terça-feira, 19 de maio de 2015

Metá Metá - EP (2015)



Enquanto a gente prepara o terceiro álbum, taí um EP, lançado às véspera da terceira turnê europeia. Nesse EP, aproveitamos para gravar as músicas que entraram no show mas ainda não tinham sido gravadas por nós. 

 O disco abre com Atotô, do Kiko, gravado originalmente em 2007 por ele e Juçara, no álbum Padê. A segunda faixa é Me Perco Nesse Tempo, conhecida pelo registro feito pela banda brasileira pós-punk "As Mercenárias", no disco "Cadê as Armas?". O EP fecha com o samba de Douglas Germano, Sozinho, com formação acústica, como o Metá fez em seu primeiro álbum de 2011. 

O EP foi gravado no dia 02 de abril de 2015 no estúdio El Rocha, por Fernando Sanches, que também mixou e masterizou o álbum.

Juçara Marçal: voz
Kiko Dinucci: guitarra, violão, voz
Thiago França: sax tenor e barítono
Marcelo Cabral: baixo
Serginho Machado: bateria

taca-lhe pau!!!

KIKO DINUCCI



Download: Metá Metá - EP


domingo, 17 de maio de 2015

Macumbia - Carne Latina (2015)



Macumbia é uma Banda híbrida sul-americana, que mistura ritmos caribenhos com os tradicionais brasileiros.
Acreditamos na união dos povos latinos através da música. Criando obras originais ao público que só quer dançar ou ficar hipnotizado com a alegria e força de cada apresentação. com seus integrantes de diferentes culturas e nacionalidades capazes de adicionar timbres e camadas de ambientes para criar obras originais ao público que só quer dançar ou ficar hipnotizado com a sua alegria e força em cada apresentação, por esta razão, suas letras são cantadas em Espanhol, Português e Inglês, abordando questões de todos os dias de nossos povos.
A banda nasceu em 2012, na litorânea João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, famosa por sua sonoridade rica culturalmente. 
Já em 2013, lançou seu primeiro álbum "chuta que é Macumbia"; alcançando impacto significativo sobre o movimento de bandas independentes do Brasil, sendo reconhecida pelos melhores blogs de música em toda a América Latina e Europa, como o Garage Membro Blogs, Liszt MTV Brasil, Rebel Sounds, e o mais famoso do Brasil chamado Amplificador na lista dos 20 melhores álbuns brasileiros para download gratuito. 
Em julho de 2014 criou uma página na Rede Social Facebook, e conta com mais de 1700 fãs de todo o mundo.
Atualmente estamos em fase de finalização do nosso segundo álbum chamado “Carne Latina", disco que, mesmo sem ter sido lançado, já está sendo jogado e explorado na maior parte de nossas apresentações/ shows e sendo extremamente aceito pelo público. Todas as músicas foram criadas com um único propósito: fazer com que a felicidade chege aos ouvidos, infectando o coração, cintura e pés de passaportes, fronteiras e culturas distintas. Tudo isso só foi possível com a evolução da Banda neste processo de criação das músicas e surgiu a possibilidade de expandir o grupo, agregando músicos da Amazônia, Paraíba, Venezuela e Norte- Americano. E se for pra misturar, que seja musica e dança.


Download: Carne Latina


sábado, 16 de maio de 2015

Graxa - Aquele Disco Massa (2015)




