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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Carnaval Baixa Funda (2015)



Postagem sugerida pelo camarada Pedro Philippe, da Cariri Revista, para uma coletânea arretada pra ser curtida neste e noutros carnavais.

Lista:

  1. A Bagaceira - Siba
  2. A Semente - Marcelo D2
  3. A Volta do Astro - Aldo Sena
  4. Afinando a Bateria - Maracatu New York
  5. Bolo de Ameixa - Mundo Livre S/A
  6. Ciranda de Maluco - Otto
  7. Elefante de Olinda - Ska Maria Pastora
  8. Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua - Sérgio Sampaio
  9. Exaltação a Mangueira - Chico Buarque
  10. Fire - Saravah Soul
  11. Madeira Que o Cupim Não Roi - Claudionor Germano
  12. Malunguinho - Abayomy Afrobeat Orquestra
  13. Não Vou Embora - Eddie
  14. O Telefone Tocou Novamente - Los Sebosos Postizos
  15. Rainha do Maracatu - Geraldo Júnior
  16. Saudade - Cordel do Fogo Encantado
  17. Segura o Coco - Di Freitas
  18. Tarja Preta - Fino Coletivo
  19. Tirar Onda - Think of One
  20. Tô Doidão - Orquestra Popular da Bomba do Hemetério
  21. Um Frevo Novo - Caetano Veloso
  22. Vô Batê Pá Tu - Baiano e os Novos Caetanos

sábado, 23 de junho de 2012

Humberto Teixeira - O Doutor do Baião




Um advogado apaixonado pela música, mais do que isso, um advogado fazedor de música. Ele se chamava Humberto Teixeira, nasceu em Iguatu e foi, junto com Lauro Maia, o cearense que mais divulgou a música do Ceará, que a levou para o mundo. Além de compor, ele tocava flauta e bandolim. Nos anos 30, já morando no Rio de Janeiro, ganhou um concurso de marchinhas de Carnaval, mas foi nos anos 40 que seu destino de compositor consagrado começava a se delinear. Apresentado ao grande Lua, Mestre Luiz Gonzaga , por intermédio de Lauro Maia, ele viria a compor a dupla mais conhecida da música nordestina de todos os tempos. Esse foi um daqueles encontros fundamentais que acontecem de vez em quando na história. Alguém consegue imaginar Lua sem Humberto Teixeira ou vice versa ? “Baião” foi a primeira música da dupla a ser gravada, também por um conjunto cearense – 4 azes e um coringa - e de lá pra cá, muitos sucessos vieram, sendo talvez, a mais conhecida a maravilhosa Asa Branca.

No dia 27 de agosto de 2002, no Teatro Rival, em plena Cinelândia carioca, se realizou a festa de entrega do 1º Premio Rival BR de Música e o homenageado da noite era justamente Humberto Teixeira. Grandes nomes da MPB se reuniram e cantaram as músicas inesquecíveis do Doutor do Baião. O show foi gravado e filmado por Denise Dummont, atriz e filha de Humberto Teixeira. Da gravação, foi feito o CD “O Doutor do Baião – Humberto Teixeira”, lançado pela gravadora carioca Biscoito Fino. Na época se anunciou que um DVD com a íntegra do show também seria lançado, mas infelizmente até hoje isso não aconteceu, o que é uma pena -tomara que pelo menos partes do show apareçam no filme “O homem que engarrafava nuvens”, de Lyrio Ferreira , que vem por aí - pois algumas músicas apresentadas na noite memorável do Rival ficaram de fora do CD, como por exemplo Fagner cantando “Kalu” , que aparece no disco em uma versão de estúdio feita por Chico Buarque. Aliás, além de Chico, Gal Costa, Caetano Veloso e Maria Bethânia também participam do CD, porém em versões de estúdio, separadamente e não participando do show.

“O Doutor do Baião” é um CD fundamental, pois mostra às novas gerações uma excelente seleção de algumas das composições mais importantes de Humberto Teixeira, com intérpretes de estilos completamente diferentes como é o caso de Lenine e Zeca Pagodinho. Rita Ribeiro, Fagner e Elba Ramalho estão completamente à vontade, praticamente “em casa” e dão um show de interpretação. Um disco muito oportuno e com um encarte bem interessante, mostrando fotos de arquivo da família Teixeira . A direção musical do disco/show foi de Wagner Tiso, a direção e o roteiro de Túlio Feliciano e o projeto foi idealizado por Denise Dummont e Ana Lontra Jobim.

