terça-feira, 6 de agosto de 2013

Bárbara Eugênia - É o Que Temos (2013)



Por Xico Sá, SP, últimos dias do Verão, 2013

A gente pode não saber onde colocar o desejo, meu caro Sigmund, mas Bárbara Eugênia, neste seu segundo disco, sabe muito bem onde pôr o amor, meu senhor. Na canção romântica que não tem medo do rosto colado, de um passeio de domingo ou de uma eventual roubada no picnic – corra, Lola, corra. Se no primeiro disco a fossa era nova, como saiu no jornal, neste é possível até – pasmem, senhores & senhoras - brincar de amar. Tem leveza, mas não se engane, o suspense continua. O amor tem sempre requintes de um certo Hitchcock.

Daí que Bárbara diz: “Bailemos”, na maresia da faixa “Coração”. Não há guarda-chuva nem vacina contra o pesadelo da dor amorosa. Daí que Bárbara, agora, parece dizer, à vera: não é por sabermos do inevitável fim que vamos soltar precocemente os cupins da discórdia e estragar logo tudo. Né? Roberto corta essa.
Bárbara vem como num mangá japonês. De trás para frente. Este disco-narrativa está para o “durante” dos acasalamentos assim como o inicial esteve para o “depois”. E não cabe a este pobre cronista resenhador dar pistas autobiográficas da moça, aliás, que moça, aquela voz meio rouca, a forma como chega no palco, suspiro, os vestidos que parecem trocar ideias com as costelas. Será que conversam sobre a atual fraqueza dos hombres?

Yes, sem pistas, arte é enigma e suspense. O que interessa é que o trabalho novo é melhor ainda. Poderíamos chutar aqui um zilhão de possíveis rótulos e pegadas: um Andrew Bird nas entrelinhas, uma trilha meio cinema safado italiano de Tinto Brass, o cheiro da chanson estilo “Les Provocateurs” (projeto do Edgar Scandurra que a Bárbara participa), o filtro azul lisérgico etc etc etc.

Ora, é tido, havido e sabido que a moça aprecia o que fica entre os anos 1950-70 da música, sem obrigação maluca de pregar um rótulo na testa. Isso já era. Além do mais, temos “as mesmas velhas dúvidas”, sempre, a história se repete na nossa adorável lavanderia de “roupa suja” - título de uma chapante canção em parceria com o Pélico, outro cão-vadio que entende do assunto.

A tal faixa conversa, de alguma maneira, por isso a lindeza narrativa do disco, com o clássico da Jovem Guarda “Porque brigamos”, versão de Rossini Pinto, safra 1972, para a canção de Neil Diamond. Noites brancas com sujeiras a passar a limpo. Ô Diana!

Uma rápida parada técnica, maestro: os arranjos do disco lembram sopros do coração, em acentos das cordas ou dos metais propriamente ditos. Aquela coisa: Bárbara vai contando uma história e a música só na sístole e na diástole. Principalmente em “Peso dos erros”, vontade de bolero, vidas noves fora zero.

Que coisa linda, confesso a que mais gosto de todas, “Ugabuga Feelings”, ela suando dendê, assim meio me deixas louca, e o moço da cara boa à espreita, que safadeza mais gostosa, ave palavra.

Babélica Bárbara em português dos Tristes Trópicos, em inglês (“I Wonder”) que lembra a Marilyn Monroe de “Os Desajustados”, Bárbara em drama nouvelle vague (“Jusqu'a la mort”), Barbarella sem medo da chuva com Tatá Aeroplano, Bárbara simplesmente sozinha como em uma nova e bela canção

Download: É o Que Temos

Mopho - Discografia

        


