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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Felipe Cordeiro - Se Apaixone Pela Loucura do Seu Amor (2013)




CARLOS ALBUQUERQUE


Uma semana antes de entrar no estúdio para gravar seu novo disco, aquele que sucederia o elogiado “Kitsch pop cult”, de 2012, Felipe Cordeiro reparou que tinha um problema. O cantor, compositor e guitarrista paraense — que toca hoje à noite no Circo Voador, abrindo para Arnaldo Antunes, às 22h — não tinha uma música que resumisse o espírito do futuro trabalho, que sintetizasse o suingue e a irreverência das outras composições que já tinha esboçado. Faltava algo.

— Faltava fuleiragem — resume ele. — Esse sentimento ultrapopular, de sarro, de sátira.
Foi quando um amigo lhe contou uma briga que presenciou na rua, envolvendo um esquentado casal. Em determinado momento da discussão, a mulher sacou uma frase inusitada, que finalizou a discussão como um ippon: “Você pra mim é problema seu!”, exclamou ela. O jogo de palavras encantou Cordeiro, que criou a música “Problema seu”, a última a ficar pronta e a primeira a ser ouvida no disco “Se apaixone pela loucura do seu amor”, que lança hoje no show. Desde quarta-feira, três faixas dele (“Ela é tarja preta”, “Louco desejo” e “Lambada alucinada”) podem ser baixadas gratuitamente no site Natura Musical (naturamusical.com.br), que apoiou o trabalho.
— Esse disco sai um pouco do terreno do kitsch, que estava bem presente no trabalho anterior, para cair mais num pop tropical para valer — conta o músico. — As canções acabaram girando em torno do amor, esse tema clássico que todo autor que se preze tem que tocar um dia.
Com uma economia no uso de samples e outros recursos eletrônicos, “Se apaixone pela loucura do seu amor” leva a assinatura dos produtores Kassin e Carlos Eduardo Miranda, que trabalharam ao lado de Felipe e seu pai, o guitarrista Manoel Cordeiro (também parceiro em quatro músicas do disco).
— Kassin e Miranda são criativos, ousados, livres, não têm limites. Precisava de gente assim ao meu lado — conta ele. — E o Kassin acabou tão apaixonado pelo meu pai que, no fim das gravações, formamos uma banda para ele. Ela vai se chamar Manoel Cordeiro e os Desumanos, com a participação do Liminha. A estreia vai ser em novembro, no festival Se Rasgum, em Belém.
Desse convívio saíram músicas como “Louco desejo”, com timbres que remontam aos anos 1980, e “Lambada alucinada”, dedicada ao amigo Maderito, vocalista da Gang do Eletro.
— “Louco desejo” tem um contraste legal entre os teclados, meio gélidos, e as guitarras, soltas e com muito suingue — explica ele. — Já “Lambada alucinada” é bem rápida, nervosa, com guitarras malvadas, que me fizeram lembrar do Maderito, uma pessoa adorável.
Da parceria com Arnaldo Antunes, nasceu a divertida “Ela é tarja preta” (que acabou gravada também pelo ex-titã em seu “Disco”).
— Estava a fim de compor com Arnaldo há um tempão. Um dia nos encontramos na casa dele, abrimos uma garrafa de vinho e começamos a falar besteira. Ficamos tão empolgados com a letra que nós dois resolvemos gravá-la. A ideia da letra foi do meu pai, sobre esse tipo de mulher-problema que a gente pode encontrar. Ou homem-problema. Depende do ponto de vista.
E de tanto ouvir falar da “cena” musical de Belém, Cordeiro acabou criando uma das faixas centrais do disco: “Brea époque”.
— Nos anos 1920, a cidade sofreu forte influência europeia, na arquitetura, na música, em quase tudo. Diziam que era a Belle Époque adaptada para a Amazônia — reflete. — E hoje Belém vive uma explosão cultural em torno de um local que tem os problemas das grandes cidades, sem as vantagens. A letra reflete essas contradições que fazem Belém ser o que é. E brear é uma expressão local, significa ficar suado, lambuzado por calor e umidade