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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Abidoral Jamacaru - Avallon



Abidoral Jamacaru é um músico poeta com inúmeras canções gravadas ao longo de mais de 20 anos de carreira. Sua discografia é composta de três álbuns: Avalon (1986) originalmente gravado em  LP  foi considerado pela crítica umas das obras- primas da música cearense na década de 80;  Peixe  (1997) lançado já em CD, que teve sua canção-título baseada em uma obra homônima de Patativa do Assaré e Bárbara (2007-2008) em que se refere à avó republicana de José de Alencar e passeia por estilos diversos, do blues ao coco, do rock ao forró. Em geral, as temáticas de suas canções abordam elementos que descrevem situações políticas, sociais, referentes também à cultura popular tradicional, mas que, paralelamente, também lança olhares para realidades diversas, aberturas de novos campos de significação onde  possam coabitar em um mesmo contexto o moderno e o antigo, o que é considerado vanguarda e as diversas manifestações de  tradição. Este artista teve participação fundamental no conjunto de movimentos artísticos da década de 70, no Ceará, denominados de Contra-cultura, que buscava uma nova lógica artística baseada em rupturas e descontinuidades, assentada no esforço de mover as fronteiras e aproximar o regional do universal, a musica erudita e popular, hibridizando distintos elementos, sempre em busca da construção de uma ou algumas identidades musicais brasileiras

Download: Avallon


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Geraldo Junior - Warakidzã



Geraldo Junior - Warakidzã

Cantor, compositor, instrumentista e ator, Geraldo Junior apresenta um trabalho que pulsa ancestralidade. Seu show se confunde com um ritual, fundindo elementos tradicionais em urbanos. Força e delicadeza evidenciando as referências a sua terra natal, o Cariri Cearense. Sua obra parte do sertão, mas logo também se monstra fortemente urbana, assim, o poeta aglutina as artes populares através de uma leitura contemporânea, aliando suas várias influências da música do mundo e da própria música brasileira, servindo-se de elementos tradicionais como ferramenta para fundir e resignificar todas essas linguagens: Música de terreiro, reisado, banda de pífano, coco, cantoria, benditos, música virtual, eletrônica, digital, rave, drumbase, rock'n'roll... Expressão ilimitada de possibilidades. Tudo isso em um espetáculo de música, dança e performance.

Dane de Jade

Warakidzã

Afirma a tradição que o Cariri é o território mítico de Badzé – o deus do fumo e civilizador do mundo.
No princípio era a Trindade: Badzé o Grande - Pai, Poditã era o filho maior, que ensinou aos índios a reconhecer os frutos, a caçar animais, a fazer farinha de mandioca, a preparar utensílios de uso cotidiano, a dançar, a cantar e a fazer os rituais de pajelanças, e Warakidzã (senhor do sonho), o filho menor. Os dois irmãos habitavam a constelação de Órion.

Ficha Técnica

Álbum gravado no Estúdio Making OF Records - Rio de janeiro, por Fábio Mesquita, Ibbertson Estúdio - Crato CE e EtnoHaus - Rio de Janeiro.
Edição no Na Goma Estúdio São Paulo, e Mixagem e Masterização no Estúdio Zabumba no Cariri em Nova Olinda CE. Tudo com o grande André Magalhães.
Geraldo Junior: Direção, voz, vocal, flauta, trompete e percussão
Beto Lemos: Arranjos, violão, viola, rabeca, violoncelo e vocal
Gabriel Pontes: Sax tenor, soprano, flauta e vocal
Ranier Oliveira - Teclado, piano e sanfona
Eduardo Karranka: Guitarras e vocal
Cláudio Lima: Bateria e vocal
Filipe Müller: Vocal e baixo
Projeto Gráfico:
Luiz Eduardo Bonifácio
Fotos:
Joa Azria
Thailyta Feitosa
Participações especiais:
Kiko Horta - Sanfona
Joana Queiroz - Clarinete
Jonas Correa - Trombone
Eduardo Santana - Trompete
Marco Bz - Percussão Efeitos
Jefferson Gonçalves - Gaita
Fábio Mesquita - Baixo
Marcelo Müller - Baixo
Ranier Oliveira - Sanfona
Diogo Jobim - Sintetizador e Microkorg Kaospad



Produção Geraldo Junior

55 (21) 8250 8346 / 55 (21) 3546 6108

jbraiz@msn.com (Messenger)

producaogeraldojunior@gmail.com

www.geraldojunior.com.br

Rio de Janeiro - RJ – Brasil

Download: Warakidzã


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Patativa do Assaré - A Terra é Naturá




O disco A Terra é Naturá foi produzido por Raimundo Fagner, tendo o cineasta Rosenberg Cariri como assistente de produção, nos violões duas feras: Manassés e Nonato Luiz, e a introdução das poesias é feita na rabeca por outro gigante da cultura popular, o Cego Oliveira.


