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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi (2013)



Há 20 anos, quando a música popular brasileira vivia um daqueles seus momentos de impasse criativo, Recife acenou com uma luz no fim do túnel. Era o mangue beat, movimento cujos artistas costuravam samba, psicodelia, hip-hop, maracatu, funk e as novidades eletrônicas da época, embalados por um manifesto dos caranguejos com cérebro e suas parabólicas enfiadas na lama. Concluído o ciclo do mangue, os grupos que fizeram a revolução, Nação Zumbi (que continuou após a morte do líder Chico Science, em 1997) e Mundo Livre S/A, seguiram trajetórias paralelas, transformaram-se, evoluíram, mas não perderam a força criativa. O encontro no disco “Mundo Livre S/A vs Nação Zumbi”, em que um toca as músicas do outro, é mais do que uma celebração do movimento e das suas canções. É um exercício dos mais interessantes, feito por duas bandas bem diferentes, no topo de sua forma artística.
O clima de camaradagem colabora para o bom resultado dessa briga na lama fértil do mangue recifense. Dois cavalos de batalha da Nação com Chico, “A cidade” e “A praieira”, ganham melodia e um tanto de melancolia na interpretação do vocalista Fred 04. Já em “Rios, pontes e overdrives”, o Mundo Livre conjuga samba e punk hardcore para reviver uma das melhores canções de “Da lama ao caos” (1994), álbum de estreia de Chico Science & Nação Zumbi. O funk-maracatu “Etnia”, de “Afrociberdelia” (1996), por sua vez, vira um heavy-samba, daqueles que o ML sabe bem fazer. E “Meu maracatu pesa uma tonelada”, hit do Nação já com o vocalista Jorge Du Peixe à frente, renasce entre cavaquinho, sintetizadores, guitarra noise e vocoder, totalmente diversa, mas ao mesmo tempo fiel ao espírito do original. E assim o Mundo Livre S/A abre uma vantagem que parece difícil de recuperar. Mas não se pode esquecer que do outro lado está a Nação Zumbi.
Grupo calcado na força da cruza de guitarra e tambores (e na presença que Du Peixe impõe, conquistada ao longo de anos na missão de substituir Chico Science), a Nação vai à luta, conseguindo alguns resultados bem felizes em suas releituras do repertório do Mundo Livre. O heavy-samba “Livre iniciativa” (com o qual a banda começou sua trajetória na mídia, em 1994) ganhou leve embalo soul, com a bateria virtuosa de Pupillo, citando “Mr. Big Stuff”, clássico dos anos 1970 da americana Jean Knight. Jorge Du Peixe e o guitarrista Lucio Maia, por outro lado, conseguiram deslizar bem pelas sinuosidades de “Musa da Ilha Grande” (sucesso do primeiro disco do Mundo Livre, “Samba esquema noise”, de 1994), temperando de surf-music o samba praieiro. E a buliçosa “Bolo de ameixa” até pode ter perdido um pouco da sua malandragem original, mas ressurgiu com uma potente faixa da Nação Zumbi. Da mesma forma, “Girando em torno do sol” se encaixou muito bem no formato da banda, que pôde assim deitar e rolar na psicodelia dramática, e virar o placar nesse duelo de caranguejos gigantes em que não há perdedores, só ganhadores.




01. A Cidade (Mundo Livre S/A)
02. Praieira (Mundo Livre S/A)
03. Etnia (Mundo Livre S/A)
04. Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada (Mundo Livre S/A)
05. No Olimpo (Mundo Livre S/A)
06. Rios, Pontes e Overdrives (Mundo Livre S/A)
07. Samba Makossa (Mundo Livre S/A)
08. Livre Iniciativa (Nação Zumbi)
09. Musa da Ilha Grande (Nação Zumbi)
10. Bolo de Ameixa (Nação Zumbi)
11. Girando Em Torno Do Sol (Nação Zumbi)
12. Pastilhas Coloridas (Nação Zumbi)
13. Seu Suor É O Melhor De Você (Nação Zumbi)
14. O Velho James Brown Jah Dizia (Nação Zumbi)

Download: Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi