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quinta-feira, 20 de março de 2014

Céu - Catch a Fire (RIP) 2014



A previsão para os dias 28 de fevereiro e 1° de março no Rio é de Ceú com rajadas de reggae. E não é uma nuvem passageira essa que vai trazer a cultuada cantora paulistana ao palco da Miranda, em cima do carnaval, para dar sua versão de “Catch a fire”, o clássico disco de Bob Marley and The Wailers, lançado em 1973. A artista, que já batizou seu segundo disco de “Vagarosa” (2009) e fez uma música chamada “Malemolência” no seu homônimo álbum de estreia (2005), garante que tem sintonia com o desacelerado ritmo jamaicano desde os tempos de adolescente.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/ceu-vai-interpretar-lendario-disco-catch-fire-de-bob-marley-em-show-no-rio-11574912#ixzz2wXrtyQe4
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— A música jamaicana faz parte da minha vida — conta ela. — E, ao longo dos anos, essa paixão só foi crescendo, à medida que ia descobrindo novos artistas e comprando discos, fossem de ska, lovers rock ou dancehall. Como cantora, é uma escola muito boa, porque há muitas referências de soul e r&b nos seus intérpretes. E, no geral, há também muita coisa legal em termos de texturas e timbres.
De fato, há provas irrefutáveis desse relacionamento na carreira de Céu. Seu mais recente trabalho, “Caravana sereia bloom”, de 2011, tem a embalante “You won’t regret it”, da obscura dupla Lloyd & Glen, que a cantora usava para embalar sua filha, Rosa Morena. E seu début já trazia uma versão de “Concrete jungle”, a mesma música que abre o imortal trabalho de Bob Marley and The Wailers, marco fundamental na história do reggae e invariavelmente considerado um dos maiores discos de todos os tempos (a revista “Rolling Stone” o incluiu em sua lista dos 500 álbuns mais importantes da música pop).
— Hoje eu vejo que foi uma tremenda ousadia regravar “Concrete jungle” já no meu primeiro disco, porque esse é um clássico, e muita gente acha que não se deve mexer em clássicos. Mas penso que música é para ser cantada, ainda mais com respeito e devoção, como foi o caso.
E é com esse mesmo sentimento respeitoso que Céu volta a “Catch a fire”, desta vez não apenas à faixa de abertura, mas também às suas outras oito hipnóticas canções, marcadas por letras sobre injustiças sociais, racismo, religião (e amor também). Esse abraçaço no disco gravado por Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer surgiu a partir de um convite do site Radiola Urbana para que a cantora participasse do projeto 73 Rotações, que desafiou um grupo de artistas selecionados a reinterpretar alguns memoráveis discos lançados em 1973, em shows no Sesc Santana, em outubro do ano passado. Karina Buhr, por exemplo, reviu “Secos & Molhados”, enquanto o Cidadão Instigado lembrou “Dark side of the moon”, do Pink Floyd.
— Quando o Ramiro (Zwetsch, do Radiola Urbana e um dos curadores do projeto) me fez o convite, eu pirei. Mudei até a data original do show para encaixar na minha agenda porque eu não poderia perder essa oportunidade de forma alguma — conta Céu. — Fiz uma imersão no disco, fiquei quase bitolada de tanto ouvir “Catch a fire”, uma vez atrás da outra. Mas valeu a pena. O show foi ótimo.
Tão ótimo que, com ingressos rapidamente esgotados, a cantora teve que fazer mais duas apresentações. E é esse mesmo show que ela traz ao Rio pela primeira vez, mostrando não apenas sua interpretação do clássico, mas também a forma como resolveu alguns detalhes cruciais, como a falta de vocais de apoio femininos, feita de forma marcante no original, com Rita Marley e Marcia Griffiths (que mais tarde, com a chegada de Judy Mowatt, seriam batizadas como as I-Threes).
— Isso foi uma encrenca — brinca a cantora. — Sempre gostei do vocal das I-Threes, dessa interação de coro e resposta que elas faziam. Foi algo, inclusive, que eu trouxe para o meu trabalho. Mas não tinha como trazer vocais de apoio para o show, que faço com a minha banda (Dustan Gallas, guitarra e vocal; Lucas Martins, baixo; Chiquinho, teclados e vocal; Bruno Buarque, bateria; Zé Nigro, guitarra e vocal; e DJ Marcos, MPC e toca-discos). Acabamos resolvendo isso com os meninos da banda fazendo os vocais, homens cantando em falsete, o que acho lindo, e com o Marcos soltando alguns samples da minha própria voz.
Descartando a ideia de gravar um disco ao vivo desse show (“Um disco do disco não ficaria legal, ainda mais desse disco, talvez um DVD, mas não tenho certeza ainda”), Céu prefere valorizar cada uma das apresentações.
— São momentos efêmeros, que não vão ser gravados, ficando apenas na memória de quem for aos shows. Isso é legal também — conta ela, adiantando que não vai ficar na cidade para o resto do carnaval. — Achei incrível essa coincidência de os shows no Rio serem no carnaval. Gosto da festa, mas não sou de pular e ir para o meio da multidão. Vou para Recife, só para curtir mesmo.