O “cronista do Jiquiá” ataca novamente! O cantor e compositor Graxa lançou, nesta segunda (11), o seu segundo álbum, Aquele Disco Massa. O novo trabalho do músico está disponível, para streaming, na plataforma virtual bandcamp e traz 12 faixas onde a veia cáustica e, ao mesmo tempo, bem humorada, se faz presente em cada uma delas. 
No seu primeiro álbum, Molho (2013), Graxa fala de situações diversas do cotidiano, com boas pitadas de irreverência. Em Aquele Disco Massa, ele tem como alvo do seu discurso, em boa parte das músicas, a indústria cultural e a sua interferência na relação artista x mercado. A sonoridade do disco também ganhou quilos de robustez com relação ao anterior. Graxa, agora, se aprofunda no universo do rock. Guitarras mais pesadas compõem a sonoridade das canções, que podem ir do blues ao romantismo, mas sempre com uma “guitarra pancada”, como diz o músico.
O processo de gravação, também diferente do seu primeiro disco, trouxe mais organicidade ao som. Em Molho, as músicas ainda não contavam com uma banda-base e as baterias foram criadas em programações de computador. Dessa vez, Graxa, que agora já tem sua banda formada e ensaiada para as gravações e shows – Rama Om (guitarra) e Tiago Marditu (bateria) -, optou por trazer para o disco um som mais orgânico, com sonoridade de banda. As baterias foram gravadas no estúdio Engenho do Som, em Engenho Velho. Os demais instrumentos foram captados no estúdio Duzamigos, na Boa Vista, e também na casa do próprio Graxa. A mixagem e a masterização ficou a cargo de Adriano Leão, do Estúdio Pântano. A foto da capa foi feita por Igor Marques e o projeto gráfico do disco é do artista visual Daaniel Araújo.
Assim como no trabalho anterior, Graxa agregou os amigos músicos para colaborarem com o som de Aquele Disco Massa. Ao longo das 12 faixas, são várias as participações: Isaar, Juliano Holanda, Claudio N, Grilowski, Hugo Coutinho, Leo Vila Nova, Julio Andrade, Filipe Franco, João Tragtenberg, Deco do Trombone, Leonardo Luiz e D Mingus.
Souvenir retrô
Se em Molho, Graxa lançou uma tiragem em vinis, pelo selo Media 4 Music, com Aquele Disco Massa o músico surpreende e já está providenciando uma tiragem em fitas K7, de forma independenter Segundo ele, as fitas poderão se tornar um souvenir, mas também terão uma funcionalidade: através de um QR-Code, quem adquirir a fita poderá fazer o download do álbum completo para o smartphone.

Download: Aquele Disco Massa




quarta-feira, 13 de maio de 2015

Siba - De Baile Solto (2015)




Neste álbum, que sucede "Avante", mais roqueiro e o seu primeiro solo, o pernambucano faz uma retomada rítmica de suas origens, que remete à música de rua, de ritual e do maracatu.
"'Baile" é um olhar ao meu redor. Tem uma poética familiar, um assombro com a natureza, mas parte de um questionamento político", explica o cantor. O questionamento, segundo ele, vem da posição desprivilegiada que o Maracatu de Baque Solto ocupa no panorama cultural do país. Em fevereiro de 2014, em Nazaré da Mata, na Mata Norte de Pernambuco, conhecida como a capital estadual do maracatu, representantes de grupos que promovem festas de rua ao som do ritmo nordestino relataram que a Polícia Militar estava restringindo às 2h o término das apresentações, que tradicionalmente ocorrem até o amanhecer. Siba foi um dos artistas a se mobilizar pela causa na internet. "Ensaio de maracatu vai até o amanhecer, por costume secular. Para o maracatuzeiro, maracatu só é maracatu se amanhece o dia. Se não, vira "folclore", palavra usada na região para denominar todo tipo de apresentação artificial, show pra turista", escreveu em sua página do Facebook no ano passado. Após uma audiência ficou decidido que maracatus de baque solto e virado do município poderiam fazer seus espetáculos até as 5h, conforme dita a tradição. O contexto influenciou a produção. "Esse disco ["De Baile Solto"] não é sobre uma situação, mas parte de uma situação desta vila de Pernambuco. O governo resolveu proibir uma festa tradicional. Foi muito discutido. Parte muito disso e de leituras de coisas que eu vi", conta o músico. "Retomando a referência na musica de rua, eu precisei repensar o nosso lugar na sociedade", continua.
Por isso, entre as dez faixas do seu novo trabalho, há letras politizadas que falam de consumo em excesso, de "passar no caixa, voltar sempre e comprar mais" ("Marcha Macia"), ou sobre a desigualdade social, em que "quem tem dinheiro tem nome, quem não tem não é ninguém" ("Quem e Ninguém").
"Pra mim, no fim das contas, o disco é a pratica da poesia. A ideia de assimilar o que faz qualquer um poeta tradicional: cantador de viola, cantador de coco, cirandeiro. Poetas que tem a música como veículo", explica. "Em 'Mel Tamadindo' talvez seja mais evidente a exaltação a essa figura da voz da rua. É uma referência a uma dança em roda em que o poeta tem quatro ou cinco horas para mostrar um repertório de improviso. A faixa é uma ode a essa atividade que é tao importante, tao bonita, inspiradora".

