segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Queens Of The Stone Age - Ao Vivo - SWU (2010)


Josh Homme é um cara imponente e não está lá para brincadeira. Nada de firulas na apresentação do Queens Of The Stone Age. A banda compôs setlist de peso para o SWU, na noite desta segunda, 11. Se todos os artistas que tivessem 50 minutos de atraso em suas apresentações por problemas técnicos fizessem um show como o que a banda fez em Itu, certamente poucas pessoas se importariam de ficar um tempinho a mais em pé, no aperto da pista.


A idade do frontman (37 anos) tem sido revelada em sua barba, que, no lugar do ruivo natural, está cada vez mais branca. Porém, no caso de Homme, nada mais benéfico. O vocalista integra aquele time dos caras que com o tempo e com as experiências da vida ficam cada vez melhores. Gentil, agradeceu ao longo da noite a recepção do público brasileiro ao som da banda. "Eu queria poder conseguir demonstrar como nos sentimos por estar aqui, mas a única coisa que posso dizer é 'obrigado'", falou ele, arriscando o português no agradecimento. Na realidade, Homme sabe bem o que o que a plateia quer. "A melhor maneira de demonstrar é tocar para vocês."



Por mais estranho que isso possa soar, talvez uma das sensações mais prazerosas para quem comparece a um show de rock é aquela de ter os ouvidos agredidos pelo alto volume e pelas pauladas das caixas de som. É claro que ficar surdo não é bom, mas a questão aqui vai mais para o lado emocional, já que a empolgação de se sentir inevitavelmente como parte integrante da música acaba compensando qualquer grana gasta a mais nos abusivos valores de ingressos para apresentações ao vivo hoje em dia.



E o show do QOTSA no SWU foi bem por aí. Cada movimento de Joey Castillo na bateria deixava a impressão de uma voadora com dois pés no peito de quem estava mais próximo do palco, sobretudo na pista Premium. Com faixas como "Feel Good Hit of the Summer", "The Lost Art Of Keeping A Secret", "3's & 7's", "Sick Sick Sick", "In My Head", "Go With The Flow" e "No One Knows", a banda passou pelo elogiadíssimo disco Rated R (2000), além de Songs for the Deaf (2002), Lullabies to Paralyze (2005) e Eras Vulgaris (2007).


Mesmo com o atraso e com problemas em dois dos quatro telões - que em um dos momentos do show pararam de funcionar -, Josh Homme e companhia, durante uma hora de apresentação, colocaram o peso de suas músicas em repertório coeso, que arrancou gritos de aprovação ao final de cada faixa e diálogos de entusiasmo quando a banda já não mais se encontrava no palco, às 22h50.




Download: Queens Of The Stone Age - Ao vivo - SWU (2010).rar


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Mamelungos - De Recife (2010)


Os Mamelungos nasceu da amizade entre músicos que tocam na noite recifense há vários anos. São seis jovens compositores que cantam, cada um no seu estilo, fazendo um show dinâmico, composto por vários ritmos.
O grupo se uniu há pouco mais de um ano pela necessidade desses jovens de mostrarem suas músicas para o mundo. Chico Science, Alceu Valença, Los Hermanos, Vinícius de Moraes, Novos Baianos, Lenine, Tim Maia, Lula Queiroga, Jorge Ben, The Beatles e Gilberto Gil são algumas influências.
Além do gosto pela música e a passagem pelo curso superior de Produção Fonográfica, os Mamelungos são instrumentistas, vocalistas, compositores e arranjadores, um diferencial que já virou identidade do grupo. Alguns são conhecidos pelo público local por tocarem em bandas que fizeram sucesso na noite de Recife.
O Primeiro álbum da banda entitulado “De Recife” é uma fusão das influências de cada um dos Mamelungos. Tendo em vista que as músicas são compostas, arranjadas e produzidas pelos próprios artistas, é difícil rotular a banda. A proximidade com o show ao vivo foi uma das preocupações na pré-produção do álbum; daí a escolha de gravar no estúdio Carranca (Recife-Pe) que proporcionou a captação de todos os instrumentos ao mesmo tempo.




quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Alceu Valença - Ao Vivo no Crato-Ce (2010)


Alceu Paiva Valença (São Bento do Una, 1 de julho de 1946) é um cantor e compositor brasileiro. Seu disco de estreia foi gravado em parceria com Geraldo Azevedo.
Nasceu no interior de Pernambuco, nos limites do sertão com o agreste. É considerado um artista que atingiu maior equilíbrio estético entre as bases musicais nordestinas com o universo dos sons elétricos da música pop. Influenciado pelos maracatus, cocos e repentes de viola, Alceu conseguiu utilizar a guitarra, - que chegou a galope montada nas costas do rock and roll de Elvis - com baixo elétrico e, mais tarde, com o sintetizador eletrônico nas suas canções.
Por conta disso, conseguiu dar nova vida a uma gama de ritmos regionais, como o baião, coco, toada, maracatu, frevo, caboclinhos e embolada e repentes cantados com bases rock'n'roll e blues. Sua música e seu universo temático são universais, mas a sua base estética está fincada na nordestinidade.

