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quarta-feira, 26 de março de 2014

Ainda Somos os Mesmos, Belchior - Tributo ao Belchior (2014)


Almoço”, 1971; “Sorry, Baby”, 1973) e visto uma de suas canções, “Mucuripe”, uma parceria com Fagner, ser gravada por Elis Regina em 1972 (no mesmo disco que trazia “Casa no Campo”, de Zé Rodrix e Tavito, “Águas de Março”, de Tom Jobim, “Atrás da Porta”, de Chico e Francis Hilme, e “Nada Será Como Antes”, de Milton e Ronaldo Bastos), mas ainda não havia visto um disco todo seu nas prateleiras das lojas no começo dos 70.
“Belchior”, o primeiro álbum, foi lançado em 1973 trazendo “A Palo Seco” e “Todo Sujo de Batom” (regravadas posteriormente), mas o melhor ainda estava por vir, e tomou forma em “Alucinação”, o segundo álbum, produzido por Mazzola e lançado pela Polygram em 1976. Com jeitão de “Greatest Hits”, “Alucinação” traz os maiores sucessos de sua carreira, alguns deles imortalizados em versões de outros interpretes, as mais conhecidas na voz de Elis Regina, mas que naquele álbum encontravam na voz roufenha de seu compositor a honestidade de um homem que acreditava que “amar e mudar as coisas” interessava mais, muito mais.
Nos últimos anos, o nome de Belchior surgiu atrelado a histórias que dizem mais sobre a necessidade da mídia em criar notícia do que necessariamente à qualidade de suas canções, deixando um grande número de hinos do cancioneiro popular em segundo plano. “Ainda Somos os Mesmos” é um esforço coletivo que tenta colocar as coisas em seu devido lugar. Esta revisão de “Alucinação” impressiona muito mais por nos fazer perceber que o texto afiado de Belchior continua atualíssimo, 37 anos depois de seu lançamento original, apaixonado e violento como o dia a dia que surge pelas janelas insistentemente toda manhã.


“Ainda Somos os Mesmos” é aberto com a estreia de dois projetos solos: Dary Jr, ex-Terminal Guadalupe, inaugura sua versão cantautor como Dario Julio & Os Franciscanos em uma versão de “Apenas Um Rapaz Latino Americano” (acompanhado do multi-instrumentista Matheus Duarte) enquanto Manoel Magalhões, da banda carioca Harmada, interpreta “Velha Roupa Colorida”. O compositor Phillip Long toma para si “Como Nossos Pais” enquanto Nevilton canta a plenos pulmões que é “Um Sujeito de Sorte”. Lucas Vasconcellos, Letuce, surge solo com “Como o Diabo Gosta” fechando o lado A do vinil.
Abrindo o lado B, Bruno Souto recria a faixa título, “Alucinação”, seguido por Lemoskine, projeto solo de Rodrigo Lemos (ex-A Banda Mais Bonita da Cidade), que assina a versão de “Não Leve Flores”. A responsabilidade por rearranjar “A Palo Seco” ficou a cargo dos cariocas do Fábrica enquanto os mineiros da Transmissor deram vida a “Fotografia 3×4”. Marcando outra estreia solo, “Antes do Fim” ganhou versão de Marcelo Perdido, ex-Hidrocor. Em 10 versões, “Ainda Somos os Mesmos” traz o álbum “Alucinação” de 1976 para 2014, com a arte da capa assinada por Renato Lima, da Pockets Comics.
Junto as 10 faixas de “Alucinação” surge o EP “Entre o Sonho e o Som”, com arte de Bruna Predes, que flagra hinos de outros álbuns de Belchior, números como “Coração Selvagem”, “Paralelas” e “Todo Sujo de Batom”, as três de “Coração Selvagem”, de 1977 (revistas aqui por nana, João Erbetta e The Baggios, respectivamente), e “Medo de Avião” e “Comentário a Respeito de John”, de “Belchior” (1979), em versões de Ricardo Gameiro e Jomar Schrank. Com curadoria e produção de Jorge Wagner e masterização de Manoel Magalhães, “Ainda Somos os Mesmos” está a sua disposição para download gratuito no Scream & Yell. Ouça alto.

