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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Siba - De Baile Solto (2015)




Neste álbum, que sucede "Avante", mais roqueiro e o seu primeiro solo, o pernambucano faz uma retomada rítmica de suas origens, que remete à música de rua, de ritual e do maracatu.
"'Baile" é um olhar ao meu redor. Tem uma poética familiar, um assombro com a natureza, mas parte de um questionamento político", explica o cantor. O questionamento, segundo ele, vem da posição desprivilegiada que o Maracatu de Baque Solto ocupa no panorama cultural do país. Em fevereiro de 2014, em Nazaré da Mata, na Mata Norte de Pernambuco, conhecida como a capital estadual do maracatu, representantes de grupos que promovem festas de rua ao som do ritmo nordestino relataram que a Polícia Militar estava restringindo às 2h o término das apresentações, que tradicionalmente ocorrem até o amanhecer. Siba foi um dos artistas a se mobilizar pela causa na internet. "Ensaio de maracatu vai até o amanhecer, por costume secular. Para o maracatuzeiro, maracatu só é maracatu se amanhece o dia. Se não, vira "folclore", palavra usada na região para denominar todo tipo de apresentação artificial, show pra turista", escreveu em sua página do Facebook no ano passado. Após uma audiência ficou decidido que maracatus de baque solto e virado do município poderiam fazer seus espetáculos até as 5h, conforme dita a tradição. O contexto influenciou a produção. "Esse disco ["De Baile Solto"] não é sobre uma situação, mas parte de uma situação desta vila de Pernambuco. O governo resolveu proibir uma festa tradicional. Foi muito discutido. Parte muito disso e de leituras de coisas que eu vi", conta o músico. "Retomando a referência na musica de rua, eu precisei repensar o nosso lugar na sociedade", continua.
Por isso, entre as dez faixas do seu novo trabalho, há letras politizadas que falam de consumo em excesso, de "passar no caixa, voltar sempre e comprar mais" ("Marcha Macia"), ou sobre a desigualdade social, em que "quem tem dinheiro tem nome, quem não tem não é ninguém" ("Quem e Ninguém").
"Pra mim, no fim das contas, o disco é a pratica da poesia. A ideia de assimilar o que faz qualquer um poeta tradicional: cantador de viola, cantador de coco, cirandeiro. Poetas que tem a música como veículo", explica. "Em 'Mel Tamadindo' talvez seja mais evidente a exaltação a essa figura da voz da rua. É uma referência a uma dança em roda em que o poeta tem quatro ou cinco horas para mostrar um repertório de improviso. A faixa é uma ode a essa atividade que é tao importante, tao bonita, inspiradora".

NATÁLIA ALBERTONI

Download: De Baile Solto


domingo, 1 de janeiro de 2012

Siba - Avante (2012)




Pra dar o salto de Avante, foi necessário reunir um tanto de todos que já fui. Momentos distintos de vida. Recontar para mim mesmo minha história pessoal, essa que construímos dia a dia, reunindo, descartando, esquecendo, recriando e mesmo inventando.


Nenhum mapa, algum mapa. Mas qual?
Musical, poético, geográfico, literário, místico, racional? Qual o ponto de partida? A primeira audição do “Método Tufo”de Catatau, logo após a finalização de “Toda vez que eu dou um passo…”? Ali me vi pela primeira vez pensando que precisaria reaprender a escrever e cantar pra dar conta da complexidade de minha vida pessoal, antes que – Mute - perdesse a voz.


Muito antes, 20 anos antes, o rock havia morrido pra mim e eu iniciava uma peregrinação pela Mata Norte pernambucana - onde? - descobrindo aos poucos minha própria voz entre tantas obviedades invisíveis. Punk rock baque solto.


De volta ao mapa, passado mais próximo - o verso preso: Reaprender a tocar um instrumento abandonado há tantos anos foi tarefa difícil e fatalmente inacabada, que me sacudiu ao chão duro e frio dividido entre a musa ou a música. A Poesia, dama ciumenta e exigente, se afastou silenciosamente deixando em seu lugar o vazio da falta de convicção para escrever da única forma que eu sabia. Reaprendizados sobrepostos, fui aos poucos reunindo os cacos, colando o espelho que devolve os fragmentos sobreviventes a meus tantos esquecimentos de mim mesmo-sem moldura, pedaços ainda podem ser colados, cair...


O mapa de Avante teria que ter pistas confusas embaralhando Hendrix, Lemmy, Ivanildo Vila Nova e Manoel Chudu, Zé Galdino, Barachinha, o Sundiata do Mali, Franco, o Congo, Poemas Suspensos, Canções de repentistas na voz de Antônio Alves, Voltando a Minha Terra de Severino Feitosa, Super Rail Band, Thelonious Monk, Robab Afegão, Star Number One de Dakar, Biu Roque, Bembeya Jazz National, Jimmy Page, Os Solitários de Nazaré da Mata, Michele Melo cantando “essa noite eu vou ser toda sua…”, O Incandescente de Serres, a viagem de Ulisses, Cancão, rock Touareg, Jack White, Kasai All Stars, Ryad Al Sumbati, Cream, Menelik Wesnatcheu, meu pai assobiando de manhã cedo.
Outra coisa: Se ao abandonar-me à musa, anos antes, havia me feito experimentar a completude numa pequena cidade de 30 mil habitantes, ceder à música me sacudiu novamente na fragmentação da estrada. Assim, Avante tem um pouco de Rio de Janeiro, Dakar, Recife, Nazaré, São Paulo, Curitiba, Praia dos Carneiros, Teresópolis, Campina Grande, além de sombras de lugares que nunca fui: Kinshasa, as montanhas do Hindu Kush…


Foi gravado e mixado no estúdio Totem/SP, entre o final de 2010 e meados de 2011 por Yuri Kalil e produzido por Fernando Catatau, comigo ajudando e, às vezes, atrapalhando também. Léo Gervázio toca a tuba, elo de ligação com a Fuloresta e a música de rua do Recife. Antônio Loureiro toca teclados e um vibrafone que muito me ajudou na aproximação com a música do Congo que tanto ouvi nesses anos de gestação desse trabalho. Samuel Fraga toca a bateria. Os visitantes são Teco Cardoso e Lira. Catatau faz o solo de guitarra em Qasida. Ao vivo, o baterista é Serginho Machado.


“Avante” tem o patrocínio da Petrobras, através da seleção pública do Programa Petrobras Cultural. Este projeto foi contemplado com o Prêmio de Apoio à Gravação de Música Popular – Funarte.



Download: Avante



SIBA - Ariana from DobleChapa on Vimeo.