Áudio do show buscado direto da fonte pelo cidadão do mundo Thiago Luna.


domingo, 2 de janeiro de 2011

Móveis Coloniais de Acaju - Ao Vivo no Auditório Ibirapuera (Audio do DVD)



Com um nome baseado em um evento histórico inventado pelos próprios integrantes – um conflito entre índios e portugueses contra os ingleses na Ilha do Bananal –, Móveis Coloniais de Acaju surgiu em 1998, em Brasília. Já autodenominado, em termos gastronômicos, de “feijoada búlgara”, é uma banda de estilo singular, fundindo rock e ska com influências musicais de todo o mundo (especialmente do leste europeu) e de música brasileira.

Em seus primeiros anos, foram muitos e muitos shows por Brasília. Além do estado de origem, a banda chegou a se aventurar por Goiânia e São Paulo. Mas, em 2003, quando foram a única atração local selecionada para figurar o palco principal do Brasília Music Festival (abrindo para LiveUltraje a Rigor e Charlie Brown Jr.), viram que a coisa tinha que se profissionalizar.

Depois de 2003, passaram a ter mais cuidado com a equipe técnica, equipamentos e a qualidade dos shows. Perceberam também a necessidade em gravar um disco – até então, além de fitas e CDs demo, tinham lançado somente um EP homônimo à banda, em 2001. Procuraram produtores e fecharam com Rafael Ramos (que havia recém lançado a Pitty).

Idem, o primeiro disco, foi gravado em outubro de 2004 no Rio de Janeiro, no estúdio Tambor, sob o olhar de Ramos e os cuidados de Jorge Guerreiro. Foi a primeira grande experiência em estúdio. Reunia 12 das melhores composições da banda à época, que sintetizavam a “feijoada sonora” característica do grupo.

O lançamento do álbum aconteceu em 2005. Um marco para a banda – não somente por se tratar de um primeiro disco, mas por estimular a vontade do grupo em ampliar o alcance do seu trabalho. A partir daquele ano a banda começou a investir mais em shows fora de Brasília, percebeu que podia realizar seus próprios eventos (organizaram, em parceria com produtores amigos, a festa de lançamento doIdem em Brasília, para mais de três mil pessoas) e viu a importância de sua performance ao vivo.

Dentre seus empreendimentos próprios, a banda também desenvolveu o Móveis Convida, festival anual pelo qual já passaram mais de 20 bandas (de atrações renomadas como Los Hermanos e Pato Fu a internacionais como Black Drawing Chalks) e um público médio de quatro mil pessoas por edição.

Ainda em 2005 a banda viria a se destacar em sua apresentação no Curitiba Rock Festival. O mesmo aconteceu em Goiânia e São Paulo – praças já conhecidas da banda. Mas, a partir de 2006, que se intensificaram as viagens. Em pouco tempo a banda viria a fazer parte dos principais festivais brasileiros e logo o Móveis conquistou posição de destaque em todos eles. Era o desempenho ao vivo mostrando sua força. Isso se fez presente em apresentações de TV, como o especial homenageandoRaul Seixas no “Som Brasil” (Rede Globo).

Nesse meio tempo alternando entre show, a banda lançou, em 2007, um vinil de 33 rotações com músicas brasilienses dos anos 90, fazendo releituras de Câmbio Negro e Little Quail and the Mad Birds, com a colaboração de Gabriel Thomaz. Lançou, ainda, o single virtual “Sem Palavras” pelo portal TramaVirtual. Além disso, foi destaque em diversos meios de comunicação respeitados (tais como revista Rolling Stone Brasil) por conta de suas apresentações – inclusive tendo Sem Palavras incluída na 21ª posição dentre as 50 melhores canções do ano.

Participaram também do Festival Indie Rock (2007), onde se apresentaram ao lado de bandas estrangeiras como The Magic Numbers e The Rakes, e as brasileiras Moptop e Nação Zumbi.