NATÁLIA ALBERTONI

Download: De Baile Solto


domingo, 10 de maio de 2015

Tulipa Ruiz - Dancê (2015)



Se em 2010 me perguntassem o que eu levaria para uma ilha deserta, a resposta seria um disco que acabava de ser lançado sob a classificação de “pop florestal”, de uma cantora que gritava feito Tetê Spindola e que me fazia querer andar com ela pelas ruas de São Paulo. A resposta à hipotética questão ainda seria a mesma hoje. Efêmera nunca deixou de ser meu disco favorito e, quando veio Tudo Tanto (2012), eu fechei os olhos como quem espera um baque, temeroso de que Tulipa Ruiz me decepcionasse. Cruzei os dedos ao dar o play, mas É, primeira faixa do álbum, já mostrou que ela continuava sendo mesma, mesmo estando diferente. Em Efêmera, nenhuma música é de se jogar fora e o disco é um acerto do começo ao fim, enquanto Tudo Tanto, que também veio com 11 faixas, tem apenas uma questionável. (Não ruim. Questionável).

Em março do ano passado, a cantora paulista lançou o single Megalomania, que poderia ter sido a música do carnaval se Lepo Lepo não estivesse tão em alta – e se o mundo fosse mais justo. Era um anúncio do que seria Dancê, lançado neste mês, e era também uma pequena amostra de uma Tulipa ainda mais festeira. Como era de se esperar, o álbum é dançante, do tipo que você não iria deixar tocando em uma festa, mas escolheria algumas faixas para animar, intercalando com A Cor do Som (Zanzibar), Kilario (Di Melo), Haja Amor (Luiz Caldas), Chega Mais (Rita Lee) e até, quem sabe, assim só para ousar, Conga (Gretchen). Tulipa Ruiz já abre o disco com as cordas aquecidas, enquanto grita “Começou!” em Prumo. Ao ouvinte, resta dançar.

Dancê é fruto de mais uma parceria com seu irmão e produtor Gustavo Ruiz, e nasceu de uma temporada de reclusão da banda no interior de São Paulo, sem celulares e internet, o que parece ter feito com que o resultado fosse ainda mais autêntico. Os instrumentos de sopro estão mais presentes e, somados aos teclados, definem a discoteca de Tulipa no estilo dos anos 80. É, a faixa que abre Tudo Tanto, pode ter sido o prenúncio de Dancê, já que seu clima pop rock se repete agora em Jogo do Contente (não tão grudenta como as demais, essa é aquela música para aproveitar para ir ao banheiro, mas continuar dançando), Elixir e Expirou (Gal Costa, é você?). Virou é quase uma festa de família. Para a faixa foram convidados o cantor paraense Felipe Cordeiro e seu pai, o guitarrista Manoel Cordeiro, para se juntar a Tulipa, Gustavo e seu próprio pai, Luiz Chagas.