Download: Ainda Somos os Mesmos, Belchior

Extraído do site: http://screamyell.com.br/site/2014/03/26/download-ainda-somos-os-mesmos-belchior/

domingo, 19 de agosto de 2012

A Tribute to Caetano Veloso (2012)




Por: Cleber Facchi



Não há expressão que melhor defina a obra de Caetano Veloso do que “diversidade”. Em mais de quarenta anos de carreira, a extensa discografia do cantor e compositor baiano já mergulhou nas cores da psicodelia, provou dos temperos latinos, passeou pelo samba em suas muitas formas até se acomodar nos ruídos e distorções típicas do novo rock. Com uma trajetória pontuada por acertos e erros bem delimitados – A Foreign Sound (2004) e a parceira com Maria Gadú em 2011 ainda não fazem o menor sentido -, o cantor alcança os 70 anos de vida mantendo uma sobriedade e uma produção rara, recebendo pelas mãos de jovens (e alguns velhos) representantes da música mundial um bem elaborado presente de aniversário: A Tribute to Caetano Veloso (2012, Universal).

Com faixas que passeiam pelos mais distintos aspectos da obra de Caetano, o registro acumula ao longo de 16 composições a mesma diversidade que tanto define a trajetória do músico. Entre músicas que percorrem clássicos como Transa (1972), Araçá Azul (1972) e Cinema Transcedental (1979), artistas vindos de diferentes gerações, propostas e referências ampliam os experimentos e caminhos já percorridos pelo baiano, pintando com novidade clássicos e algumas canções que sustentam o Lado B do artista. Surgem assim criações memoráveis, como o acabamento assertivo dado por Céu e os parceiros de banda a Eclipse Oculto ou a belíssima transformação de Da maior importância (eternizada por Gal Costa) na voz agridoce de Tulipa Ruiz.

Há quem possa atestar que parte do acerto que define o registro tributo está no vasto (e riquíssimo) material deixado por Veloso ao longo dessas quatro décadas de interruptas produções. Entretanto, mais do que reviver clássicos incontestáveis da música nacional, parte fundamental do que engrandece o álbum está na maneira sutil como alguns artistas revivem porções esquecidas e algumas até não descobertas da obra do baiano. Borbulham assim faixas como Michelangelo Antonioni na interpretação doce de Beck, The Empty Boat em acabamento suntuoso na parceria de Chrissie Hynde e o trio +2, além de Quem Me Dera, que substitui o encontro de Gal e Caetano por Rodrigo Amarante e Devendra Banhart.



Ainda que concentre uma boa soma de acertos e reformulações que por vezes parecem maiores do que as versões originais, não há como fechar os olhos (e ouvidos) para alguns claros desarranjos que permeiam a coletânea. Seja pela inclusão desnecessária e deveras convencional de Peter Gast (na voz de Seu Jorge) ou pela reformulação pouco atrativa de Trilhos Urbanos (na voz de Luísa Maita), o tributo perde um pouco do valor quando deixa de lado a proposta experimental da obra de Veloso para incorporar trechos óbvios. Algo que a versão deveras dramática (e penosa) de Força estranha (nos vocais de Miguel Poveda) exemplifica como o ponto mais cansativo do registro.

A quantidade mais do que aceitável de acertos, entretanto, eleva a boa execução do trabalho, que transforma composições irretocáveis como You don’t know me e London London em músicas renovadas e naturalmente atrativas às novas gerações. Enquanto a primeira (assumida pelos britânicos do The Magic Numbers) traduz com guitarras leves e vocais dicotômicos uma das composições mais icônicas de toda a história de Veloso, a segunda encontra nas invenções dos veteranos dos Mutantes uma nova e ainda mais dolorosa interpretação. Sobra até para algumas surpresas, como a bem elaborada versão para Fora da ordem (por Jorge Drexler) e Araçá Azul (cantada por Mariana Aydar), que surge um pouco mais extensa do que na versão original

Curioso perceber que mesmo dentro de uma obra vasta como a de Caetano Veloso, a seleção de faixas que preenche o disco ecoa de forma satisfatória, como se o trabalho pontuasse todos os variados aspectos, tendências e etapas da extensa carreira do artista com primor e um resultado naturalmente atrativo. Concentrado nos momentos de maior relevância da trajetória do baiano (a década de 1970), o álbum tributo estabelece uma relação intensa entre o passado e presente, prova do resultado atemporal e da poesia (aqui bem escolhida) de Veloso, que ganha o melhor presente que um artista do porte dele poderia recebe

Download: A Tribute to Caetano Veloso