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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Trummer Super Sub América (2014)



Ao cantar “Salve a América do Sul”, o olindense Fabio Trummer, no imperativo, conclama e sauda o continente explorado anos a fio pelos impérios do norte. As filigranas da letra se confundem com a crueza de alta fidelidade da canção gravada com o clássico power trio punk: guitarra, baixo e bateria. Como cartão de visitas, a faixa abre o primeiro disco solo do vocalista da banda Eddie, “Super Sub América”.
Esse despretensioso grito de guerra latino-americano pode soar como uma releitura do “lixo ocidental” cantado por Milton Nascimento. Não menos mordaz que a visão do mineiro, a inspiração para Trummer se estende pelo álbum. “O Super Sub América vem do Eduardo Galeano”, diz o músico. Para o escritor uruguaio, o continente, sucessivamente subjugado por países mais ricos, é visto mundo afora como uma América de segunda classe.
A corrosão das letras consome as bases certeiras de Luca Bori e Diego Reis, baixista e baterista do Vivendo do Ócio. Rebentos do selo Sub-Pop como Pixies e Nirvana fazem parte do panteão de referências de Trummer, especialmente nesse disco. “Esse disco tem um sabor de anos 80”, conta o artista, um punk de meia idade como ele mesmo explica. “Tem a coisa do faça-você-mesmo e eu aprendi a tocar em banda, mas agora tenho 25 anos de experiência.”
Toda essa carreira foi dedicada à banda Eddie. O grupo, surgido no caldeirão do manguebeat, sempre correu por fora das misturas de maracatu, embolada, hip hop e música eletrônica - embora Trummer reconheça a natural influência do meio em que vive. “Continuamos até hoje porque criamos o nosso mercado”, diz ele, ainda vocalista da banda que se mantem ativa mesmo com seu projeto solo.
O disco “Super Sub América” tem participações de Daniel Ganjaman e foi produzido por Daniel Bózio com capa de Mozart Fernandes. Abaixo, ele pode ser ouvido em primeira mão. A seguir, Fabio Trummer fala sobre as inspirações para seu novo trabalho, a produção do álbum, cena pós-manguebeat, América do Sul e até rolezinho. “Isso mostra o que é o Brasil”, sentencia o músico ainda punk, ainda americano.