Os músicos que participaram do show foram os seguintes:
Jorge Helder (baixo), Lula Galvão (violão e guitarra), André “Bochecha” (bateria), Robertinho Silva (percussão), Mingo Araújo (percussão), Zé Américo (acordeon), Márcio Malard (violoncelo), Cristiano Alves (clarinete/carone), Marcos Nimihister (teclados e acordeon) e Wagner Tiso (arranjos, direção musical, piano e acordeon).


O DOUTOR DO BAIÃO – HUMBERTO TEIXEIRA
Biscoito Fino –BF-533

1 - Asa Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Maria Bethânia (estúdio)
2 – Baião de dois (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Caetano Veloso (estúdio)
3 – Adeus Maria Fulo (Sivuca/Humberto Teixeira) – voz: Gal Costa c/ Sivuca (estúdio)
4 – Kalu (Humberto Teixeira) – voz: Chico Buarque (estúdio)
5 – Baião (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Carmélia Alves
6 – Mangaratiba (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Cordel do Fogo Encantado
7 – Sinfonia do Café (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Rita Ribeiro
8 – No meu pé de serra (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Gilberto Gil
9 – Juazeiro (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Gilberto Gil
10 – Respeita Januário (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Lenine
11 – Qui nem jiló (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Lenine
12 – Deus me perdoe (Lauro Maia/Humberto Teixeira) – voz: Zeca Pagodinho
13 – Dono dos teus olhos (Humberto Teixeira) – voz: Fagner
14 – Xanduzinha (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Fagner
15 – Légua Tirana (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Fagner e Elba Ramalho
16 – Paraíba (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Elba Ramalho
17 – Assum preto (Humberto Teixeira) – voz: Elba Ramalho
18 – Asa Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) – voz: Sivuca, Rita Ribeiro, Carmélia Alves, Elba Ramalho, Lenine, Fagner e Gilberto Gil.

Download: Doutor do Baião


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Baião de Viramundo - Tributo a Luiz Gonzaga




Gláuber Rocha profetizou e Conselheiro abriu os canais: o Sertão vai virar um mar de criatividade que inundará o mundo, contra a secura dos impostos pela indústria cultural.
O inglês de Ariano Suassuna é tão pobre quanto o be-bop no samba de Jackson do Pandeiro. Mas quem precisa de inglês e be-bop, quando se tem Jacinto Silva e Cascabulho?
Fato é que a Bossa Nova não nasceu com João Gilberto, mas a partir dele. E por isso a Bahia colaborou com a preguiça, e a genialidade, da batida. A Tropicália nasceu com a Bahia, e Caetano e Gil; mas foi o tempero de Luiz Gonzaga e Capiba que estabeleceu sua posição de poesia na música, de ritmo na prosa de nossos brasis, tão unos e tão variados, tão puros e tão diversos.
O Sertão é um punhado de casos e uma só história. Torquato Neto desconcertou o Sul, mas, já sem gás, abriu a torneira pra que o gás não deixasse o oxigênio respirar. Morremos todos juntos e renascemos em sua poesia, concreta em meio à subjetividade nacional.
Nesse Viramundo eletrônico, Luiz Gonzaga sampleia o baião, urbaniza a caatinga, e os caranguejos fazem vaquejadas no terreno onde antes só havia canavial.
E quanto a nós? Vamos edificando a saga do caboclo de lança cibernético, nos versos de Bráulio Tavares, na cantoria austera de Pinto de Monteiro. Pois Zé da Luz não desconhece o Cordel do Fogo Encantado, nem estranha Silvério Pessoa, mas os recria quando Zé Limeira inventa Orlando Tejo e nos faz crer na impossibilidade de Cego Aderaldo ter sido obra, e arte, de um certo Jessiê Quirino...
O Nordeste é o que dele temos feito, e o que ele nos faz, dia-a-dia.

Esse texto é uma homenagem ao Projeto Baião de Viramundo, disco que reuniu os bons novos nomes da música pernambucana, numa releitura genaial da obra de Luíz Gonzaga.

