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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Banda Cabaçal Irmãos Aniceto



Feito xilogravura colorida em movimento, os Irmãos Aniceto pinotam no rumo de uma cultura de andar compassado no grave da zabumba cavada no tronco da timbaúba; cultura de olhar inquieto como menino novo mirando aquele Véi Anicete, filho de pai e mãe índia, de nome José Lourenço da Silva, fundador da banda, que na sua pessoa materializa o passado de séculos, com a notícia mais antiga datada da tradição dos índios Cariri, que teimavam em ficar por ali, no pé da Chapada do Araripe, antes da colonização, no sul do que viriam a dar o nome de Ceará, e mais detalhadamente, Crato.

Viriam a dar o nome de José Anicete ao Lourenço da Silva, e este, o de Francisco, Luiz, João, Antônio e Raimundo a seus filhos. O tempo tratou de colocar o plural, trocar um "e" por um "o", e por fazer, primeiro o Crato, depois o resto das terras até a praia da índia Iracema e além mar, conhecer a banda cabaçal de dois pifes, uma zabumba e um tarol - e mais na frente um casal de pratos - pelo nome de Irmãos Aniceto.

Sem a mania de querer legitimar nossas coisa pelo reconhecimento estrangeiro, mas por se tratar de uma experiência muito importante para os próprios irmãos, aviso aqui que entre outras viagens, a banda já se apresentou na França, como parte do ano do Brasil em 2005 e em Portugal como parte das comemorações do aniversário do município português Crato. Também participaram de uma temporada no Sesc Pompéia, um dos principais palcos de São Paulo.

Irmãos de sangue de veia poética, que contam seis filhos homens, do Francisco, o mais velho, até Raimundo, intitulado Mestre da Cultura pela Secretaria de Cultura do Estado em 2004, com 72 anos inteirados neste ano e uma fala humilde e risada frouxa. Tocador e dançarino da bandinha da família desde o começo dos anos 60, quando da viagem da banda, ainda com seu fundador Anicete - na época já com um século de vida -, para Porto Alegre, em comemoração ao aniversário da TV Guaíba. Bandinha-espetáculo-performática, de facínio que se resume ao velhor: “só vai vendo”.

A banda, que tem no tempo uma vereda de espinho e esperança, vai perdendo seus integrantes, mas abrindo o caminho dos novos, já na terceira geração, com os filhos de Adriano, Cícero e Jeová, filhos de Antônio e João, netos de José Anicete. Rumando para a quarta com a bandinha infantil criada há pouco tempo, que vai tanger o trabalho dos Aniceto, dos Cariris e sabe lá de quem antes deles.

João José da Silva: Zabumba e voz
Antônio José Lourenço da Silva: Pífano e voz
Raimundo José da Silva: Pífano
Benedito Gomes de Souza (Britinho): Caixa
Cícero dos Santos Silva: Pratos



FAIXAS:
1 - Marcha de chegada
2 - Galope
3 - Baião Trancelim
4 - Alvorada Cabocla
5 - O cachorro, o caçador e a onça
6 - A coruja caboré
7 - O casamento da acauão com o gavião
8 - Forró do mestre Antônio
9 - Pipoca
10 - Bendito de São José
11 - A briga do galo
12 - Marcha rebatida
13 - Choro esquenta muié
14 - Baião velho
15 - Baião do bode
16 - Forró pesado
17 - Baião pescador
18 - Dobrado
19 - Hino do Crato (*)
20 - Marcha saideira I
21 - Liá
22 - Marcha saideira II
23 - Ô Ana pra quê tu chora?
24 - Marcha saideira III

Download: Banda Cabaçal Irmãos Aniceto