Tulipa sabe escolher suas parcerias. Logo na abertura de Efêmera, na faixa que dá nome ao disco, a cantora é acompanhada por Céu, que empresta sua voz para suspirar “vou ficar mais um pouquinho”. Em Víbora, no segundo álbum, Criolo participa como um personagem que ri e respira forte enquanto Tulipa fica encarregada de gritar uma canção-xingamento. Em Dancê, ela adapta seu trabalho ao que o convidado se sente mais confortável a fazer – e nada bem na praia de cada um deles. Aparece João Donato dando ar de bossa nova a Tafetá, de onde sai o título do disco, quando ela sussurra “danse avec vouz”. Chamar Kassin para participar de Físico, uma balada à la Frenéticas, foi uma boa ideia - se tivesse chamado Lucas Santanna, a festa ficaria ainda melhor. Quem escuta Algo Maior, a faixa que encerra Dancê, pela primeira vez e sem se informar que estão presentes ali os integrantes de Metá Metá, pode ficar confuso e se perguntando: essa é a voz de Juçara Marçal? Esse é o barítono de Thiago França? Essa é a guitarra de Kiko Dinucci? Sim, são. As vozes de Tulipa e Juçara se encaixam tão perfeitamente, que parecem ser uma só. De tão natural que a vocalista do Metá está na canção, você esquece quem é participação especial e quem é que está lançando o CD.

Além dos convidados que estiveram no disco, marcam presença silenciosa na festa de Tulipa, o gingado de Sandra de Sá, Paralamas do Sucesso e muitos outros que são a cara da música nacional dos anos 80. Proporcional é um exemplo disso. Aquela Tulipa fofinha e romântica talvez só chegue ao dancefloor na melosa Oldboy, uma faixa para os que esperam canções de amor ao estilo de Do Amor e Só sei dançar com você. Mas morre aí. Em Reclame, Tulipa mostra um senso de humor inédito em seu trabalho. Quem jamais a imaginou cantar “trato azedume e mau-olhado / quebreante, vício / trato treta de trabalho / trabalho com amarração”? Quem já está acostumado às loucuras de Rafael Castro e Tatá Aeroplano não vai estranhar essa versão party harder de Tulipa Ruiz. Quem ainda espera versos tristes, é melhor abrir uma cerveja e ir para a pista, porque Tulipa já está dançando.

DOWNLOAD: DANCÊ
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Pedro Philippe é jornalista da CARIRI Revista

Cícero - A Praia (2015)


A primeira impressão é a que fica. E esse é o problema de Cícero. Canções de Apartamento foi uma das melhores surpresas de 2011 (ano em que também estreou Bixiga 70) e, inevitavelmente, gerou expectativa para os próximos lançamentos do cantor carioca. Sábado veio dois anos depois, mas parece ter sido um EP que Cícero gravou em um fim de semana de ócio. Os fãs não reclamaram, a crítica não deu muita atenção, Cícero não entrou para o esquecimento, mas também, definitivamente não ganhou mais público graças ao seu segundo disco. Poderíamos dizer que o azar de Sábado foi ter vindo depois do Canções - álbum recheado de hits, onde praticamente nenhuma faixa se descarta - mas a verdade é que, se invertêssemos a ordem, e se aquele álbum de 2013 tivesse sido o seu primeiro, dificilmente estaríamos falando dele hoje, já que não é um trabalho bom a ponto de consagrar um artista como Canções de Apartamento conseguiu fazer.

Cícero conquistou um público e pôde mantê-lo. As faixas de seus discos (e também eles) têm uma sequência. Primeiro, de seu apartamento, ele entregou uma obra simplista e caseira, onde se ouvem sons de grilos, pássaros e chuva. É um disco que é a cara do Rio de Janeiro nublado, fim de tarde e cerveja gelada. Depois, um sábado de chuva, onde ele ousa sair do apê, andar pela “avenida, bairro e redondeza”, como ele canta em Asa Delta, e “visitar seu prédio”, como em Por Botafogo. Agora Cícero foi mais longe. “Ela me tirou de casa / ela me levou à praia”, diz na música que dá título ao seu terceiro disco. A praia começa com Frevo Por Acaso nº 2, como continuação da música que encerra Sábado. Os discos continuam a dialogar nas faixas que mencionam um tal caminhão de gás, que vem pra suprir necessidades ou explodir tudo. Também como continuação, ele mais uma vez entregou um trabalho que só ele entende e que dialoga pouco com o público. Rodrigo Amarante fez algo parecido em Cavalo, um disco altamente pessoal, particular e que pouco interage com o ouvinte.