Só gente da melhor qualidade!


As faixas são todas sensacionais, mas as que eu mais gosto são "Mãe Preta" e "A Morte de Nanã", com sua tristeza pungente e profunda.


Escutem com a mente aberta e o espírito preparado, pois é coisa finíssima, um filé!

  1. A Terra é Naturá
  2. Cabra da Peste
  3. Eu Quero
  4. O Agregado
  5. Coração Doente
  6. Mãe Preta
  7. Vaca Estrela e Boi Fubá
  8. Caboclo Roceiro
  9. Eu e a Pitombeira
  10. Antonio Conselheiro
  11. A Morte de Nanã
Post retirado do blog: http://emboladaetc.blogspot.com

Download: Patativa

domingo, 3 de julho de 2011

Zabumbeiros Cariris



O Cariri tem na cultura sua maior fortaleza, fonte de indiscutíveis riquezas e que constituem um grande patrimônio tanto para o estado do Ceará quanto para o Nordeste. Terra de grandes mestres da cultura popular, a região apresenta uma musicalidade bastante marcada por elementos de tradição oral, que influenciam cada vez mais novas gerações de músicos e artistas, que buscam no universo da tradição nordestina a matéria-prima para seus trabalhos artísticos.

Com músicas autorais e inéditas, a banda caririense apresenta no CD “Zabumbeiros Cariris”, uma música simples e vigorosa, baseada na sonoridade de instrumentos típicos da região, como o zabumba, o pífano e a rabeca, canções e temas que nos remetem a fatos e mitos do cariri, como o beato Zé Lourenço em “Santa Cruz do Deserto”, o lamento de corisco em “louro de fogo”, a força nativa dos deuses carirenses em “casa de Badzé”, a simplicidade do forró rabecado “zé gangaia”, a pura e singela marcha de reisado “Pecinha Pra Meu Amor” e o intenso baião “São José”.

A alegria das marchinhas e o toque pesado do baião cabaçal, as levadas de xote e de côco, mescladas ao sotaque do samba matuto e do maxixe, traduzem a forte musicalidade e o espírito vigoroso desse trabalho que nos leva a uma viagem, onde a melodia dos pífanos, viola e rabeca, com pandeiro, zabumba e ganzás, nos transportam ao mundo das quermeces, dos reisados, e das bandas cabaçais.

Lista das Músicas:
01 pecinha pra meu amor
02 nun trovejo de vontade
03 santa cruz do deserto
04 culé de mexê dôce
05 prá agoar meu coração
06 mistério vento
07 jangada aérea
08 a pisada de ana
09 são josé
10 aurora
11 louro de fogo
12 sina de tocador
13 casa de badzé
14 zé cangaia
15 amado rei

Ficha Técnica:
Produção executiva: Carlos Rafael Dias
Direção Musical: Zabumbeiros Cariris
Projeto Gráfico: George Belisário

Gravado, Mixado e Masterizado por
Ibbertson Nobre no IbbertSom studio, Crato - Ceará

Participações Especias:
Genival do Cedro, Ermano Morais, João Neto, Carol Barros, Antônio Queiroz, Geraldo Junior, Fracisco Di Freitas e Beto Lemos

Zabumbeiros Cariris:
Amélia Coelho
Luciano Brayner
Haarllem Resende
Michel Leocaldino
Evânio Soares
Flauberto Gomes
Fabiano Félix


Download: Zabumbeiros Cariris








quinta-feira, 19 de maio de 2011

Pau Da Bandeira de Barbalha - Coletânea




Artigo de Océlio Teixeira publicado no "Diário do Nordeste", domingo, 1º de junho de 2008




Festa do Pau da Bandeira de Barbalha:
fé, diversão e significados


Océlio Teixeira de Souza[1]
A festa de Santo Antônio/Em Barbalha é de primeira
A cidade toda corre/(É um fuzuê medonho)/Pra ver o pau da bandeira
Olha quanta alegria/Que beleza/A multidão faz fileira
Hoje é o dia/Vamos buscar o pau da bandeira
Homem, menino e mulher/Todo mundo vai a pé
A cachaça na carroça/Só não bebe quem não quer
Só se ouve o comentário/Lá na Igreja do Rosário
Que a moça pra ser feliz/Reza assim lá na Matriz:
Meu Santo Antônio, casamenteiro.
Meu padroeiro, esperei o ano inteiro.
(Luiz Gonzaga)


A música dos compositores Alcymar Monteiro e João Paulo Júnior, imortalizada na voz do saudoso Luiz Gonzaga, retrata com poesia, singeleza e riqueza de significados uma das maiores festas populares do Brasil contemporâneo: a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha. A Festa marca a abertura dos festejos em homenagem a Santo Antônio de Pádua e constitui-se numa festa dentro da festa do padroeiro de Barbalha.


