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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Cidadão Instigado - Fortaleza (2015)



“Nossas raízes são essas”, explica Fernando Catatau sobre o acento setentista impregnado no quinto disco de sua banda de rock, o Cidadão Instigado. “É o som que a gente sempre quis.”

Primeiro disco em seis anos, Fortaleza, trabalho mais pesado da banda, chega à internet e aos palcos no início de abril. A banda disponibiliza o disco para download gratuito ainda nesta semana em sua página do Facebook e se apresenta no palco do Sesc Pompeia nos dias 9 e 10 de abril. A banda se apresenta na capital cearense no próximo dia 30, abrindo a programação de aniversário do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. 

Fortaleza é o álbum mais ambicioso do Cidadão Instigado, cheio de riffs memoráveis, grooves de rock e coros de plateia. Saem os teclados do ensolarado disco Uhuuu! (2009) para a entrada de vocais e violões contemplativos. E, embora pesado em sua extensão, ele também traz momentos líricos.

O disco é o resultado de um processo que começou em janeiro de 2012, quando a banda passou 12 dias enfurnada em uma casa de praia de Icaraí de Amontada, próxima de Jericoacoara, no Ceará, fazendo arranjos em canções de Catatau.

Um ano depois, se reencontraram no estúdio paulistano El Rocha, onde gravaram as bases. As gravações prosseguiram nos estúdios caseiros da banda até o início deste ano.

“Foi um processo parecido com a mudança entre os discos Ciclo da Dê:Cadência (2002) e o Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências (2005), de reinventar tudo”, conta o vocalista e guitarrista, ao ser lembrado pelos outros integrantes da época em que pensou até em mudar o nome da banda.

Mudanças
A mudança desta vez foi na formação: o guitarrista Régis Damasceno foi para o baixo, o baixista Rian Batista assumiu violões e teclados e o tecladista Dustan Gallas tomou conta da segunda guitarra.

Só Catatau, o técnico Kalil Alaia e o baterista Clayton Martin permaneceram nos mesmos lugares. A mudança traz novos ares ao grupo.

A banda cita Led Zeppelin, Black Sabbath, Raul Seixas e Thin Lizzy como influências. Além, claro, do Pink Floyd, já que as gravações ocorreram ao mesmo tempo em que a banda fazia apresentações tocando a íntegra do clássico The Dark Side of the Moon (1973).

“Começamos a reparar no desenho das músicas, como uma se encaixava na outra e como iam do estúdio para o palco”, explica Régis.

Clayton fala que o mapa de palco do grupo inglês --que toca alinhado horizontalmente-- ajudou o Cidadão a se reinventar ao vivo. O Pink Floyd também foi crucial para uma das marcas do novo disco: os arranjos vocais quase sempre naquele falsete de soft rock dos anos 1970, que ficaram a cargo de Rian.

Declaração de amor
O nome da capital cearense inevitavelmente levou à composição da faixa-título, uma declaração de amor à cidade natal da banda que ao mesmo tempo questiona os valores da sociedade atual.

“Não é uma música só sobre Fortaleza. Fala do que aconteceu com o mundo todo, essa cara de banheiro de shopping de Miami. Eu sou o único paulistano da banda e vi isso acontecer no meu bairro, a Mooca”, reforça o baterista Clayton sobre a música que ainda conta com a participação do guitarrista Dado Villa-Lobos, da Legião Urbana, nos violões.

A referência à capital cearense quase trouxe o arcano hotel Iracema Plaza para a capa do disco. Mas, como explica Régis, “o título não é um nome próprio, é um substantivo”, e eles optaram pela capa preta com o nome da banda escrito em letras pontiagudas para enfatizar sua raiz rock e exigir o trono do gênero no Brasil. As credenciais estão à mostra. (Alexandre Matias, da Folhapress)


Download: Fortaleza