Por isso, entre as dez faixas do seu novo trabalho, há letras politizadas que falam de consumo em excesso, de "passar no caixa, voltar sempre e comprar mais" ("Marcha Macia"), ou sobre a desigualdade social, em que "quem tem dinheiro tem nome, quem não tem não é ninguém" ("Quem e Ninguém").
"Pra mim, no fim das contas, o disco é a pratica da poesia. A ideia de assimilar o que faz qualquer um poeta tradicional: cantador de viola, cantador de coco, cirandeiro. Poetas que tem a música como veículo", explica. "Em 'Mel Tamadindo' talvez seja mais evidente a exaltação a essa figura da voz da rua. É uma referência a uma dança em roda em que o poeta tem quatro ou cinco horas para mostrar um repertório de improviso. A faixa é uma ode a essa atividade que é tao importante, tao bonita, inspiradora".

NATÁLIA ALBERTONI

Download: De Baile Solto


domingo, 10 de maio de 2015

Tulipa Ruiz - Dancê (2015)



Se em 2010 me perguntassem o que eu levaria para uma ilha deserta, a resposta seria um disco que acabava de ser lançado sob a classificação de “pop florestal”, de uma cantora que gritava feito Tetê Spindola e que me fazia querer andar com ela pelas ruas de São Paulo. A resposta à hipotética questão ainda seria a mesma hoje. Efêmera nunca deixou de ser meu disco favorito e, quando veio Tudo Tanto (2012), eu fechei os olhos como quem espera um baque, temeroso de que Tulipa Ruiz me decepcionasse. Cruzei os dedos ao dar o play, mas É, primeira faixa do álbum, já mostrou que ela continuava sendo mesma, mesmo estando diferente. Em Efêmera, nenhuma música é de se jogar fora e o disco é um acerto do começo ao fim, enquanto Tudo Tanto, que também veio com 11 faixas, tem apenas uma questionável. (Não ruim. Questionável).

Em março do ano passado, a cantora paulista lançou o single Megalomania, que poderia ter sido a música do carnaval se Lepo Lepo não estivesse tão em alta – e se o mundo fosse mais justo. Era um anúncio do que seria Dancê, lançado neste mês, e era também uma pequena amostra de uma Tulipa ainda mais festeira. Como era de se esperar, o álbum é dançante, do tipo que você não iria deixar tocando em uma festa, mas escolheria algumas faixas para animar, intercalando com A Cor do Som (Zanzibar), Kilario (Di Melo), Haja Amor (Luiz Caldas), Chega Mais (Rita Lee) e até, quem sabe, assim só para ousar, Conga (Gretchen). Tulipa Ruiz já abre o disco com as cordas aquecidas, enquanto grita “Começou!” em Prumo. Ao ouvinte, resta dançar.

Dancê é fruto de mais uma parceria com seu irmão e produtor Gustavo Ruiz, e nasceu de uma temporada de reclusão da banda no interior de São Paulo, sem celulares e internet, o que parece ter feito com que o resultado fosse ainda mais autêntico. Os instrumentos de sopro estão mais presentes e, somados aos teclados, definem a discoteca de Tulipa no estilo dos anos 80. É, a faixa que abre Tudo Tanto, pode ter sido o prenúncio de Dancê, já que seu clima pop rock se repete agora em Jogo do Contente (não tão grudenta como as demais, essa é aquela música para aproveitar para ir ao banheiro, mas continuar dançando), Elixir e Expirou (Gal Costa, é você?). Virou é quase uma festa de família. Para a faixa foram convidados o cantor paraense Felipe Cordeiro e seu pai, o guitarrista Manoel Cordeiro, para se juntar a Tulipa, Gustavo e seu próprio pai, Luiz Chagas.