A devoção a Santo Antônio, no Brasil, remonta ao período colonial. O teólogo e historiador Vergílio Gamboso, citando Frei Antônio de Santa Maria de Jaboatão, afirma que no Brasil dos primórdios “não era raro encontrar mais de uma imagem do Santo no altar … e que cada família fazia questão de ter o “seu” SA!”. [2]


Com o decorrer dos tempos Santo Antônio se tornou um dos santos mais queridos do Brasil. É o Santo com o maior número de Freguesias, cerca de 228, conforme afirma Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro. Essa popularidade, ao que parece, se deve a sua múltipla especialidade: santo casamenteiro, santo das coisas perdidas e santo do ‘pão dos pobres’.[3] Em Barbalha, a devoção ao taumaturgo de Lisboa remonta ao ano de 1778, quando teve inicio a construção da capela em sua homenagem. A exemplo de muitas outras cidades brasileiras, Barbalha cresceu e se desenvolveu em torno da igreja do seu santo padroeiro.


A devoção a Santo Antonio em Barbalha foi enriquecida por um elemento novo: o cortejo com o mastro pelas ruas da cidade, seguido do hasteamento da bandeira. Instituído oficialmente, em 1928, o cortejo, ao longo dos anos trinta do século passado, caracterizou-se por ser uma expressão religiosa oficial, marcado pela piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro. A partir dos anos quarenta, porém, o cortejo passou por um processo de popularização e carnavalização[4]. Nesse processo, dois carregadores tiveram papel fundamental: um criador de gado e marchante, Vicente de Moça, nos anos quarenta; e um velho ferreiro, Melquíades Veloso, nos anos cinqüenta e sessenta. Os dois foram os responsáveis pela transformação do cortejo na Festa do Pau da Bandeira.


Atualmente, a Festa do Pau da Bandeira é um evento de grandes proporções. No dia de sua realização milhares de pessoas acorrem a Barbalha para acompanhar o cortejo. No último ano, 2007, estima-se que cerca de oitenta mil pessoas participaram da festa. Mas, quem são os homens que carregam o grande pau que servirá de mastro à bandeira de Santo Antônio? Quais são os significados desse ritual para os carregadores do pau?


Historicamente, os carregadores são homens das camadas populares. Assim tem sido desde os primeiros anos do Cortejo do Pau da Bandeira até os dias de hoje. As profissões ocupadas pelos homens que têm carregado o pau da bandeira, ao longo desses 80 anos, são as mais diversas. No entanto, dois grupos têm se destacado: os marchantes, que vêm desde a época de Vicente de Moça, e os “chapeados”, que foi um grupo que predominou nos anos 60 e início dos 70.


Atualmente, o grupo que se destaca entre os carregadores e que são considerados os “enfrentantes” é composto pelo chamado “grupo do mercado”. São cerca de 15 carregadores experientes. A maioria é constituída por marchantes, mas há também pequenos comerciantes, pintores, pedreiros, agricultores e outras profissões. Esse grupo constitui, informalmente, a comissão de organização e coordenação da Festa. Eles se revezam entre carregar o pau e coordenar, junto com o Capitão do Pau, os demais carregadores.


Vamos agora aos significados do Cortejo do Pau da Bandeira. Quero aqui destacar dois. Primeiro, o sentido de inversão: o Cortejo que deveria ser um ato religioso de piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro, conforme orientação da hierarquia eclesiástica, foi transformado num espaço de afirmação social e religiosa dos carregadores, homens simples que, no dia-a-dia, ocupam posições sociais e religiosas inferiores. Eles, aos poucos, criaram uma forma própria de reverenciar e homenagear o padroeiro do município, marcada pela irreverência, pelas brincadeiras, pelo lúdico, enfim pelas suas experiências de vida. O espaço do Cortejo do Pau da Bandeira não pertence ao padre ou ao prefeito, mas sim a eles. Nesse espaço, as regras e as normas são estabelecidas pelos carregadores.


