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domingo, 18 de agosto de 2013

Móveis Coloniais de Acaju - De Lá Até Aqui (2013)



De lá até aqui promove um rito de passagem simbólico. Como se registrasse a transição do púbere para o adulto, do acadêmico para o graduado, da garagem para o estúdio. Resultado de uma jornada que se perpetua há 15 anos e que agora se consolida sob a tutela de instrumentistas essencialmente brasilienses e profissionais. “Vivemos disso. Encontramos nosso lugar e assumimos quem somos”, reiterou André.

A maturidade sonora aparece abusando dos gêneros e estilos, provocando um trabalho atípico, propositalmente diferente dos anteriores. Entre as 14 faixas que compõem o álbum, surgem uma homenagem ao rock oitentista de Brasília, influências de Beatles e elementos da disco music dos anos 1970. Eclético, porém harmônico. Os instrumentos ganham espaço e a destreza dos 10 integrantes fica mais nítida (e ousada), como a voz grave e peculiar de André. Cuidados lapidados pelos atenciosos músicos e por uma produção nacional disposta a apostar todas as fichas na banda.

“Quem nos conhece vai se surpreender. Quem ainda não ouviu, vai chegar na hora certa”, convidou o cantor. O inusitado agradou. Embora o disco físico ainda não tenha chegado às prateleiras, a banda disponibilizou, na semana passada, o conteúdo integral de De lá até aqui, na plataforma Deezer, em que é possível escutá-lo, mas não baixá-lo. O trabalho figura entre os mais ouvidos no país e goza de elogios generosos nas redes. A ordem é clara: “Fecha os olhos e vai!”, como proclama um trecho velado do álbum. Agora, exposto.

Download: De Lá Até Aqui

domingo, 2 de janeiro de 2011

Móveis Coloniais de Acaju - Ao Vivo no Auditório Ibirapuera (Audio do DVD)



Com um nome baseado em um evento histórico inventado pelos próprios integrantes – um conflito entre índios e portugueses contra os ingleses na Ilha do Bananal –, Móveis Coloniais de Acaju surgiu em 1998, em Brasília. Já autodenominado, em termos gastronômicos, de “feijoada búlgara”, é uma banda de estilo singular, fundindo rock e ska com influências musicais de todo o mundo (especialmente do leste europeu) e de música brasileira.

Em seus primeiros anos, foram muitos e muitos shows por Brasília. Além do estado de origem, a banda chegou a se aventurar por Goiânia e São Paulo. Mas, em 2003, quando foram a única atração local selecionada para figurar o palco principal do Brasília Music Festival (abrindo para LiveUltraje a Rigor e Charlie Brown Jr.), viram que a coisa tinha que se profissionalizar.

Depois de 2003, passaram a ter mais cuidado com a equipe técnica, equipamentos e a qualidade dos shows. Perceberam também a necessidade em gravar um disco – até então, além de fitas e CDs demo, tinham lançado somente um EP homônimo à banda, em 2001. Procuraram produtores e fecharam com Rafael Ramos (que havia recém lançado a Pitty).

Idem, o primeiro disco, foi gravado em outubro de 2004 no Rio de Janeiro, no estúdio Tambor, sob o olhar de Ramos e os cuidados de Jorge Guerreiro. Foi a primeira grande experiência em estúdio. Reunia 12 das melhores composições da banda à época, que sintetizavam a “feijoada sonora” característica do grupo.

O lançamento do álbum aconteceu em 2005. Um marco para a banda – não somente por se tratar de um primeiro disco, mas por estimular a vontade do grupo em ampliar o alcance do seu trabalho. A partir daquele ano a banda começou a investir mais em shows fora de Brasília, percebeu que podia realizar seus próprios eventos (organizaram, em parceria com produtores amigos, a festa de lançamento doIdem em Brasília, para mais de três mil pessoas) e viu a importância de sua performance ao vivo.

Dentre seus empreendimentos próprios, a banda também desenvolveu o Móveis Convida, festival anual pelo qual já passaram mais de 20 bandas (de atrações renomadas como Los Hermanos e Pato Fu a internacionais como Black Drawing Chalks) e um público médio de quatro mil pessoas por edição.

Ainda em 2005 a banda viria a se destacar em sua apresentação no Curitiba Rock Festival. O mesmo aconteceu em Goiânia e São Paulo – praças já conhecidas da banda. Mas, a partir de 2006, que se intensificaram as viagens. Em pouco tempo a banda viria a fazer parte dos principais festivais brasileiros e logo o Móveis conquistou posição de destaque em todos eles. Era o desempenho ao vivo mostrando sua força. Isso se fez presente em apresentações de TV, como o especial homenageandoRaul Seixas no “Som Brasil” (Rede Globo).

Nesse meio tempo alternando entre show, a banda lançou, em 2007, um vinil de 33 rotações com músicas brasilienses dos anos 90, fazendo releituras de Câmbio Negro e Little Quail and the Mad Birds, com a colaboração de Gabriel Thomaz. Lançou, ainda, o single virtual “Sem Palavras” pelo portal TramaVirtual. Além disso, foi destaque em diversos meios de comunicação respeitados (tais como revista Rolling Stone Brasil) por conta de suas apresentações – inclusive tendo Sem Palavras incluída na 21ª posição dentre as 50 melhores canções do ano.

Participaram também do Festival Indie Rock (2007), onde se apresentaram ao lado de bandas estrangeiras como The Magic Numbers e The Rakes, e as brasileiras Moptop e Nação Zumbi.

A incansável vontade de tocar e expandir seus horizontes levou a banda para uma turnê de seis shows pela Europa – Bélgica, Suíça, República Tcheca e Alemanha –, em agosto de 2008. Sem exceção, o Móveis foi ovacionado em todas as apresentações. Os novos ares ajudaram a banda a fechar o repertório do segundo disco, que seria gravado a partir de outubro do mesmo ano – com o apoio da Trama, que forneceu todo o cuidado e a estrutura para sua gravação, mixagem e masterização.

De volta ao Brasil, e desta vez com o acompanhamento (quase fraternal) de Carlos Eduardo Miranda, a banda dedicou-se ao C_mpl_te. Também com 12 faixas, o aguardado segundo álbum destaca a união, o trabalho em grupo e a consolidação da identidade sonora. Os detalhes e as canções são bastante evidentes nesse disco. Nas palavras de Miranda, “sem dúvida, um dos melhores e mais importantes discos que eu fiz na vida”. O disco subsequentemente teve lançada uma versão virtual disponível gratuitamente.