Tulipa sabe escolher suas parcerias. Logo na abertura de Efêmera, na faixa que dá nome ao disco, a cantora é acompanhada por Céu, que empresta sua voz para suspirar “vou ficar mais um pouquinho”. Em Víbora, no segundo álbum, Criolo participa como um personagem que ri e respira forte enquanto Tulipa fica encarregada de gritar uma canção-xingamento. Em Dancê, ela adapta seu trabalho ao que o convidado se sente mais confortável a fazer – e nada bem na praia de cada um deles. Aparece João Donato dando ar de bossa nova a Tafetá, de onde sai o título do disco, quando ela sussurra “danse avec vouz”. Chamar Kassin para participar de Físico, uma balada à la Frenéticas, foi uma boa ideia - se tivesse chamado Lucas Santanna, a festa ficaria ainda melhor. Quem escuta Algo Maior, a faixa que encerra Dancê, pela primeira vez e sem se informar que estão presentes ali os integrantes de Metá Metá, pode ficar confuso e se perguntando: essa é a voz de Juçara Marçal? Esse é o barítono de Thiago França? Essa é a guitarra de Kiko Dinucci? Sim, são. As vozes de Tulipa e Juçara se encaixam tão perfeitamente, que parecem ser uma só. De tão natural que a vocalista do Metá está na canção, você esquece quem é participação especial e quem é que está lançando o CD.

Além dos convidados que estiveram no disco, marcam presença silenciosa na festa de Tulipa, o gingado de Sandra de Sá, Paralamas do Sucesso e muitos outros que são a cara da música nacional dos anos 80. Proporcional é um exemplo disso. Aquela Tulipa fofinha e romântica talvez só chegue ao dancefloor na melosa Oldboy, uma faixa para os que esperam canções de amor ao estilo de Do Amor e Só sei dançar com você. Mas morre aí. Em Reclame, Tulipa mostra um senso de humor inédito em seu trabalho. Quem jamais a imaginou cantar “trato azedume e mau-olhado / quebreante, vício / trato treta de trabalho / trabalho com amarração”? Quem já está acostumado às loucuras de Rafael Castro e Tatá Aeroplano não vai estranhar essa versão party harder de Tulipa Ruiz. Quem ainda espera versos tristes, é melhor abrir uma cerveja e ir para a pista, porque Tulipa já está dançando.

DOWNLOAD: DANCÊ
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Pedro Philippe é jornalista da CARIRI Revista

Cícero - A Praia (2015)


A primeira impressão é a que fica. E esse é o problema de Cícero. Canções de Apartamento foi uma das melhores surpresas de 2011 (ano em que também estreou Bixiga 70) e, inevitavelmente, gerou expectativa para os próximos lançamentos do cantor carioca. Sábado veio dois anos depois, mas parece ter sido um EP que Cícero gravou em um fim de semana de ócio. Os fãs não reclamaram, a crítica não deu muita atenção, Cícero não entrou para o esquecimento, mas também, definitivamente não ganhou mais público graças ao seu segundo disco. Poderíamos dizer que o azar de Sábado foi ter vindo depois do Canções - álbum recheado de hits, onde praticamente nenhuma faixa se descarta - mas a verdade é que, se invertêssemos a ordem, e se aquele álbum de 2013 tivesse sido o seu primeiro, dificilmente estaríamos falando dele hoje, já que não é um trabalho bom a ponto de consagrar um artista como Canções de Apartamento conseguiu fazer.

Cícero conquistou um público e pôde mantê-lo. As faixas de seus discos (e também eles) têm uma sequência. Primeiro, de seu apartamento, ele entregou uma obra simplista e caseira, onde se ouvem sons de grilos, pássaros e chuva. É um disco que é a cara do Rio de Janeiro nublado, fim de tarde e cerveja gelada. Depois, um sábado de chuva, onde ele ousa sair do apê, andar pela “avenida, bairro e redondeza”, como ele canta em Asa Delta, e “visitar seu prédio”, como em Por Botafogo. Agora Cícero foi mais longe. “Ela me tirou de casa / ela me levou à praia”, diz na música que dá título ao seu terceiro disco. A praia começa com Frevo Por Acaso nº 2, como continuação da música que encerra Sábado. Os discos continuam a dialogar nas faixas que mencionam um tal caminhão de gás, que vem pra suprir necessidades ou explodir tudo. Também como continuação, ele mais uma vez entregou um trabalho que só ele entende e que dialoga pouco com o público. Rodrigo Amarante fez algo parecido em Cavalo, um disco altamente pessoal, particular e que pouco interage com o ouvinte.