A Praia é o tipo de disco que pode ficar no repeat por horas, sem ser notado. O que é uma pena, já que Cícero é tudo menos entediante. Quem antes queria passar um fim de semana em seu apartamento, agora não vai aguentar dar duas voltas na praia com ele. Depois de já ter sido incomparável, Cícero agora ficou mais parecido com outros nomes da dita “nova MPB”, tipo Castelo Branco e Wado. Não que isso seja ruim, é ótimo. Para quem estiver conhecendo o cantor agora, ele pode ser apresentado como: "é tipo a Banda Mais Bonita da Cidade, só que bom”. Isso, sim, é péssimo.

Versos do Canções que falavam em “discutir Caetano” e “fala pra ele do disco do Tom Jobim” explicitavam as referências de Cícero nos nossos clássicos, que só se fizeram sentidas nos discos seguintes, como em Duas Quadras, um sambinha que parece ter sido extraído de Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo (1972), e em Soneto de Santa Cruz, cuja letra lembra composições de Chico Buarque.

Duas faixas se sobressaem em A Praia: De Passagem, que, em um determinado momento, puxa um acordeon, uma zabumba e um triângulo, que, mesmo triste, faz um forrozinho que qualquer banda de pé-de-serra poderia fazer cover e todo mundo iria adorar; Terminal Alvorada, que, por conta dos instrumentos de sopro e da bateria levam para um “jazz indie” e que encerra o disco dizendo “faz um tempo eu não sei o que é saudade”, diferente de todo o clima saudosista e nostálgico de seus trabalhos anteriores, deixando a sensação de que, se continuar seguindo uma lógica, Cícero vai nos presentear com algo muito bom em breve. Então melhor voltar para o apartamento antes que comece a chover.

DOWNLOAD: A PRAIA
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Pedro Philippe é jornalista da CARIRI Revista

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Wado - 1977 (2015)




Wado é o nome artístico de Oswaldo Schlikmann Filho, cantor e compositor brasileiro de música popular, nascido em Florianópolis e radicado em Maceió desde os oito anos de idade.
Com mais de dez anos de estrada, Wado traça caminho sólido e estilo musical com referências de samba, rock e de inúmeras variantes da MPB. A discografia vigorosa e elogiada por público e crítica combina composições autorais e parcerias com Zeca Baleiro, Marcelo Camelo, Chico César, Momo, Lucas Santtanna, Fernando Anitteli e tantos outros. Wado também já foi gravado por Marcos Valle e Maria Alcina.
Agora, ele brinda seu público com um novo disco: 1977.
Wado, 1977

O norte sem norte: o não se repetir. O novo disco de Wado segue na contramão do anterior, Vazio Tropical, e tem uma abordagem mais expansiva nas canções, usando a linguagem do rock. A estética, inclusive, se coloca antes dos conteúdos: os arranjos mandam nas canções. O disco traz esse espírito sem fronteiras do rock’n’roll e contém sotaques do mundo, que estão nas vozes de convidados do Uruguai, Alemanha, Portugal, Brasil e Argentina.


Download:  1977


terça-feira, 5 de maio de 2015

Eddie - Morte e Vida (2015)