Um segundo significado que quero destacar é o Cortejo enquanto ritual de passagem da adolescência para a vida adulta e espaço de afirmação masculina. O objetivo de todo carregador é chegar à cabeça do pau, ou seja, carregar o pau na sua ponta mais pesada. Para tanto, existe uma disputa entre eles, que começa ainda na adolescência.


Nos anos 40 do século passado, as crianças e adolescentes iniciavam sua participação carregando as tesouras, pedaços de paus usados em X para auxiliar no levantamento do mastro. São muitos os relatos dos carregadores antigos, ou dos ex-carregadores, nesse sentido, como este a seguir: “O ano de 48, eu me achava com 14 anos. Eu posso dizer que eu participei de carregar o pau da bandeira, por que eu não ia carregar o pau, mas já tava carregando as tesouras. (...) Mas olhe então, por essa razão que eu me criei vendo aquele incentivo, que todo mundo só queria carregar o pau da bandeira era no pé do pau. Então foi isso que eu quis ocupar um lugar”.[5]


A realização e o prazer de carregar o pau na sua parte mais grossa são motivos de orgulho, expressos, sobretudo no momento do encontro do Cortejo com a multidão que aguarda o mastro na cidade. “Pra mim era tudo na vida aquele negocio ali... Era mesmo que tá no céu”, descreve um ex-carregador, referindo-se aos anos 50 e 60, quando esse encontro ocorria na Igreja do Rosário. Já outro carregador, também dos anos 50 e 60, descreve dessa forma a emoção do encontro: “A vontade é que se pudesse se levava só, porque aquela parte é a mais emocionante.”.
Para finalizar, quero destacar um fato, ocorrido provavelmente em meados dos anos 80, que demonstra de forma emblemática a importância que o carregamento do pau tem na vida dessas pessoas. O relato é de um antigo carregador: “Houve um ano que o pau muito pesado e ele atrasou e padre Euzébio quis trazer o pau da bandeira arrastado por um trator, rebocado por um trator. Aí houve exatamente uma revolta, por que ninguém..., os componentes do pau da bandeira gritaram lá que ninguém apegava, que trator nenhum do mundo encostaria naquele pau pra carregar ele. Então ele tinha que ser arrastado era no braço dos homens e não arrastado por trator.”.
[1] Océlio Teixeira de Souza, professor do Departamento de História da Universidade Regional do Cariri – URCA. Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, tendo defendido a dissertação: A Festa do Pau da Bandeira de Santo Antonio de Barbalha(CE): entre o controle e a autonomia(1928 – 1998), em agosto de 2000.
[2] GAMBOSO, Vergílio. Vida de Santo Antônio. Aparecida (SP): Santuário, 1994.
[3] CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6 ed. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1988.
[4] Uso esse termo conforme a acepção de M. Bakhtin. Para este autor, o carnaval na Idade Média e no Renascimento constituía-se na “segunda vida do povo, baseada no princípio do riso. É a sua vida festiva.” Ou seja, o carnaval representava, mesmo que temporariamente, a criação de um segundo mundo, baseado na inversão brincalhona dos valores e hierarquias estabelecidos e na exaltação da abundância, da fertilidade, do baixo corporal, etc. Ver: Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. 2 ed. São Paulo/Brasília, Hucitec/Edunb, 1993.
[5] Os nomes dos carregadores ou ex-carregadores foram mantidos em sigilo com o intuito de preservar as identidades e privacidade dos mesmos.


*Coletânea contendo músicas tradicionais e novas com a temática do Pau da Bandeira


Download: Pau da Bandeira

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Di Freitas




Com direção musical do pianista Lincoln Antônio, neste CD o compositor e instrumentista cearense Di Freitas toca violão, violoncelo, rabeca e outros instrumentos que criou a partir de um trabalho de pesquisa e experimentação musical com materiais alternativos desenvolvido há anos na cidade de Juazeiro do Norte (CE). O disco conta com catorze faixas: doze composições de Di Freitas e as versões para as músicas Vaca Estrela e boi Fubá, de Patativa do Assaré; e Juazeiro, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. O CD também conta com os músicos Éder “O” Rocha (percussão), Filpo Ribeiro (viola e rabecas) e Ari Colares (percussão), e a participação especial da cantora Juliana Amaral.