A incansável vontade de tocar e expandir seus horizontes levou a banda para uma turnê de seis shows pela Europa – Bélgica, Suíça, República Tcheca e Alemanha –, em agosto de 2008. Sem exceção, o Móveis foi ovacionado em todas as apresentações. Os novos ares ajudaram a banda a fechar o repertório do segundo disco, que seria gravado a partir de outubro do mesmo ano – com o apoio da Trama, que forneceu todo o cuidado e a estrutura para sua gravação, mixagem e masterização.

De volta ao Brasil, e desta vez com o acompanhamento (quase fraternal) de Carlos Eduardo Miranda, a banda dedicou-se ao C_mpl_te. Também com 12 faixas, o aguardado segundo álbum destaca a união, o trabalho em grupo e a consolidação da identidade sonora. Os detalhes e as canções são bastante evidentes nesse disco. Nas palavras de Miranda, “sem dúvida, um dos melhores e mais importantes discos que eu fiz na vida”. O disco subsequentemente teve lançada uma versão virtual disponível gratuitamente.





sábado, 25 de dezembro de 2010

Arnaldo Antunes - Ao Vivo Lá Em Casa





O cantor, compositor e poeta Arnaldo Antunes levou o conceito de “festa no apê” às últimas consequências. Juntou sua banda com cinco músicos, recebeu Jorge Ben Jor, Erasmo Carlos e Fernando Catatau e tocou para 150 convidados na casa em que vive com a família em São Paulo. A apresentação foi gravada no dia 9 de agosto, e o resultado é o CD e DVD Ao Vivo Lá em Casa.

– Sempre faço reuniões com música na minha casa, mas nunca nada desse porte – diz Antunes. – Eu tinha esse desejo há anos, desde que me mudei para esta casa. Aí, quando surgiu a oportunidade de registrar esse show (do disco Iê iê iê, de 2009), resolvi viabilizar isso.

Como os Rolling Stones fizeram no disco Exile on Main St. (1972), gravado na residência do guitarrista Keith Richards, Antunes precisou adaptar a disposição dos cômodos da sua casa para o registro.

– Foi uma loucura, tivemos de nos mudar por quatro ou cinco dias. Os quartos dos meus filhos viraram camarim e sala de comando. Precisaram tirar algumas telhas para passar os cabos, estacionaram um caminhão com gerador na porta de casa – relembra.

A laje da edícula, nos fundos, serviu de palco para os músicos. Além dos convidados especialíssimos – “Não é todo dia que você reúne Jorge Ben e Erasmo Carlos na sua casa”, gaba-se –, Antunes juntou uma banda de primeira, com talentos da nova geração, como Marcelo Jeneci (teclados) e Curumim (bateria), além do seu contemporâneo Edgard Scandurra (ex-Ira!), com quem faz parceria desde seu primeiro disco solo.

Fora do repertório de Iê iê iê, há Quando Você Decidir (de Odair José), As Árvores (parceria de Antunes com Jorge Ben) e Já Fui uma Brasa (dos Demônios da Garoa), entre outras pérolas.



1. Já Fui Uma Brasa
2. Iê Iê Iê
3. Vem Cá
4. Essa Mulher
5. Americana
6. A Casa é Sua
7. Invejoso (com Fernando Catatau)
8. Consumado
8. Um Quilo
10. Longe
11. Envelhecer
12. Pra Quietar
13. As Árvores (com Jorge Benjor)
14. Cabelo (com Jorge Benjor)
15. Meu Coração
16. Sua Menina
17. Sou Uma Criança e Não Entendo Nada (com Erasmo Carlos)
18. Jogo Sujo (com Erasmo Carlos)
19. Quando Você Decidir
20. Sim ou não
21. Vou Festejar
22. O Que Você Quiser
23. Cachimbo
24. Já Fui Uma Brasa





Download: Ao Vivo Lá em Casa





quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Palavra (En)cantada



Palavra (En)cantada, documentário dirigido por Helena Solberg, discute a relação entre música e poesia no Brasil

Em um país com uma forte cultura oral como o Brasil, a música popular pode ser a grande ponte para a poesia e a literatura. O interesse em promover o debate e a reflexão sobre esse tema foi o ponto de partida do novo filme de Helena Solberg: o documentário Palavra (En)cantada. Dois anos depois de muita pesquisa e a filmagem de entrevistas em maio e junho de 2007, o longa chega aos cinemas em março de 2009.