A Praia é o tipo de disco que pode ficar no repeat por horas, sem ser notado. O que é uma pena, já que Cícero é tudo menos entediante. Quem antes queria passar um fim de semana em seu apartamento, agora não vai aguentar dar duas voltas na praia com ele. Depois de já ter sido incomparável, Cícero agora ficou mais parecido com outros nomes da dita “nova MPB”, tipo Castelo Branco e Wado. Não que isso seja ruim, é ótimo. Para quem estiver conhecendo o cantor agora, ele pode ser apresentado como: "é tipo a Banda Mais Bonita da Cidade, só que bom”. Isso, sim, é péssimo.

Versos do Canções que falavam em “discutir Caetano” e “fala pra ele do disco do Tom Jobim” explicitavam as referências de Cícero nos nossos clássicos, que só se fizeram sentidas nos discos seguintes, como em Duas Quadras, um sambinha que parece ter sido extraído de Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo (1972), e em Soneto de Santa Cruz, cuja letra lembra composições de Chico Buarque.

Duas faixas se sobressaem em A Praia: De Passagem, que, em um determinado momento, puxa um acordeon, uma zabumba e um triângulo, que, mesmo triste, faz um forrozinho que qualquer banda de pé-de-serra poderia fazer cover e todo mundo iria adorar; Terminal Alvorada, que, por conta dos instrumentos de sopro e da bateria levam para um “jazz indie” e que encerra o disco dizendo “faz um tempo eu não sei o que é saudade”, diferente de todo o clima saudosista e nostálgico de seus trabalhos anteriores, deixando a sensação de que, se continuar seguindo uma lógica, Cícero vai nos presentear com algo muito bom em breve. Então melhor voltar para o apartamento antes que comece a chover.

DOWNLOAD: A PRAIA
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Pedro Philippe é jornalista da CARIRI Revista

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Wado - 1977 (2015)




Wado é o nome artístico de Oswaldo Schlikmann Filho, cantor e compositor brasileiro de música popular, nascido em Florianópolis e radicado em Maceió desde os oito anos de idade.
Com mais de dez anos de estrada, Wado traça caminho sólido e estilo musical com referências de samba, rock e de inúmeras variantes da MPB. A discografia vigorosa e elogiada por público e crítica combina composições autorais e parcerias com Zeca Baleiro, Marcelo Camelo, Chico César, Momo, Lucas Santtanna, Fernando Anitteli e tantos outros. Wado também já foi gravado por Marcos Valle e Maria Alcina.
Agora, ele brinda seu público com um novo disco: 1977.
Wado, 1977

O norte sem norte: o não se repetir. O novo disco de Wado segue na contramão do anterior, Vazio Tropical, e tem uma abordagem mais expansiva nas canções, usando a linguagem do rock. A estética, inclusive, se coloca antes dos conteúdos: os arranjos mandam nas canções. O disco traz esse espírito sem fronteiras do rock’n’roll e contém sotaques do mundo, que estão nas vozes de convidados do Uruguai, Alemanha, Portugal, Brasil e Argentina.


Download:  1977


terça-feira, 5 de maio de 2015

Eddie - Morte e Vida (2015)