Download: O Alumioso

Ajude o artista. Compre o cd aqui: Loja Sesc








Francesca Della Monica & Di Freitas : Encontros ultra-musicais Nas grandes veredas das metrópoles e sertões

Toda vez que diferentes culturas musicais se encontram e dialogam entre si, via de regra, algo de novo e belo irrompe. Isso vem ocorrendo no curso da história de nossa vida musical, anfitriã generosa de várias culturas advindas de múltiplos lugares e etnias, frutificando novas linguagens e expressões da arte musical em nosso país.

Isto ocorre, precisamente, com o encontro de dois entes musicais de extraordinária sensibilidade, saídos de dois domínios tão diversos (o mundo da tradição e o da contemporaneidade), e, a um só tempo, revelador de tantas afinidades estéticas: o músico e luthier cearense Francisco Di Freitas e a musicista e cantora italiana Francesca Della Monica.

Di Freitas se notabiliza por sua perfomance na família das cordas (rabecas, violinos, violas e cellos), em instrumentos por ele mesmo criados mediante uma delicada artesania, usando como corpo de ressonância, cabaças colhidas da inóspita vegetação nordestina.

Francesca é considerada uma das vozes mais originais no panorama da música experimental italiana, tendo já trabalhado, inclusive, com o americano John Cage, célebre pelo experimentalismo no mundo da música alheatória, importante fonte de inspiração para seus exercícios da liberdade total e da imprevisibilidade composicional, onde a causalidade da organização do som e do silêncio é substituída pela casualidade.

Eis o fruto novo colhido no campo deste grande encontro:

- Improvisos entretecendo belas texturas musicais, pelo uso vocal/instrumental de climas timbrísticos, criando paisagens sonoras, tendo como chão, ora músicas do nosso acervo e cancioneiro popular, como o Trenzinho Caipira de Villa Lobos, e Asa Branca de Luiz Gonzaga, dentre outras, ora movimentos melódicos modais, vocalises expressionistas, bem como tapetes sonoros tecidos pela textura coral e ritmos de vozes e instrumentos percussivos, em movimentos pontilhísticos, seja no interior do código da linguagem tonal, seja pela liberdade de saltos intervalares para aquém ou além do tonalismo; - momentos densos obtidos pela sonoridade dramática que Francesca imprime na sua voz, tendo como contraponto a dramaturgia do texto enunciado pelo ator Cacá de Carvalho, inspirado no imaginário roseano de Grande Sertão: Veredas.

Talvez resida aqui a força mágica deste grande encontro provocado por duas almas artísticas de extrema sensibilidade: sons advindos dos grotões mais profundos de nosso interior sertanejo, dialogando com o material sonoro da modernidade urbana contemporânea.

Talvez resida aqui o desafio maior deste grande encontro: o convite para trilharmos um mundo de ambivalências, levando-nos a novas experiências estéticas, em um grande exercício de escuta diversificada, pela coexistência de mundos aparentemente tão diferentes: o familiar/ o estranho; o perto/ o longínquo; o rústico/ o sofisticado; o popular/ o erudito; o tradicional/ o experimental; o sertão/ a metrópole.