Download: Catch a Fire 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Céu - Caravana Sereia Bloom (2012)



Arranjos inusitados, experiências sonoras e demais alquimias estéticas só fazem sentido se um disco, em sua essência, tiver canções bem construídas, belas e consistentes. É o que ocorre com o novo álbum de Céu, repleto de melodias, harmonias, ritmos, instrumentações e letras encantadores. Três anos após Vagarosa, a cantora e compositora paulistana volta a evoluir em Caravana Sereia Bloom, que transparece verdade e entrega. À primeira vista, o título pode soar como uma viagem de hippie chique. Mas não é: traduz com naturalidade o espírito do álbum, como se uma sereia, à frente de sua trupe, saísse por aí soltando a voz enfeitiçante e hipnótica.
À semelhança do que fazia nos trabalhos anteriores, Céu opta por registrar alguns temas-pílula, vinhetas efêmeras e bonitas, como Teju na Estrada, Sereia (dedicada a Rosa, sua filha com o músico Gui Amabis) e Fffree. A produção já não conta com Beto Villares, mas tem novamente Céu e Gui, além de Rica Amabis (na faixa Chegar em Mim, escrita por Jorge Du Peixe). O álbum ainda traz a excelente banda da cantora, que reúne nomes como Lucas Martins e Bruno Buarque. Entre os instrumentistas convidados, chamam a atenção Pupillo, Lúcio Maia, Dengue, Fernando Catatau, Curumin, Thiago França e Nahor Gomes. Também merecem destaque os coros etéreos do Negresko Sis, trio formado por Anelis Assumpção, Thalma de Freitas e pela própria Céu.
Odair José e Lupicínio Rodrigues
Outro ponto em comum com os dois primeiros CDs são as regravações. A intérprete já havia dado sua cara para Concrete Jungle (Bob Marley) e Rosa, Menina Rosa (Jorge Ben Jor). Agora, imprime sua assinatura em You Won’t Regret It (Lloyd Robinson e Glen Brown) e Palhaço (Nelson Cavaquinho, Oswaldo Martins e Washington Fernandes), que gravou acompanhada por seu pai, Edgard Poças, no violão e no assovio.
Como compositora, ela continua mostrando habilidade. Isso se evidencia em pelo menos quatro canções: Amor de Antigos (setentista e singela), Retrovisor (moderna e, ao mesmo tempo, lupiciniana),Baile de Ilusão (uma joia com ares de Odair José) e Asfalto e Sal (que exibe versos arrebatadores, como “eu vou lhe conservar no sal do meu mar”).
O sambista portelense Argemiro Patrocínio costumava dizer que, em “panela em que muito se mexe, a comida estraga”. Caravana Sereia Bloom segue a receita habitual, com temas simples, burilados na medida certa. Que Céu não demore mais três anos para compartilhar suas belezas.


Lucas Nobile é jornalista.


Download:Caravana Sereia Bloom