  No início de uma década que marcou definitivamente a queda da indústria fonográfica nos moldes tradicionais, onde mesmo artistas consagrados passavam por dificuldades, o Mopho teve seu espaço garantido graças à inquestionável qualidade de composições como Não Mande Flores ou Uma Leitura Mineral Incrível. Aos que tiveram a oportunidade de assistir aos shows de lançamento do seu primeiro CD, a banda apresentava um verdadeiro caleidoscópio sonoro, intensificado por figurinos coloridos e retrôs, que envolvia o público com camadas densas de timbres clássicos, com solos de guitarras e teclados lisérgicos, linhas de baixo hipnotizantes e uma bateria competente que se harmonizavam como os melhores ingredientes para uma receita infalível de um estilo de Rock’n’Roll que já não se fazia no Brasil.
           Em 2004 o Mopho lança Sine Diabolo Nullus Deus, com sua arte gráfica inspirada em Rubber Soul, dos Beatles, uma das maiores influências da banda. O CD traz músicas de destaque como O Amor é Feito de Plástico e Quando Você Me Disse Adeus, esta última entra na trilha sonora do longa-metragem de animação Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n Roll, do diretor gaúcho Otto Guerra.
          Após um longo e turbulento período de adaptações que quase extinguiu a banda, em 2011 é lançado Vol.3, onde a banda explora mais uma vez os limites de seu potencial criativo. O CD é composto por dez músicas que nada têm de aleatórias, interligando-se mutuamente através de memórias musicais instantâneas que vão se formando a cada acorde que entra pelos ouvidos.
Os anos longe dos estúdios de gravação alimentaram não só a expectativa dos fãs, mas também a sede da banda por um trabalho que novamente os representasse de maneira fiel. E assim aconteceu. O CD recebeu várias indicações em sites de música como um dos melhores do ano de 2011, com destaque para Quanto Vale Um Pensamento Seu, que conta com a participação do também alagoano Wado nos vocais, devolvendo a banda à estrada novamente, na prazerosa e simbiótica tarefa de dividir com o público mais um trabalho digno de ser lembrado por muitos e muitos anos.
          Desde a sua estreia, em fases distintas, a banda passou por diferentes formações e hoje conta com João Paulo (guitarra e vocais), Hélio Pisca (bateria), Leonardo Luiz (teclados), Júnior Beatle (baixo) e Marco Túlio (violões), uma formação muito próxima a dos primórdios do lançamento do primeiro CD, que contava com Júnior Bocão no baixo e ainda não tinha o auxílio de Marco Túlio nos violões. Entre os extremos desta linha do tempo, Dinho Zampier ainda deixou registrado seu teclado no terceiro CD do grupo. E o que outrora era um quarteto transformou-se em um quinteto, apto a reproduzir ao vivo cada nuance das sonoridades registradas em estúdio, satisfazendo mesmo ao mais exigente dos ouvintes. Saudações a uma grande banda!
Jackson Humberto

Mopho (2000)


Download: Mopho

Sine Diabolo Nullus Deus (2004)



Volume 3 (2011)



Download: Volume 3

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Alvinho Lancellotti - O Tempo Faz a Gente Ter Esses Encantos (2012)



O pai, Ivor, tem canções gravadas por Roberto Carlos e Clara Nunes. O irmão mais velho, Domenico, integrante do coletivo 2, é um dos nomes mais conhecidos da chamada nova cena carioca (hoje nem tão mais nova assim). Alvinho Lancellotti se firmou no mesmo cenário como vocalista do Fino Coletivo, sexteto de samba-rock com dois álbuns lançados. O tempo faz a gente ter esses encantos, há poucos dias nas lojas e disponível para download (no site www.alvinholancellotti.com.br), é o segundo CD solo dele – o primeiro de estúdio.

A praia, neste momento solo (fala-se em novo álbum do Fino Coletivo para o segundo semestre de 2013), continua a mesma. Só que o samba, aqui, aparece mais intimista. São 10 faixas, gravadas por uma penca de músicos – entre eles, o guitarrista Davi Moraes; o violonista Pedro Costa, um dos quatro produtores; e Domenico, na bateria e percussão.

As canções, todas de Alvinho, foram compostas nos últimos anos. Algumas não entraram no repertório do Fino. Quando Lulu Santos pediu-lhe que enviasse algumas composições, o músico viu que já tinha material para um novo disco.

Como a intenção era de que elas ficassem mais próximas do formato em que foram compostas, a instrumentação é baseada principalmente em percussão e cordas. Sexta-feira, que abre o álbum, bem poderia estar num disco do Fino Coletivo. Tem certa malemolência, que vai ao encontro dos versos “Alegria faz a moça girar/ Gentileza, tudo em paz no lugar”.

Alegria da gente chega no mesmo clima, só que mais percussiva. Já o samba Vidigal é introduzido por um grupo de crianças. O clima arrefece em É de mamãe, canção de ninar semiacústica que emenda com a apaixonada Meu bloco de amor. Única faixa com um coautor, Antena (parceria com Domenico) é ensolarada, com clima meio setentista.