O filme conta com a participação de Adriana Calcanhotto, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes, BNegão, Chico Buarque, Ferréz, Jorge Mautner, José Celso Martinez Correa, José Miguel Wisnik, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Lenine, Luiz Tatit, Maria Bethânia, Martinho da Vila, Paulo César Pinheiro, Tom Zé e Zélia Duncan. A maioria das entrevistas foi feita em casa e alguns deles cantaram e tocaram canções especialmente para o documentário, fato que realça a atmosfera intimista do longa-metragem.

Depoimentos surpreendentes e belo repertório - O roteiro doPalavra (En)cantada tem sua narrativa construída na costura de depoimentos, performances musicais e bela trilha sonora. A abertura do filme é surpreendente, com Adriana Calcanhotto cantando, em franco-provençal, versos de Arnaut Daniel, poeta provençal do século XII, considerado um dos maiores da história, um artesão da integração entre palavra e som.

A partir da idéia sugerida por Lenine, de que os compositores brasileiros são descendentes diretos do trovador, o filme lança olhar sob diversos aspectos da formação cultural brasileira. Dos intérpretes que declamam poesia nos palcos aos cantadores nordestinos que improvisam diversos gêneros na viola, passando pelo Rap que, segundo o rapper Ferréz, "é uma mera continuação do cordel", Palavra (En)cantada é uma reflexão sobre a tradição oral e a diversidade cultural brasileira, resultado do cruzamento entre as culturas erudita e popular. 

'Criou-se no Brasil uma situação que não existe em nenhum outro país: uma canção popular fortíssima, que ganhou uma capacidade de falar e cantar para auditórios imensos, e levar para esses auditórios poesia de densa qualidade, com a leveza que a canção tem', observa no filme o músico e professor de literatura da USP, José Miguel Wisnik.

Poetas-letristas, autores de livros que tornaram-se compositores, poetas que tentam usar a música para ganhar mais dinheiro, poetas do morro, tudo isso é assunto doPalavra (En)cantada. O filme é costurado por passagens instigantes, como a declarada rejeição de Chico Buarque ao título de poeta, e emocionantes, como as imagens captadas de Hilda Hilst pouco antes da sua morte, reclamando que os poetas não são valorizados no Brasil e contando que, para ganhar mais dinheiro, pediu para Zeca
Baleiro musicar seus poemas.

Filme é rico em imagens raras - Palavra Encantadaapresentará imagens inéditas no Brasil, como a encenação deMorte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto, no Festival de Teatro Universitário de Nancy, na França, em 1966. Merecem destaque também imagens raras, que foram restauradas pela produção do filme, de Dorival Caymmi, nos anos 40, cantando e tocando O Mar ao violão. A canção, feita em Itapuã em 1937, foi escolhida pelo próprio compositor como a mais representativa do conjunto de sua obra.

O documentário também resgata um depoimento histórico de Caetano Veloso no Festival da Record, em 1967, logo após cantar Alegria, Alegria. Nele, Caetano fala de sua inspiração ao compor a música e ressalta a liberdade no uso da guitarra na música brasileira: “No Rio de Janeiro, disseram “Caetano vai usar guitarra numa música, quando chegar na Bahia vai tomar uma surra de berimbau”. O que eles não sabiam é que os baianos estão além!”.

Ponto de partida - A idéia do projeto surgiu há mais de três anos. No começo de 2005, Marcio Debellian, autor do argumento do filme, apresentou um projeto à Bienal do Livro para realizar pocket-shows de música e poesia durante o evento. O objetivo era mergulhar no universo particular de grandes compositores brasileiros, seus livros e autores preferidos, e como a relação de cada um com a poesia / literatura influenciava o seu processo criativo. O conceito do projeto era trazer música, leitura de poesia e bate-papo para espetáculos pequenos, de atmosfera intimista. Mas acabou crescendo e se transformando em um longa-metragem.

“O mergulho nesta pesquisa trouxe à tona assuntos que iam além do impulso criador de nossos artistas, e que falavam de aspectos significativos da formação cultural brasileira. Achei que o assunto merecia ser documentado”, diz Marcio. Ao final de 2005, Marcio Debellian e a Radiante Filmes, produtora de Helena Solberg e David Meyer, celebraram um acordo para a produção do filme. Um ano depois, haviam viabilizado os recursos para início das filmagens. 




Download:  Palavra (En)cantada Parte 01
                  Palavra (En)cantada Parte 02
                  Palavra (En)cantada Parte 03
                  Palavra (En)cantada Parte 04
                  Palavra (En)cantada Parte 05