Surfrevo
Juntando blues e samba, frevo e surf music, Caribe e Recife, a banda Eddie chega ao sexto álbum levando o Original Olinda Style à maturidade — sem perder pegada nem frescor
por Ronaldo Bressane*
Eddie — a mais rápida das bandas lentas, ou a mais lenta das bandas rápidas — está de volta. Liderando o Original Olinda Style — frevo no punk, Caribe no mangue —, Fabio Trummer e seus asseclas trazem, em Morte e Vida, uma releitura muito particular do cabralino Morte e Vida Severina. É um álbum solar como a Olinda em que nasceu, nos surfrevos e nas baladas de amor; mas também guarda uma musicalidade enigmática como as esquinas olindenses, seja nos sambas de acento punk, seja nas canções em que o romantismo exibe seu sabor mais amargo.
            É como se o álbum se equilibrasse entre a louvação da festa e a crítica social — na verdade, dois pilares em que o grupo se sustenta há 25 anos, quando apareceu com a geração que trouxe ao mundo o manguebeat. As subidas e descidas das ladeiras dão a tônica do Original Olinda Style: euforia e melancolia, lirismo e política convivem na mesma batida e na mesma canção. Trata-se do sexto álbum da banda, o primeiro em quatro anos: Veraneio (2011), Carnaval no Inferno (2008), Metropolitano (2006), Original Olinda Style (2002) e Sonic Mambo (1998).
            Os contrários convivem na buena no corpo sonoro da Eddie, onde há espaço para Serge Gainbourg, Chavela Vargas, Sivuca, Sleaford Mods, Luiz Gonzaga, Leonard Cohen, João Gilberto, Nick Cave, Manoel de Barros, Patativa do Assaré e até Xico Sá. O apego à identidade musical brasileira contemporânea, abençoada por íconesda presença de Jorge Mautner e Novos Baianos, coloca o trabalho de Eddie no mesmo universo onde desfilam nomes como Otto, Lucas Santtana, Cidadão Instigado e Criolo.
            O som coeso demonstra a consistência de princípios de uma formação unida há 12 anos: Kiko Meira na bateria, Rob Meira no baixo, Alexandre Urêa na percussão e voz, Andret Oliveira no teclado e trompete, Trummer na voz e guitarra. O frontman parou entre março e novembro de 2014 para compor as canções em sua casa em São Paulo. Gravou tudo na voz e violão, enviou aos parceiros da banda, e já em fins de novembro e dezembro a Eddie começou a ensaiar e arranjar as faixas. Gravaram uma pré-produção e no primeiro dia útil de janeiro — pense num mês difícil pra trabalhar em Pernambuco! —, o quinteto se fechou no estúdio Fruta Pão, ali mesmo em Olinda; foram quatros semanas até gravar todas as 11 faixas. Em seguida o álbum foi mixado no Recife pelo usual companheiro Berna Vieira, e, em seguida, masterizado no mítico estúdio El Rocha, em São Paulo, pelo produtor Fernando Sanches Takara.
Faixa a faixa
            Uma das melhores canções do álbum, "Queira não" começa devagar, na manha, sussa, de boa, meio samba, meio blues, a voz de Fabinho cada vez mais grave — o registro lembra um pouco Zé Ramalho, referência distante mas importante. É uma faixa de fato severa:"Preto Velho, pense merda não que o mundo já tá cheio, isso não é solução", aconselha o cantor. Parece uma crítica às exasperações políticas dos últimos anos, que fizeram das ruas um FlaXFlu insensato: "Desculpe a gentileza/ eu desculpo o empurrão". Assombrações não só do Recife Antigo como do Brasil novo, que Trummer trata de espantar com a usual elegância, como já havia feito em "Desequilíbrio".
            Na onda do clássico "Quando a maré encher", o surfrevo "Quebrou, saiu e foi ser só" tem um trecho que quase cita a cadência de um berimbau, invertido; é canção que quase comemora e ao mesmo tempo quase chora um amor que se perdeu. Envolto em cordas melancólicas — no cello de João Carlos e no solinho de guitarra limpo, habitualmente sem firulas nem efeitos, de Trummer —, o surfrevo é uma sofrência chorada com estilo e classe. Também no segmento de canções rápidas pero lesadas, "Carnaval de bolso" é outro frevo espacial temperado de surf music e malemolência caribenha. Prossguindo uma tradição festeira da Eddie ao bordar de rock o carnaval, oferece seus mandamentos: "Isso sim eu dou valor: praticar meu festejar (...) um ano inteiro de ressaca é a hora do juízo final".
            Recordando o cancioneiro de Nick Cave, "Longe de chegar" é um rock pesado e lento,suavizado pela voz de Karina Buhr — auxílio luxuoso e constante, este já é o quinto álbum da Eddie de que a cantora participa. Falando em "Sempre tão distante/ longe de chegar/ lugar tão diferente/ lugar tão singular", a balada cita os encontros e os desencontros do amor, tema que perpassa todo o álbum.