Consiglia Latorre
Download:UltraExistir

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Rosemberg Cariry























Filósofo de formação, Rosemberg Cariry começou sua carreira cinematográfica em 1975 com documentários de curta metragem sobre artistas populares e manifestações artísticas do Ceará e do Nordeste. Depois, já na década de 1980, realizou os seus primeiros filmes documentários profissionais.
Em 1986, realizou seu primeiro filme de longa metragem (documentário),
A Irmandade da Santa Cruz do Deserto, episódio de resistência camponesa que ocorreu em 1936 e que terminou tragicamente com a intervenção armada do governo e com milhares de camponeses mortos. Essa história era um tabu e foi abordada pela primeira vez, com grande repercussão. O filme foi premiado nacionalmente e recebeu convite para participar de festivais em Portugal e Cuba. A partir de 1987, Rosemberg Cariry foi contratado pela televisão Verdes Mares para produzir programas culturais e realizar documentários sobre a história e as artes do Nordeste do Brasil.
Em 1993, quando a produção de cinema no país havia entrado em completo colapso, ele filmou, ainda como cineasta independente, seu segundo longa-metragem (ficção)
A Saga do Guerreiro Alumioso. Esse filme foi finalizado com apoio da Cinequanon de Lisboa e do Instituto Português de Arte Cinematográfica (IPACA). A ação se desenrola em uma cidade imaginária dos sertões. Ele mostra o confronto tradicional entre os camponeses e os grandes proprietários de terra, que será resolvido por um Dom Quixote sertanejo que se identifica com o mito de Lampião. O filme ganhou o prêmio de “Melhor Filme do Júri Popular”, o prêmio de “Melhor Ator” e de “Melhor Ator Coadjuvante”, no XXVI Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 1993. A Saga do Guerreiro Alumioso marcou, de alguma forma, junto com três outros que foram produzidos na época, o movimento de resistência do cinema brasileiro. Esse filme foi selecionado para representar o Brasil no Festival dos Três Continentes de Nantes (França) e participou de muitos outros festivais internacionais: Portugal, Itália, Colômbia, Cuba, Canadá, Estados Unidos da América, Uruguai, Bélgica, etc.
Em 1995, Rosemberg Cariry obteve o Prêmio da Retomada do Cinema Brasileiro, em concurso realizado pelo Ministério da Cultura e pôde começar a produção do seu terceiro filme de longa metragem, ficção, que se chamou
Corisco e Dadá. O filme, baseado na história verídica de um casal de cangaceiros célebres nos anos 40, mostra em toda a sua dimensão trágica, a luta do homem pela sobrevivência nos sertões secos e miseráveis do Nordeste.Corisco e Dadá, um dos filmes do chamado “ Renascimento do Cinema Brasileiro ”, foi bem recebido pela crítica, teve lançamento comercial em muitas cidades brasileiras e obteve inúmeros prêmios no Brasil e no exterior, notadamente o Prêmio do Grande Coral ( 3º prêmio) em Havana (Cuba) e o Prêmio Cittá del Vasto (Adventure Film Festival), na Itália. Entre os muitos festivais internacionais de que participou, destacam-se :Toronto, Trieste, Toulouse, Nantes, Pal Springs, New Delhi, Chicago e Ankara.
Paralelamente à sua atividade, Rosemberg Cariry publicou também várias coletâneas de poesia, compôs canções com compositores regionais e exerceu atividade de jornalista cultural. Contribuiu notadamente para o reconhecimento e valorização da cultura popular tradicional nordestina. Por ter participado amplamente da preservação do patrimônio cultural do povo brasileiro, foi recompensado em 1996, pelo
Prêmio Rodrigo de Melo Franco / IPHAN, outorgado pelo Ministério da Cultura do Brasil.
Rosemberg Cariry é proprietário da
Cariri Filmes, empresa especializada em produções audiovisuais, sobretudo de filmes e vídeos artísticos e educativos. Na cidade de Fortaleza, onde reside, é membro do Conselho de Cultura do Estado do Ceará e participa de várias entidades culturais públicas.
Um traço marcante da obra de Rosemberg Cariry é a busca sempre renovada das fontes e dos encontros culturais: procura extrair o universal do particular, estabelecer ligações entre as diferenças culturais e, em particular, entre as formas eruditas e populares. Assim, o seu trabalho, profundamente imerso na cultura no Nordeste do Brasil, chega ao universal, através de uma dimensão essencialmente humanista.


Corisco e Dadá (1996)
O capitão Corisco, cangaceiro famoso por sua crueldade, valentia e beleza, também chamado de Diabo Loiro, rapta a menina Dadá, aos 12 anos. Após estuprá-la, faz dela sua mulher e, também, integrante do bando do cangaço. Enquanto isso, Zé Rufino, o chefe da polícia volante, promete a si próprio tornar-se imortal, transformando-se no matador de Corisco, cuja cabeça fora colocada a prêmio pelo governo.

Elenco:

Chico Diaz
Dira Paes
Antonio Leite
Regina Dourado
Chico Chaves
Denise Milfont
Luiz Carlos Salatiel
Virginia Cavendish
Maira Cariry
B. de Paiva
Teta Maia

Ficha Técnica:

Gênero: Aventura
Duração: 103 min.
Lançamento (Brasil): 1996
Distribuição: riofilme
Direção: Rosemberg Cariry




Cine Tapuia (2006)


Informações do filme:

Gênero: Drama

Diretor: Rosemberg Cariry
Duração: 96 minutos

Ano de Lançamento: 2006
País de Origem: Brasil
Idioma do Áudio: português
Qualidade de Vídeo: DVD Rip
Tamanho: 1 Gb
Legendas: Sem Legenda


O cego Araquém, com a filha Iracema, vaga pelos sertões nordestinos projetando velhos filmes. Nessas andanças, Iracema conhece Martim, um velho camelô português que vende de DVD’S e CD’S piratas e tem planos mirabolantes como vender para ser colocada na estátua de Santo Antônio, ainda sem cabeça.
Martim está interessado nos lucros das romarias e na exploração turística do local que, segundo ele, se transformará na Nova Lisboa. Iracema, fascinada pelo exotismo da fala estrangeira, deixa-se seduzir por Martim.O filme traz, assim, uma reflexão sobre a cultura sobre a cultura e a história do povo cearense, retomando o mito fundador do povo brasileiro, proposto pelo engenho poético de José de Alencar, no romance Iracema, e fazendo uma homenagem ao famoso cantador Cego Aderaldo.