Download: Alvinho Lancellotti 

Nevilton - Sacode! (2013)



por José Julio do Espírito Santo

Trio paranaense mantém pique em segundo disco
Apesar do título, Sacode! chega mais calmo, mas tão bem resolvido quanto o independente De Verdade, primeiro álbum do Nevilton, de 2011. Baladas como “Crônica”, que abre o álbum, e o iê-iê-iê “Friozinho”, que canta a paixão de um amor duradouro, levam o som da banda paranaense a um terreno mais pop. Ainda assim, o novo trabalho, produzido pela dupla Carlos Eduardo Miranda e Tomás Magno, continua ancorado em riffs fortes, que fizeram a fama desde que o grupo apareceu em 2007. Em português simples, claro e muitas vezes inspirado, Sacode! carrega o gene dominante do rock. A faixa-título é o maior exemplo do som forte do trio, em uma conversa séria entre a guitarra de Nevilton de Alencar, o baixo de Tiago “Lobão” Inforzato e a bateria de Éder Chapolla. “Vou ver o Mar”, com a letra enraizada no cancioneiro nacional – tal qual uma faixa imaginária de Vinicius de Moraes e Toquinho, fossem eles criados ao som de Led Zeppelin –, e a fascinante “Porcelana”, com ares de moda de viola e bafo de pub rock, evidenciam influências díspares que o grupo reconfigura de maneira especial.

Download:  Sacode! 


Ricardo Herz Trio - Aqui é o Meu Lá (2012)



Em 2012, o violinista Ricardo Herz lançou seu quarto disco, “Aqui é o meu Lá – Ricardo Herz Trio”, com composições próprias e direção musical de Benjamim Taubkin. Acompanhado de Pedro Ito (bateria e percussão) e Michi Ruzitschka (violão 7 cordas), o violinista tem se apresentado nos principais teatros e festivais do Brasil e exterior, marcando o público com sua contagiante presença de palco: são solos endiabrados e melodias marcantes que fazem do show uma experiência única na música instrumental brasileira. Com esse disco, o Ricardo Herz Trio ganhou o Troféu Cata-Vento 2012, da Cultura Brasil, escolhido por Solano Ribeiro.

Em outubro deste ano o Ricardo Herz Trio teve uma importante missão: foi o único grupo a representar o Brasil na seleção oficial do Womex – The World Music Expo, a mais importante feira de música do mundo. Em cada edição são escolhidos somente 30 artistas pra fazer apresentações e mostrar seus trabalhos para os maiores produtores e programadores de salas e festivais do gênero. A edição deste ano vai foi em Tessalônica, Grécia.

Herz reinventou o violino. Sua técnica leva ao instrumento o resfolego da sanfona, o ronco da rabeca e as belas melodias do choro tradicional e moderno. Com a influência de Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Egberto Gismonti, Jacob do Bandolim entre outros, o violinista mistura ritmos brasileiros,  africanos e o sentido de improvisação do jazz mostrando a influência dos 9 anos em que viveu na França. Dali levou sua música para os 4 cantos do mundo: tocou em Festivais na Malásia, no México, na Holanda, em clubes de Jazz na Rússia, em Israel, na Dinamarca e gravou com músicos de diversos países.

Graduado em violino erudito pela USP, sua sólida formação também vem da renomada Berklee College of Music, nos Estados Unidos, e da Centre des Musiques Didier Lockwood, escola do violinista francês Didier Lockwood, uma lenda do violino jazz. Com Lockwood, tocou nas principais capitais brasileiras durante as celebrações do Ano da França no Brasil.

De volta ao Brasil, Herz tem participado de muitos projetos e colaborado com músicos de todo o país. Em 2011, se apresentou como solista ao lado de Dominguinhos, abrindo a temporada anual da Orquestra Jazz Sinfônica no Auditório Ibirapuera. Formou um duo com o vibrafonista, multi-instrumentista e compositor  mineiro Antonio Loureiro e foi selecionado no Rumos Música 2010-2012, do Itaú Cultural, onde nasceu mais um duo, desta vez com o gaúcho Samuca do Acordeon. Os dois projetos em breve virarão discos. Com a camerata Cantilena Ensemble tem tocado o repertório do seu disco infantil. Ricardo também tem dedicado parte de seu tempo no ensino e difusão do violino popular.

Atualmente dedica-se aos shows de lançamento do novo disco, “Aqui é o meu lá”, no Brasil e no exterior.