Stellio Mendes

Vozes da Seca (Black Alien, Speed Freaks & Rica Amabis)
Cacimba Nova (Mestre Ambrósio)
A Dança da Moda (DJ Dolores)
Orélia (Otto)
O Fole Roncou (Nação Zumbi)
Dezessete e Setecentos (Mundo Livre S/A)
Assum Preto (Sheik Tosado)
Retrado de um Forró (Eddie)
De Juazeiro a Crato (Cascabulho)
Minha Fulô (Comadre Fulorzinha)
Juazeiro (Naná Vasconcelos & João Carlos)
Sabiá (Stela Campos)
Marimbondo (Chão e Chinelo)
Qui Nem Jiló (Andrea Marquee)
Acauã (Nouvelle Cuisine)
LG - Tu'Alma Sertaneja (Anvil FX & Lex Lilith)

Download: Baião de Viramundo


terça-feira, 15 de maio de 2012

La Tribu FM - A Bush No Le Va A Gustar (2005)



La Tribu FM é uma rádio independente da Argentina que sempre se caracterizou por uma postura social. Este álbum é uma compilação de vários artistas argentinos e "latinos" que se unem contra visita de Bush em 2005. O disco é rechedo de críticas que continuam atuais e relevantes no cenário mundial. E viva o povo Latino!!


Compilación internacional producida por FM La Tribu 88.7 Mhz y Doble F Alterlatino.

Tienes que decidir LILIANA FELIPE (Argentina/México)
Piedras Remix DJ PANKO-OJOS DE BRUJO (España)
No te quiero acá NO TE VA A GUSTAR (Uruguay)
Sin dudas y con firmeza ORQ. TIPICA FERNANDEZ FIERRO (Argentina)
La primavera MANU CHAO (Francia/España)
La pira TUMBATÚ CUMBÁ (Argentina)
No podrás matarme PABLO DACAL (Argentina)
Libres seremos LA CANDELA RUMBA SAMPLER (Argentina)
In Komunikazioa FERMIN MUGURUZA Kontrabanda (País Vasco)
Sonrisa macabra ACTITUD MARIA MARTA (Argentina)
Herirlos PROYECTO ESQUIZODELIA (Argentina)
Los muchachos EL PORTON (Argentina)
Seria miseria ARBOLITO (Argentina)
Mecha flan DICK EL DEMASIADO (Holanda)
Chico bomba DANI UMPI (Uruguay)
Donde habita el corazón VICENTE FELIÚ (Cuba)
Redemption song AMPARANOIA (España)
Ruiseñores de nuevo JUAN GELMAN y CESAR STROSCIO (Uruguay/México)

Download: A Bush No Le Va A Gustar




domingo, 27 de novembro de 2011

Chico Buarque - Coletânea do Setlist da Turnê "Chico" 2011/2012


Cinco anos após a sua última turnê, Chico Buarque volta com o show de lançamento de seu mais novo CD, ‘Chico’, que já vendeu mais de 80 mil cópias. Embora dono de uma das carreiras mais sólidas e prolíficas da MPB – em 45 anos lançou mais de 40 discos, entre trabalhos solo e projetos –, o compositor é figura bissexta nos palcos brasileiros. Este será apenas o sexto espetáculo apresentado por ele nos últimos 36 anos. Com duração de aproximadamente 1h30, o roteiro é todo construído ao redor das dez canções que compõem o disco novo. Além delas, o artista vasculhou os mais de 400 títulos de sua obra, tão vasta em gêneros quanto em assuntos, para chegar à lista final de 28 músicas. O resultado é um show pautado por canções de todas as fases de sua carreira, do início dos anos 60 até hoje, amarradas entre si por afinidades musicais ou temáticas.

A turnê “Chico” tem estréia nacional em Belo Horizonte, no teatro Palácio das Artes, de 5 a 8 de novembro de 2011.