Download:








Patativa do Assaré - Ave Poesia (2007)


• Direção: Rosemberg Cariry
• Roteiro: Rosemberg Cariry
• Gênero: Documentário
• Origem: Brasil
• Duração: 84 minutos
• Tipo: Longa-metragem


O filme aborda a vida e a obra do poeta Patativa do Assaré, destacando a relevância dos seus poemas, o significado político dos seus atos e a sua imensa contribuição à cultura brasileira. Dono de um ritmo poético de musicalidade única, mestre maior da arte da versificação e com um vocabulário que vai do dialeto da língua nordestina aos clássicos da língua portuguesa, Patativa do Assaré é a síntese do saber popular versus saber erudito. Patativa do Assaré consegue, com arte e beleza, unir a denúncia social com o lirismo.





segunda-feira, 19 de julho de 2010

Banda Cabaçal Irmãos Aniceto



Feito xilogravura colorida em movimento, os Irmãos Aniceto pinotam no rumo de uma cultura de andar compassado no grave da zabumba cavada no tronco da timbaúba; cultura de olhar inquieto como menino novo mirando aquele Véi Anicete, filho de pai e mãe índia, de nome José Lourenço da Silva, fundador da banda, que na sua pessoa materializa o passado de séculos, com a notícia mais antiga datada da tradição dos índios Cariri, que teimavam em ficar por ali, no pé da Chapada do Araripe, antes da colonização, no sul do que viriam a dar o nome de Ceará, e mais detalhadamente, Crato.

Viriam a dar o nome de José Anicete ao Lourenço da Silva, e este, o de Francisco, Luiz, João, Antônio e Raimundo a seus filhos. O tempo tratou de colocar o plural, trocar um "e" por um "o", e por fazer, primeiro o Crato, depois o resto das terras até a praia da índia Iracema e além mar, conhecer a banda cabaçal de dois pifes, uma zabumba e um tarol - e mais na frente um casal de pratos - pelo nome de Irmãos Aniceto.

Sem a mania de querer legitimar nossas coisa pelo reconhecimento estrangeiro, mas por se tratar de uma experiência muito importante para os próprios irmãos, aviso aqui que entre outras viagens, a banda já se apresentou na França, como parte do ano do Brasil em 2005 e em Portugal como parte das comemorações do aniversário do município português Crato. Também participaram de uma temporada no Sesc Pompéia, um dos principais palcos de São Paulo.

Irmãos de sangue de veia poética, que contam seis filhos homens, do Francisco, o mais velho, até Raimundo, intitulado Mestre da Cultura pela Secretaria de Cultura do Estado em 2004, com 72 anos inteirados neste ano e uma fala humilde e risada frouxa. Tocador e dançarino da bandinha da família desde o começo dos anos 60, quando da viagem da banda, ainda com seu fundador Anicete - na época já com um século de vida -, para Porto Alegre, em comemoração ao aniversário da TV Guaíba. Bandinha-espetáculo-performática, de facínio que se resume ao velhor: “só vai vendo”.

A banda, que tem no tempo uma vereda de espinho e esperança, vai perdendo seus integrantes, mas abrindo o caminho dos novos, já na terceira geração, com os filhos de Adriano, Cícero e Jeová, filhos de Antônio e João, netos de José Anicete. Rumando para a quarta com a bandinha infantil criada há pouco tempo, que vai tanger o trabalho dos Aniceto, dos Cariris e sabe lá de quem antes deles.

João José da Silva: Zabumba e voz
Antônio José Lourenço da Silva: Pífano e voz
Raimundo José da Silva: Pífano
Benedito Gomes de Souza (Britinho): Caixa
Cícero dos Santos Silva: Pratos



FAIXAS:
1 - Marcha de chegada
2 - Galope
3 - Baião Trancelim
4 - Alvorada Cabocla
5 - O cachorro, o caçador e a onça
6 - A coruja caboré
7 - O casamento da acauão com o gavião
8 - Forró do mestre Antônio
9 - Pipoca
10 - Bendito de São José
11 - A briga do galo
12 - Marcha rebatida
13 - Choro esquenta muié
14 - Baião velho
15 - Baião do bode
16 - Forró pesado
17 - Baião pescador
18 - Dobrado
19 - Hino do Crato (*)
20 - Marcha saideira I
21 - Liá
22 - Marcha saideira II
23 - Ô Ana pra quê tu chora?
24 - Marcha saideira III