“(…) o disco disputa seriamente como um dos melhores lançamentos instrumentais brasileiros do ano”
Irineu Franco Perpétuo – Guia da Folha – Folha de São Paulo – 28/07/12

“Um dos lançamentos mais inspirados da cena instrumental este ano”
Eduardo Tristão Girão – Estado de Minas 27/07/12

“Ricardo é desses moços que melhor toca ultimamente, toca pra valer. É um ótimo incentivo para a música brasileira, ainda mais por que, além de ser um excelente músico, tem um ‘molho’ único tocando violino no forró.”
Domiguinhos

“Cheio de sensibilidade e virtuosismo, swing e lirismo, Ricardo Herz está colocando os ‘pingos nos is’ na história do violino popular no Brasil! Tudo com muita musicalidade e a característica mais marcante em sua personalidade quando sobe ao palco: carisma! Sucesso de público e crítica”
Hamilton de Holanda

“Violino Popular Brasileiro é um título mais do que perfeito para o CD do Ricardo Herz. Com uma técnica apurada, passa por baião, forró (às vezes como se fosse rabeca), sambas, chorinhos e canções com autoridade e intimidade absolutas de quem conhece, de fato, o Brasil.”
Edu Lobo

“É de se espantar que o riquíssimo universo músical brasileiro poucas vezes tenha gerado grandes especialistas no violino, instrumento versátil e central na história do ocidente. É também de se espantar, por outro lado, que, mesmo sem uma longa tradição às suas costas, tenha surgido aqui um dos maiores violinistas da música popular mundial, o paulistano Ricardo Herz”
André Domingues – Diário do Comércio – SP- pag 24 – 26/06/12

“A música brasileira, sua especialidade, está aqui magnificamente representada com originalidade graças a seu grande talento de violinista”
Didier Lockwood


Download: Aqui é o Meu Lá 

Facção Caipira (2012)



A Facção Caipira nasceu em 2009 na cidade de Niteroi/RJ com a intenção de tocar o que gosta e cantar o que quiser. 
O quarteto formado por Jan Santoro (Voz/Resonator), Daniel Leon (Gaita), Vinicius Câmara (Baixo) e Renan Carriço (Bateria) participou dos maiores festivais da cidade, 
além de vencer os prêmios de melhor interprete, instrumentista, musica e banda no Festival Som na UFF 2012. 
O auto-intitulado EP foi lançado no fim do último ano em um show com ingressos esgotados no histórico Teatro Municipal de Niterói.

Telefone: (21) 8728-7385 (José Pantoja)


Gudicarmas - EP (2012)



A Gudicarmas, banda autoral surgida em 2011 no Recife, inicia o ano em plena produção. A singularidade de cada um dos integrantes, a saber Felipe Sitônio(violão, gaita e voz), Mateus Guedes (guitarra e voz), Otávio Carvalheira (baixo e voz), Pedro “Paca” Valença (percussão) e Rafael Cunha (bateria e voz) serão mescladas nas composições reunidas para o primeiro CD, a ser lançado no segundo semestre de 2013.

A Gudicarmas mostra suas abrangentes referências musicais como,
por exemplo, na música Azúis Blues, em que mescla a introdução de
WithinYouWithoutYou, dos clássicos Beatles e finaliza com a tranquila Doin Time, da californiana Sublime. As músicas, cujas letras falam sobre o cotidiano, o amor, a política e a natureza enquanto meio do homem, serão gravadas na própria cidade.

O nome da banda, aparentemente esquisito, reúne o conjunto de ações que resultam em consequências (o popular “Karma”) com as notas e arranjos ousados de algo muito bom (leia-se, do inglês, o “Good”). Daí, tem-se o abrasileirado "Gudicarmas".

A trajetória da banda ao longo do seu primeiro ano de existência contempla apresentações em eventos como a FeiraExpoideia, o PE Nova Música, a Terça Autoral do UK Pub, pocket-shows nas Livrarias Cultura e Saraiva e o projeto Peixe Sonoro do Nascedouro de Peixinhos, em parceria com a Aeso.

As músicas Quero Ar, Eu, ela e o mar, Azúis Blues, Doce Natureza, e as
recentes Almôndegas e Angelus estarão presentes no álbum de estreia da
banda. Esta última música, inclusive, participou do 14º FESTCINE, Festival de Vídeo de Pernambuco, com exibição no tradicional Cinema São Luiz, no centro do Recife, e foi classificada como uma das 10 revelações pela Joinha Records, selo colaborativo de artistas expoentes do cenário pernambucano, como China, Tibério Azul e Mombojó.

Site oficial: http://gudicarmas.tnb.art.br/ 

Download: Gudicarmas