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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Mulheres de Péricles - Canções de Péricles Cavalcanti (2012)



Por Arnaldo Antunes

Subvertendo o mito e a letra de Porto Alegre (Nos braços de Calipso), aqui ouvimos sim os cantos das sereias (Nina Céu Mallu Blubell Mairah Marietta Iara Anelis Tulipa Serena Karina Bárbara Laura Tiê Ava e Julianas), com os ouvidos bem abertos. E nos deixamos naufragar, num mar de maravilhas.

A iniciativa é do inquieto DJ, produtor e agitador cultural Zé Pedro, um apaixonado pelo canto feminino, que lança agora, pelo seu selo, Joia Moderna, esta antologia de canções de Péricles Cavalcanti, nas vozes de jovens cantoras.

Acho esse disco um acontecimento extraordinário.

Primeiramente por relevar a dimensão da diversificada mas concisa obra de Péricles, registrada anteriormente não apenas em seus discos, mas nos de vários intérpretes, desde a década de setenta.
O conjunto agora reunido confirma a força e a naturalidade do seu jeito de conectar verbo e som, trazendo à tona dos sentidos que canta a essência do ato de cantar.

O que soa e o que voa (O Céu e o Som).
Em segundo lugar, por nos oferecer um panorama generoso (em quantidade e qualidade) das vozes femininas do Brasil surgidas nessa primeira década de século-milênio; todas elas ligadas não só em cantar, mas também em conceber um som próprio (a formação instrumental, o andamento, a levada, a mixagem, o feeling), de personalidade tão marcante quanto seus timbres, inflexões, trejeitos e intenções vocais.
Não há um produtor ou arranjador comum, nem uma banda fixa de apoio. Cada cantora resolveu livremente sua versão, escolhendo músicos, produtor e processo de gravação.

Assim, a marca original de cada voz se estendeu aos arranjos, que renovam as canções, para reafirmá-las. Recriações, ou “transcriações”, para usar a expressão de Haroldo de Campos, que comparece aqui como parceiro em Ode Primitiva — um fragmento de suas Galáxias musicado por Péricles.
E, no entanto, a unidade se preserva, talvez pela aura tão singular das músicas de Péricles, e pelas combinações certeiras entre elas e as intérpretes.
Aqui se destaca o trabalho cuidadoso de Nina Cavalcanti, sua filha, na escolha das cantoras, nas sugestões das canções, nos encaixes entre elas. Sua curadoria íntima fez com que versões muito diferentes resultassem num disco fluente e bem amarrado, que deslumbra do início ao fim, longe do desnível que muitas vezes compromete esse tipo de projeto coletivo.
Essas gravações evidenciam o quanto as canções de Péricles Cavalcanti se prestam bem à delicadeza e ao mesmo tempo à experimentação, ao encanto e à surpresa, ao apelo emotivo mais direto e à profundidade de leituras (às vezes filosóficas, como em Musical ou em Canto Maneiro) que se desdobram a cada audição.

“Tudo é um, tudo é mil”. — o mesmo Péricles Cavalcanti multiplicado em vozes que o desvelam enquanto se revelam. “Em harmonia universal”.


1. Blues - Céu
2. O Céu e o Som - Nina Becker
3. Bossa Nova - Blubell
4. Elegia - Mallu Magalhães
5. Ode Primitiva Bárbara Eugênia
6. Clariô - Marietta Vital e Mairah Rocha
7. Porto Alegre - Tulipa Ruiz
8. Nossa Bagdá - Iara Rennó
9. Eva e Eu Anelis e Serena Assumpção
10. Quem Nasceu? - Laura Lavieri
11. Negro Amor - Karina Buhr
12. Será o Amor? - Juliana Kehl
13. Musical - Ava Rocha
14. Medo de Amar nº3 - Tiê
15. Canto Maneiro - Juliana Perdigão

Download: Mulheres de Péricles
Sítio oficial: www.mulheresdepericles.com/