Surfrevo
Juntando blues e samba, frevo e surf music, Caribe e Recife, a banda Eddie chega ao sexto álbum levando o Original Olinda Style à maturidade — sem perder pegada nem frescor
por Ronaldo Bressane*
Eddie — a mais rápida das bandas lentas, ou a mais lenta das bandas rápidas — está de volta. Liderando o Original Olinda Style — frevo no punk, Caribe no mangue —, Fabio Trummer e seus asseclas trazem, em Morte e Vida, uma releitura muito particular do cabralino Morte e Vida Severina. É um álbum solar como a Olinda em que nasceu, nos surfrevos e nas baladas de amor; mas também guarda uma musicalidade enigmática como as esquinas olindenses, seja nos sambas de acento punk, seja nas canções em que o romantismo exibe seu sabor mais amargo.
            É como se o álbum se equilibrasse entre a louvação da festa e a crítica social — na verdade, dois pilares em que o grupo se sustenta há 25 anos, quando apareceu com a geração que trouxe ao mundo o manguebeat. As subidas e descidas das ladeiras dão a tônica do Original Olinda Style: euforia e melancolia, lirismo e política convivem na mesma batida e na mesma canção. Trata-se do sexto álbum da banda, o primeiro em quatro anos: Veraneio (2011), Carnaval no Inferno (2008), Metropolitano (2006), Original Olinda Style (2002) e Sonic Mambo (1998).
            Os contrários convivem na buena no corpo sonoro da Eddie, onde há espaço para Serge Gainbourg, Chavela Vargas, Sivuca, Sleaford Mods, Luiz Gonzaga, Leonard Cohen, João Gilberto, Nick Cave, Manoel de Barros, Patativa do Assaré e até Xico Sá. O apego à identidade musical brasileira contemporânea, abençoada por íconesda presença de Jorge Mautner e Novos Baianos, coloca o trabalho de Eddie no mesmo universo onde desfilam nomes como Otto, Lucas Santtana, Cidadão Instigado e Criolo.
            O som coeso demonstra a consistência de princípios de uma formação unida há 12 anos: Kiko Meira na bateria, Rob Meira no baixo, Alexandre Urêa na percussão e voz, Andret Oliveira no teclado e trompete, Trummer na voz e guitarra. O frontman parou entre março e novembro de 2014 para compor as canções em sua casa em São Paulo. Gravou tudo na voz e violão, enviou aos parceiros da banda, e já em fins de novembro e dezembro a Eddie começou a ensaiar e arranjar as faixas. Gravaram uma pré-produção e no primeiro dia útil de janeiro — pense num mês difícil pra trabalhar em Pernambuco! —, o quinteto se fechou no estúdio Fruta Pão, ali mesmo em Olinda; foram quatros semanas até gravar todas as 11 faixas. Em seguida o álbum foi mixado no Recife pelo usual companheiro Berna Vieira, e, em seguida, masterizado no mítico estúdio El Rocha, em São Paulo, pelo produtor Fernando Sanches Takara.
Faixa a faixa
            Uma das melhores canções do álbum, "Queira não" começa devagar, na manha, sussa, de boa, meio samba, meio blues, a voz de Fabinho cada vez mais grave — o registro lembra um pouco Zé Ramalho, referência distante mas importante. É uma faixa de fato severa:"Preto Velho, pense merda não que o mundo já tá cheio, isso não é solução", aconselha o cantor. Parece uma crítica às exasperações políticas dos últimos anos, que fizeram das ruas um FlaXFlu insensato: "Desculpe a gentileza/ eu desculpo o empurrão". Assombrações não só do Recife Antigo como do Brasil novo, que Trummer trata de espantar com a usual elegância, como já havia feito em "Desequilíbrio".
            Na onda do clássico "Quando a maré encher", o surfrevo "Quebrou, saiu e foi ser só" tem um trecho que quase cita a cadência de um berimbau, invertido; é canção que quase comemora e ao mesmo tempo quase chora um amor que se perdeu. Envolto em cordas melancólicas — no cello de João Carlos e no solinho de guitarra limpo, habitualmente sem firulas nem efeitos, de Trummer —, o surfrevo é uma sofrência chorada com estilo e classe. Também no segmento de canções rápidas pero lesadas, "Carnaval de bolso" é outro frevo espacial temperado de surf music e malemolência caribenha. Prossguindo uma tradição festeira da Eddie ao bordar de rock o carnaval, oferece seus mandamentos: "Isso sim eu dou valor: praticar meu festejar (...) um ano inteiro de ressaca é a hora do juízo final".
