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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Nação Zumbi - Nação Zumbi (2014)



Marcelo Pereira

Nação Zumbi é um disco de afirmação, positivo, solar, vibrante e profundo, reflexo da maturidade de uma banda que tem completo domínio sobre sua carreira. Sem dar ouvidos a disse-me-disse e sem medo de perder o timing, como se pudesse dominar o tempo – tema sempre presente em suas músicas e marcante nesse novo trabalho – Nação Zumbi voltou à estrada justamente no ano que comemora os 20 anos da estreia fonográfica com Da lama ao caos, álbum definitivo na música pop brasileira. 

“Voltamos com todo o gás”, avisa, por telefone, o vocalista Jorge du Peixe, em maratona para divulgação do disco, que começou a ser vendido na internet ontem e chega fisicamente às lojas no fim de semana. “Desde o início estava definido que o momento do lançamento seria esse, no primeiro semestre de 2014”, afirma. 

O disco-totem será lembrado nos shows, sem que para isso a banda fique refém da efeméride. “Da lama ao caos é um disco que estava a frente do seu tempo e ainda é muito atual”, diz Du Peixe. “Não estamos renegando passado. Não é isso. Já fizemos os shows dos dez anos e os 15 anos. Achamos meio over fazer agora. Tocamos sempre músicas do disco nos shows”, justifica o guitarrista Lúcio Maia.

É do caderno de anotações onde Du Peixe registra títulos, refrões, versos, rimas e ideias que saíram as letras das 11 músicas que compõe o novo disco Nação Zumbi. “Começamos elaborar o repertório em 2010, no estúdio na casa de Lúcio moldando as bases, escolhendo os temas e refrões. Depois fomos para o estúdio e fechamos o disco em 2012. De lá para cá, mexi em algumas letras, melhorei a voz em uma ou outra música”, diz Du Peixe. 

A participação da cantora Marisa Monte, por exemplo, não estava prevista. “Eu sempre admirei a voz de Marisa Monte, o jeito com que ela projeta seus trabalhos. Temos uma amizade antiga, mas o convite só foi feito no final da turnê dela. Apareceu uma oportunidade. Pupillo já tinha falado para ela que eu estava querendo mostrar uma ciranda – A melhor hora da praia. Ela falou que adorava ciranda e que amava Lia de Itamaracá, então topou na hora participar”, diz Du Peixe.

“Foi uma participação supernatural. A gente conhece Marisa desde a época que estávamos gravando Da lama ao caos e ela queria gravar com a gente”, lembra Lúcio, que gravou o disco O que você quer saber de verdade e participou de toda a turnê Verdade uma ilusão, com o baixista Alexandre Dengue e o baterista Pupillo.

“Eu vejo os discos da Nação Zumbi como um álbum de família. É uma sequência de retratos da vida. Tem alguns traços antigos, mas vê que tudo modificou com o tempo”, diz Lúcio. “Algumas letras refletem o momento difícil que Jorge passava na vida pessoal”, comenta, sem entrar em detalhes. “Cinema, quadrinhos, literatura, os amigos, as nossas experiências tudo acaba entrando nas músicas. Vamos revisitando ideias, acrescentando o que aprendemos”, explica Du Peixe.

Para o vocalista, Nação Zumbi “é um disco mais assobiável, mas é um disco para ouvir alto”. Lúcio Maia concorda: “Trabalhamos sem a pressão dos outros discos, podemos aprofundar mais na melodia e na harmonia”.

A primeira faixa lançada, Cicatriz, reflete esse momento de Du Peixe, numa melodia com a influência da surf music, do iê-iê-iê e da música brega. Um sonho fala de um sonho dentro de outro, com uma pegada romântica que aparece também em Foi de amor, na ciranda A melhor hora da praia e Novas auroras, com saudades do que nem foi e sua levada envolvente pelos timbre de Lúcio. Já Nunca te vi lembra Jorge Ben. A violência urbana está presente em canções viscerais como Bala perdida, Cuidado e Pegando fogo. “Nação Zumbi é como se fosse um complemento de Fome de tudo”, sintetiza Du Peixe. 