O velho Francisco 
De volta ao samba 
Desalento 
Injuriado 
Querido Diário 
Rubato 
Choro bandido 
Essa Pequena 
Tipo Um Baião 
Se Eu Soubesse 
Sem Você 2 
Bastidores 
Todo o sentimento 
O meu amor 
Teresinha 
Ana de Amsterdam 
Anos Dourados 
Sob medida 
Nina 
Valsa brasileira 
Geni e o Zepelim 
Barafunda 
Sou Eu 
Tereza da Praia 
A Violeira 
Baioque 
Cálice 
Sinhá 
Sonho de um Carnaval/A felicidade 
Futuros amantes 
Na carreira 

*Setlist do show de estréia da turnê em Belo Horizonte




quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Is This Indie (2011)



Há dez anos um grupo de cinco novaiorquinos chamado The Strokes lançou Is This It. Para homenagear o disco, o Rock ‘n’ Beats convidou bandas brasileiras para tocá-lo na na íntegra em uma releitura particular deste emblemático álbum – incluímos duas faixas bônus ao projeto, uma segunda versão de Last Nite e uma música nunca gravada pelo Strokes. E o resultado é Is This Indie, muito bem apresentado pelos jornalistas Lucio Ribeiro e Marcelo Costa.
Além de lembrar a importância do disco, escolheram bandas de sete estados brasileiros pensando em representar a diversidade da atual música independente brasileira. A coletânea não mostra necessariamente as aceleradas guitarras do Strokes, mas a criatividade de quem ajuda a construir a identidade de um período da produção nacional. São 14 bandas de sete estados deste país, cada uma tocou uma faixa.
“Is This It” – Volver (Pernambuco)
“The Modern Age” – Vivendo do Ócio (Bahia)
“Soma” – João e Os Poetas de Cabelo Solto (São Paulo)
“Barely Legal” – Cícero (Rio de Janeiro)
“Someday” – Sabonetes (Paraná)
“Alone, Together” – Pública (Rio Grande do Sul)
“Last Nite” – Vespas Mandarinas (São Paulo)
“Hard to Explain” – Volantes (Rio Grande do Sul)
“New York City Cops” – R Sigma (Rio de Janeiro)
“Trying Your Luck” – Suéteres (São Paulo)
“Take It or Leave It” – Charme Chulo (Paraná)
“When It Started” – Jennifer Lo-Fi (São Paulo)
Bonus Tracks:
Rosa (Last Nite) – Banda Uó (Goiás)
Sagganuts – Visitantes (São Paulo)

Download: Is This Indie

Modern Age - Vivendo do Ócio by liracomunicacao

domingo, 18 de setembro de 2011

Psychedelic Pernambuco (2011)


Psicodelia dos anos "70" de Pernambuco, Brasil - músicas incríveis que combinam sons percussivos, cruamente tropicais, com um mundo de criatividade psicodélica e possibilidades - uma das melhores compilações já reunidas por Mr Bongo! Lula Cortes era uma figura central na cena e ele está muito bem representada aqui, incluindo suas gravações influentes com Zé Remalho. Ainda mais emocionante, porém, é o material que nós nunca fomos afortunados o suficiente para ouvir antes de agora - e há um bom negócio dele! A fusão da psique global e sons populares em um som distintamente brasileiro é nada menos que incrível - percussão regional e tradicional debaixo cítaras, alaúdes, teclados e muito mais. Ele apresenta canções do grande Lula Cortes Ze Ramalho, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Notaro Marconi, Flaviola E O Bando Do Sol e The Gentleman.

SorrisoSelvagem - The Gentlemen
O Tempo - Flaviolae O Bando Do Sol
8 Rotacoes - Geraldo Azevedo& AlceuValença
Antropologica - Marconi Notaro
Mister Misterio- Geraldo Azevedo& AlceuValença
NordesteOriental - Lula Côrtes
Novena - Geraldo Azevedo& AlceuValença
Bahjan/OraçãoPara Shiva - Lula Côrtes
Maracatu- Marconi Notaro
BailadoDas Muscarias- Lula Côrtes& ZéRamalho
Desespêro- Flaviolae O Bando Do Sol
NoitePrêta- Lula Côrtes
Fidelidade- Marconi Notaro
Planetario- Geraldo Azevedo& AlceuValença
Ah Vida Avida- Marconi Notaro
MarácasDe Fogo - Lula Côrtes& ZéRamalho
VirgemVirginia - Geraldo Azevedo& AlceuValença
AlegroPiradíssimo - Lula Côrtes
Beira Mar - Lula Côrtes& ZéRamalho


Para se aprofundar na Psicodelia Nordestina: http://euovo.blogspot.com/search/label/Z%C3%A9%20Ramalho

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Pau Da Bandeira de Barbalha - Coletânea




Artigo de Océlio Teixeira publicado no "Diário do Nordeste", domingo, 1º de junho de 2008




