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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Os Sertões - A Idade Dos Metais (2012)





Os caminhos da música podem ser traçados de diferentes maneiras.
Às vezes basta uma configuração diferente de elementos para que tudo ganhe um perfil novo: sonoridades, @mbres, e a par@r daí as próprias composições.
Formação instrumental determina caminhos mas também os limita.
Uma formação padrão parece induzir tudo para caminhos já abertos e desbravados, onde se pode avançar à vontade por lugares onde todo
mundo já passou. Já uma formação inusitada enfrenta pequenas dúvidas o tempo todo, e pede milhares de pequenas soluções, pequenas inven@vidades.
A banda Os Sertões parte de uma configuração básica de formato pouco comum. O nome remete ao sertão, de onde o ouvinte esperaria surgir uma sonoridade de viola e rabeca, ou de sanfona e pandeiro. Mas a formação tem violão+guitarra, baixo, bateria e trombone (+sopros). O som resulta num som urbano, alternadamente tenso e relaxado. Um som que evoca a febre urbana do trânsito, dos milhões de máquinas funcionando ao mesmo tempo. Ou então o silêncio da noite, quando a
energia se concentra nos lugares onde a vida noturna ferve.
O sertão é a origem remota desses músicos que trazem a memória cultural do Nordeste em seu DNA, por mais que sua sensibilidade musical tenha sido aprimorada através da variedade de recursos high-­ tech de hoje. O instrumento pode ser importado ou recém-­‐inventado, mas os dedos que o manipulam têm sangue sertanejo e mil anos de História.
O álbum
Clayton Barros, um dos fundadores da banda Cordel do Fogo Encantado (2001-­‐2010), fazia com seu violão a ponte harmônica entre a poesia de Lirinha e a base de percussão dos demais integrantes. O sertão pernambucano de onde vieram eles não era um sertão está@co, era um sertão plugado à cidade, pulsante de informação nova, uma poesia de cordel eletrificada pelo rock-­‐and-­‐roll.
Daí que o álbum A Idade dos Metais seja um entrelaçamento dessa energia primi@va com a tensão massacrante da cidade. Uma colagem em que os elementos de uma infância simples, junto à natureza (“Meu pé de manga adora banho de chuva / meu pé de uva se não chover se zanga”, em “Da infância”) convivem com a pressão frené@ca de uma civilização com pressa, em “Do Zero” ou “Alamedas”.
Trilhas sonoras de um passeio de uma câmara cinematográfica, de carro, às cegas, pela cidade – sen@ndo a pulsação de milhões de vidas por trás de cada fragmento de imagem captado através das lentes. Flashes de uma sensibilidade urbana capaz de chamar a mulher amada de“doida de pedra” e de conciliar a noite sem fim de “A Pedra” (insônia na boemia ounum  estúdio, com par@cipação do Ojo) com a sensualidade de “Vem cá meu bem”.
Sensibilidade lpica de músicos, de uma tribo que se sente à vontade na cidade e na madrugada, e para quem algumas das coisas mais importantes da vida acontecem entre a meia-­‐noite e os primeiros raios do sol.
Os Sertões é composta pelos músicos: Clayton Barros (vocal, violão,guitarra), Deco Trombone, da banda Ska Maria Pastora (sopro), Rafael Duarte, do grupo Rivotrill (vocal, baixo) e Perna, da banda Radistae (bateria). O repertório é baseado em composições próprias, além de interpretações de Zé Ramalho (“Galope Rasante”) e Les Baxter (“Wheels”).

Braulio Tavares