Download: Nação Zumbi
                             


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi (2013)



Há 20 anos, quando a música popular brasileira vivia um daqueles seus momentos de impasse criativo, Recife acenou com uma luz no fim do túnel. Era o mangue beat, movimento cujos artistas costuravam samba, psicodelia, hip-hop, maracatu, funk e as novidades eletrônicas da época, embalados por um manifesto dos caranguejos com cérebro e suas parabólicas enfiadas na lama. Concluído o ciclo do mangue, os grupos que fizeram a revolução, Nação Zumbi (que continuou após a morte do líder Chico Science, em 1997) e Mundo Livre S/A, seguiram trajetórias paralelas, transformaram-se, evoluíram, mas não perderam a força criativa. O encontro no disco “Mundo Livre S/A vs Nação Zumbi”, em que um toca as músicas do outro, é mais do que uma celebração do movimento e das suas canções. É um exercício dos mais interessantes, feito por duas bandas bem diferentes, no topo de sua forma artística.
O clima de camaradagem colabora para o bom resultado dessa briga na lama fértil do mangue recifense. Dois cavalos de batalha da Nação com Chico, “A cidade” e “A praieira”, ganham melodia e um tanto de melancolia na interpretação do vocalista Fred 04. Já em “Rios, pontes e overdrives”, o Mundo Livre conjuga samba e punk hardcore para reviver uma das melhores canções de “Da lama ao caos” (1994), álbum de estreia de Chico Science & Nação Zumbi. O funk-maracatu “Etnia”, de “Afrociberdelia” (1996), por sua vez, vira um heavy-samba, daqueles que o ML sabe bem fazer. E “Meu maracatu pesa uma tonelada”, hit do Nação já com o vocalista Jorge Du Peixe à frente, renasce entre cavaquinho, sintetizadores, guitarra noise e vocoder, totalmente diversa, mas ao mesmo tempo fiel ao espírito do original. E assim o Mundo Livre S/A abre uma vantagem que parece difícil de recuperar. Mas não se pode esquecer que do outro lado está a Nação Zumbi.
Grupo calcado na força da cruza de guitarra e tambores (e na presença que Du Peixe impõe, conquistada ao longo de anos na missão de substituir Chico Science), a Nação vai à luta, conseguindo alguns resultados bem felizes em suas releituras do repertório do Mundo Livre. O heavy-samba “Livre iniciativa” (com o qual a banda começou sua trajetória na mídia, em 1994) ganhou leve embalo soul, com a bateria virtuosa de Pupillo, citando “Mr. Big Stuff”, clássico dos anos 1970 da americana Jean Knight. Jorge Du Peixe e o guitarrista Lucio Maia, por outro lado, conseguiram deslizar bem pelas sinuosidades de “Musa da Ilha Grande” (sucesso do primeiro disco do Mundo Livre, “Samba esquema noise”, de 1994), temperando de surf-music o samba praieiro. E a buliçosa “Bolo de ameixa” até pode ter perdido um pouco da sua malandragem original, mas ressurgiu com uma potente faixa da Nação Zumbi. Da mesma forma, “Girando em torno do sol” se encaixou muito bem no formato da banda, que pôde assim deitar e rolar na psicodelia dramática, e virar o placar nesse duelo de caranguejos gigantes em que não há perdedores, só ganhadores.




01. A Cidade (Mundo Livre S/A)
02. Praieira (Mundo Livre S/A)
03. Etnia (Mundo Livre S/A)
04. Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada (Mundo Livre S/A)
05. No Olimpo (Mundo Livre S/A)
06. Rios, Pontes e Overdrives (Mundo Livre S/A)
07. Samba Makossa (Mundo Livre S/A)
08. Livre Iniciativa (Nação Zumbi)
09. Musa da Ilha Grande (Nação Zumbi)
10. Bolo de Ameixa (Nação Zumbi)
11. Girando Em Torno Do Sol (Nação Zumbi)
12. Pastilhas Coloridas (Nação Zumbi)
13. Seu Suor É O Melhor De Você (Nação Zumbi)
14. O Velho James Brown Jah Dizia (Nação Zumbi)

Download: Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Los Sebosos Postizos - Los Sebosos Postizos Interpretam Jorge Ben Jor (2012)




José Teles


Jorge Ben, antes de acrescentar o “Jor”, lançou álbuns de vasta influência na música brasileira, nenhum tão influente quando o Tábua de esmeraldas, de 1974. Pelo menos para a turma do manguebeat, poucos discos foram tão escutados quanto este, na predileção de todos, sobretudo de Fred Zeroquatro e Chico Science. Outros dois álbuns de Jorge Ben Jor que fazem parte da coleção básica do manguebeat são Samba esquema novo (1963), e Bidu – silêncio no Brooklin (1967). O primeiro é o álbum inaugural da obra de Babulina (apelido de Ben Jor), o segundo (pelo selo AU da Rozenblit) é sua resposta ao pessoal do Fino da Bossa, que o baniu do programa por ter se apresentado no Jovem Guarda.

Esta é a trinca de discos de Jorge Ben Jor de onde saiu a maioria das 14 faixas do álbum de estreia dos Los Sebosos Postizos, projeto paralelo de parte do Nação Zumbi (Jorge du Peixe, Dengue, Pupillo e Lúcio Maia). O disco está chegando às lojas pela Deck Disc, com produção de Mário Caldato, contrariando as previsões dos músicos do Nação Zumbi, que prometiam para este ano um CD de inéditas da banda.

“As músicas estão gravadas, mas o disco só em 2013. A gente não tem pressa. Continuamos tocando com Marisa Monte. A turnê dela deve ir até meados do ano que vem. Até lá, a gente vai ouvindo o que foi feito para saber se é isso mesmo o que a gente quer. Jorge talvez bote novas vozes”, comenta o baixista Dengue, de passagem pelo Recife.

Los Sebosos Postizos surgiu de uma homenagem ao ídolo Ben Jor em 1998, numa festa chamada A noite do Ben. Evoluiu para uma banda cover, que desaguou num álbum, que eles achavam que não seria feito: “A ideia do Los Sebosos estava evoluindo para um disco autoral. Mesmo nos covers de Ben Jor tinha, e tem, muito da banda. O repertório está gravado há uns dois anos, só agora foi que mandamos para Mario Caldato. A gente não tinha pressa, como está acontecendo agora com o disco do Nação”, continua Dengue, acrescentando que por enquanto não há vaga na agenda dos músicos para uma turnê dos Los Sebosos: “Acho que vai rolar uns três shows. Um no Rio, outro em São Paulo e no Recife, até porque a gente está se encontrando pouco. Jorge está em São Paulo, eu estou no Rio.

Duas músicas autorais de Los Sebosos Postizos foram gravadas antes. Uma está no primeiro, e único, álbum do coletivo Instituto – Solaris, instrumental – e outra está num disco do Mamelo Sound System. Nenhuma autoral está em Los Sebosos Postizos interpretam Jorge Ben Jor, o álbum. Para chegar às 14 músicas do CD bastou pinçar as preferidas de uma lista que eles selecionaram para tocar ao vivo: “Complicado foi tirar três dessas 14 para o vinil, onde só cabiam 11”, diz Dengue.

Embora tenha canções bem manjadas de Jorge Ben Jor, o CD consegue encaixar os hits em meio a canções, menos conhecidas, até mesmo do Tábua de esmeraldas, do qual pinçaram Cinco minutos. Do Samba esquema novo tem o quase sucesso Rosa, menina, rosa, e duas só conhecidas dos especialistas, Quero esquecer você e A tamba.

Um dos discos menos conhecidos de Ben Jor, Bidu – silêncio no Brooklin é um dos melhores e também o primeiro em que ele empunha uma guitarra e é acompanhado por uma banda de rock, no caso os Fevers. Segundo Dengue, ele é um dos preferidos dos integrantes da Los Sebosos Postizos: “É o mais diferente de Ben Jor, com uma pegada que só ele tem. De Bidu, o quarteto escolheu quatro faixas, todas absolutamente obscuras (a mais conhecida do álbum é Si manda).

De um dos discos menos conhecidos de Ben Jor, Ben é samba bom, de 1964, eles sacaram uma das mais peculiares composições do impagável Babulina, Descalços no parque (que não foi inspirado no filme homônimo, com Robert Redford e Jane Fonda, que é de 1967). Uma música que não é samba, não é bossa nova, tem a mesma levada de Ol’ man mose, hit de Louis Armstrong (cuja versão deu em A história de um homem mau, sucesso de Roberto Carlos, também em 1964).

“A música está no último disco de Marisa Monte, mas a gente gravou primeiro e deixou na gaveta até agora. Curioso é que tocamos o disco de Marisa quase todo. Esta foi um das músicas que não tem participação da gente”, comenta Dengue.

O que justifica a gravação de um disco com repertório de uma banda cover?

No caso do Los Sebosos Postizos, o fato de o grupo inovar no formato. Nem chega a ser um tributo, nem propriamente um grupo cover. Os arranjos e andamentos na maioria das faixas são bastante diferentes. Em outras o novo arranjo é feito em cima do original, só que com outros instrumentos. É isso o que eles fazem com a mais ou menos manjada O homem da gravata florida (esta é a terceira regravação da canção, além das duas feitas pelo autor).

Em Os alquimistas estão chegando, uma das poucas que preservam o mesmo ritmo da original, programações e a produção de Mario Caldato revestem a canção de outros tons, sonoridades: “Mario gosta muito de usar ecos, de ambiência. Ele fez um trabalho muito bom em cima das fitas que mandamos”, credita Dengue”. O quarteto do Nação tem o reforço de Guizado (trompete), Bactéria (teclado), Da Lua (percussão) e Bárbara Eugênia (backing vocal).

Download: Los Seboso Postizos Interpretam Jorge Ben



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Baião de Viramundo - Tributo a Luiz Gonzaga




Gláuber Rocha profetizou e Conselheiro abriu os canais: o Sertão vai virar um mar de criatividade que inundará o mundo, contra a secura dos impostos pela indústria cultural.
O inglês de Ariano Suassuna é tão pobre quanto o be-bop no samba de Jackson do Pandeiro. Mas quem precisa de inglês e be-bop, quando se tem Jacinto Silva e Cascabulho?
Fato é que a Bossa Nova não nasceu com João Gilberto, mas a partir dele. E por isso a Bahia colaborou com a preguiça, e a genialidade, da batida. A Tropicália nasceu com a Bahia, e Caetano e Gil; mas foi o tempero de Luiz Gonzaga e Capiba que estabeleceu sua posição de poesia na música, de ritmo na prosa de nossos brasis, tão unos e tão variados, tão puros e tão diversos.
O Sertão é um punhado de casos e uma só história. Torquato Neto desconcertou o Sul, mas, já sem gás, abriu a torneira pra que o gás não deixasse o oxigênio respirar. Morremos todos juntos e renascemos em sua poesia, concreta em meio à subjetividade nacional.
Nesse Viramundo eletrônico, Luiz Gonzaga sampleia o baião, urbaniza a caatinga, e os caranguejos fazem vaquejadas no terreno onde antes só havia canavial.
E quanto a nós? Vamos edificando a saga do caboclo de lança cibernético, nos versos de Bráulio Tavares, na cantoria austera de Pinto de Monteiro. Pois Zé da Luz não desconhece o Cordel do Fogo Encantado, nem estranha Silvério Pessoa, mas os recria quando Zé Limeira inventa Orlando Tejo e nos faz crer na impossibilidade de Cego Aderaldo ter sido obra, e arte, de um certo Jessiê Quirino...
O Nordeste é o que dele temos feito, e o que ele nos faz, dia-a-dia.

Esse texto é uma homenagem ao Projeto Baião de Viramundo, disco que reuniu os bons novos nomes da música pernambucana, numa releitura genaial da obra de Luíz Gonzaga.

Stellio Mendes

Vozes da Seca (Black Alien, Speed Freaks & Rica Amabis)
Cacimba Nova (Mestre Ambrósio)
A Dança da Moda (DJ Dolores)
Orélia (Otto)
O Fole Roncou (Nação Zumbi)
Dezessete e Setecentos (Mundo Livre S/A)
Assum Preto (Sheik Tosado)
Retrado de um Forró (Eddie)
De Juazeiro a Crato (Cascabulho)
Minha Fulô (Comadre Fulorzinha)
Juazeiro (Naná Vasconcelos & João Carlos)
Sabiá (Stela Campos)
Marimbondo (Chão e Chinelo)
Qui Nem Jiló (Andrea Marquee)
Acauã (Nouvelle Cuisine)
LG - Tu'Alma Sertaneja (Anvil FX & Lex Lilith)

Download: Baião de Viramundo


segunda-feira, 19 de março de 2012

Nação Zumbi - Ao Vivo No Recife (2012)



Nação Zumbi no Recife é Beatles em Liverpool, Bob Marley em Kingston, Joy Division em Manchester e qualquer outra comparação entre natividade e punch musical possível. O show da banda pernambucana pesa uma tonelada em qualquer praça, mas é na Manguetown que o encontro com o público provoca faísca nos ares e a ciranda-pogo gira na velocidade psicodélica da luz. 


É o que testemunhamos neste concerto gravado no chão do Marco Zero, na ilha holandesa do Recife Velho ou Antigo, porta e farol da cidade para o mundo. Ouviram não só do Ipiranga, ouviram d´África, onde os tambores da Nação fazem reverberar o escambo de oferendas no terreiro afro-beat. 


Mais do que um show, o DVD mostra a liga orgânica entre a cidade e a banda. Rios, pontes, overdrives e impressionantes coreografias da massa vistas por câmeras aéreas. Os “extras” completam essa lição geográfica da fome afetiva com um rolê por alguns pontos como o Mercado de São José e o bairro de Peixinhos, Olinda, de onde veio a “cozinha” percussiva do grupo. 


No repertório, clássicos dos tempos de Chico Science são mesclados com a história da NZ até hoje. Fred 04, parceiro da origem do mangue beat; Siba com a loa-metal da sua Fuloresta; Arnaldo Antunes e Paralamas do Sucesso fazem participações especiais. 


Este DVD é um documento digno daquela que é, desde o nascedouro, nos anos 90, a melhor e mais expressiva banda brasileira. Não é fácil se manter com essa garantia e resistência do grupo formado por Jorge Du Peixe, Pupillo, Lúcio Maia, Dengue, Toca Ogan, Gilmar Bola 8, Da Lua e Marcos Matia. 


Talvez um verso de “Fome de tudo” consiga explicar o segredo: “A fome tem uma saúde de ferro”. Fastio é o que não falta aos meninos. Todos por uma Nação. 


Xico Sá



1. Fome De Tudo
2. Hoje, Amanhã E Depois
3. Bossa Nostra
4. Etnia
5. Inferno
6. Corpo De Lama
7. Trincheira Da Fuloresta Participação Especial: Siba E A Fuloresta
8. Cordão De Ouro
9. Infeste
10. Rios, Pontes E Overdrives Participação Especial: Fred 04
11. Salustiano Song
12. Antene-Se Participação Especial: Arnaldo Antunes
13. Maracatu Atômico
14. Jornal Da Morte (Uma Edição Extra)
15. Manguetown Participação Especial: Siba E A Fuloresta E Os Paralamas Do Sucesso


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Download: Ao Vivo No Recife

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Tulipa e Nação Zumbi (Rock In Rio 2011)


A troca se deu com lucros para ambas as partes. De um lado, a banda pernambucana Nação Zumbi injetou um bocado de testosterona nas músicas "de menina" de Tulipa Ruiz. E era divertido ouvir Jorge du Peixe, vocalista da Nação, cantando versos como "um bordado de renda, de xita, filó", de "Brocal Dourado".
Do outro lado, Tulipa revelou uma doçura inesperada no repertório pauleira da banda --formada 100% por homens-- que trouxe para o Brasil, com Chico Science, o último movimento que tivemos na MPB, o manguebeat.
Ela fazia vocais agudíssimos, adocicando sucessos da Nação, como "Blunt of Judah" e "Manguetown".

A fusão funcionou também no terreno instrumental, e isso ficava mais visível na junção das guitarras de Lucio Maia, da Nação, e de Gustavo Ruiz e Luiz Chagas (guitarristas, irmão e pai de Tulipa).
Quem ouviu "Ainda Bem", o primeiro single do próximo álbum de Marisa Monte, em que o power trio da Nação está envolvido, chega à conclusão que Tulipa soube aproveitar muito melhor do que a veterana a força fundamental da banda pernambucana.
O público já estava aquecido e, como hoje é sábado e ninguém trabalha, todo mundo chegou cedo. Tulipa e Nação tiveram plateia lotada, o que deu ainda mais clima ao show.