Download: Banda Cabaçal Irmãos Aniceto





sábado, 2 de janeiro de 2010

Geraldo Júnior - Calendário (O tempo e o vento)


Geraldo Junior - Calendário (O Tempo e o Vento)

Cantor, compositor, instrumentista e ator, Geraldo Junior apresenta um trabalho que pulsa ancestralidade. Seu show se confunde com um ritual, fundindo elementos tradicionais em urbanos. Força e delicadeza evidenciando as referências a sua terra natal, o Cariri Cearense. Sua obra parte do sertão, mas logo também se monstra fortemente urbana, assim, o poeta aglutina as artes populares através de uma leitura contemporânea, aliando suas várias influências da música do mundo e da própria música brasileira, servindo-se de elementos tradicionais como ferramenta para fundir e resignificar todas essas linguagens: Música de terreiro, reisado, banda de pífano, coco, cantoria, benditos, música virtual, eletrônica, digital, rave, drumbase, rock'n'roll... Expressão ilimitada de possibilidades. Tudo isso em um espetáculo de música, dança e performance.
Dane de Jade

Ficha Técnica - Calendário (O Tempo e o Vento)

Álbum gravado em 2006/2007 no Ibbertsom Estúdio no Crato CE - Região do Cariri.
Produzido por Geraldo Junior
Arranjos de Beto Lemos
Direção Beto Lemos e Geraldo Junior
Mixado e masterização por Ibbertson Nobre
Fica técnica:
Produzido por Geraldo Junior
Arranjos de Beto Lemos
Direção Beto Lemos e Geraldo Junior
Projeto gráfico de George Belisário
Músicos:
Geraldo Junior - voz, flauta, percussão
Beto Lemos - violão, viola, cavaco, rabeca e percussão
Antonio Queiroz - baixo
Genival do Cedro - sanfona
Rubens Darlan - zabumba
Flauberto Gomes - percussão
Cícero Tertuliano - percussão
Participações especiais:
Joana Queiroz - clarinete e vocal
Rebeca Queiroz - flauta e vocal
Francisco Gomide - pandeiro
Maria Gomide - vocal
Lifanco - violão e arranjo
Evanio Soares - pifano, viola e vocal
Muito além de uma aparente linguagem do que é chamado e vendido no mercado fonográfico com o rótulo de forró pé-de-serra, o disco essencialmente trás elementos dos folguedos do Cariri, em sua diversificada formação de figuras e instrumentos, como: pífanos, rabecas, sanfonas, violões, violas, cavacos, zabumbas, caixas de guerra, pratos, maracas, tambores... Como integrantes de tais grupos, Beto Lemos e Geraldo Junior, inevitavelmente teceram o "Calendário (O Tempo e o Vento) com as forças matrizes dos terreiros ancestrais (dos índios) do Cariri, por entre os grupos de tradição de sua terra, seus mestres, brincantes de reisados, bandas de pífano, bacamarteiros, coquistas, penitentes, beatos, cantadores, emboladores, violeiros, rezas e renovações, e muito mais!
Antes de vários nomes que poderiam ser citados como agradecimento: Os músicos (como parceiros - o disco é de todos nós), Ibbertson Nobre (como co-produtor), o apoio da Sec. de Cultura do Ceará, URCA - Universidade Regional do Cariri (através de Carlos Rafael Dias), SESC Ceará, a Oficina Casa Do Alto, a Ong Beatos e também, principalmente, aos mestres e brincantes dos grupos de cultura popular do Cariri, por sua força, resistência, poesia e sabedoria!

Geraldo Junior - Calendário (O tempo e o vento)
2008

01 Num trovejo de vontade (Geraldo Junior)
02 Paixão de abril (Geraldo Junior)
03 Chuva de janeiro (Geraldo Junior)
04 Minha violinha (Geraldo Junior)
05 Mistério vento (Geraldo Junior)
06 Ridimúin (Janada aérea) (Geraldo Junior)
07 Marimar (Geraldo Junior)
08 O nosso amor (Geraldo Junior)
09 Filhos da mãe d´água (Geraldo Junior)
10 Piscar de saudade (Geraldo Junior)
11 Menestrel do mundo (Geraldo Junior)
12 Doido do horto (Geraldo Junior)
13 Despedida do guerreiro (Geraldo Junior)

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