Festa do Pau da Bandeira de Barbalha:
fé, diversão e significados


Océlio Teixeira de Souza[1]
A festa de Santo Antônio/Em Barbalha é de primeira
A cidade toda corre/(É um fuzuê medonho)/Pra ver o pau da bandeira
Olha quanta alegria/Que beleza/A multidão faz fileira
Hoje é o dia/Vamos buscar o pau da bandeira
Homem, menino e mulher/Todo mundo vai a pé
A cachaça na carroça/Só não bebe quem não quer
Só se ouve o comentário/Lá na Igreja do Rosário
Que a moça pra ser feliz/Reza assim lá na Matriz:
Meu Santo Antônio, casamenteiro.
Meu padroeiro, esperei o ano inteiro.
(Luiz Gonzaga)


A música dos compositores Alcymar Monteiro e João Paulo Júnior, imortalizada na voz do saudoso Luiz Gonzaga, retrata com poesia, singeleza e riqueza de significados uma das maiores festas populares do Brasil contemporâneo: a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha. A Festa marca a abertura dos festejos em homenagem a Santo Antônio de Pádua e constitui-se numa festa dentro da festa do padroeiro de Barbalha.


A devoção a Santo Antônio, no Brasil, remonta ao período colonial. O teólogo e historiador Vergílio Gamboso, citando Frei Antônio de Santa Maria de Jaboatão, afirma que no Brasil dos primórdios “não era raro encontrar mais de uma imagem do Santo no altar … e que cada família fazia questão de ter o “seu” SA!”. [2]


Com o decorrer dos tempos Santo Antônio se tornou um dos santos mais queridos do Brasil. É o Santo com o maior número de Freguesias, cerca de 228, conforme afirma Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro. Essa popularidade, ao que parece, se deve a sua múltipla especialidade: santo casamenteiro, santo das coisas perdidas e santo do ‘pão dos pobres’.[3] Em Barbalha, a devoção ao taumaturgo de Lisboa remonta ao ano de 1778, quando teve inicio a construção da capela em sua homenagem. A exemplo de muitas outras cidades brasileiras, Barbalha cresceu e se desenvolveu em torno da igreja do seu santo padroeiro.


A devoção a Santo Antonio em Barbalha foi enriquecida por um elemento novo: o cortejo com o mastro pelas ruas da cidade, seguido do hasteamento da bandeira. Instituído oficialmente, em 1928, o cortejo, ao longo dos anos trinta do século passado, caracterizou-se por ser uma expressão religiosa oficial, marcado pela piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro. A partir dos anos quarenta, porém, o cortejo passou por um processo de popularização e carnavalização[4]. Nesse processo, dois carregadores tiveram papel fundamental: um criador de gado e marchante, Vicente de Moça, nos anos quarenta; e um velho ferreiro, Melquíades Veloso, nos anos cinqüenta e sessenta. Os dois foram os responsáveis pela transformação do cortejo na Festa do Pau da Bandeira.


Atualmente, a Festa do Pau da Bandeira é um evento de grandes proporções. No dia de sua realização milhares de pessoas acorrem a Barbalha para acompanhar o cortejo. No último ano, 2007, estima-se que cerca de oitenta mil pessoas participaram da festa. Mas, quem são os homens que carregam o grande pau que servirá de mastro à bandeira de Santo Antônio? Quais são os significados desse ritual para os carregadores do pau?


Historicamente, os carregadores são homens das camadas populares. Assim tem sido desde os primeiros anos do Cortejo do Pau da Bandeira até os dias de hoje. As profissões ocupadas pelos homens que têm carregado o pau da bandeira, ao longo desses 80 anos, são as mais diversas. No entanto, dois grupos têm se destacado: os marchantes, que vêm desde a época de Vicente de Moça, e os “chapeados”, que foi um grupo que predominou nos anos 60 e início dos 70.


Atualmente, o grupo que se destaca entre os carregadores e que são considerados os “enfrentantes” é composto pelo chamado “grupo do mercado”. São cerca de 15 carregadores experientes. A maioria é constituída por marchantes, mas há também pequenos comerciantes, pintores, pedreiros, agricultores e outras profissões. Esse grupo constitui, informalmente, a comissão de organização e coordenação da Festa. Eles se revezam entre carregar o pau e coordenar, junto com o Capitão do Pau, os demais carregadores.


Vamos agora aos significados do Cortejo do Pau da Bandeira. Quero aqui destacar dois. Primeiro, o sentido de inversão: o Cortejo que deveria ser um ato religioso de piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro, conforme orientação da hierarquia eclesiástica, foi transformado num espaço de afirmação social e religiosa dos carregadores, homens simples que, no dia-a-dia, ocupam posições sociais e religiosas inferiores. Eles, aos poucos, criaram uma forma própria de reverenciar e homenagear o padroeiro do município, marcada pela irreverência, pelas brincadeiras, pelo lúdico, enfim pelas suas experiências de vida. O espaço do Cortejo do Pau da Bandeira não pertence ao padre ou ao prefeito, mas sim a eles. Nesse espaço, as regras e as normas são estabelecidas pelos carregadores.


Um segundo significado que quero destacar é o Cortejo enquanto ritual de passagem da adolescência para a vida adulta e espaço de afirmação masculina. O objetivo de todo carregador é chegar à cabeça do pau, ou seja, carregar o pau na sua ponta mais pesada. Para tanto, existe uma disputa entre eles, que começa ainda na adolescência.


Nos anos 40 do século passado, as crianças e adolescentes iniciavam sua participação carregando as tesouras, pedaços de paus usados em X para auxiliar no levantamento do mastro. São muitos os relatos dos carregadores antigos, ou dos ex-carregadores, nesse sentido, como este a seguir: “O ano de 48, eu me achava com 14 anos. Eu posso dizer que eu participei de carregar o pau da bandeira, por que eu não ia carregar o pau, mas já tava carregando as tesouras. (...) Mas olhe então, por essa razão que eu me criei vendo aquele incentivo, que todo mundo só queria carregar o pau da bandeira era no pé do pau. Então foi isso que eu quis ocupar um lugar”.[5]


A realização e o prazer de carregar o pau na sua parte mais grossa são motivos de orgulho, expressos, sobretudo no momento do encontro do Cortejo com a multidão que aguarda o mastro na cidade. “Pra mim era tudo na vida aquele negocio ali... Era mesmo que tá no céu”, descreve um ex-carregador, referindo-se aos anos 50 e 60, quando esse encontro ocorria na Igreja do Rosário. Já outro carregador, também dos anos 50 e 60, descreve dessa forma a emoção do encontro: “A vontade é que se pudesse se levava só, porque aquela parte é a mais emocionante.”.
Para finalizar, quero destacar um fato, ocorrido provavelmente em meados dos anos 80, que demonstra de forma emblemática a importância que o carregamento do pau tem na vida dessas pessoas. O relato é de um antigo carregador: “Houve um ano que o pau muito pesado e ele atrasou e padre Euzébio quis trazer o pau da bandeira arrastado por um trator, rebocado por um trator. Aí houve exatamente uma revolta, por que ninguém..., os componentes do pau da bandeira gritaram lá que ninguém apegava, que trator nenhum do mundo encostaria naquele pau pra carregar ele. Então ele tinha que ser arrastado era no braço dos homens e não arrastado por trator.”.
[1] Océlio Teixeira de Souza, professor do Departamento de História da Universidade Regional do Cariri – URCA. Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, tendo defendido a dissertação: A Festa do Pau da Bandeira de Santo Antonio de Barbalha(CE): entre o controle e a autonomia(1928 – 1998), em agosto de 2000.
[2] GAMBOSO, Vergílio. Vida de Santo Antônio. Aparecida (SP): Santuário, 1994.
[3] CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6 ed. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1988.
[4] Uso esse termo conforme a acepção de M. Bakhtin. Para este autor, o carnaval na Idade Média e no Renascimento constituía-se na “segunda vida do povo, baseada no princípio do riso. É a sua vida festiva.” Ou seja, o carnaval representava, mesmo que temporariamente, a criação de um segundo mundo, baseado na inversão brincalhona dos valores e hierarquias estabelecidos e na exaltação da abundância, da fertilidade, do baixo corporal, etc. Ver: Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. 2 ed. São Paulo/Brasília, Hucitec/Edunb, 1993.
[5] Os nomes dos carregadores ou ex-carregadores foram mantidos em sigilo com o intuito de preservar as identidades e privacidade dos mesmos.


*Coletânea contendo músicas tradicionais e novas com a temática do Pau da Bandeira


Download: Pau da Bandeira