WebRip Faixa a Faixa

Download: Tulipa e Nação



sábado, 9 de janeiro de 2010

Nação Zumbi e Seu Jorge ( Almaz )



 Bater pênalti parece mole, mas além de também ser gol, precisa de técnica. Com o projeto de versões Almaz, Seu Jorge dá mostras (mais uma vez) do quanto ele domina o que faz, não apenas nos aspectos artísticos. Sabe identificar os desejos do seu público antes mesmo dele próprio e não tem pudor nenhum em entregar o que a galera quer. O Circo Voador com 3 mil pessoas no sábado comprova.

Ruim seria um resultado impossível. Além da presença do próprio Seu Jorge, ao se fazer acompanhar por Lucio Maia, Dengue, Pupillo e Da Lua – a Nação Zumbi quase inteira, com direito a um salve a Du Peixe pelo empréstimo – até “Atirei O Pau No Gato” soaria sensacional. Ao vivo, a banda dá um banho no disco.

Como um Mark Ronson da Zona Sul carioca, o repertório cuidadosamente escolhido equilibra o cool e o popular, canções manjadas ou alternativas, dependendo a quem se pergunta: Kraftwerk (“The Model”), Tim Maia (“Cristina”), Michael Jackson (“Rock With You”), Roy Ayers (“Everybody Loves The Sunshine”), Jorge Ben (“Errare Humanus Est”), etc.

A grande sacada é justamente oferecer sons que fazem a “massa” se sentir “por dentro” ao reconhecê-las, ao mesmo tempo que são aprovadas pelos “entendidos”. O sucesso da Orquestra Imperial ou do Los Sebosos Postizos passa pelo mesmo caminho. A tal “cultura do DJ” também é isso aí.

A seleção eclética do Almaz é espelho de um artista que fagocita tudo que o interessa – a pose do Fela, a pegada do Gil, o apelo do Michael, o suinge do Ben – e devolve um resultado essencialmente pop. O objetivo é tão claro, desde os tempos do Farofa Carioca, que espanta a patrulha em cima do Seu Jorge.

A constante cobrança para que tome caminhos mais “cabeça” (e tomes aspas hoje, hein) muitas vezes vem de pessoas que reverenciam os mesmos ídolos pop de quem Seu Jorge pega emprestado. Esperar qualquer outra coisa é ignorar a trajetória do artista que promete lançar um disco de “Músicas Para Churrasco Vol. 1″ ao mesmo tempo que diz que vai tocar com Roy Ayers no próximo festival Back2Black, ficou conhecido mundialmente no cinema, põe o Akon pra sambar no Jools Holland, o Alexandre Pires para sambalançar ou arrasa, com Ana Carolina, a música de Damien Rice (essa também não era difícil).

As críticas vem mesmo quando Seu Jorge busca o tal cabecismo, a sua maneira, tentando “educar” o “grande público” com um projeto como Almaz. Perto do final do show, após introduzir a banda e antes de emendar em “Mas Que Nada” (Jorge Ben), ele se apresenta: “eu sou Jorge Mario da Silva, de Belford Roxo para todo o planeta, geral!”.

Seu Jorge está pouco se importando com quem o critica. Faz bem ele. Ninguém é obrigado a ouvir o que ele toca.

1 - Almaz - Errare Humano Est (Jorge Ben)
2 - Almaz - Cristina (Tim Maia)
3 - Almaz - Everybody Loves the Sunshine (Roy Ayers)
4 - Almaz - Saudosa Bahia (Noriel Vilela)
5 - Almaz - The Model (Kraftwerk)
6 - Almaz - Tempo de Amor (Vinicius de Moraes e Baden Powell)
7 - Almaz - Tudo Cabe Num Beijo (Altemar Dutra)
8 - Almaz - Pai João (Tribo Massai)
9 - Almaz - Girl You Move Me (Cane and Able) ** Não Tenho Certeza **
10 - Almaz - Rock with you (Michael Jackson)
11 - Almaz - Cirandar (Martinho da Vila)
12 - Almaz - Juízo Final (Nelson Cavaquinho)
13 - Almaz - (Reprise da faixa 09, sem vocal)
14 - Instituto (part.Lúcio Maia & Jorge du Peixe) - Gafieira na Avenida (Eddie)
15 - Sonantes - Carimbó (Nação Zumbi)
16 - Sonantes - Quilombo Te Espera
17 - Instituto (part. Rica Amabis e Los Sebosos Postizos) - Solaris
18 - Los Sebosos Postizos - 2736 Km