            Recordando o cancioneiro de Nick Cave, "Longe de chegar" é um rock pesado e lento,suavizado pela voz de Karina Buhr — auxílio luxuoso e constante, este já é o quinto álbum da Eddie de que a cantora participa. Falando em "Sempre tão distante/ longe de chegar/ lugar tão diferente/ lugar tão singular", a balada cita os encontros e os desencontros do amor, tema que perpassa todo o álbum.
            "A prova do crime é o corpo à prova de Deus/ ao provar a bala, morto/ a prova morreu."A faixa-título "Morte e vida" combate o bom combate: contra a violência urbana, aceno à pazsem pieguice: de sabor setentista, o rock quase reggae mostra como as palavras podem semear a discórdia. A canção faz par com "Pedrada certeira", que parece ecoar a famosa frase de Einstein:"Não sei que armas irão usar na Terceira Guerra, mas sei que na Quarta combaterão com paus e pedras". Enquanto o backing vocal de Karina lembra as agressões — "Mata, mente, morta, vende/ soco, chute, risca-faca/  marca, fere, fogo, ferve/ canto, ferro, corta, rasga" — , Trummer comanda a ciranda-pogo neste punk rock crítico e pacifista, na linha das primeiras canções da Eddie.
            "Tentei te ligar" traz o conhecido balanço dabanda:um jeitão meio bolero, é música pra dançar juntinho, pra fazer um chamego na gata, no gato, na pista, sob luz negra e globo espelhado, pra mandar um recado sob as brumas do álcool. O acento cubano remete àintrínseca identidade do Recife com o Caribe negro, sem deixar de fazer seu aceno ao brega presente na obra da mexicana Chavela Vargas, influência assumida por Trummer: "Já tentei te ligar, também não consigo dormir/ já desisti de pensar, mas não consigo cumprir/ já decidi te largar, me prometi outro amor/ me preparei pra bailar, mas sempre falta sabor".
            Presente na trilha sonora de Que horas ela volta?, premiada produção de Anna Muylaert a estrear em 2015, a balada atmosférica "Meu coração" é uma declaração de amor de ressonâncias gainsbourguianas:"Foi meu coração que me entregou pra tu/ fazer do meu coração o que tu quiser".A melodia levemente acompanhada pelo trompete e os teclados de Andret Oliveira faz a canção circular classuda e bêbada.
            Mas de que se alimenta o compositor, fora amor, greia e maresia? Saci, flor, rede e as palavras de Xico Sá, Manoel de Barros e Patativa do Assaré, detalha Trummer em "Alimenta o compositor". O clima relaxado de uma tarde malandra na praia Del Chifre, em Olinda, ou em seus misteriosos quintais, sugere, neste samba groove lento, o que vai por dentro do compositor: "Ondas gigantes, sotaque imigrante, pimenta, pólvora, fogo e sal/ suspiro, bocejo, cantiga, cortejo, frenesi, festa no quintal, bebida, folguedo, alegro cantante, pureza, dureza, pobreza, derrota e castigo/ o bem-estar e o não estar contigo".
            Também estrelando a trilha de Que horas ela volta?(que, aliás, levou o prêmio de melhor filme de público no Festival de Berlim), "Essa trouxa não é sua" evoca o samba minimalista de João Gilberto. Adornado pelo cello de João Carlos e temperado pelos scratches sacanas de KSB e a percussão macumbeira de Jam da Silva, parece um samba feito nos anos 30 ou 40; parece um samba feito antes do samba: "Solta esse cabelo e te alegra/ quando é que a gente erra/ vendo o mundo melhorar?/ Larga que essa trouxa não é sua/ vem cuidar da roupa tua/ tão bonita de usar".
            Parceria com Erasto Vasconcelos e os irmãos Meira, "Olho você" é um suave rock oitentista que mostra o compositor docemente contemplando a mulher amada — que negaceia mais um carinho, mas ainda assim sugere uma próxima sessão de sabe-se lá o quê: "Não venha você me dizer que não quer/ não venha você dizer que lá nos sonhos os sons são azuis, como um mar, como um céu, como um blues". Afinal, o céu já parece residir ali entre os lençóis, não?
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Ronaldo Bressane é escritor e jornalista, autor de V.I.S.H.N.U. (Companhia das Letras), Mnemomáquina (Demônio Negro) e Sandiliche (Cosac Naify), entre outros


Download:  Morte e Vida