            "A prova do crime é o corpo à prova de Deus/ ao provar a bala, morto/ a prova morreu."A faixa-título "Morte e vida" combate o bom combate: contra a violência urbana, aceno à pazsem pieguice: de sabor setentista, o rock quase reggae mostra como as palavras podem semear a discórdia. A canção faz par com "Pedrada certeira", que parece ecoar a famosa frase de Einstein:"Não sei que armas irão usar na Terceira Guerra, mas sei que na Quarta combaterão com paus e pedras". Enquanto o backing vocal de Karina lembra as agressões — "Mata, mente, morta, vende/ soco, chute, risca-faca/  marca, fere, fogo, ferve/ canto, ferro, corta, rasga" — , Trummer comanda a ciranda-pogo neste punk rock crítico e pacifista, na linha das primeiras canções da Eddie.
            "Tentei te ligar" traz o conhecido balanço dabanda:um jeitão meio bolero, é música pra dançar juntinho, pra fazer um chamego na gata, no gato, na pista, sob luz negra e globo espelhado, pra mandar um recado sob as brumas do álcool. O acento cubano remete àintrínseca identidade do Recife com o Caribe negro, sem deixar de fazer seu aceno ao brega presente na obra da mexicana Chavela Vargas, influência assumida por Trummer: "Já tentei te ligar, também não consigo dormir/ já desisti de pensar, mas não consigo cumprir/ já decidi te largar, me prometi outro amor/ me preparei pra bailar, mas sempre falta sabor".
            Presente na trilha sonora de Que horas ela volta?, premiada produção de Anna Muylaert a estrear em 2015, a balada atmosférica "Meu coração" é uma declaração de amor de ressonâncias gainsbourguianas:"Foi meu coração que me entregou pra tu/ fazer do meu coração o que tu quiser".A melodia levemente acompanhada pelo trompete e os teclados de Andret Oliveira faz a canção circular classuda e bêbada.
            Mas de que se alimenta o compositor, fora amor, greia e maresia? Saci, flor, rede e as palavras de Xico Sá, Manoel de Barros e Patativa do Assaré, detalha Trummer em "Alimenta o compositor". O clima relaxado de uma tarde malandra na praia Del Chifre, em Olinda, ou em seus misteriosos quintais, sugere, neste samba groove lento, o que vai por dentro do compositor: "Ondas gigantes, sotaque imigrante, pimenta, pólvora, fogo e sal/ suspiro, bocejo, cantiga, cortejo, frenesi, festa no quintal, bebida, folguedo, alegro cantante, pureza, dureza, pobreza, derrota e castigo/ o bem-estar e o não estar contigo".
            Também estrelando a trilha de Que horas ela volta?(que, aliás, levou o prêmio de melhor filme de público no Festival de Berlim), "Essa trouxa não é sua" evoca o samba minimalista de João Gilberto. Adornado pelo cello de João Carlos e temperado pelos scratches sacanas de KSB e a percussão macumbeira de Jam da Silva, parece um samba feito nos anos 30 ou 40; parece um samba feito antes do samba: "Solta esse cabelo e te alegra/ quando é que a gente erra/ vendo o mundo melhorar?/ Larga que essa trouxa não é sua/ vem cuidar da roupa tua/ tão bonita de usar".
            Parceria com Erasto Vasconcelos e os irmãos Meira, "Olho você" é um suave rock oitentista que mostra o compositor docemente contemplando a mulher amada — que negaceia mais um carinho, mas ainda assim sugere uma próxima sessão de sabe-se lá o quê: "Não venha você me dizer que não quer/ não venha você dizer que lá nos sonhos os sons são azuis, como um mar, como um céu, como um blues". Afinal, o céu já parece residir ali entre os lençóis, não?
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Ronaldo Bressane é escritor e jornalista, autor de V.I.S.H.N.U. (Companhia das Letras), Mnemomáquina (Demônio Negro) e Sandiliche (Cosac Naify), entre outros


Download:  Morte e Vida


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Lucky Chops - EP (2015)



Nascido e criado na cidade de Nova York, o Lucky Chops têm vindo a fazer feito os EUA dançar com sua mistura de funk, gospel, jazz, rock e world music desde 2006.

Com energia contagiosa e a sua extrema musicalidade os tornou uma dos mais movimentados e mais procuradas bandas de música em Nova York. A versatilidade musical da banda já os levou a executar em uma variedade louca de configurações, incluindo casamentos indianos tradicionais, Oktoberfests, desfiles, festivais de jazz e até mesmo no metrô de Nova York sistema como parte do programa MTA's Make Music . Além de concertos públicos, a banda mantém uma rotina bastante ativa se apresentando em eventos particulares e festas em Nova York e no exterior.

Download: Lucky Chops